Laurenceauquarta-feira, outubro 11, 2006
terça-feira, outubro 10, 2006
Globalização e políticas educativas...
Por isso, são indispensáveis não só as vozes que apelem a resistir e não desistir, mas também uma maior divulgação dos movimentos que, pelo mundo, se vão criando e ampliando contestando a inevitabilidade ou irreversibilidade que se pretende incutir nas mentes - movimentos que vão restituindo a esperança. "Globalização" tem hoje uma conotação de um processo puramente económico, a par da concentração e controle da informação nas mãos do poder financeiro, em suma, de um totalitarismo, mas a mundialização da resistência e da luta por uma sociedade mundial ou global(como se prefira designar) efectivamente democrática não é uma utopia. Inclusivamente, a não desistência dos professores, antes a persistência numa educação para a cidadania e para a formação do pensamento autónomo e crítico (e não apenas para uma integração nos interesses do "deus" mercado) tem uma importância fundamental para que aquele objectivo não seja de facto utópico.
Aqui deixo uns excertos de um artigo*...
“(...) diversos autores (Petrella, 1999; Weissheimer, 2002; Hirtt, 2001a) chamam a atenção para o processo de mercantilização da educação, destacando que é o mercado que determina o que a educação deve fazer (...). Esses aspectos da educação como mercadoria são reforçados nos discursos oficiais com os argumentos da necessidade de adaptar a educação às mudanças que a "sociedade do conhecimento" exige por parte da escola.
(...)
As reformas internacionais da atualidade têm a mesma configuração, uma vez que estão baseadas nos mesmos princípios: os de tornar a educação um dos motores do crescimento económico, precisando aproximá-la do modelo empresarial, a fim de que ela corresponda à lógica do mercado. Os indicadores dessas reformas (...) apontam para uma formação vinculada à lógica de mercado, voltada para uma sociedade globalizada, na qual o capital, o dinheiro, é mais importante do que o homem como sujeito e ser crítico, produtor de conhecimento e construtor de sua história.
(...)
Contra essa situação alguns movimentos** sociais, sindicatos, a sociedade civil, como lugar das lutas sociais e das resistências, têm-se organizado, buscando saídas e alternativas ao modelo neoliberal. Há um sentimento crescente de que se precisa de outra mundialização, de uma globalização diferente daquela que aumentou a miséria, a exclusão, o desemprego, a dívida dos países em desenvolvimento, o número de analfabetos.
(...)
Nesse contexto de resistência e proposições, a educação, que foi fortemente atingida pelo projeto conservador neoliberal, também tem demonstrado a sua capacidade de organização, buscando caminhos (...) para desenvolver ações que possam barrar esse avanço desmesurado da privatização do ensino, além de buscarem uma educação com qualidade socialmente referenciada, isto é, que não esteja voltada apenas para uma preparação imediata para o mercado de trabalho.
A certeza de que um outro mundo é possível é que tem congregado as pessoas nas associações, movimentos, sindicatos, organizações não governamentais, buscando conjuntamente a construção dessa nova realidade. Para essa nova configuração societal, a educação deverá ter um papel preponderante, como um poderoso instrumento de libertação dos homens e mulheres e como meio de desenvolver a cidadania e permitir o acesso aos bens socialmente produzidos pela humanidade.
Os profissionais da educação que deverão actuar nesse novo mundo solidário e justo precisarão ser preparados sob outras bases, nas quais sua dignidade como pessoa e como profissional seja respeitada (...), o perfil dos cursos deve preocupar-se com uma formação para a cidadania que inclua a capacidade de fazer análises críticas da realidade, contribuindo para o bem-estar social.
Essa outra sociedade, diferente da neoliberal, está sendo construída pelos movimentos sociais, mediante a resistência, as lutas, a apresentação de alternativas contra a globalização das desigualdades, a favor da escola pública, contra a mercantilização do ensino e pela construção de "inéditos viáveis", como sonhava Paulo Freire. Essa luta significa a mundialização da resistência, pelo direito à vida, e tem congregado, cada vez mais, um número maior de pessoas, porque este modelo que aí está aumenta o número de excluídos, de despossuídos. A crença de que um outro mundo é possível está posta (...).”
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* MAUES, Olgaíses Cabral. International reforms in education and teacher training. Cad. Pesqui., São Paulo, n. 118, 2003. Disponible en: http: script="sci_arttext&pid=s0100-15742003000100005&lng=es&nrm=iso".
** Nomeadamente, realizações como o Fórum Mundial de Educação (FME), em 2001, o Fórum Continenal da Educação (no Quebec), também em 2001, o Seminário Mundial de Educação (no Fórum Social Mundial), em 2002, bem como manifestações da Rede Social da Educação Pública das Américas (Red Sepa).
sexta-feira, outubro 06, 2006
Adenda

John Audubon
quinta-feira, outubro 05, 2006
Arquivo (19.55)

segunda-feira, outubro 02, 2006
Cuidando do meu estômago
Mas espero que esta (in)disposição demore pouco tempo a passar, pois faz-me falta esse "bouquet de blogues a que nos vamos afeiçoando", como designou a 3za num comentário que deixou no cantinho da Tit, e do qual me permito transcrever uma parte:
"E o bonito neste bouquet de blogues a que nos vamos afeiçoando é a diferença que se completa em harmonia... Todos juntos são muito mais do que a soma das suas partes. Todos juntos são a verdadeira essência do que é o professor... do que é a escola. E isso não se mata. Nem o sonho."
Entretanto, este meu não apetecer temporário tem a ver com o meu estômago que, fisicamente (e felizmente), até anda sempre de boa saúde, mas, quando tem umas indisposições metafísicas, leva-me a fazer limpeza ao frigorífico para eliminar eventual comida estragada, bem como a evitar refeições que suspeite terem algum ingrediente insalubre.
Ora, o meu estômago dá-se muito bem com a leitura e eu até acabei de adquirir um montinho de livros que me andam a apetecer urgentemente. Assim, nos próximos dias os meus dedos vão evitar as teclas para se ocuparem a virar páginas.
Claro, não passo o tempo em casa, e como o Outono ainda anda quase Verão, vou aproveitar para sentir o Sol, procurar algumas flores ou belas folhas outonais para olhar e, de caminho, não esquecerei de trazer legumes frescos para casa, pois não tolero agressões ao meu estômago.
sexta-feira, setembro 29, 2006
Respeito. II - Uma questão de raciocínio
Eu dava habitualmente aula numa 'sala de Matemática' bastante pequena, pelo que, a menos que frio e vento o não permitissem, mantinha a porta aberta para que o ambiente interior não ficasse abafado. A porta dava para um dos pátios da escola.
Um aluno que eu não conhecia, daqueles que se escapam às aulas e andam fugindo à vigilância dos funcionários, passou, parou, entrou mesmo um pouco para além do limiar da porta, para lançar "bocas" provocatórias para a turma, tendo também uma atitude algo provocatória para mim e não me obedecendo à ordem de ir embora. Mas, quando, logo a seguir, me aproximei para lhe falar, fugiu sem arriscar saber se eu iria apenas dialogar ou chamar um funcionário que o encaminhasse para alguma admoestação com maiores consequências. No entanto, não desisti e exigi que fosse levado à minha presença.
Veio com ar hostil e resmungos até eu lhe poder dizer que apenas queria conversar - "Nem nos conhecemos, não podemos conversar?" Pedi-lhe então que pensasse e me respondesse sinseramente o que sentiria e faria se tivesse a porta da sua habitação entreaberta ou esta tivesse uma janela acessível da rua e alguém, sem o conhecer nem à família, aproveitasse para tentar entrar e faltar ao respeito, a ele e aos pais. A resposta pronta foi: "Ia ter que se haver comigo!" (Uma resposta provável, se fosse um aluno mais novito, seria "ia ter que se haver com o meu pai"). Pedi-lhe que me confirmasse se isso queria dizer que considerava ter o direito a que lhe não faltassem ao respeito, a ele ou aos pais, adultos. Resposta afirmativa e, nesta linha, continuou o pequeno diálogo, terminando o mesmo com um "está certo" e a promessa de não repetir a atitude que tivera perante a minha aula.
O mais certo é que tenha continuado a não resistir à tentação de portas de aula abertas, mas lembro-me de ter voltado a passar umas duas vezes junto da minha sala e, ao encontrarem os seus olhos os meus, fazer um aceno de mão como quem, simultaneamente, diz adeus e comunica um "está tudo bem, não vou perturbar". E lembro ainda muito bem de atravessar um dia o recreio, ouvir um "olá stôra" e deparar-me com o olhar do moço, isento de hostilidade.
Afinal, foi apenas uma questão de raciocínio...
Tratava-se de um daqueles alunos que rejeitam a escola e entram nela de pé atrás e "sete pedras" na mão, prontas a atirar a qualquer adulto, funcionário ou professor, numa agressividade que mais não é que a forma que têm de se afirmarem e de extravasar a revolta escondida que as suas condições de vida fazem trazer dentro de si. No entanto, esses alunos sabem raciocinar como os outros, recusam é, em geral, fazê-lo, a menos que não sintam qualquer hostilidade da parte de quem tenta conversar e sintam até cordialidade.
[Mas, notem-se duas coisas. A primeira é que a sua permanente desconfiança os faz perceber hostilidade mesmo quando não há (por isso é menos difícil que adiram a um diálogo com alguém que não é seu professor pois este, provavelmente, já teve que repreender severamente, já teve que se zangar, dado que sabemos como são os comportamentos que estes alunos reincidentemente experimentam ter nas aulas).
A segunda nota, é que o professor é um ser humano como os outros, nem sempre consegue controlar uma imediata irritação e impulso para punir. Ninguém é perfeito, eu de certeza que estou muito longe disso, também tal me aconteceu noutras situações - no entanto, a experiência foi-me facilitando o hábito de distinguir, sem descontrolo, face a um mau comportamento ou um início de falta de respeito, os casos em que até é adequada uma "zanga" imediata e, enventualmente, alguma punição (não há nenhum aluno que não precise de firmeza e que até não a aprecie se a sentir justa e não aliada a sentimento de que o professor não gosta dele), distinguir, dizia, das situações em que tal não é (pelo menos de imediato) o caminho eficaz, antes dando azo a uma reacção que agrave o comportamento havido.]
Infelizmente, alguns vão crescer e tornar-se adultos assim agressivos, já que a vida (e as políticas "sociais") lhes dão pouca oportunidade de se afirmarem de formas mais positivas - como também outros adultos são agressivos não pelas condições de vida em que cresceram, mas por alguma experiência de que não sabem libertar-se e lhes bloqueia o bom senso e o raciocínio, tornando-os frustrados e azedos contra tudo e todos.
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When I Grow Up
Ed Wade
Respeito. I - Uma questão de direito.
Ao lembrar-me (não por acaso) desse episódio, ocorreram-me as considerações que se seguem.
Cada vez mais se alarga o hábito de as pessoas comunicarem pela Internet. Embora estejam escritas algumas normas éticas a respeitar, sabe-se que sempre aparecem pessoas (sob a capa do anonimato, claro) que fazem da falta de respeito e do insulto um dos seus entretenimentos, não lhes interessando (ou não tendo capacidade) seja para um convívio saudável, seja para confronto de ideias e opiniões de forma minimamente civilizada. (Um debate aceso é uma coisa, a falta de respeito, até à ofensa gratuita, àqueles de quem nada se sabe é outra)
Porque, infelizmente, isso faz parte da realidade, as diversas formas de comunicação têm funcionalidades para protecção do direito ao respeito. Assim é, por exemplo, com as "salas" de chat e com o msn, e também assim é com os blogues.
Alguém que crie um blogue apenas para se expressar para si próprio sem desejar dialogar, pode optar por não activar a opção "comentários". Também, outra pessoa, pode optar por limitar os comentários ao seu envio por e-mail (como é o caso de um dos mais conhecidos blogues portugueses). Pode ainda protejer-se de insultos escolhendo a moderação de comentários, bem como pode simplesmente apagar os comentários insultuosos. Mas, em geral, qualquer destes dois últimos recursos é esporádico, pois quem os origina depressa desiste.
Isto para dizer que, no entanto, a maioria dos que são alvo dessas tristes atitudes, apesar de terem esses recursos, prefere não os usar, ou usar momentaneamente se não é ele próprio - 'dono' do blog - o único alvo, mas também os que nele comentam, opinam, debatem. Entretanto, eu pergunto-me:
Afinal, se alguém se empenha em desacreditar opiniões ou ideias, porque não o faz com argumentos e civilizadamente? A menos que não tenha argumentos e lhe reste o recurso de perturbar ambientes que, por algum motivo, tema, ou não lhe reste senão a agressividade irracional para, de algum modo em algum lugar, se "afirmar" (entre aspas, pois ninguém se afirma sem dar cara ou nome).
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terça-feira, setembro 26, 2006
Adendas
segunda-feira, setembro 25, 2006
A visão que falta a quem não está no "terreno"
Sobre a actual política educativa no nosso país, continuo a poder saber tudo, e sobre a acção dos acólitos que diligentemente se esforçam por manter o apoio da opinião pública a essa política (penso que já com menos facilidade), também é fácil continuar actualizada. Mas já não ouço, não observo, não sinto o lá de dentro mesmo da escola. E suponho que permanece em vigor a proibição de professores responderem a jornalistas, se interrogados na qualidade de professores de uma escola A ou de uma escola B.
É verdade que no próximo dia 5 muitos professores 'falarão' na rua, mas vão falar essencialmente do projecto de ECD - e com toda a legitimidade -, mas o que a generalidade dos professores pensa desse projecto já eu sei, e queria saber também outras "coisas". Queria saber indícios dos efeitos das medidas da actual ministra da educação, provavelmente até já perceberia alguns se tivesse estado presente numa qualquer amostrinha dos conselhos de turma deste mês. Sua excelência não mandou que estes se organizassem logo em Julho para elaborar projectos de turma? Ou estarei equivocada, pois as turmas são constituídas por alunos, cada uma por estes e não por aqueles, e isso de projectos adequados a cada uma quando vários professores nem a cara dos alunos viram pareceu-me esquisito... Se calhar, Maria de Lurdes Rodrigues não os distingue, não são eles afinal números estatísticos?
E assim, neste não estar no terreno e, ainda por cima, com as escolas a serem silenciadas, não me está a ser fácil o silêncio que, do dentro delas, me chega, bem como a falta de sentir, de "apalpar". Contudo, eu deixei de estar na escola há apenas dois meses e, mesmo que fossem bastantes mais, não deixo, por isso, de conhecer bem e directamente o sistema educativo português desde os tempos da reforma Veiga Simão, conheço os efeitos das sucessivas políticas educativas, das reformas e das várias e diferentes medidas - efeitos na escola pública e no sucesso-insucesso dos seus alunos. Conheço directamente o crescimento das dificuldades e problemas resultantes da massificação do ensino no contexto das realidades sociais do nosso país e, acerca destas, as prioridades e não prioridades políticas, ou as vontades políticas e as faltas de vontade política. Conheço também directamente as sucessivas questões laborais e os comportamentos da classe docente face a elas, bem como as constituições dos sindicatos, evoluções e respectivas acções , tanto mais que não só sou a sócia número 198 do SPGL, como fui delegada sindical durante cerca de 20 anos consecutivos e me mantive, depois disso, muito atenta. E conheci ainda diferentes gerações de professores - não que cada geração seja uniforme, mas não deixa de ter alguma tipicidade -, e, nessas diferentes gerações, não deixaram de ter reflexos os respectivos modelos de formação-profissionalização.
Conheço essencialmente o ensino básico, tenho uma menor percepção do ensino secundário, mas ninguém negará esta afirmação: Não sendo suficiente para garantir a formação dos jovens portugueses, a sua preparação para a vida e o mundo do trabalho (especialmente nesta época em que devem ser preparados para uma contínua formação profissional, para uma constante actualização), não sendo suficiente, dizia, um sistema de ensino básico ou de escolaridade obrigatória de qualidade e exigência e que dê resposta adequada quer à época actual, quer às realidades sociais, tal é, indubitavelmente, condição necessária sem a qual ficará "aleijada" a restante escolaridade, ou a formação profissional subsequente.
Ora, se eu até já sinto falta de continuar no "terreno" para intuir efeitos das medidas da actual ministra da educação, como podem os cidadãos que não são nem nunca foram professores pronunciarem-se tão facilmente como o fazem sobre estas e aquelas medidas e distinguirem as válidas e adequadas das meramente hipócritas? E a pergunta maior é como podem os acólitos, fazedores da opinião pública ou influentes nesta, dormir de consciência tranquila depois de diligentemente propagarem as suas "análises" sem nada conhecerem directamente do referido "terreno"?
É verdade que, no estado em que está o país, serão necessárias algumas medidas ditas economicistas, mas o cidadão comum não aderirá de boa vontade a sacrifícios enquanto vê os escandalosos exemplos de tantos dos que mais podem. Como também os professores não aderirão, pelo menos com a mesma motivação, o mesmo entusiasmo e até com a paixão pelo ensino que caracteriza tantos, nem a medidas sobre as quais nem são ouvidos, impostas com recurso a uma "táctica" já reconhecida noutros países como erro colossal e que é a de denegrir a sua imagem, nem a justificações, em nome da educação-ensino para todos, que percebam eivadas de enorme hipocrisia.
E, já que referi reflexos dos modelos de formação de professores nas respectivas gerações, considero, por exemplo, também insólito o projecto de um exame para ingresso na carreira docente do ensino não superior quando prioridades economicistas já antigas alteraram uma formação inicial exigente quer na vertente científica, quer na vertente da profissionalização, juntando ambas no mesmo tempo de duração que tinha a primeira e retirando, para um ensino tão fundamental ao subsequente como é o do 2º Ciclo, a formação através da prática em estágios em que o professor se formava leccionando, sob orientação, turmas que para o efeito lhe eram atribuídas (para não falar das alterações propostas pela actual ministra aos estágios para 3º Ciclo e Secundário). Das duas, uma: Ou é de qualidade credível a formação ministrada pelas instituições formadoras, ou, se não é (ou nos casos em que não é) os governos não podem alhear-se disso por conveniências economicistas ou por compadrios e não podem deitar-se as responsabilidades exclusivamente para cima dos professores sem se exigir a responsabilização por parte das referidas instituições.
Não podem, em suma, ser compatíveis intenções de melhorar e adequar o sistema de educação e ensino com utilização do ensino público para amealhar tanto dinheiro quanto se consiga.
Que sabe a opinião pública em geral de tudo o que fui referindo em termos de reflexos na escola, na educação, no ensino? Que sabem disso tudo boa parte dos militantemente comentadores quer sobre a "bondade" desta ministra, quer sobre a "maldade" dos professores?
sábado, setembro 23, 2006
Verão terminado...
Minha casa de sapê —
Será tempo de colheita
No mundo lá fora?
Matsuo Bashô

Sakai Hoitsu, Flores de Outono e Lua
Mas agora deixo-me de arte japonesa, pois às flores e à lua faltam os passarinhos (além de que, confesso, também queria pendurar hoje no meu cantinho um quadro, simplesmente sobre o outono, de um autor daqueles de que adoraria poder ver originais, mesmo sem flores, lua ou passarinhos)
Feodor Vasilyev (1869), Autumn
E, por último, recorro à arte fotográfica, pois falta o mais importante...
Karen Kasmauski, Child Plays in a Pile of Autumn Leaves
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Bom (e firme) 1º Período lectivo, colegas!
quarta-feira, setembro 20, 2006
Apenas anotando um texto e deixando duas imagens
"A humanidade caminha muitas vezes para o abismo sabendo sempre evitá-lo" - artigo de José Paulo Serralheiro.
Odilon Redon
Guardian Spirit of the Waters (1878)
Flower Clouds (1903)
segunda-feira, setembro 18, 2006
Até...
Tenho coisas desorganizadas, inclusive a cabeça. Destinei quase dois meses a esvaziá-la, mas uma daquelas minhas meadas enredadas já está a querer entrar! Ná... não vou deixar...
Tenho, portanto, coisas a organizar, incluindo a cabeça. Tenho mesmo que dizer outra vez: até... Bem, é melhor não precisar, só sei que volto. ;)
Boa semana de trabalho para todos!
Ponto prévio ao post posterior
As minhas memórias são essencialmente de outros tempos (sim, no plural, cada 'tempo' tem andado a mudar depressa). Não penso que as memórias de "velhos" professores estejam necessariamente ultrapassadas, mas, para terem alguma pertinência actualmente, têm que ser ponderadas e escolhidas, entre muitas, as que ainda sejam adequadas.
A actual sociedade da Informação e Comunicação, ou, mais propriamente agora (? hum...), do Conhecimento, traz, por si só, novas exigências à Educação e ao Ensino, e isso nada teria de preocupante se não acontecesse que a globalização (de inevitável efeito nas políticas nacionais) decorre sob um pensamento neo-liberal desenfreado, que teoriza, defende, e se assume e se autoproclama condição indispensável e irreversível para o desenvolvimento/progresso económico, ao mesmo tempo que reformula conceitos e valores tais como Liberdade - o direito à "liberdade individual" -, ausentando desta um outro valor, que é o serviço a bem do colectivo humano, nomeadamente sem qualquer referente ético (ao menos em "teoria") sobre o livre empreendimento lucrativo mesmo que este cave o fosso da desigualdade ou acentue a pobreza e a marginalização. A democracia torna-se caricatura, ou luxo dos que a podem pagar, e também o(s) Estado(s) não se aguenta(m) no papel que deles se espera, passando "a bola" e deixando os imensos cidadãos que têm condições desfavorecidas cada vez mais desprotegidos.
Ora, a que propósito vem este meu "discurso"? Pois vem a propósito de que, se é irrecusável que a escola tem que ser capaz de preparar os jovens para corresponderem às exigências da actual sociedade, é também, penso, imprescindível que se não limite a instruir e a preparar para um contínuo aprender e que não esqueça que a educação não está cumprida se não atingir uma finalidade essencial: a aquisição de autonomia de pensamento e de capacidade e instrumentos para análise crítica. Se assim não for, a escola manter-se-à instrumento de reprodução de "valores" vigentes ao serviço dos intereresses dos pequenos senhores de países como o nosso e dos grandes senhores do mundo.
Tenho, nos últimos dias, citado uma afirmação de Hargreaves e volto a citá-la porque me parece urgente que ao menos os professores a assumam: "Ensinar para a sociedade do conhecimento e educar para além dela constituem dois objectivos que não são necessariamente incompatíveis". E penso que é sobretudo para esta segunda vertente que todos os contributos, em forma de memórias ou testemunhos, não serão demais - desde os pequeninos como os de professores anónimos como eu até aos bem maiores de docentes cujo prestígio não permite que lhes seja recusada a publicação da voz.
Contudo, e para finalizar explicando que não será para já que retomarei a escrita de memórias, mesmo uma pessoa que, como eu, é lida apenas por um número insignificante de colegas sente neste momento que já não deverá escrever por impulso deste ou daquele dia ou motivado por este post ou aquele comentário noutros blogs. Ora, estou num período bastante monopolizado por reorganizações, quer de vida na minha nova fase, quer de "cabeça", pois (embora não se note devido a este cantinho estar voltado para a educação e o ensino) eu tenho uma muito maior necessidade pessoal e de fundo de reflectir em "coisas" mais abrangentes do que as circunscritas à "coisa" educativa para poder manter um entendimento optimista sobre o futuro da sociedade em que viverão os meus netos (ou em que eles lutem pelo dos seu filhos) e não cair nalguma conclusão, que recuso, da inutilidade de tudo - e isso não tem a ver com os conteúdos específicos deste blog, tem sim com necessidade de tempo para mais informação e novas leituras, agora que... tenho tempo!
Entretanto, este cantinho sempre foi também um "sítio" onde me dá jeito exprimir a mim mesma estados de espírito ou breves pensamentos, seja para os salvaguardar, seja para os contrariar, pelo que o "até..." indefinido do post acima (que ia publicar quando resolvi teclar este "ponto prévio") provavelmente não significará silêncio, já que eu gosto de poemas e de imagens a quebrar o silêncio. ;)
sexta-feira, setembro 15, 2006
Bom fim de semana!
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana, Poeminha do Contra
terça-feira, setembro 12, 2006
Para não estar em silêncio
A escolha não teve a ver com nada do presente, nem com a letra, apesar de gostar muito dessa canção. Teve só a ver com o cantinho se chamar Memórias e a canção ser também a recordação de uma prenda - um disco de 45 rotações - de alguém que a vida levou cedo. Um breve momento em que a memória trouxe uma lembrança (breve, apenas o momento em que a lembrança veio de súbito)
Uma Memória para ti, J.
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ADENDA
E, a propósito de silêncio, deixo também um pensamento que, para mim, já tem a ver com o presente...
É muito silêncio
enquanto as flores não crescem
e os poetas dormem.
Eolo Yberê Libera
quinta-feira, setembro 07, 2006
Até já...
Como aquelas "outras coisas" nada têm a ver com a minha vida de professora, este cantinho vai ficar silencioso por uns dias.
Até já... :)
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ADENDA
Do site da FENPROF:
"Reunião com o ME de 6/09/2006 sobre as alterações ao ECD
O Ministério da Educação pretendeu hoje, na reunião realizada com a FENPROF, "negociar" um documento que não tinha sido entregue previamente. (...)"
Li essa 2ª versão do Projecto de ECD do ME a seguir a ter publicado o presente post, pelo que venho acrescentar uma pergunta e dois votos.
Pergunta: Atrever-se-ia a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues a ter o despudorado comportamento negocial que tem e a apresentar uma 2ª versão em vários aspectos ainda mais gravosa que a anterior se a maioria dos professores e presidentes dos conselhos executivos (professores também) não tivesse evidenciado o conformismo que se verificou ao longo de um ano, nomeadamente face a vários despachos feridos de ilegalidade?
1º voto: Que os tantos professores que se alhearam de um sério debate da 1ª versão não demorem, para irem ler a nova versão, o tempo que muitos demoraram para saber da 1ª mais do que a comunicação social evidenciava, e que atentem a que a Ministra quer a negociação encerrada em curto prazo.
2º voto: Que todos os colegas que, no ano lectivo anterior, activamente alertaram e debateram se vejam agora acompanhados pelos demais, como merecem e merece a sua disposição para lutarem - com este meu voto sublinhado para aqueles que, aqui na blogosfera, me deram a oportunidade tão enriquecedora e feliz de os conhecer e de partilharmos muitas preocupações e também muito empenhamento num melhor sistema de educação-ensino para as crianças e jovens portugueses.
domingo, setembro 03, 2006
Reflectir e debater
sexta-feira, setembro 01, 2006
Poupem-me, por favor!
Todos sabemos que esta moda se popularizou a partir do livrinho de Nuno Crato que o Miguel também refere como tendo colocado o dito termo "no top dos lugares comuns" e ao qual, já que teve a categoria de livro, eu só chamo mesmo "livrinho". Logo quando o li me faltou a paciência para terminar as últimas páginas, pois duas coisas me irritaram, uma respeitante ao recurso a curtas frases proferidas em situações pontuais, e retiradas do contexto do que esta ou aquela pessoa disse, e a outra parecendo já ignorância sobre o significado original, genuino, de um ou outro conceito. Mas, não venho falar do dito livro nem dos métodos nele seguidos pelo seu autor, embora isso de deduzir, de um pequeno escrito ou comentário, algum enorme eduquê ande a ter seguidores.
Entretanto, nesta 'história' de eduquês e anti-eduquês, o que me preocupa não são os que se andam a ocupar dela com defesas ou acusações (a menos que sejam mesmo professores e uns tantos miúdos lhes andem a passar pelas mãos). O que me preocupa é que também haja, entre os professores que os lêem, alguns que se limitem a fazer a sua auto-formação contínua por leituras "pop" (como lhes chamava um professor que tive não há muitos anos), umas "baratas", outras superficiais.
Já que Rousseau anda na mira dos anti-eduquês, ocorre-me que o caso da pedagogia não é, a meu ver, diferente do da filosofia propriamente dita no que concerne à formação do nosso pensamento. No 2º caso, o conhecimento de grandes filósofos contribui para a formação, criticamente, do nosso próprio pensamento sobre a vida e a humanidade, e, de preferência, conhecimento de pensadores com diferentes e até contrárias perspectivas, pois é no conflito entre ideias contrárias que o pensamento avança. Quanto ao 1º caso, se me perguntassem em que perspectiva ou corrente pedagógica me insiro, desde há muito tempo que responderia: Em quase todas as que li e em nenhuma. Claro que não estou a referir-me a alguma amálgama de ideias contraditórias. O facto é que construí (como todos os professores que procuram um pensamento autónomo) as minhas perspectivas pedagógicas (e também busquei fundamentos sólidos para as que privilegiei) através da selecção, em cada uma, dos aspectos sensatos a conservar - embora, naturalmente, tenha as minhas 'linhas de fundo'. Ou seja, a adopção exclusiva, exagerada ou dogmática de qualquer uma depressa, numa determinada fase lá para o início da vida profissional, me pareceu inadeaqada, seja às realidades, seja à eficácia, ou simplemente a mim mesma.
Mas eu ia jantar, passei pelo blogue do Miguel e vim, para quê (?) escrevinhar - já acentuei no início que o Miguel não teve culpa nenhuma, ainda menos de eu, em vez de ir jantar, me pôr a escrever também lugares comuns. Afinal, o que queria era apenas fazer o desabafo - que até fiz logo em título - sobre telenovelas de eduquês e anti-eduquês: Poupem-me, por favor!
;)












