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sábado, novembro 03, 2012

A minha indignação ainda consegue subir!

Agora também o "modelo alemão" para a Educação. Nem consigo escrever muitas linhas. Haverá muita diferença (se é que há alguma) entre decidir os destinos das crianças aos 9-10 anos e decidi-los à nascença?
Mas estas notícias-medidas merecem pouca atenção à comunicação social, não suscitam múltiplas entrevistas e debates, pelo que as famílias dos que serão maiores vítimas pouco se aperceberão atempadamente. Restaria aqueles de cuja profissão-missão se esperaria uma preocupação primordial pela Educação e pelo Futuro das crianças que frequentam ou frequentarão a Escola Pública.
Infelizmente para todas essas crianças, não espero que os professores saiam em massa à rua (oxalá me engane). Não se trata de subida de impostos, e mais desempregos não é coisa para já, já. Não é que eu não ache legítimo que se saia à rua por razões da austeridade imposta cegamente - mais do que legítimo, acho imperioso. Mas a verdade é que a actual equipa governamental  vai prepotente e criminosamente ainda mais longe, pronta a destruir valores civilizacionais e de justiça, bem mais irremediáveis a longo prazo - essa prepotência própria dos medíocres, e esses crimes mais próprios de psicopatas.
Professores, vão consentir?

sexta-feira, dezembro 30, 2011

sábado, novembro 26, 2011

...

Os povos serão cultos na medida em que entre eles crescer o número dos que se negam a aceitar qualquer benefício dos que podem; dos que se mantêm sempre vigilantes em defesa dos oprimidos não porque tenham este ou aquele credo político, mas por isso mesmo, porque são oprimidos e neles se quebram as leis da Humanidade e da razão; dos que se levantam, sinceros e corajosos, ante as ordens injustas, não também porque saem de um dos campos em luta, mas por serem injustas; dos que acima de tudo defendem o direito de pensar e de ser digno.

Agostinho da Silva, in Diário de Alcestes


Eu não quero ter poder
Mas apenas liberdade
P'ra dizer aos do poder
O que entendo ser verdade

Agostinho da Silva

domingo, outubro 23, 2011

Já basta de tantas palavras!

Os economistas, que deveriam ter conhecimento e lucidez, não se entendem (ou não querem entender-se). E os opinadores para todos os gostos fazem um barulho ensurdecedor.
O povo português é atordoado pelas chantagens das ditas inevitabilidades e pelas estratégias do medo, restando-lhe difíceis intuições e a pergunta: será que o destino do país está entregue a governantes competentes, ou não são estes mais do que irresponsáveis atrevidos que quiseram governar sem estudo e sem abertura à ponderação de propostas alternativas a medidas que tomem para além do compromisso com a dita troika?

Sinceramente, já só sou capaz de escrever o que agora escrevi no topo deste blogue.

(Quanto à Europa, esse é também um problema aflitivo e primordial. Contudo, vamos tendo um governo empenhado em ser mais papista do que a papista-troika)

sexta-feira, setembro 30, 2011

terça-feira, setembro 13, 2011

Visão necessária que talvez não agrade a professores

Começo por acentuar o que é dito no documento entregue por Mário Nogueira a Passos Coelho:
(...) A crise não pode servir de justificação para que se destrua o essencial, a base da construção do futuro; a Educação é, efetivamente, a base dessa construção! (...)

Não tive acesso ao jornal, mas Paulo Guinote mostra no seu blogue um caderno incluído no Público, no qual Mário Nogueira terá dito, em entrevista, o que, em parte, a seguir se lê, e que, por muito que pese aos professores, especialmente aos "umbiguistas", na minha opinião revela a honesta coragem de uma visão necessária, sabendo MN que não será a visão "popular" para muitos(?) dos associados na FENPROF.


Não falo assim por agora estar de fora como professora aposentada, nem por continuar a ser sindicalizada no maior sindicato da FENPROF - o SPGL. Falo como cidadã muito preocupada (e muito triste) com o rumo e o futuro do meu país, e toda a minha vida, embora lutando sempre pela Educação na Escola Pública, mantive a consciência da responsabilidade da cidadania.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Aos netos da madrugada...

Zeca cantou 'Filhos da Madrugada'. Vinde, também, netos da madrugada!
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"O que faz falta é animar a malta
O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta é empurrar a malta"
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"Não me obriguem a vir para a rua gritar"

Ainda trabalhei no tempo da ditadura; vivi com indescritível alegria aquela "madrugada", agarrando as mãozinhas das minhas filhas pequenotas e repetindo, repetindo a mim mesma: Elas vão viver num país livre!
Agora sou velhota, mas disposta a ainda ir para a rua gritar.
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(Publicado previamente no FB mas tendo como
 ttítulo o que agora se lê no topo desta página) 

segunda-feira, junho 06, 2011

Imensa tristeza. Mas luto, não!

É fácil iludir um povo assustado quando se faz uma campanha em que são omitidas-escondidas as medidas concretas que vão ter que ser tomadas e, ainda mais, as outras para além das impostas externamente. E são feitas promessas de intenções em abstrato para bem do povo, salientando o povo mais desfavorecido, quando, na realidade, se é por profunda convicção a favor do neoliberalismo extremado, ainda que não convenha dizê-lo.
Como se pudessem renunciar à proteção dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros, cujo apoio é o seu sustentáculo na posse do poder da governação.
Como se fossem capazes ou estivessem dispostos a, por exemplo, compensar o  abaixamento da Taxa  Social Única, imposto no acordo que assinaram, mediante taxação dos escandalosos lucros não taxados, contra o sustentáculo referido acima, evitando assim que seja o povo a compensar, evitando assim mais fome e miséria.

Imensa tristeza por ver o cravo de Abril em perigo de murchar. Mas luto, não, porque o povo pode ter sido iludido, mas o povo português não quer que esse cravo de Abril murche para sempre, e saberá regá-lo pela tomada de consciência que conduz ao NÃO, que conduz à luta que for necessária.

Há sempre os homens e mulheres que lutam... Aqui... na Europa... no Mundo...

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis
.
B. Brecht
 
É preciso saber esperar, sim. Mesmo que a mudança qualitativa aconteça sem que os que lutam toda a vida cheguem a vê-la - mas vêem e vivem os filhos ou netos. E agora a História até "anda" mais depressa.

Para os que não se acomodem: Jamais percam a ESPERANÇA!

sexta-feira, junho 03, 2011

Enquanto candidato a novo 1º Ministro pretende eliminar Ministério da Cultura...

... movimentos de cidadania na Europa manifestam-se contra as ameaças de morte contidas em planos de cortes nos orçamentos da Cultura. E em Portugal? Ficamos (ou continuamos) indiferentes???

(Precisava de mais uns dias para voltar ao meu blogue, mas senti o DEVER de vir, mesmo sabendo que este cantinho é pouco lido)

sexta-feira, maio 27, 2011

Para os meus netos (mas tenho a felicidade de me orgulhar deles)

(Via JMA)

Anjos com uma asa

Sei que, para os jovens de hoje, as coisas estão mais difíceis do que para as gerações anteriores. Como, talvez, não se possam comparar fenómenos que não são comparáveis, direi simplesmente que as coisas estão difíceis. Muitos pensam que os jovens dispõem de tudo: estudos, dinheiro, diversões, viagens, oportunidades ... Eu penso que lhes falta o mais essencial: o sentido das coisas numa sociedade que se desumaniza. Não é fácil resistir à corrente que nos arrasta, violentamente, para a competitividade, o individualismo, o relativismo moral e o conformismo.

Na sociedade em que vivemos, não é fácil conseguir um lugar, sem afastarmos os outros às cotoveladas. Não é fácil opor-se a quem tem algo para dar. Na altura em que têm de mostrar que valem para alguém ou para alguma coisa, vêem-se condenados a uma corrida interminável que acaba por conduzi-los ao desemprego.

Não sei quantos jovens de hoje subscreveriam as palavras de Camus: "Não podemos pôr-nos ao lado dos que fazem a história, mas ao serviço dos que a suportam". É mais fácil estar ao lado de quem pode distribuir prebendas, apoios, emprego ou, simples¬mente, sorrisos.
É preocupante ver como alguns jovens viram costas à esperança, mergulhados em si mesmos, nada preocupados com os problemas das pessoas e da sociedade. É preocupante ver que os que começam a caminhar já estão cansados da viagem, fartos de si mesmos, sem vontade de melhorar o percurso da vida dos que caminham a seu lado.

Nem toda a juventude assim é. Bem o sei. Há jovens entusiastas, comprometidos, empenhados. Há jovens sensatamente optimistas e, ao mesmo tempo, com um realismo empreendedor para melhorar as coisas.
Quero repetir, aqui, a mensagem que um ancião de 88 anos escreveu para os jovens. Uma pessoa que, apesar de já ter percorrido um longo caminho semeado de obstáculos, de tragédias e de dor, ainda mantém a esperança. Não de forma ingénua, evidentemente.

Ernesto Sabato escreveu o seu testamento destinado à juventude. Foi Seix Barral quem o publicou, com o título de Antes do Fim. Aos 88 anos, este doutorado em Física que abandonou os seus trabalhos sobre radiações atómicas para se dedicar, a partir de 1945, à literatura dirige-se aos que estão a iniciar um projecto de vida. E fá-lo sem dogmatismos, com humildade. As primeiras palavras da sua obra são significativas:
"Tenho vindo a acumular muitas dúvidas ... ".

Sabato constitui como destinatários do seu testamento moral os adolescentes e os jovens. Delicada etapa da vida em que se busca, ansiosamente, o sentido das coisas. Também se dirige aos idosos que, olhando para trás, se interrogam se terá valido a pena tanta dor, tanto caminho .. "Sim, escrevo isto "- diz Sabato -" sobretudo para os adolescentes e jovens, mas também para os que, como eu, nos aproximamos da morte, e nos perguntamos com que finalidade e por que razão vivemos, aguentámos, sonhámos, escrevemos, pintámos ou, muito simplesmente, empalhámos cadeiras".

Disse Camus: "Existe apenas um único problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Decidir se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia". Todas as perguntas acabam por nos conduzir a esta pergunta central que tem as suas raízes no coração humano.
Sabato não é um ingénuo. Não é um cínico. Construiu, com dor, um pequeno monte do qual se vislumbra a esperança. Muitas vezes se debruçou sobe o profundo poço do suicídio. E encontrou em si mesmo e nos outros uma réstia de esperança que o ajudou a continuar o caminho. As últimas palavras do seu testamento para os jovens são esclarecedoras: "Só os que forem capazes de encarnar a utopia estarão aptos para o decisivo combate, o de recuperar quanto de humanidade já perdemos".

Interroga-se Sabato, como já fizera antes em algumas das suas obras, sobre o sentido da pessoa na crise do nosso tempo. Estremecemos ao ler algumas das suas páginas (sobretudo o capítulo intitulado "A Dor Faz Parar o Tempo"). Como é possível manter a esperança no meio de tantos desastres, tanta miséria, tanta crueldade, tantos maus presságios?

O mais aberrante, talvez, é a desproporção da violência a que estão expostas as crianças. As torturas, a exploração, a venda, o abandono de crianças parece dar razão a Nietzsche, quando dizia: "Os valores já não valem" .

O filósofo Fernando Savater encerra a sua interessante obra As Perguntas da Vida com este poema de Heinrich Heine: "E não deixamos de interrogar-nos uma e outra vez; até que um punhado de terra/ nos cala a boca! Mas, será isto uma resposta?".
Num mundo que se desumaniza, há que pensar, com Goethe, que "a humanidade acabará por triunfar". E uma boa parte desse triunfo está nas mãos da juventude.

A comunidade caminha para a Utopia. Está em Utopia. É como a personagem da seguinte história. Era uma vez, há centenas de anos, um homem que, uma noite, caminhava pelas escuras ruas duma cidade do Oriente, com uma lâmpada acesa. Encontra-se com um amigo que, surpreendido, lhe pergunta:

- Que fazes tu, que és cego, com uma lâmpada acesa nas mãos?
Responde o cego:
- Não levo a lâmpada para poder ver o meu caminho. Conheço as ruas de cor em plena escuridão. Levo esta luz para que os outros, quando derem comigo, possam descobrir o seu caminho.

A esperança radica na ajuda mútua, na justa convivência, na solidariedade. Li numa parede da cidade de São Salvador de Jujuy este grafito: "Somos anjos com uma asa. Precisamos de nos abraçar para poder voar".

Miguel Santos Guerra. No coração da escola.

domingo, abril 24, 2011

25 de Abril... ACORDAI!

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz




________________
Poema: José Gomes Ferreira (musicado por F. Lopes Graça) Acordai - excerto
Citações: 1. De Grândola Vila Morena; 2. De Ary dos Santos, As portas que Abril abriu

sexta-feira, abril 22, 2011

25 de Abril: Aos avós da "geração à rasca"

Àqueles cujas pernas já não permitem 'sair à rua', mas que têm as memórias vivas, a voz que sabe contar contos verdadeiros e as mãos que pegam na caneta e escrevem...
A mais importante forma de comemorarem o 25 de Abril impõe-se neste momento... Usai-a!
Contem o que foi viver sem liberdade e democracia. Contem como foram as diferentes formas de consciencializar e lutar. Contem que custa (re)conquistar, mas quanto vale a pena. Contem sobretudo que esses valores preciosos não se defendem a olhar para os umbigos e digam quanto é urgente... tão urgente!... defender e, quiçá, reconquistá-los. Digam, e digam, e digam aos netos "geração à rasca" quanto e como têm o dever de cumprir hoje o seu papel para preservar um legado que outros lhes deixaram, e como muitos deram até a vida para lho deixarem, para o deixar aos filhos e netos. Contem!


Era preciso agradecer às flores

Terem guardado em si,

Límpida e pura,

Aquela promessa antiga

De uma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner Andersen (Obra poética)

sábado, abril 16, 2011

Eu diria antes "Meu Mundo"

MON PAYS


Vois-tu
nous avons d'abord bâti dans du sable,
le vent a emporté le sable.
Puis nous avons bâti dans du roc,
la foudre a brisé le roc.
Il faut qu'on pense sérieusement à batir
dans l'homme.

Ahmed Bouanani

Poeta marroquino
1939, Casablanca


O meu país

Vê bem
Construímos primeiramente na areia
o vento levou a areia
Depois construímos na pedra
o raio quebrou quebrou a pedra
Temos de pensar seriamente em construir
 no homem
(Tradução da Amélia Pais)

terça-feira, julho 20, 2010

Já não podemos dizer "venha o diabo escolher"

Acusámos Sócrates, no seu primeiro mandato (eu acusei), de tendências, seguidismos ou sujeições ao neoliberalismo. Com razão, mas hoje (neste preciso dia) isso parece-me tão relegado para plano secundário!

Não sei se posso falar do PSD globalmente, mas pelo menos o seu líder (por esse partido escolhido) hoje revelou-se ideologicamente de forma clara.

Fico-me por estas palavras pois não creio que haja razão para susto dado que não acredito que se permita a destruição da nossa Constituição e a mudança do regime saído do nosso 25 de Abril. Só quis salientar a verdadeira face ideológica do actual líder do PSD.

sexta-feira, junho 19, 2009

Valores

Recebi este prémio da Isabel do blogue Histórias (con)m Vida.

Como o prémio se inspira nos valores do humanismo, sobre os quais é pedido um comentário, em vez de comentário ocorre-me deixar esses dois vídeos, apesar de o primeiro ser bastante conhecido (mas sabe sempre bem rever), e de já ter posto o segundo aqui (pps que converti em vídeo)