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sábado, novembro 03, 2012

A minha indignação ainda consegue subir!

Agora também o "modelo alemão" para a Educação. Nem consigo escrever muitas linhas. Haverá muita diferença (se é que há alguma) entre decidir os destinos das crianças aos 9-10 anos e decidi-los à nascença?
Mas estas notícias-medidas merecem pouca atenção à comunicação social, não suscitam múltiplas entrevistas e debates, pelo que as famílias dos que serão maiores vítimas pouco se aperceberão atempadamente. Restaria aqueles de cuja profissão-missão se esperaria uma preocupação primordial pela Educação e pelo Futuro das crianças que frequentam ou frequentarão a Escola Pública.
Infelizmente para todas essas crianças, não espero que os professores saiam em massa à rua (oxalá me engane). Não se trata de subida de impostos, e mais desempregos não é coisa para já, já. Não é que eu não ache legítimo que se saia à rua por razões da austeridade imposta cegamente - mais do que legítimo, acho imperioso. Mas a verdade é que a actual equipa governamental  vai prepotente e criminosamente ainda mais longe, pronta a destruir valores civilizacionais e de justiça, bem mais irremediáveis a longo prazo - essa prepotência própria dos medíocres, e esses crimes mais próprios de psicopatas.
Professores, vão consentir?

sexta-feira, novembro 18, 2011

De vez em quando o meu copo transborda

e, embora nunca pense em terminar de vez com este cantinho, lá volto a suspendê-lo por tempo indeterminado pois não há paciência para escrever - fica, sim, a impaciência na espera de ver a resistência sair à rua (não ver apenas, sair também, claro), sair à rua e voltar a sair, mais e mais, e não só por parte do meu povo, que isso agora talvez não baste, mas resistência dos povos unidos, que urge.

A "gota" de água que hoje fez transbordar o meu copo:
Enquanto isto, e enquanto se tiram às pessoas direitos adquiridos como são os seus salários, que esses acha o governo e acha a maioria dos senhores deputados que é só decretar "cortem-se" ao mesmo tempo que, pelos vistos, pensam "mas a mim não". Pelos vistos, sim: A reintegração dos deputados na vida civil irá custar aos cofres públicos, até ao final de 2012, mais de 800 mil euros. Porque para esses senhores deputados direitos adquiridos para si próprios são intocáveis, e a lei que revogou em 2005 o dito subsídeo de integração para todos os seus colegas seguintes não os atinge porque "já tinham adquirido esse direito".
Não contesto, mas dizer, digo, digo que eu teria vergonha de solicitar o tal apoio de integração (e resta saber se precisaram de algum apoio para retomarem a sua anterior actividade profissional). Mais:
E outros 11 antigos deputados pediram a concessão da subvenção vitalícia.
Nota: A Assembleia da República pediu à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) um parecer sobre a divulgação dos nomes dos beneficiários do subsídio de reintegração e da subvenção vitalícia. Pois eu não quero saber nomes, que isso acho feio. Só gostava que houvesse o exemplo da moralidade, e para não falar de uma coisa bonita que se chama solidariedade.

E, antes de deixar este cantinho a marinar até me voltar a paciência, retomo a notícia do início. Gota de água? A mim não se afigura gota apenas. Talvez porque sou de um tempo que nem o actual ministro da educação, nem o das finanças, nem o primeiro sofreram. De um tempo em que, se pertenci à elite dos que então puderam estudar e prosseguir estudos, não foi por "berço" mas sim pelo enorme sacrifício dos meus pais - um sacrifício que, apesar de tudo, conseguiram mas não bastava para muitos e muitos. E quando, agora, já estou a saber do grande aumento de desistências de alunos que conquistaram o acesso ao ensino superior, isto transborda-me de facto o copo em que tento não fazer comparações com um passado morto - morto, mas com fantasmas que ressuscitam.   


sexta-feira, junho 03, 2011

Enquanto candidato a novo 1º Ministro pretende eliminar Ministério da Cultura...

... movimentos de cidadania na Europa manifestam-se contra as ameaças de morte contidas em planos de cortes nos orçamentos da Cultura. E em Portugal? Ficamos (ou continuamos) indiferentes???

(Precisava de mais uns dias para voltar ao meu blogue, mas senti o DEVER de vir, mesmo sabendo que este cantinho é pouco lido)

sexta-feira, julho 02, 2010

Pesadelo

Tenho estado, ultimamente, silenciosa sobre a política educativa. Mas eu conheci bem alguns efeitos já então nefastos da criação dos agrupamentos de escolas do Ensino Básico.
O projecto actual da criação dos mega-agrupamentos parece um pesadelo. Parece... Não, é mesmo um pesadelo, nomeadamente para quem dedicou tanto da sua vida à Escola Pública.
Desiludida, muito triste perante o que será uma certidão de óbito para a Escola Pública, ou, pelo menos, uma passagem desta a estado de moribunda cujo tempo de reanimação será imprevisível, de tão longo, nem consigo escrever. Remeto os eventuais leitores para os tristes alertas do JMA, linkando apenas dois deles para quem preferir textos curtinhos: "Mega-agrupamento - Declarações de Óbito?", "Megas e a dinâmica do caos"

terça-feira, novembro 25, 2008

Algumas das coisas que sempre agridem a minha cabeça

(Cabeça agredida não consegue ponderar com lucidez e isenção, por isso este blogue está em pausa - este post é apenas um breve desabafo e um pequeno parêntesis nessa pausa)

- Atitudes prepotentes
- Da falta de rigor até à verdadeira desonestidade intelectual
- Irresponsabilidade impune no lançamento precipitado e a toda a pressa eleitoralista de experiências reformistas, nomeadamente as que tornam as nossas crianças e jovens em cobaias (falta de responsabilidade e coragem políticas para procurar previamente consensos nacionais mínimos para o delineamento e o prosseguimento, no médio prazo necessário, de reformas em domínios cruciais como o da educação)
- Subversão de normas de funcionamento de um estado de direito, torneando-se leis fundamentais e alterando por simples despachos (ou menos) leis e decretos-lei, sem que haja ao menos um presidente da república que se mostre preocupado com isso
- Argumentos inconsistentes e contraditórios por parte de quem o futuro do país exige competência e ausência de trapalhadas remendonas
- Falta de profissionalismo jornalístico (Mais do que o servilismo - facilmente detectável pela opinião pública -, incomoda-me o estudo/conhecimento extremamente superficial da parte de jornalistas e comentadores)
- Exacerbação de grandes questões nacionais até à irracionalidade (da parte de sejam quais forem os intervenientes)
- Hipocrisia e oportunismos político-eleitorais

terça-feira, maio 30, 2006

Só porque tenho uma ética

(que não tem a ministra da educação - com minúsculas, sim, não é distracção)

Se não fosse incapaz de fazer os meus alunos pagarem pelos insultos com que a ministra me atinge (não só a mim, claro), não punha mais os pés na escola a partir de amanhã (a reforma está pedida e o atestado médico não seria fraude, não conhecia o insulto, conheci o respeito em toda a vida profissional, este final de carreira tem sido uma enorme agressão psicológica).
"(...)nas escolas a cultura profissional dos professores não os orienta para os casos mais difíceis. No seu entender, há uma aristocracia nas escolas que reserva os melhores alunos para os professores mais experientes, e os piores alunos para os professores mais novos na profissão. (...)" (Pode ler-se o resto da notícia, sobre as palavras da ministra, que acabei mesmo agora de ler no Jornal de Notícias)
Talvez existam situações dessas, estamos fartos de dizer que nenhuma profissão está isenta de casos indesejáveis, mas a ministra insulta a torto e a direito.
No ano passado tomei um dos meus actuais nonos anos, era a turma mais difícil do 8º (e continua a ser muito difícil no nono), sem que ninguém me obrigasse, fui eu que optei dado que a experiência de tantos anos sempre ajuda, em vez de tomar, como era habitual, as novas turmas no 7º. Neste ano, novamente tomei uma turma bem difícil do 8º, quando podia ter tido um dos bons sétimos que temos este ano na escola - outro desafio, para mim e outros colegas (e consideráveis progressos foram conseguidos por este conjunto). Também, pela experiência que tem, uma colega igualmente de Matemática aceitou este ano nonos anos (sem os ter tido no 8º ou 7º, tal como já fizera no ano anterior) sem ser obrigada - mais por esta colega e amiga do que por mim mesma, manifesto a minha indignação a uma ministra que a ninguém respeita, pois é uma colega que sofreu no ano passado o maior drama que pode acontecer a uma mãe, mas nem assim optou pelo mais fácil).
Ao meu 8º já não faço falta, o programa está praticamente dado e a avaliação praticamente feita. Mas, deixar os meus dois nonos a umas semanas do exame (na minha escola, os professores de Português e de Matemática continuam a disponibilizar as suas aulas nas 'férias de ponto'), seria deixá-los com um sentimento de enorme insegurança, apesar de o programa estar dado e possuir todos os elementos de avaliação de que preciso)


Desculpe, quem me ler, por este desabafo, eu nem preciso de desabafar, quero, sim, deixar aqui dito à srª ministra que o que mais me custa é não lhe poder dar um bofetão - meu e, mais ainda, pela minha colega e amiga A.L. (e por todos os que desejassem, justamente, que o desse)

terça-feira, maio 23, 2006

Caça às bruxas ou paranóia?

Hoje, reunião de departamento. Apenas uma colega do grupo fora aplicadora de provas de aferição do 6ºano. Para surpresa de todos os restantes elementos do grupo (Matemática do 2º e 3º ciclos), a colega contou da sua estranheza por, além de (julgo que pela primeira vez) as provas terem o nome dos respectivos alunos, haver um espaço para indicar o nome do professor que leccionara a disciplina neste ano. Não cabendo aos aplicadores esse preenchimento, a minha colega ainda tinha a dúvida se "nome do professor" não significaria apenas nome do aplicador.
De imediato se foi esclarecer o caso junto do Conselho Executivo - era mesmo do professor da disciplina o nome que acompanharia as provas de cada turma.
A pergunta de todo o departamento 'O que andam os professores a fazer, calados, perante processos que já são pidescos?' ficou na acta e direccionada para o Conselho Pedagógico como alerta, pois terão sido raros os docentes, na minha escola, que se aperceberam do caso.

Não temos medo de avaliação individual, não recusamos (pelo contrário) uma avaliação de desempenho efectivamente correcta, mas que seja baseada em critérios e meios fidedignos (e, já agora, também queremos uma avaliação de todo o sistema, incluindo a avaliação das instituições e modelos de formação de professores, da adequação dos currículos e da eficácia das medidas até aqui tomadas.

Para o acaso de alguém estranhar a nossa indignação, permito-me transcrever, como pequeno exemplo, extractos dos comentários deixados pela Teresa na minha recente entrada "Testes, testes e mais testes" :
"Ai, digo eu, depois de falar com a minha DT sobre o que fizeram na prova de aferição. E sinto o mesmo que tu. Erros imperdoáveis de alunos que nunca os dão nas aulas... faltas de atenção de concentração nas coisas mais simples... (...). Mas estou progressivamente a desligar. Sei o que eles sabem e têm feito com entusiasmo. Eu sei que as crianças falharam em coisas por razões que não saberei nunca (As tais causas que podem ser mil) (...) houve professores que marcaram TPCs enormes e testes para a semana das provas... tive alunas a chorar sem saber para onde se virar - têm 11 anos !!!! "
"Já não estou... (refere-se a preocupada) Eles têm trabalhado tanto...Cresceram tanto este ano em tantas competências importantes..."

quarta-feira, março 15, 2006

Saiamos da cilada!

Deixei há bocado uma proposta ao Miguel Sousa (esperando que o Miguel Pinto, nosso grande dinamizador de debates, lá fosse lê-la): "andam mesmo a desgastar-nos, a stressar-nos (...). Por isso, temos que brincar mais aqui pela blogosfera, quase que propunha um tempo sem temas sérios, só humor, mas... não tenho jeito para isso, faço a proposta ..."

E, a seguir, foi uma memória que me trouxe a escrever a presente entrada. Tive um professor (em segunda fase escolar, eu já muito e muito crescidinha) que tinha duas atitudes aparentemente contraditórias (sublinhe-se o aparentemente). Uma, era a de ser muito exigente - e eu, como alguns colegas, não o tivemos de passagem, tivemo-lo o tempo quase todo numa fase em que voltávamos a ser alunos; outra, descreve-se na persistente recomendação que nos fazia, lembrando-nos que, além de termos família, não tínhamos só aquele trabalho (trabalhão, diga-se): "não se deixem avassalar demais, não deixem de ir ao cinema, não se esqueçam que só temos uma vida e que a vida são dois dias!".
E, neste momento, pergunto-me como consegui seguir aquele conselho, mas consegui porque o que ele dizia era o que eu pensava. E, a verdade é que devo ter visto mais filmes nesse tempo do que vi nos últimos dois ou três anos, porque às vezes passam-se meses "sem ter tempo" para ir ao cinema. E, a verdade também, é que li livros pesadões e por acréscimo às temáticas obrigatórias (por interesse e gosto, aliados à oportunidade), enquanto que agora tenho fases em que "não tenho tempo" para o simples prazer de ler um bom romance. (As aspas querem dizer que não estou nada convencida do que está escrito entre elas).
Porquê???
Porque o tempo de um dia não é o mesmo quando gostamos do que fazemos, ou quando, mesmo estando a fazer quase nada, há fadiga psicológica, desencanto ou stress.

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Mas... afinal, estes estados psicológicos porquê???
Paixão pela educação é uma coisa - estar-se apaixonado é sempre maravilha. Aceitar carregar uma cruz que não é nossa, porque acham que as nossas costas é que são largas e que nós até somos réus, isso é outra coisa. E, o que os outros acham ou querem é uma coisa, e o que nós achamos ou queremos é outra!

Acho que andamos a esquecer-nos disso!

Quando paramos para dizer: Espalham o descrédito e o desrespeito? Alimentam o facilitismo nos putos e encolhem os ombros por eles andarem a não se deixar ensinar e a não deixarem que os colegas que querem aprender, aprendam? E os pais dos que querem aprender e são prejudicados por todo este clima que se vive, passivos, a deixarem que confaps e cª falem e actuem em seu nome? O silêncio não se chama conivência? Então, porque continuamos a afligir-nos porque os nossos alunos têm um real insucesso? Os nossos alunos não são os culpados, mas há limites para carregarmos as culpas dos outros - quando paramos para dizer?

Quando paramos para dizermos isso a nós mesmos
, para destressarmos, para irmos ao cinema, para brincar, para falarmos de poesia e termos tempo para o que até conseguimos quando nos tratam bem ou nos sentimos bem, para continuarmos a dar aulas, mas recusando a fadiga psicológica que estamos a consentir que nos invada apenas porque queremos salvar pequenos mundos chamados turmas, habitados por meninos que não são nossos e que, em boa parte, têm quem cuide deles e tenha o dever de cuidar, a começar pelos mais altos responsáveis que hipocritamente usam essa expressão cuidar estando-se nas tintas (desculpem a expressão, mas não tenho outra) para o real sucesso desde que sobrem os suficientes, protegidos nas escolas privadas, para garantir ao país a continuidade da existência de "gente de sucesso" - quando paramos para dizermos isto a nós mesmos?.

Em suma, o que quero dizer (a mim e aos que trabalham empenhadamente - se outros houver, esses não stressam) é que não vimos da escola para casa sem nesta nos sobrar tempo porque temos que continuar a trabalhar para os alunos. Não. O que não nos sobra não é o tempo contado em horas ou minutos. O que não nos sobra é o tempo psicológico, porque nos deixámos cair numa cilada. Saiamos dela, trabalhemos tranquilamente, o tempo necessário para que aprendam os alunos que queiram aprender ou sejam POR TODOS estimulados a isso (e não o tempo a mais, e cada vez mais, em esforços que se provam inúteis quando outros se demitem de que o não sejam ou até contribuem para que o sejam), trabalhemos até muito, ou muito a mais, quando isso pode ser paixão e nos deixam que seja, mas...
... mas saiamos da cilada!

Adenda:
E tu, Isabel, arranja tempo para escreveres mais curtinho! (Isabel responde: foi a cilada que me tirou a capacidade de síntese!) Ora, ora, Isabel, esse texto todo ainda é sintoma de que não saíste da cilada! (Isabel opta por não responder a provocações)

quarta-feira, novembro 16, 2005

"Pedagogia diferenciada na sala de aula"

Comecei a ler o Despacho Normativo nº 50/2005 e não li mais, irritada, depois de:

"3—O plano de recuperação pode integrar, entre outras, as seguintes modalidades:
a) Pedagogia diferenciada na sala de aula."

Como disse já o Miguel Pinto, "num ápice, a pedagogia não diferenciada foi legitimada". Sim, porque apenas "pode integrar" (como uma mera sugestão).
Não sei o que sente cada professor, mas eu, desta vez, nem me senti ofendida, apenas gozada. Mas é toda a minha vida profissional que é gozada, como acho que se notará nesta memória tão longínqua que me lembrei há tempos de guardar neste cantinho.
E mais não digo, porque tenho uma coisa mais importante para fazer: libertar-me da irritação, que esta ministra, a mim, não merece que me lembre sequer que existe. (Se ela desse aulas, saberia sequer o que é diferenciar?)

domingo, outubro 02, 2005

Adenda: Mas foi só uma vez

"Grito" e assunto terminados, da minha parte.
Até porque, além de o assunto andar pouco sintonizado, o exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra (dizia William James).


D. Gehrman, Crackling Silence

sábado, outubro 01, 2005

Chegou a minha vez

Na situação criada nas escolas, temos lido reacções de colegas resultantes de revolta (por isso naturalmente emotivas, provavelmente daquelas que gritamos nada convencidos de que vamos levá-las à prática), em que se afirmam disposições, formuladas diferentemente mas com uma tónica comum que traduzo: contar as horas de trabalho e, esgotadas as 35 semanais... parou, a correcção de testes é adiada, a preparação do material para as aulas é suspensa, aos alunos diz-se: não há, não reclamem.

Chegou a minha vez do "grito", só que não foi esse. Direi qual foi depois de descrever a gota de água que me encheu, e que é o facto de (além das 10 horas marcadas no meu horário como componente não lectiva) estar com um trabalho esgotante, nas aulas de duas das minhas turmas e em casa por causa delas (um 8º novo e um 9º que já fora a minha "dor de cabeça" no ano passado, descrita AQUI), trabalho que poderia ficar atenuado e com maior probabilidade de ter algum sucesso se não estivesse a minha escola subjugada às prioridades da Srª Ministra da Educação.
Transcrevo a última parte de um meu post anterior (parte essa que é a tal gota de água) :
"Um pequeno mas bem elucidativo exemplo. Face às preocupações com a Matemática, fiz em Julho, ao saber do aumento das horas na escola, o levantamento dos alunos (em número alarmante) que iam ingressar no 8º e no 9º sem nunca, incluindo o 2º Ciclo, terem tido mais que nível 2 nesta disciplina, para que se desse um apoio suplementar destinado a aquisição daquelas bases mínimas sem as quais fica impossível a qualquer profesor, nas horas curriculares, conseguir recuperá-los e integrá-los, mesmo quando estão receptivos a isso. Soube posteriormente que tinha sido impossível conseguir essas horas porque não sobrava nenhuma, das necessárias para ter professores em todos os tempos, destinadas à prioridade imposta de serem ocupados os alunos em qualquer falta de um professor. Quem tiver tido paciência de me ler até aqui, vê bem nisto uma amostra da cegueira da Srª Ministra quanto às prioridades.
Mas... fica-se passivo???!!!"

E o meu grito foi o final de um documento que redigi ontem, dirigido ao CP da minha escola, em que descrevo a razão de ficarem inviabilizados dois projectos que tinha sugerido (duas ideias muito bem recebidas pelo CP, para a escola preparar actividades efectivamente de reforço educativo, a que qualquer professor substituto poderia conduzir as turmas). E ficaram inviabilizados devido a que necessitavam de tempo para que equipas de professores interessados (e havia) trabalhassem neles em termos de lhes dar conteúdo, planificar, e definir os materiais a executar - e esse tempo não há. Não há por razão óbvia: com 24 horas já preenchidas nos horários (fora as das reuniões) (a maior parte, da componente não lectiva, nas tais substituições para actividades avulsas com alunos), com as 35 horas ultrapassadas por aqueles que já as totalizavam ou excediam e que são aqueles (bastantes) que costumam mostrar-se mais disponíveis e entusiastas para estas "coisas", não sobra tempo (para montar tais projectos não basta meia dúzia de horas, pois tratava-se de recursos a criarmos na escola para toda a escola), nem alento (nem horas comuns necessárias).
A essa descrição, acrescentei o relato resumido do caso que aqui comecei por (re)descrever - a minha gota de água a tranbordar a taça.

E o tal final do documento (a que acima chamei o meu grito, caso - pouco provável - em que não venha a ser o grito da minha escola) é assim:
"Caso o Conselho Pedagógico não subscreva este relatório com a finalidade de envio ao gabinete adequado do Ministério da Educação (de preferência ao gabinete da Srª Ministra), desejo usar o meu direito de o enviar a título individual por intermédio da escola, acompanhado portanto de ofício adequado a essa formalização." (O documento, por agora, é assinado como professora e coordenadora do 3º Ciclo de Matemática)

_______

Adenda

Um esclarecimento, decorrente de possível mal entendido em que um comentário me fez reparar: independentemente de o CP da minha escola entender ou não adequado o envio do meu documento em seu nome, não estará em causa o seu acordo com o conteúdo do mesmo, incluindo o do presidente do meu CE, também presidente do CP. Este esclarecimento deve-se a que, dadas as notícias de que alguns conselhos executivos cumpriram o mais gravosamente possível para os professores as normas impostas superiormente ou até as excederam, na minha escola não temos esse caso, temos sim o caso do cumprimento o menos gravoso possível dentro da (muito pouca, mas alguma) margem de maleabilidade que foi dada aos conselhos executivos, nomeadamente na decisão do número de horas da componente não lectiva para trabalho individual.

quinta-feira, junho 30, 2005

...eu mordo!

Terminaram as aulas... já estamos habituados a ouvir: Que grandes férias têm os professores! Eis um momento propício para acrescentarem mais um aos "privilégios" da profissão docente. Mas garanto que se alguém me disser que estou de férias, eu mordo! (Mordam também, colegas!)

Jennifer Kirby