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quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Voltou o sol. Mas...

Van Gogh (1889)


Depois de muitos dias de frio e chuva, voltou o sol. Mas... não se alterou o mau tempo na política educativa, nem melhorou o clima na Escola.
E, pela blogosfera docente, há espaços tão repletos de ADD e ECD que não sobra espacinho algum para debater as coisas simples mas grandes que respeitam verdadeiramente àqueles para quem a Escola existe: os alunos - coisas que estão nas mãos e quase só nas mãos dos professores.
Coisas simples mas grandes que gostaria de ver ao menos colocadas à reflexão nas escolas e também neste espaço de tão ampla participação que é a blogosfera.
Neste dia de sol, apetecia-me encontrar posts que interrogassem e suscitassem debate sobre questões que a ADD e o ECD parecem ter esfumado, questões tais como:
- como recuperar a formação para os valores, nomeadamente o do trabalho?
- que inovações se impõem nos métodos de ensino?
- quais as estratégias criativas que transformem os conteúdos dos programas em meios que estimulem o gosto pelo acto intelectual de pensar, conhecer e aprender?
- onde impor o tempo para o trabalho colaborativo que defina estratégias colectivas de acção?
Mas... neste dia de sol raros são os espaços onde transparecem essas coisas simples mas grandes. É um sol que não me aquece.

domingo, fevereiro 08, 2009

Era o que eu também queria escrever...

"Ensaio sobre as grandezas e as misérias da escola", como o JMA esboçou aqui.
Conheci grandezas na escola, mas também lhe conheci muitas misérias. E continuo a observá-las agora, ainda que à distância.
Mas andamos em tempo de pura perda de tempo, também em tempo de tristeza pela escola que se amou.
Não se preservam as grandezas da escola, nem se atacam as suas misérias.




Já uma vez aqui perguntei: A quem cabe endireitá-la?
Talvez a todos?
A quem, afinal?

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Por esta ponta não chego lá

"Preciso de começar por uma ponta", tenho andado a dizer-me. E a ponta podia ser o meu campo de observação directa - a minha própria escola.
A reconstituição dos factos (e do seu evoluir) dá-me um retrato. Factos desde o plenário de abertura deste ano lectivo, professores expectantes, novos horários e tarefas ainda em ultimação, depois os efeitos do embate e as reacções efervescentes, seguindo-se o modo como se aplicou a componente não lectiva e a ocupação de alunos sem aula (também uma ou duas propostas que colheram palmas mas mais não colheram além delas, diga-se), chegando-se posteriormente a mais burocracia de uma papelada que a autonomia não reduziu, ao correr de papeis de mão em mão nas reuniões de avaliação para individualmente se porem cruzinhas e acrescentar escritos nos chamados planos de recuperação (cada um no seu compartimento), até ao último facto notório até ao momento: as alterações de vários horários, quer devidas à rectificação do ME sobre o máximo de horas para substituições, quer decorrentes de propostas de aulas de recuperação / horas de sala de estudo por parte de professores de várias disciplinas (cada um com os seus motivos para equacionarem ou reequacionarem a baralhada entre lectivo e não lectivo)
Retrato decerto parecido com outros de outras escolas. Decerto, também, outros havendo diferentes destes mas parecidos entre si, podendo-se provavelmente ter categorias de retratos segundo graus de autonomia, de mobilização, iniciativa e criatividade para recusar entreter meninos e dar-lhes, sim, reforço na formação global e oportunidades de motivação para aqueles que causam problemas porque a escola nada lhes diz, e até de perspectivação de mudanças necessárias à escola de massas e simultaneamente escola para o século XXI - graus cuja escala, obviamente, começa no zero, haja nele ou não retratos reais. E os retratos mostrarão também diferenças, entre escolas, de condições físicas e recursos, a menos que os fotógrafos desviem a lente das vistas dos fáceis possíveis e dos quase impossíveis.

Porque me reporto apenas aos factos novos decorrentes de medidas novas, este retrato não mostra as actividades extracurriculares, os projectos em funcionamento, nem as relações pedagógicas e os trabalhos devotados que acontecem, anónimos, dentro de várias salas de aula, pois não são factos novos, e bastantes professores, sem serem obrigados, passavam muitas horas na escola para além do seu horário lectivo - mas esses factos "velhos" concorriam para caracterizar a qualidade da escola.

A este retrato do conjunto dos factos novos não guardarei num album nem na memória positiva - isso é verdade. Mas os factos têm explicações, elas não se vêem no retrato, nem se vêem nele causas, motivos extrínsecos e motivações (essas intrínsecas). Conjecturas e hipóteses tenho bastantes, e hipóteses são necessárias, mas entre elas e conclusões, ainda mais generalizações, vai muito estudo. Por isso, olho o retrato e páro a escrita.
Opiniões e conjecturas são legítimas e necessárias nas discussões com outros que interrogam, sabem não serem detentores da análise correcta e completa e querem, num reflectir conjunto feito de diversos contributos, chegar a algum discernimento que nos oriente. Mas já as recuso com interlocutores que, vivendo fora dos terrenos que habitamos, têm certezas - aí até prefiro por vezes fazer de "advogado do diabo", e isso não é por corporativismo, cujo espírito não tenho e várias vezes acuso.