... entristeço-me pelo nosso sistema educativo, pela nossa escola pública, e também por aqueles que amaram a profissão docente e agora ou desistem ou tentam apenas resistir.
"Procurarei resistir. Mas muitos estão a partir. Isso é irreversível..." - cita o JMA no seu post aqui. Nenhum governo verdadeiramente responsável teimaria em impor medidas, por maiores que fossem as preocupações economicistas (e são estas que essencialmente têm presidido à actual política educativa, juntamente com a determinação em conseguir estatísticas de sucesso mesmo que este seja só aparente) à custa de fazer o sistema educativo perder tantos dos mais experientes professores - além de desmotivar outros tantos dos mais dedicados, que escolheram a profissão com entusiasmo e hoje vão para a escola sem alegria.
Não quero alongar-me, só escrevi estas linhas porque o post do JMA me avivou uma tristeza que também me atinge a mim pessoalmente. Foi fácil aposentar-me pois atingira as condições requeridas sem ficar com prejuízo financeiro e, com o clima que logo MLR causou na escola e o mais que estava para vir mas já se adivinhava, na altura não hesitei em alterar o que desejara e projectara e me faria estar, hoje, ainda no activo. Mas uma mágoa me ficou, uma mágoa que ainda me acompanha e que se acentua quando olho o título deste cantinho e já não tenho para escrever nele as memórias da véspera ou da semana passada - memórias que ainda poderia estar a ter. Foi minha a decisão, de mais ninguém, e não me arrependo porque masoquista não sou, sou alérgica a imposições sem sentido, a ambientes pouco transparentes ou propícios a competições nefastas, e também a resmas de papelada surpéflua ou aberrante. No entanto, há momentos em que me doem as saudades - muitas saudades - da sala de aula.