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sábado, junho 05, 2010

terça-feira, janeiro 19, 2010

Haiti, desastres naturais e desastres antinaturais

«(...)
Japón, 2005: un terremoto de la misma magnitud y próximo a una zona densamente poblada causó tan sólo un muerto… a causa de un infarto.
No hablemos, pues, de desastres naturales, sino de catástrofes anunciadas, perfectamente evitables, si dejamos de actuar movidos por intereses a corto plazo y nos tomamos realmente en serio la lucha contra la pobreza extrema, contra la degradación ambiental, contra el cambio climático que está incrementando la frecuencia e intensidad de los fenómenos atmosféricos extremos en Haití y en todo el mundo.
Los terremotos, huracanes, inundaciones, erupciones volcánicas, etc., son fenómenos que aparecen ligados a las "potentes fuerzas de la naturaleza", por lo que son denominados "desastres naturales". Sin embargo, el hecho de que dichos desastres estén experimentando un fuertísimo incremento llevó a Janet Abramovitz y a muchos otros investigadores, a fines del siglo XX, a reconocer el papel de la acción humana en este incremento y a hablar de "desastres antinaturales".
(...)
El drama de Haití ha de potenciar la exigencia ciudadana por el cumplimiento de los Objetivos del Milenio, de los compromisos de ayuda al desarrollo. Y hemos de movilizarnos para exigir el paso de una economía "marrón" a una economía verde, solidaria y sostenible, para lograr que este mismo año se firme en México un acuerdo efectivo, justo y vinculante contra el cambio climático. Sin todo ello, Haití y muchos otros lugares del planeta volverán a ser triste noticia de graves desastres que podemos y debemos evitar.»

Texto completo
aqui.

domingo, novembro 29, 2009

sexta-feira, novembro 27, 2009

Objectivo: eliminar parte da população mundial? Infelizmente, não me espanta!

Não sei se isto é totalmente verdade, mas estou convencida de que tem pelo menos algo de verdade. Sabemos que é preocupante o crescimento quase exponencial da população mundial, mas resolver o problema matando grande parte dessa população é diabólico.
E a influência e os interesses das grandes companhias farmacêuticas são terríveis.
Não deixem de ver o vídeo.

segunda-feira, junho 01, 2009

No Dia Mundial da Criança

Deixo este vídeo que também diz respeito às crianças porque os adultos, que já foram crianças, devem pensar nas crianças contribuindo para que cresçam em igualdade de direitos e se tornem adultos livres.

Final do vídeo:
Please, ask your government to put this document, the Universal Declaration of Human Rights, into every passport.


quarta-feira, dezembro 10, 2008

Uma Declaração Universal por cumprir

Nos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, não é possível lembrá-la sem olhar imagens do seu incumprimento e recordar tantas outras que o vídeo não mostra. Resta-nos a canção?

segunda-feira, outubro 15, 2007

Para lá do sistema educativo

O sistema educativo é o tema central para nós, professores. Mas há que estender para além dele uma consciência atenta e lúcida.

Sabemos que a política educativa entre nós não é mais do que a cópia subserviente dos ditames da globalização e, muito em particular, da União Europeia. Entretanto, as interrogações sobre o estado de saúde (ou de falta de saúde) da democracia são bem mais latas do que as questões específicas da Educação.

Eu até nem gostava muito dos artigos de António Barreto, mas ultimamente tenho gostado.
Deixo excertos do seu artigo de ontem, no Público, (destaques meus) podendo ser lido na íntegra aqui.

"(...) os governos da União preparam-se para aprovar, esta semana, em Lisboa, ou mais tarde em qualquer outra capital, a absurda Constituição, ora rebaptizada de Tratado. (...) O Tratado é tão diferente da Constituição derrotada como um ovo branco é diferente de um branco ovo. (...) A elaboração deste Tratado foi feita em circuito fechado. A discussão em segredo. A aprovação será furtiva. Para os dirigentes europeus, a União é mais importante do que a democracia. E a Europa mais importante do que os povos europeus.
Evitar os referendos, despachar a aprovação do Tratado e contornar o debate público são as prioridades de quase todos os dirigentes europeus. Que não se esquecerão, depois, de carpir sobre o "défice democrático europeu" e a "distância crescente entre dirigentes e cidadãos". (...)
Tarde ou cedo, haverá acordo e Tratado. E quase todos estão disponíveis para evitar os referendos e proceder, assim, sem a voz dos povos, à liquidação dos parlamentos nacionais. Estes serão, de futuro, tão importantes como uma Associação de Antigos Estudantes ou como a Confraria do Besugo. Os dias que aí vêm são o princípio da morte da democracia nacional. Sem que haja uma democracia europeia que a substitua e a melhore. É pena que a presidência portuguesa seja a agência funerária. Que o primeiro-ministro português seja o mestre-de-cerimónias. E que o cangalheiro, presidente da Comissão, seja também português. Triste vocação! "

terça-feira, fevereiro 27, 2007

"Circunstâncias" não são irreversíveis nem imutáveis

Estava pensando com os meus botões que a consciência do aprisionamento de políticas nacionais (refiro-me a várias nações) a uma "globalização" infectada por poderoso "vírus" e a frequente centração do meu pensamento nisso (o que pouco se nota aqui porque este é um blog voltado para a educação e o ensino no nosso país) anda a desviar-me da procura de um entendimento sereno de atitudes e comportamentos que se vão propagando entre muitos dos cidadãos comuns, isto é, os cidadãos que não são detentores de poder político ou económico (incluindo professores, que são pessoas e cidadãos como todos os outros) . E o entendimento é necessário - não significa consentimento ou concordância com determinadas atitudes ou comportamentos - para que ideias ou mensagens que procurem fazer contraponto a um tempo empobrecido de valores e de pensamento crítico, no sentido de uma consciencialização (ou de uma educação preparatória dela, se se trata de crianças e adolescentes), sejam emitidas de modo a que não sejam recebidas de pé atrás devido a alguma intolerância destituída de compreensão humana. (Há os objectivos e os comportamentos para os quais sou intolerante, mas não é nesses que estou agora a pensar)
E, nesse meu cogitar, bateu-me na mente que "o homem é ele e suas circunstâncias" e muito difícil se lhe torna reagir às circunstâncias quando elas não são individuais nem especificamente situadas, mas sim instiladas na sociedade pela força que têm as políticas e ideologias dos que dominam - não já, nos dias de hoje, os governos diferentes de cada país, mas os que dominam o mundo.

Em suma, pensando nessa frasse de Ortega y Gasset, penso nas "circunstâncias" com um sentido terrivelmente amplo e avassalador, a parecerem irreversíveis, irremovíveis, imutáveis. Será de estranhar que muitos optem por não resistir, até por sentimento de impotência?
Por isso, são indispensáveis não só as vozes que apelem a resistir e não desistir, mas também uma divulgação por todos os meios possíveis do "acordar" e dos movimentos que, pelo mundo, se vão criando e ampliando contestando a inevitabilidade ou irreversibilidade que se pretende incutir nas mentes, movimentos esses que poderiam restituir a esperança, mas cujas notícias se vão mantendo abafadas a fim de se impedirem expectativas encorajadoras. A concentração e controle dos grandes meios de comunicação/informação nas mãos do poder financeiro permite bombardear as mentes e estabelecer a confusão entre "globalização" e "ideologia da globalização" (como alguém dizia, não recordo quem), mas a mundialização da resistência e da luta por uma sociedade efectivamente democrática não é uma utopia.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Adenda (?)

Ao ler este post do Henrique Santos, bem como o artigo que nele também é referido (sugiro vivamente ambas as leituras), deixei um comentário pedindo desculpa ao Henrique pela ocupação do seu espaço dado que, neste meu, continuo a precisar de um considerável intervalo, indo apenas "postando" intermitentemente para não o fechar por um tempo. Mas, depois, fui eu mesma que não aceitei as minhas desculpas, por isso venho acrescentar uma parte do comentário que deixei, de certo modo como adenda ao meu post anterior. Assim, "transcrevo -me", a mim mesma:

Não sei se vou dizer uma barbaridade, mas começo a pensar na necessidade de os professores se descentrarem do ECD para se voltarem para a denúncia do real significado das actuais políticas educativas (relativas ao ensino, aos alunos), voltadas exclusivamente para os interesses económicos e, portanto, para os interesses relativamente ao mercado de trabalho. Não são os professores sozinhos que vão conseguir lutar contra isso, claro, mas as lutas laborais sectoriais actualmente pouco ou nada demovem governos (...).
Penso que só numa ampla consciencialização de povos e em amplos movimentos se virá a conseguir fazer recuar a subserviência ao neo - liberalismo desenfreado, e que só um recuo nisso poderá ter efeitos quer na questão de fundo que é a escola pública e o direito à educação e ao ensino em igualdade de oportunidades, quer também nas próprias questões laborais. Já não acredito que, neste momento, sirva de grande coisa lutar contra cada medida isolada, são as visões e objectivos globais que estão por detrás delas que têm que ser combatidos ( e de nada serve o partido do nosso governo chamar-se socialista, quem está no governo está lá para cumprir os ditames "globais").

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O que eu esperaria agora se fosse ingénua

Esclarecimento prévio:
Este post não tem a ver com o referendo de ontem, em si, e é independente do resultado pois já estava em draft aguardando apenas pelo dia seguinte. Também (e isto sublinho) não toca os que, contrariamente ao meu voto, optaram pelo não de acordo com a sua reflexão autónoma e séria, baseada em convicções ou na interpretação que pessoalmente fizeram do seu significado - não me pronunciei em lado nenhum público e respeito todas as opções honestas de todas as pessoas que procuram pensar honestamente consigo próprias. Dado este esclarecimento, passo ao que motiva o título do post.
______
Vi pouco a TV, mas o suficiente para me aperceber da grande mobilização conseguida por promotores de campanhas ou movimentos. Sei que a mobilização foi de ambos os "lados", mas foi do lado do não que se viram os cartazes "Pelo direito à vida" - o que não estou a criticar, já esclareci que respeito as convicções, além de que não viria agora falar de interpretações da pergunta referendada.

O que eu esperaria agora (se fosse ingénua) é que essa tão grande mobilização conseguida, levando a grandes manifestações "pelo direito à vida", fosse aproveitada para continuarem manifestações por esse direito nas situações verdadeiramente inequívocas. E gostaria também que a política até agora levada a cabo por quem governa me permitisse confiar que medidas sociais, medidas no domínio da assistência na saúde e também medidas que levem a todos, incluindo adolescentes, informação e apoio atempado sobre como evitar gravidez indesejada caminharão no sentido da prevenção, pois julgo que não há mulher nenhuma que tenha praticado aborto (ou que venha a praticá-lo) que não preferisse não ter tido (ou não ter) que enfrentar tal decisão - mas confiar depois de se andar a observar as prioridades do actual governo, concorde-se que não é simples.

O que eu esperaria, se fosse ingénua, era que a TV não perdesse o balanço, lembrando-se agora dos milhões de crianças que nasceram mas eu não sei se se pode chamar vida às suas vidas, morrendo milhares por dia de fome, vivendo muitos e muitos mais milhares sob o terror quotidiano no meio das guerras, inclusive aquelas (a maioria) que são desencadeadas directa ou indirectamente pelos grandes senhores do mundo sob argumentos hipócritas e interesses escondidos, enquanto outros que não são senhores do mundo mas governam em seus países fecham os olhos, subservientes às políticas "globais".
Mas esses milhões de crianças a cujas vidas é difícil chamar vida estão lá longe, noutros sítios do mundo. Pois... Certas bocas só se enchem publicamente em nome da "globalização" quando lhes convém. Denúncias e imagens na TV , por exemplo, não convêm aos que a controlam, incomodam e o que é preciso é acomodar-se - não incomodar-se. E que as pessoas comuns se distraiam, não vão elas lembrar-se, aqui e por outros países, de começarem a incomodar-se demasiado e acabarem por encher as ruas. (Países afastados e protegidos dos dramas da outra metade do mundo pois neles vidas que também não são vida são em proporção ínfima face a esses dramas - são agora, quiçá até um dia...)

(Eu disse no meu post anterior que explicaria a "estranha" associação de ideias que me levara à colocação de uma foto. Eu acredito na sinceridade de muitos que ergueram cartazes "Pelo direito à vida", como na de muitos que ergueram outros contra uma lei punitiva, agora cá, noutros países noutras alturas, mas estou farta dos hipócritas de cá e de lá (e obviamente que agora já não estou a referir-me ao referendo), esses até não precisam de descer à rua para defenderem o que querem defender, esses ou têm na mão os cordelinhos poderosos das políticas, ou penduram-se neles pois isso de não se deixarem ir a reboque exigiria coragem demais...)

sábado, fevereiro 10, 2007

Cá estou eu com as minhas estranhas associações de pensamentos...

Esta foto, logo hoje que é sábado? - sábado e domingo são repouso de fim de semana... Além disso, até vão deixar de morrer de fome em cada dia cerca de 11 mil crianças neste mundo - ou é mentira que ele está a caminho da prosperidade agora que vai ser tudo global?
Mas eu não tenho culpa que o meu pensamento faça sozinho umas associações de ideias, e eu hoje não consigo detê-lo se não lhe fizer a vontade deixando aqui escondidinha no meu cantinho essa foto... (só uma entre tantas acessíveis)
(O meu pensamento não me é assim tão insondável, acho que depois do fim de semana já poderei explicá-lo)

(Foto recolhida há um tempo na net, peço desculpa por não ter guardado o endereço)

sexta-feira, dezembro 08, 2006

À margem do conteúdo deste blog - Notícias (da justiça) do mundo

Já sabíamos, não é nenhuma surpresa, mas este estudo acaba de ser publicado - em 5 do corrente mês. Li a referência a ele no Público e como resumos de estudos e respectivos dados estatísticos apresentados nos nossos jornais me fazem preferir procurar o original, aqui fica o link.
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Adenda

terça-feira, outubro 10, 2006

Globalização e políticas educativas...

Estava pensando com os meus botões que a permanente consciência do aprisionamento das políticas nacionais (refiro-me a várias nações) a uma globalização infectada por um "vírus" a meu ver terrível e a frequente centração do meu pensamento nisso (o que não se nota aqui porque este é um blog voltado para a educação e o ensino no nosso país) anda a desviar-me da procura de um entendimento de atitudes e comportamentos que se vão propagando entre os cidadãos comuns, isto é, os cidadãos que não são detentores de poder político ou económico. E, nesse meu cogitar, bateu-me pertinentemente na mente que "o homem é ele e suas circunstâncias" e muito difícil se lhe torna reagir às circunstâncias quando elas são instiladas na sociedade pela força que têm as políticas e ideologias dos que dominam - não já, nos dias de hoje, os governos diferentes de cada país, mas os que dominam o mundo. Em suma, hoje penso nessa frase de Ortega y Gasset com um sentido terrivelmente amplo de circunstâncias a parecerem irreversíveis ou irremovíveis. Será de estranhar que muitos optem por não resistir?
Por isso, são indispensáveis não só as vozes que apelem a resistir e não desistir, mas também uma maior divulgação dos movimentos que, pelo mundo, se vão criando e ampliando contestando a inevitabilidade ou irreversibilidade que se pretende incutir nas mentes - movimentos que vão restituindo a esperança. "Globalização" tem hoje uma conotação de um processo puramente económico, a par da concentração e controle da informação nas mãos do poder financeiro, em suma, de um totalitarismo, mas a mundialização da resistência e da luta por uma sociedade mundial ou global(como se prefira designar) efectivamente democrática não é uma utopia. Inclusivamente, a não desistência dos professores, antes a persistência numa educação para a cidadania e para a formação do pensamento autónomo e crítico (e não apenas para uma integração nos interesses do "deus" mercado) tem uma importância fundamental para que aquele objectivo não seja de facto utópico.
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Aqui deixo uns excertos de um artigo*...

“(...) diversos autores (Petrella, 1999; Weissheimer, 2002; Hirtt, 2001a) chamam a atenção para o processo de mercantilização da educação, destacando que é o mercado que determina o que a educação deve fazer (...). Esses aspectos da educação como mercadoria são reforçados nos discursos oficiais com os argumentos da necessidade de adaptar a educação às mudanças que a "sociedade do conhecimento" exige por parte da escola.
(...)
As reformas internacionais da atualidade têm a mesma configuração, uma vez que estão baseadas nos mesmos princípios: os de tornar a educação um dos motores do crescimento económico, precisando aproximá-la do modelo empresarial, a fim de que ela corresponda à lógica do mercado. Os indicadores dessas reformas (...) apontam para uma formação vinculada à lógica de mercado, voltada para uma sociedade globalizada, na qual o capital, o dinheiro, é mais importante do que o homem como sujeito e ser crítico, produtor de conhecimento e construtor de sua história.
(...)
Contra essa situação alguns movimentos** sociais, sindicatos, a sociedade civil, como lugar das lutas sociais e das resistências, têm-se organizado, buscando saídas e alternativas ao modelo neoliberal. Há um sentimento crescente de que se precisa de outra mundialização, de uma globalização diferente daquela que aumentou a miséria, a exclusão, o desemprego, a dívida dos países em desenvolvimento, o número de analfabetos.
(...)
Nesse contexto de resistência e proposições, a educação, que foi fortemente atingida pelo projeto conservador neoliberal, também tem demonstrado a sua capacidade de organização, buscando caminhos (...) para desenvolver ações que possam barrar esse avanço desmesurado da privatização do ensino, além de buscarem uma educação com qualidade socialmente referenciada, isto é, que não esteja voltada apenas para uma preparação imediata para o mercado de trabalho.
(...)
A certeza de que um outro mundo é possível é que tem congregado as pessoas nas associações, movimentos, sindicatos, organizações não governamentais, buscando conjuntamente a construção dessa nova realidade. Para essa nova configuração societal, a educação deverá ter um papel preponderante, como um poderoso instrumento de libertação dos homens e mulheres e como meio de desenvolver a cidadania e permitir o acesso aos bens socialmente produzidos pela humanidade.
(...)
Os profissionais da educação que deverão actuar nesse novo mundo solidário e justo precisarão ser preparados sob outras bases, nas quais sua dignidade como pessoa e como profissional seja respeitada (...), o perfil dos cursos deve preocupar-se com uma formação para a cidadania que inclua a capacidade de fazer análises críticas da realidade, contribuindo para o bem-estar social.

Essa outra sociedade, diferente da neoliberal, está sendo construída pelos movimentos sociais, mediante a resistência, as lutas, a apresentação de alternativas contra a globalização das desigualdades, a favor da escola pública, contra a mercantilização do ensino e pela construção de "inéditos viáveis", como sonhava Paulo Freire. Essa luta significa a mundialização da resistência, pelo direito à vida, e tem congregado, cada vez mais, um número maior de pessoas, porque este modelo que aí está aumenta o número de excluídos, de despossuídos. A crença de que um outro mundo é possível está posta (...).”

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* MAUES, Olgaíses Cabral. International reforms in education and teacher training. Cad. Pesqui., São Paulo, n. 118, 2003. Disponible en: http: script="sci_arttext&pid=s0100-15742003000100005&lng=es&nrm=iso".

** Nomeadamente, realizações como o Fórum Mundial de Educação (FME), em 2001, o Fórum Continenal da Educação (no Quebec), também em 2001, o Seminário Mundial de Educação (no Fórum Social Mundial), em 2002, bem como manifestações da Rede Social da Educação Pública das Américas (Red Sepa).

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Lembrei-me de Sócrates (o Outro, claro)...


... e achei melhor voltar a meter a ponta do fio lá bem dentro do emaranhado das minhas meadas!





Mas também conjecturei cá com os meus botões que Sócrates pensava no Conhecimento (até escrevo com maiúscula) e eu deparo-me com nada saber a um nível bem mais comezinho, apesar de toda a informação a que tenho acesso. (Toda? Informação? Ora deixem-me rir!).

Começando pelas escolas deste nosso país, agora tão faladas e discutidas, vem-me à memória o tempo em que lhes sentia o pulsar (com seus ritmos mais acelerados ou mais lentos) naqueles encontros de delegados de disciplina que o Ministério da Educação até promovia, não para ouvirmos debitar medidas, mas em que trabalhávamos, trocávamos interrogações e experiências, e também naqueles encontros de coordenadores de directores de turma igualmente havidos (alguém por aqui é desse tempo?) - levávamos a seguir para a nossa escola o enriquecimento ganho nas nossas trocas e reflexões conjuntas. E agora, para além de uns pouquinhos testemunhos que recolhemos nesta blogosfera onde falamos de escola porque na escola não há tempo (e não foi só neste ano lectivo que deixou de haver, neste há é ainda menos), resta-me a (des)informação da dita comunicação social, à qual só me apetece responder gritando: Dêem-me números! (Sim, números que falem, não a balela de resultados de um exame - este ou aquele - a quantificarem a qualidade dos professores).

Passando a seguir para a política no meu país, nem os orgãos de comunicação estão empenhados numa informação completa, nem, se estivessem, conseguiriam penetrar nos meandros de muitos interesses e conluios cuidadosamente ocultos.

Mas, o que mais me faz sentir sufocação no pensamento é a política internacional, comandada pelos governos das grandes potências (se calhar pouco mais do que por uma), eles mesmos guiados ou comandados por outros poderes, sem que eu consiga duvidar de que os seres humanos comuns vivem, impotentes, sob uma enorme teia cujas malhas se estendem pelo mundo e em cujos meandros subterrâneos nem, provavelmente, penetram as cadeias de televisão que (não só, mas também muito) fazem definir a nossa época como a época da informação e comunicação - sim, notícias e imagens de acontecimentos em qualquer lugar do planeta entram de imediato pela minha casa, mas de quantos deles não ficam escondidas causas e conluios que os discursos escondem?
Deparei-me por acaso com o escrito que se segue (não sei se como poema ou apenas desabafo) de um poeta brasileiro, Cláudio Portella, que não conheço - mas o texto exprime de algum modo (ainda que, a meu ver, parcialmente e só um pouco, esclareço que o tomo apenas como uma metáfora) o muro invisível mas existente que me permite só supor o que está do lado de lá dele, pois sinto há muito tempo que é um muro cujo poder de filtragem desafia até à exaustão qualquer mente com alguma lucidez.

"Nada sei sobre meu planeta
nada sei acerca dos conflitos orientais
só leio jornais
nada sei acerca dos conflitos orientais
como posso querer ser humano
se só leio jornais sem datas
se não posso me embriagar em Bagdá
se tudo que conheço sobre o Iraque
é o filme que vi na Globo
“ O Ladrão de Bagdá”
a Globo e a Folha de São Paulo são o planeta Terra?"

sexta-feira, outubro 14, 2005

Para além (ou aquém) de ideologias

Peço perdão pela batota que vou fazer na hora/ordem de publicação deste post, mas o "Aulas" significou em definitivo o meu distanciamento da confusão reinante (em que me agride movimentar-me) até que a evidência das consequências obrigue à desconfusão. Mas, esqueci-me de justificar esta decisão de distanciamento com uma máxima pessoal, que se segue.

Pior que ideários em que valores de justiça e equidade social não são os mais prioritários, e que finalidades distorcidas, ou objectivos hipócritas, ou estratégias erradas/ineficazes, pior que isso ainda é, para mim, a incompetência técnica, a ignorância e a proa desta - a arbitrariedade -, isto a qualquer nível de governação: do país, de um sector, de uma autarquia, de uma empresa, de uma escola, ou até de um chefe de família. E, quaisquer medidas globais podem ser controversas, mas pior que tudo é se incluem medidas específicas avulsas, completamente desnecessárias no âmbito dos objectivos das medidas globais, inúteis e até prejudiciais, e bloqueadoras de outras possíveis de serem válidas, mesmo que no quadro discutível de uma prioridade economicista.
Em suma, penso que incompetências/ignorâncias, mesmo que no âmbito de boas intenções em termos teóricos, são factores que podem concorrer para colocar um sistema sectorial ou mesmo um país na fila da mediocridade.

Acrescento, a propósito, os seguintes extractos: