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terça-feira, junho 02, 2009
quarta-feira, maio 13, 2009
Ministério da Certificação e das Novas Oportunidades
Sugestão de leitura:
Artigo de Santana Castilho no Público de hoje. Quem não seja assinante online pode ler aqui.
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domingo, maio 10, 2009
Colocar a política no centro das melhorias
O título é o do último capítulo de um extenso artigo de Joaquim Azevedo, intitulado Melhor educação é possível - artigo que o JMA divulgou já há uns dias pelo Scribd, e cuja leitura integral sugiro vivamente: Aqui.
Como o artigo é extenso, destaco este seu último capítulo.
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«Precisamos muito mais de mudar de políticas educativas do que de ministros da educação! Temos de trazer a educação para a praça pública. O Presidente da República, a Assembleia da República e o Primeiro-Ministro (que tão afastados andam de uma intervenção capaz e concertada no terreno das políticas de educação e formação) têm de se entender sobre algumas prioridades básicas e colocar o pé no acelerador, anos a fio, sem hesitações e tibiezas. Temos de estabelecer compromissos políticos e compromissos sociais concretos (não consensos balofos!), desde o plano nacional ao plano local, valorizando sobretudo uma imensidade de pequenos compromissos (de preferência assinados), que possam fazer da melhoria da educação uma efectiva e concreta grande causa nacional.
O tempo da retórica devia ser encerrado. Não são necessárias mais leis encantadoras, não mais discursos encantatórios, mas sim mais compromissos concretos, mais empenhamento e envolvimento, mais trabalho, muito trabalho e ainda mais trabalho, unidos neste objectivo comum de melhorar a educação das novas gerações e de todos os portugueses, ao longo de toda a vida e com a vida.
Repito: a melhoria da educação escolar não é uma questão técnica é uma questão política. E isto mesmo há muito boa gente que ainda não percebeu. E “ocupa” a 5 de Outubro ocupando o tempo a criar mais uma disciplina, a colocar mais uns computadores, a meter mais TIC nas escolas, a descobrir mais uma circular interpretativa, a desfazer planos de estudos e a criar outros que ninguém sabe de onde brotam, tão caudalosos, a criar “a martelo” agrupamentos verticais e horizontais onde poderiam existir apenas redes de cooperação, a mudar horas lectivas de 45 para 90 minutos, a…inventar soluções técnicas para problemas que não existem e a ignorar soluções políticas que a todo o momento urgem, passando todos os dias atestados de ignorância profissional aos professores e de irresponsabilidade social aos directores das escolas. “Até quando abusarão da nossa paciência?”. Até quando vai persistir toda esta esquizofrenia, sob o encantamento das vozes populistas do “ bando do eduquês”, que dizem que tudo está mal e que o bem só pode ser alcançado com mais uns requintados retoques técnicos, esses sim, os definitivos, sempre “de uma vez para sempre”!
Vivemos num tempo novo. O paradigma da educação de todos ao longo de toda a vida irá iluminar e condicionar o desenvolvimento da educação nas próximas décadas, num contexto de mudança contínua e de incerteza. Temos de esclarecer o novo lugar da educação na “sociedade do conhecimento”, desde a educação escolar à educação social, e discernir o lugar da “nova” escola em cada comunidade: é um enclave, um contentor que ali foi colocado e face ao qual a comunidade local pouco ou nada tem a dizer? Ou é uma instituição social nuclear para pensarmos e construirmos um desenvolvimento social sustentável? Como se articula esta instituição com outras instituições locais, com papéis educativos também relevantes ? Qual deve ser aí o lugar e o papel dos professores, o que espera a sociedade deles e como é que se cruzam os seus horizontes profissionais e a sua acção com a dos pais, das associações e agentes culturais, dos empregadores…? Ficou muito claro, no Debate Nacional sobre a Educação, que muitas escolas continuam dramaticamente isoladas, seja porque se fecham sobre si mesmas seja porque a sociedade desvaloriza a educação escolar e não se compromete (para lá de uma retórica gongórica e enfadonha) na melhoria da educação.
Pergunto: queremos que o sistema de educação seja regulado exclusivamente a partir do centro (dos vários centros, tipo DRE), de um Estado que irresponsabiliza ou um sistema multiregulado, que valoriza também a participação dos docentes e a acção dos pais, das autarquias, dos interesses culturais, socioeconómicos? Até onde estamos dispostos a ir, como sociedade aberta, num novo Modelo de Governação de Educação (MGE) assente na multiregulação, na intervenção renovada, personalista, subsidiária e inteligente do Estado e valorizando a participação sociocomunitária, para atingirmos, com outra serenidade e persistência (sem andarmos aos solavancos, num “stop and go” permanente), uma educação de maior qualidade para todos os portugueses? Sem redefinirmos as prioridades, os níveis de responsabilidade e os responsáveis, continuaremos, por exemplo, como já acontece há vinte anos, a falar e a decretar a autonomia das escolas quando, efectivamente, as escolas não têm autonomia real nenhuma, simplesmente porque nada mudou no modelo de regulação ao dizermos que mudou a autonomia da escolas. Por outras palavras, que lugar é que queremos que tenha a autonomia das escolas neste novo MGE? Que atribuições, competência e responsabilidades devem ficar concentradas nos agrupamentos escolares e escolas? E que lugar é reservado para a comunidade local e para os serviços regionais e centrais? E para os directores das escolas, e para os professores e as equipas interprofissionais, a cooperar em prol da melhoria da educação? E para os pais? E para as autarquias? E para a administração central? E…Não podemos prosseguir a política do simulacro, da retórica balofa, do faz de conta e… do caos subsequente!
No processo de melhoria gradual, contínua e persistente da educação em Portugal, um imperativo social de primeira grandeza, é preciso reconstruir, por um processo de concertação e de acção-reflexão permanentes, o lugar e a função dos professores como profissionais, das equipas de professores dentro das escolas, da cooperação destes com outros profissionais, da articulação com os pais, da ligação a outros actores sociais locais. O que queremos dos professores e das equipas docentes? São correias de transmissão, são funcionários que apenas repetem matérias ou são profissionais autónomos, num novo e clarificado quadro de responsabilidades profissionais e sociais? Há ou não lugar para o desenvolvimento e aprofundamento de uma cultura escolar e para a sua valorização social? Sabemos que só uma pertinente, cuidada e persistente reflexão pedagógica sobre as situações-problema concretas, pode gerar melhorias na educação, turma a turma, escola a escola, em contextos comunitários de incentivo à educação de todos. Que dinâmicas de governação educacional devem exercer as escolas e que controlo social querem o Estado e a sociedade instituir para credibilizar e apoiar as escolas e os professores e os seus projectos de melhoria gradual da educação?
Temos de definir se queremos que o MGE seja centrado no Diário da República, como até aqui, governo após governo, ou em actores sociais e em compromissos sociais concretos em prol de mais e melhor educação, construídos com a activa e responsável participação dos portugueses, desde o nível local ao nacional (como já se teima em querer fazer em tantos locais e com a participação de alguns parceiros sociais)? Que novos compromissos sociais concretos queremos vir a estabelecer? Uma coisa parece certa: só num clima de liberdade e de confiança entre os parceiros e de responsabilização das partes será possível edificar um novo MGE.
Uma educação de qualidade para todos os portugueses, sem excepção, é demasiado importante para o nosso futuro para continuarmos a deixar de lado as questões centrais, persistindo em seguir um MGE que teima em ser centralista, uniforme, burocrático, tecnocrático, desresponsabilizante, quando não desnorteado, em contínuos solavancos, sob o signo do improviso e da inspiração do momento (de cada equipa ministerial, mesmo dentro de um mesmo governo!). Este modelo de governação gera mediocridade e desresponsabilização social. Todos os dias. Há muitos anos que precisamos de mais liberdade e de mais política, não precisamos de mais tralha técnica a cair ciclicamente dentro de um sistema fechado.
Políticas de equidade impostas pelo Diário da República, central e uniformemente, constituem atentados à liberdade e à responsabilidade e só podem gerar mediocridade. Precisamos de plataformas cívicas de participação para a reconstrução do bem público educacional, como ficou tão claro no Debate Nacional. Precisamos de política, não precisaremos tanto de “comissões técnicas de sábios”, que se nomeiam para desatar pequenos nós, quando estes pequenos nós apenas escondem os grandes nós, que, esses sim, continuam atados e bem atados. Somos nós, todos nós, em todo o país, que podemos e temos de desatar estes nós.
Precisamos de um regresso à esperança e estou certo de que nós somos bem capazes de o fazer.
À profecia decretada da incapacidade dos portugueses, temos de opor a profecia da construção social de mais e melhor educação, num renovado quadro de cooperação e de esperança.»
«Precisamos muito mais de mudar de políticas educativas do que de ministros da educação! Temos de trazer a educação para a praça pública. O Presidente da República, a Assembleia da República e o Primeiro-Ministro (que tão afastados andam de uma intervenção capaz e concertada no terreno das políticas de educação e formação) têm de se entender sobre algumas prioridades básicas e colocar o pé no acelerador, anos a fio, sem hesitações e tibiezas. Temos de estabelecer compromissos políticos e compromissos sociais concretos (não consensos balofos!), desde o plano nacional ao plano local, valorizando sobretudo uma imensidade de pequenos compromissos (de preferência assinados), que possam fazer da melhoria da educação uma efectiva e concreta grande causa nacional.
O tempo da retórica devia ser encerrado. Não são necessárias mais leis encantadoras, não mais discursos encantatórios, mas sim mais compromissos concretos, mais empenhamento e envolvimento, mais trabalho, muito trabalho e ainda mais trabalho, unidos neste objectivo comum de melhorar a educação das novas gerações e de todos os portugueses, ao longo de toda a vida e com a vida.
Repito: a melhoria da educação escolar não é uma questão técnica é uma questão política. E isto mesmo há muito boa gente que ainda não percebeu. E “ocupa” a 5 de Outubro ocupando o tempo a criar mais uma disciplina, a colocar mais uns computadores, a meter mais TIC nas escolas, a descobrir mais uma circular interpretativa, a desfazer planos de estudos e a criar outros que ninguém sabe de onde brotam, tão caudalosos, a criar “a martelo” agrupamentos verticais e horizontais onde poderiam existir apenas redes de cooperação, a mudar horas lectivas de 45 para 90 minutos, a…inventar soluções técnicas para problemas que não existem e a ignorar soluções políticas que a todo o momento urgem, passando todos os dias atestados de ignorância profissional aos professores e de irresponsabilidade social aos directores das escolas. “Até quando abusarão da nossa paciência?”. Até quando vai persistir toda esta esquizofrenia, sob o encantamento das vozes populistas do “ bando do eduquês”, que dizem que tudo está mal e que o bem só pode ser alcançado com mais uns requintados retoques técnicos, esses sim, os definitivos, sempre “de uma vez para sempre”!
Vivemos num tempo novo. O paradigma da educação de todos ao longo de toda a vida irá iluminar e condicionar o desenvolvimento da educação nas próximas décadas, num contexto de mudança contínua e de incerteza. Temos de esclarecer o novo lugar da educação na “sociedade do conhecimento”, desde a educação escolar à educação social, e discernir o lugar da “nova” escola em cada comunidade: é um enclave, um contentor que ali foi colocado e face ao qual a comunidade local pouco ou nada tem a dizer? Ou é uma instituição social nuclear para pensarmos e construirmos um desenvolvimento social sustentável? Como se articula esta instituição com outras instituições locais, com papéis educativos também relevantes ? Qual deve ser aí o lugar e o papel dos professores, o que espera a sociedade deles e como é que se cruzam os seus horizontes profissionais e a sua acção com a dos pais, das associações e agentes culturais, dos empregadores…? Ficou muito claro, no Debate Nacional sobre a Educação, que muitas escolas continuam dramaticamente isoladas, seja porque se fecham sobre si mesmas seja porque a sociedade desvaloriza a educação escolar e não se compromete (para lá de uma retórica gongórica e enfadonha) na melhoria da educação.
Pergunto: queremos que o sistema de educação seja regulado exclusivamente a partir do centro (dos vários centros, tipo DRE), de um Estado que irresponsabiliza ou um sistema multiregulado, que valoriza também a participação dos docentes e a acção dos pais, das autarquias, dos interesses culturais, socioeconómicos? Até onde estamos dispostos a ir, como sociedade aberta, num novo Modelo de Governação de Educação (MGE) assente na multiregulação, na intervenção renovada, personalista, subsidiária e inteligente do Estado e valorizando a participação sociocomunitária, para atingirmos, com outra serenidade e persistência (sem andarmos aos solavancos, num “stop and go” permanente), uma educação de maior qualidade para todos os portugueses? Sem redefinirmos as prioridades, os níveis de responsabilidade e os responsáveis, continuaremos, por exemplo, como já acontece há vinte anos, a falar e a decretar a autonomia das escolas quando, efectivamente, as escolas não têm autonomia real nenhuma, simplesmente porque nada mudou no modelo de regulação ao dizermos que mudou a autonomia da escolas. Por outras palavras, que lugar é que queremos que tenha a autonomia das escolas neste novo MGE? Que atribuições, competência e responsabilidades devem ficar concentradas nos agrupamentos escolares e escolas? E que lugar é reservado para a comunidade local e para os serviços regionais e centrais? E para os directores das escolas, e para os professores e as equipas interprofissionais, a cooperar em prol da melhoria da educação? E para os pais? E para as autarquias? E para a administração central? E…Não podemos prosseguir a política do simulacro, da retórica balofa, do faz de conta e… do caos subsequente!
No processo de melhoria gradual, contínua e persistente da educação em Portugal, um imperativo social de primeira grandeza, é preciso reconstruir, por um processo de concertação e de acção-reflexão permanentes, o lugar e a função dos professores como profissionais, das equipas de professores dentro das escolas, da cooperação destes com outros profissionais, da articulação com os pais, da ligação a outros actores sociais locais. O que queremos dos professores e das equipas docentes? São correias de transmissão, são funcionários que apenas repetem matérias ou são profissionais autónomos, num novo e clarificado quadro de responsabilidades profissionais e sociais? Há ou não lugar para o desenvolvimento e aprofundamento de uma cultura escolar e para a sua valorização social? Sabemos que só uma pertinente, cuidada e persistente reflexão pedagógica sobre as situações-problema concretas, pode gerar melhorias na educação, turma a turma, escola a escola, em contextos comunitários de incentivo à educação de todos. Que dinâmicas de governação educacional devem exercer as escolas e que controlo social querem o Estado e a sociedade instituir para credibilizar e apoiar as escolas e os professores e os seus projectos de melhoria gradual da educação?
Temos de definir se queremos que o MGE seja centrado no Diário da República, como até aqui, governo após governo, ou em actores sociais e em compromissos sociais concretos em prol de mais e melhor educação, construídos com a activa e responsável participação dos portugueses, desde o nível local ao nacional (como já se teima em querer fazer em tantos locais e com a participação de alguns parceiros sociais)? Que novos compromissos sociais concretos queremos vir a estabelecer? Uma coisa parece certa: só num clima de liberdade e de confiança entre os parceiros e de responsabilização das partes será possível edificar um novo MGE.
Uma educação de qualidade para todos os portugueses, sem excepção, é demasiado importante para o nosso futuro para continuarmos a deixar de lado as questões centrais, persistindo em seguir um MGE que teima em ser centralista, uniforme, burocrático, tecnocrático, desresponsabilizante, quando não desnorteado, em contínuos solavancos, sob o signo do improviso e da inspiração do momento (de cada equipa ministerial, mesmo dentro de um mesmo governo!). Este modelo de governação gera mediocridade e desresponsabilização social. Todos os dias. Há muitos anos que precisamos de mais liberdade e de mais política, não precisamos de mais tralha técnica a cair ciclicamente dentro de um sistema fechado.
Políticas de equidade impostas pelo Diário da República, central e uniformemente, constituem atentados à liberdade e à responsabilidade e só podem gerar mediocridade. Precisamos de plataformas cívicas de participação para a reconstrução do bem público educacional, como ficou tão claro no Debate Nacional. Precisamos de política, não precisaremos tanto de “comissões técnicas de sábios”, que se nomeiam para desatar pequenos nós, quando estes pequenos nós apenas escondem os grandes nós, que, esses sim, continuam atados e bem atados. Somos nós, todos nós, em todo o país, que podemos e temos de desatar estes nós.
Precisamos de um regresso à esperança e estou certo de que nós somos bem capazes de o fazer.
À profecia decretada da incapacidade dos portugueses, temos de opor a profecia da construção social de mais e melhor educação, num renovado quadro de cooperação e de esperança.»
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Adenda
Não resisto a acrescenter uns breves excertos do capítulo, do mesmo artigo, intitulado Os professores, bodes expiatórios ou construtores do futuro?
«A ética do cuidado é o seu modo de proceder. Cuidam de cada um como se fosse único. Cuidam de cada turma como se fosse um jardim, onde a variedade das flores é o seu encanto, não o seu problema. Onde é preciso regar e nutrir todos os dias as raízes, indicar caminhos e ser luz para que os botões de cada pessoa de cada aluno despontem e as suas flores abram, únicas, humanamente resplandecentes, frutos da convocação humilde do jardineiro. Diante de tanta beleza, que é o desabrochar humano que ocorre diante dos olhos e das mãos dos professores, o professor realiza-se e é impelido a partilhar e cooperar com os seus colegas essa mesma beleza e as diversas formas de que se reveste.
Não, os botões não hão-de ficar amordaçados dentro do peito, eles têm de rebentar, de abrir, de ser gente, de amar e ser amados, de dar e de receber, de construir e ser construídos em sociedade e em comunidade. O professor é o profissional que cuida de cada flor (em cada geração) e esse é um trabalho imenso (regar, adubar, podar,..), que requer toda a atenção, carinho e rigor, que implica um trabalho imenso, muita dedicação e dádiva e a formação de equipas educativas (Boavida, 2002; Formosinho e Machado, 2008). Não perceber isto é não perceber o essencial da educação e também da educação escolar.
Este cuidado requer níveis sofisticados de atenção. Não basta o trabalho individual de cada professor, porque cada jardim conta com dez jardineiros, que têm de fazer equipa (...)
Não, os botões não hão-de ficar amordaçados dentro do peito, eles têm de rebentar, de abrir, de ser gente, de amar e ser amados, de dar e de receber, de construir e ser construídos em sociedade e em comunidade. O professor é o profissional que cuida de cada flor (em cada geração) e esse é um trabalho imenso (regar, adubar, podar,..), que requer toda a atenção, carinho e rigor, que implica um trabalho imenso, muita dedicação e dádiva e a formação de equipas educativas (Boavida, 2002; Formosinho e Machado, 2008). Não perceber isto é não perceber o essencial da educação e também da educação escolar.
Este cuidado requer níveis sofisticados de atenção. Não basta o trabalho individual de cada professor, porque cada jardim conta com dez jardineiros, que têm de fazer equipa (...)
Faz falta, no entanto, entre os professores, a construção de dinâmicas de auto-formação, rotinas de trabalho semanal em equipa de docentes, de reflexão assente na acção concreta, nas dificuldades e nos êxitos alcançados, uma acção lenta e persistente, colectiva e de equipa de profissionais, de melhoria contínua. Este (árduo e apaixonante) caminho é, a meu ver, o que pode conduzir a uma real redignificação profissional dos professores, num novo quadro institucional e profissional. (...)»
quarta-feira, abril 29, 2009
Escolaridade obrigatória até aos 18 anos?
Sugiro a leitura do artigo de Santana Castilho no Público de hoje. Como só está acessível online a assinantes, pode ser lido aqui.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Mercantilização da Educação - um futuro que não é inevitável
[Eu já devia saber que, sempre que ponho o cantinho em pausa, logo me deparo com alguma coisa que me impele a vir cá. Pronto, vou deixar de anunciar pausa, até porque posso fazê-la por um mês (ou por um ano!) sem precisar de a anunciar]
De um artigo de Nico Hirtt de 2001, intitulado Les trois axes de la marchandisation scolaire, guardo aqui as conclusões finais (na tradução para espanhol, sendo os destaques meus).
2001? Desactualizado? Hum... sabemos que Portugal costuma andar atrasado...
La adecuación de la enseñanza a las nuevas expectativas de las potencias industriales y financieras tiene dos consecuencias dramáticas: la instrumentalización de la Escuela al servicio de la competencia económica y la agravamiento de las desigualdades sociales en el acceso a los saberes. La Escuela se había masificado permitiendo a los hijos del pueblo acceder parcialmente, tímidamente – a la riqueza de saberes reservados hasta ese momento a los hijos e hijas de la burguesía. Ahora que la masificación ha llegado a su término, se conmina a la enseñanza para que vuelva a situar la instrucción del pueblo dentro de los límites que nunca debió franquear: aprender a producir, a consumir y, de forma complementaria, a respetar las instituciones existentes. Ni más, ni menos.
La evolución actual de los sistemas de enseñanza se realiza en detrimento del acceso a los saberes a ya los saber-hacer que permiten comprender el mundo, que permiten también por lo tanto intervenir en él. Precisamente, es a los más explotados a quienes se priva así de armas intelectuales que necesitarían para luchar por su emancipación colectiva.
Esta escuela de la producción será, todavía más que hoy, una instancia de reproducción social. En el nombre – colmo de la hipocresía- de la lucha contra el fracaso, se selecciona y se baja el nivel de las exigencias para unos (aquellos que formarán la masa de mano de obra poco cualificada requerida por la “nueva” economía) al mismo tiempo que se incita a otros a buscar en los “proveedores de educación más innovadores” los saberes que harán de ellos las puntas de lanza de la competencia internacional: La desreglamentación de los programas y de las estructuras, la explosión de formas diversas de la enseñanza de pago, todo ello constituye el terreno abonado en el que las desigualdades de clase se transformarán, con mayor eficacia que hoy, en desigualdades de acceso a los saberes.
En cuanto a la escuela pública, ésta únicamente tendrá, según la propia confesión de la OCDE que “asegurar el acceso al aprendizaje de aquellos que nunca constituirán un mercado rentable y cuya exclusión de la sociedad en general se acentuará a medida que otros van a continuar progresando”
¿Todo esto es inevitable? Las determinaciones económicas que trabajan en este campo tienen aspecto de apisonadora, pero la marcha de la historia no es lineal. La destrucción de la Escuela pública y de sus aspiraciones democráticas, el empobrecimiento del contenido de la enseñanza obligatoria, las condiciones de trabajo cada vez más penosas, la precarización del estatus del profesorado, todo eso acaba por suscitar reacciones, resistencias, luchas.
La oposición a la mercantilización se desarrolla con la misma férrea necesidad de hierro que la propia mercantilización. También en esto, el capitalismo en marcha se hunde en las contradicciones e inevitablemente “cava su propia fosa”.
Los pensadores de la OCDE son bien conscientes de ello” la reforma a menudo más necesaria, y la más peligrosa, es la de las empresas públicas, ya se trate de reorganizarlas o de privatizarlas. Esta reforma es muy difícil porque los asalariados de este sector están a menudo bien organizados y controlan ámbitos estratégicos. Van a luchar con todos los medios posibles (...) Sin que el gobierno esté sostenido por la opinión pública(...) Cuanto más ha desarrollado un país un amplio sector público, más difícil será llevar a cabo esta reforma”.
El futuro de la enseñanza está aún por escribir. Será el fruto de esas fuerzas contrarias, de su enfrentamiento.
Las formas y lugares de la resistencia son múltiples: Hay que luchar contra las multinacionales y las organizaciones internacionales que impulsan la evolución mercantil de la escuela, contra los gobiernos que aseguran las condiciones para desarrollar esa mercantilización, contra ciertos poderes organizadores, inspecciones, direcciones, muy a menudo cómplices o celosos ejecutores. Hay que luchar contra enseñantes que dejan hacer, contra padres que siguen el discurso patronal creyendo asegurar así un futuro para sus hijos, contra alumnos a veces demasiado contentos con menores exigencias. Hay que luchar contra uno mismo, en fin, pues nadie está a salvo de la desmoralización, del repliegue corporativista o de los efectos lenificantes de la intoxicación ideológica ambiente.
Cada uno entra en la resistencia por vías que le son propias. El que milita desde hace tiempo defiende la Escuela pública contra los asaltos de la OMC y del Banco Mundial porque tiene una conciencia profundamente enraizada de la importancia del servicio público. El profesor de universidad se inquieta por las amenazas que pesan sobre la libertad académica. El investigador teme al ver la supervivencia de sus trabajos sometida a su rentabilidad económica. El profesor de prácticas en la enseñanza profesional se siente expoliado de su experiencia y de su misión en beneficio de formadores venidos del mundo de la empresa. Los enseñantes de los cursos generales se exasperan por el bajo nivel de sus alumnos. Los maestros intentan oponerse a la utilización de clases “patrocinadas” por las marcas. Una de las claves mayores hoy es la de unificar esas luchas. Hay que hacer comprender a los universitarios a los profesores de secundaria, a los maestros que su rabia debe fundirse en una resistencia común.
Hay que unir de nuevo a quienes participan en MRPs, que ven su trabajo innovador pervertido en nombre de una racionalidad de beneficio, y al sindicalista de la enseñanza, para quien la desregulación hace temer, con razón, el abandono de la escuela pública. Esto implicará sin duda que unos abandonen un cierto dogmatismo pedagógico; que los otros abran los ojos sobre lo que fue en realidad “la escuela republicana” Que unos y otros acepten que, si la escuela pública no puede ser salvada sin ser renovada, tampoco puede ser renovada sin que se dé al profesorado y al alumnado el tiempo y las condiciones necesarias.
Nico Hirtt, mayo 2001
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2001? Desactualizado? Hum... sabemos que Portugal costuma andar atrasado...
La adecuación de la enseñanza a las nuevas expectativas de las potencias industriales y financieras tiene dos consecuencias dramáticas: la instrumentalización de la Escuela al servicio de la competencia económica y la agravamiento de las desigualdades sociales en el acceso a los saberes. La Escuela se había masificado permitiendo a los hijos del pueblo acceder parcialmente, tímidamente – a la riqueza de saberes reservados hasta ese momento a los hijos e hijas de la burguesía. Ahora que la masificación ha llegado a su término, se conmina a la enseñanza para que vuelva a situar la instrucción del pueblo dentro de los límites que nunca debió franquear: aprender a producir, a consumir y, de forma complementaria, a respetar las instituciones existentes. Ni más, ni menos.
La evolución actual de los sistemas de enseñanza se realiza en detrimento del acceso a los saberes a ya los saber-hacer que permiten comprender el mundo, que permiten también por lo tanto intervenir en él. Precisamente, es a los más explotados a quienes se priva así de armas intelectuales que necesitarían para luchar por su emancipación colectiva.
Esta escuela de la producción será, todavía más que hoy, una instancia de reproducción social. En el nombre – colmo de la hipocresía- de la lucha contra el fracaso, se selecciona y se baja el nivel de las exigencias para unos (aquellos que formarán la masa de mano de obra poco cualificada requerida por la “nueva” economía) al mismo tiempo que se incita a otros a buscar en los “proveedores de educación más innovadores” los saberes que harán de ellos las puntas de lanza de la competencia internacional: La desreglamentación de los programas y de las estructuras, la explosión de formas diversas de la enseñanza de pago, todo ello constituye el terreno abonado en el que las desigualdades de clase se transformarán, con mayor eficacia que hoy, en desigualdades de acceso a los saberes.
En cuanto a la escuela pública, ésta únicamente tendrá, según la propia confesión de la OCDE que “asegurar el acceso al aprendizaje de aquellos que nunca constituirán un mercado rentable y cuya exclusión de la sociedad en general se acentuará a medida que otros van a continuar progresando”
¿Todo esto es inevitable? Las determinaciones económicas que trabajan en este campo tienen aspecto de apisonadora, pero la marcha de la historia no es lineal. La destrucción de la Escuela pública y de sus aspiraciones democráticas, el empobrecimiento del contenido de la enseñanza obligatoria, las condiciones de trabajo cada vez más penosas, la precarización del estatus del profesorado, todo eso acaba por suscitar reacciones, resistencias, luchas.
La oposición a la mercantilización se desarrolla con la misma férrea necesidad de hierro que la propia mercantilización. También en esto, el capitalismo en marcha se hunde en las contradicciones e inevitablemente “cava su propia fosa”.
Los pensadores de la OCDE son bien conscientes de ello” la reforma a menudo más necesaria, y la más peligrosa, es la de las empresas públicas, ya se trate de reorganizarlas o de privatizarlas. Esta reforma es muy difícil porque los asalariados de este sector están a menudo bien organizados y controlan ámbitos estratégicos. Van a luchar con todos los medios posibles (...) Sin que el gobierno esté sostenido por la opinión pública(...) Cuanto más ha desarrollado un país un amplio sector público, más difícil será llevar a cabo esta reforma”.
El futuro de la enseñanza está aún por escribir. Será el fruto de esas fuerzas contrarias, de su enfrentamiento.
Las formas y lugares de la resistencia son múltiples: Hay que luchar contra las multinacionales y las organizaciones internacionales que impulsan la evolución mercantil de la escuela, contra los gobiernos que aseguran las condiciones para desarrollar esa mercantilización, contra ciertos poderes organizadores, inspecciones, direcciones, muy a menudo cómplices o celosos ejecutores. Hay que luchar contra enseñantes que dejan hacer, contra padres que siguen el discurso patronal creyendo asegurar así un futuro para sus hijos, contra alumnos a veces demasiado contentos con menores exigencias. Hay que luchar contra uno mismo, en fin, pues nadie está a salvo de la desmoralización, del repliegue corporativista o de los efectos lenificantes de la intoxicación ideológica ambiente.
Cada uno entra en la resistencia por vías que le son propias. El que milita desde hace tiempo defiende la Escuela pública contra los asaltos de la OMC y del Banco Mundial porque tiene una conciencia profundamente enraizada de la importancia del servicio público. El profesor de universidad se inquieta por las amenazas que pesan sobre la libertad académica. El investigador teme al ver la supervivencia de sus trabajos sometida a su rentabilidad económica. El profesor de prácticas en la enseñanza profesional se siente expoliado de su experiencia y de su misión en beneficio de formadores venidos del mundo de la empresa. Los enseñantes de los cursos generales se exasperan por el bajo nivel de sus alumnos. Los maestros intentan oponerse a la utilización de clases “patrocinadas” por las marcas. Una de las claves mayores hoy es la de unificar esas luchas. Hay que hacer comprender a los universitarios a los profesores de secundaria, a los maestros que su rabia debe fundirse en una resistencia común.
Hay que unir de nuevo a quienes participan en MRPs, que ven su trabajo innovador pervertido en nombre de una racionalidad de beneficio, y al sindicalista de la enseñanza, para quien la desregulación hace temer, con razón, el abandono de la escuela pública. Esto implicará sin duda que unos abandonen un cierto dogmatismo pedagógico; que los otros abran los ojos sobre lo que fue en realidad “la escuela republicana” Que unos y otros acepten que, si la escuela pública no puede ser salvada sin ser renovada, tampoco puede ser renovada sin que se dé al profesorado y al alumnado el tiempo y las condiciones necesarias.
Nico Hirtt, mayo 2001
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Adenda (19-01-2009)
Recebido da Fátima André. Muito obrigada, Fátima, pelo miminho.
As regras, para quem o receber são:
1. exibir a imagem do selo.
2. linkar o blogue pelo qual você recebeu a nomeação.
3. escolher seis mulheres a quem entregar o "BLOGUE DE OURO".
4. deixar um comentário nesses blogues, para saberem que receberam o prémio.
Porque estas escolhas são difíceis - se escolho seis, fico a pensar noutras, e também a pensar que excluo devido ao meu conhecimento limitado da blogosfera -, fico por uma única escolha porque é um grande exemplo de professora-educadora. E como a regra é ir dar a conhecer a distinção em comentário no próprio blogue designado, lá vou já...
segunda-feira, novembro 03, 2008
Descubra as diferenças...
(In Diário da Finlândia - blogue Inquietações Pedagógicas)
Essa "malha apertada" verifica-se na Finlândia, enquanto por cá também se verifica uma malha apertada para que as notas escolares melhorem em flecha nas estatísticas.
Dispenso-me de indicar as diferenças. Sugiro esse trabalho a Maria de Lurdes Rodrigues.
quinta-feira, outubro 30, 2008
Um testemunho que deveria fazer MLR pensar
Primeira escola pública do ranking, a Infanta D. Maria, de Coimbra, está a ser penalizada pelo abandono dos professores mais experientes.
"Com a instabilidade que aqui se vive, não será por muito tempo que nos mantemos como a primeira escola pública no ranking."
"A avalancha de pedidos de reforma tem transformado a escola num inferno."
No Público de hoje. Como o link para o jornal não é permenente, leia-se o texto integral colocado pelo Paulo Guinote aqui.
quarta-feira, maio 28, 2008
O ciclo único, a pedagogia única e o poder único
Esse é o título do artigo de Santana Castilho no Público de hoje.
Não me cansarei de chamar a atenção para as consequências do Decreto-lei nº 43/2007, que estabeleceu o novo regime de formação para a docência e que tanto me escandalizou - e escandaliza - quanto à formação de professores para o actual 2º Ciclo do Ensino Básico, seja este assim designado, ou venha a ser integrado num futuramente chamado 1º Ciclo (a questão não está na designação). Assim, deixo um excerto do artigo de Santana Castilho (sem link para o próprio artigo porque só é acessível online a assinantes, mas cuja transcrição pode ser lida na íntegra aqui).
«(...) A verdadeira consequência, a importante, em minha opinião, reside num novo decréscimo do conhecimento que tal sistema originará para as crianças. Um só professor a ensinar Português, Matemática, História, Geografia, Ciências da Natureza e o que mais se verá? O peso da especulação pedagógica em detrimento das tradicionais áreas do conhecimento tem conduzido as crianças portuguesas por tristes veredas de infantilização. O proposto será uma boa achega para a promoção desse pernicioso percurso e para mais uma drástica redução do número de professores em actividade, com a natural e consequente redução significativa dos custos da provisão do ensino básico a que o Estado está obrigado. (...)»
domingo, março 09, 2008
Sugestão de leitura
Por acaso o nome do autor deste artigo não me é especialmente conhecido, de momento não me recordo das ideias/posições que costume ter. Simplesmente, ao ler o seu artigo de hoje no Público, achei que põe o dedo certeiro pelo menos nalgumas feridas ("equívocos", como designa o autor - José Madureira Pinto, sóciólogo e professor na universidade do Porto).
(Julgo que o artigo só é acessível online a assinantes, por isso copiei-o par aqui).
domingo, fevereiro 24, 2008
Um esclarecimento que faço questão de prestar
Este meu cantinho anda muito parado desde há bastante tempo, como sabem os que me liam. E os motivos são, em parte, por alguma falta de disposição para escrever por razões da minha vida particular, mas também e sobretudo porque (como disse mais do que uma vez) não quero alterar-lhe o título, iniciei-o para guardar memórias da minha vida de professora e também numa perspectiva de partilha - memórias sobretudo da minha prática com e para os alunos -, mas a desestabilização causada nas escolas pela política do actual ME e as suas medidas em catadupa, caracterizadas muitas vezes por uma enorme precipitação (o que já de si é insensato) (logo nos primeiros tempos do mandato desta equipa ministerial escrevi mais do que uma vez sob o título "a carroça à frente dos bois") e revelando inaceitável desconhecimento do terreno onde pretendeu implementar essas medidas, para não falar do crasso erro de pensar que qualquer reforma no ensino pode ser bem sucedida sem ganhar minimamente para ela, ou para a crença nela, os principais e fundamentais intervenientes - os professores -, muito menos numa atitude pública contra eles, essa desestabilização, dizia, e para a qual o afogamento em papelada muito contribui, torna o momento nada propício a pensar e a escrever as referidas memórias.
(Talvez eu não queira mudar o título do meu blogue e a intenção de escrita que lhe está subjacente por ter esperança de que venham a cessar todas as trapalhadas em que o actual ME se tem mostrado exímio nas regulamentações das suas medidas - a cessar e a serem corrigidas por outra equipa mais competente -, regressando-se a clima e condições mais propícias a que os professores possam, e lhes deixem tempo, para centrarem as suas atenções no que é primordial e que é o trabalho efectivamente útil com e para os alunos, continuamente reflectido, auto-avaliado, renovado e desejavelmente colaborativo. Mas "só o tempo dirá", como já escrevi em título de um post)
Mas o que quero esclarecer é o seguinte:
Mas o que quero esclarecer é o seguinte:
1º - Estou aposentada, sim, mas nadinha alheada das questões da Educação-Ensino. Portanto, também nadinha alheada das legítimas lutas dos professores.
2º - Muitas vezes tenho vontade de divulgar aqui posições e movimentações (mas não deixo de o fazer por mail aos meus contactos que sejam professores não "bloguistas"), bem como de colocar sugestões de leitura de algumas entradas pelo menos de dois blogues muito activos quanto à analise crítica da actual acção do ME - entradas que, umas, proporcionam aos professores acesso e elucidação em cima da hora sobre tudo o que vai sendo emitido pelo ME, desde decretos a despachos (e não só) - e o meu destaque vai principalmente para os blogues do JMA e do PG -, outras são divulgação de importantes materiais/documentos/artigos que elucidam e são verdadeiramente formativos - e destaco novamente o JMA, que considero prestar no seu blogue um autêntico e precioso serviço público.
Mas, já que a minha opção (ou necessidade) de momento é continuar com este meu cantinho bastante parado, raramento cedo à vontade de simplesmente sugerir as referidas leituras pela razão simples de que, sendo este um blogue insignificante e menos lido ainda do que já foi quando escrevia memórias ou escrevia assiduamente, as referidas menções/divulgações que faria não se justificariam, não são precisas dado que se tornaram amplamente conhecidas.
Em suma, o que quis esclarecer a quem vai visitando este meu cantinho é que a sua (quase) paragem não significa alheamento dos problemas e da defesa da nossa Escola Pública. E não esclareço isso porque sinta qualquer necessidade de me justificar, mas apenas para manifestar a minha solidariedade, activa no que ainda está ao meu alcance, para todos os que resistem e pugnam autenticamente por uma escola pública que de verdade progrida e melhore no seu serviço pela educação e futuro de todas as crianças e todos os adolescentes, o que, aliás, é também serviço pelo progresso do nosso país.
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Adenda
Acrescento aos meus destaques o blogue do RM - blogue mais recente que, inclusivamente pelos materiais que disponibiliza, também constitui, a meu ver, um valioso contributo.
domingo, dezembro 09, 2007
Sugestão de leitura
(Fonte: The Economist. Tradução e adaptação de Maria Helena Henriques Marques).
O meu destaque vai para a formação de professores nos países que o PISA indicia terem melhor qualidade de ensino, particularmente o que o artigo revela sob o subtítulo Formação prática, e para o apoio extra dado por esses países aos alunos que se encontram mais atrasados.
quarta-feira, outubro 10, 2007
escola e cultura...
"Num tempo e num lugar de descasos sucessivos e clamorosos em relação à cultura (...)" - assim começa o artigo de Vasco Graça Moura no DN de hoje (foi-me enviado pela Amélia Pais, mas pode ler-se aqui , embora eu pretenda destacar as suas frases iniciais e finais). E, a propósito do Panteão Nacional e da recente trasladação de Aquilino Ribeiro, Graça Moura refere o "panteão da memória" como requerendo "menos pompas oficiais do que bons programas escolares", e termina: "O panteão da memória é uma pedra angular desse sistema em que todos somos responsáveis. A escola não pode ser transformada em panteão da... desmemória!".
Vem isto a propósito do rumo que cada vez mais os seguidismos político-ideológicos de governos, em particular do actual e da sua equipa do ME, vêm impondo à nossa escola pública. Que fazer (?) para contrariar esse rumo fazendo prevalecer a importante e decisiva prioridade da escola, prioridade que o Miguel Pinto tão bem define nesta sua crónica aqui - "realizar a inserção dos sujeitos na cultura" .
Que fazer? Como fazer para contrariar o rumo para que estão empurrando a escola - o de uma escola essencialmente utilitária na perspectiva dos interesses do mercado (e, mesmo assim, de forma duvidosa)?
Mantendo-me hoje em citações, lembro-me do título Pedagogia: o dever de resistir , de um post do JMA, que tem insistido em que os professores têm mais poder do que pensam ter, e deixo no ar também a pergunta: Como organizarem esse poder?
Vem isto a propósito do rumo que cada vez mais os seguidismos político-ideológicos de governos, em particular do actual e da sua equipa do ME, vêm impondo à nossa escola pública. Que fazer (?) para contrariar esse rumo fazendo prevalecer a importante e decisiva prioridade da escola, prioridade que o Miguel Pinto tão bem define nesta sua crónica aqui - "realizar a inserção dos sujeitos na cultura" .
Que fazer? Como fazer para contrariar o rumo para que estão empurrando a escola - o de uma escola essencialmente utilitária na perspectiva dos interesses do mercado (e, mesmo assim, de forma duvidosa)?
Mantendo-me hoje em citações, lembro-me do título Pedagogia: o dever de resistir , de um post do JMA, que tem insistido em que os professores têm mais poder do que pensam ter, e deixo no ar também a pergunta: Como organizarem esse poder?
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Adenda
(13-10.2007)
(13-10.2007)
Bom fim de semana!
Estou com pouca inspiração e, como ainda não tive resposta à pergunta acima, vou deixar o post uns dias a marinar ;)
Estou com pouca inspiração e, como ainda não tive resposta à pergunta acima, vou deixar o post uns dias a marinar ;)
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quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Os professores da Finlândia
Uma reportagem interessante que um amigo descobriu e me enviou (Deixo o link dispensando-me de comentar)
Título: El país de los maestros
sábado, outubro 28, 2006
Agradecimento por uma sugestão de leitura
Li de um fôlego um livro que o Henrique Santos sugeriu há dias neste seu post. Às vezes uma pessoa descobre um autor e pergunta-se, triste, como é que só agora o descobriu. Obrigada, Henrique!
Antes de mais, refiro o autor: Álvaro Gomes. Pela grande idoneidade que revela, alicerçada em vasta cultura pedagógica (e não só pedagógica). E também, no que respeita a esse único livro que dele ainda li (Blues pelo Humanismo Educacional?), pela deliciosa escrita incluindo uma requintada ironia na mordacidade com que sabe desmontar e reduzir à sua real mediocridade uma publicação recentemente erigida a "best-seller" cá pelo nosso país, na área da educação.
O livro... eu diria que é pena Álvaro Gomes ter tido que dedicar tanta atenção, através de uma entre mais de setenta obras que publicou, ao livrinho O eduquês em discurso directo, de Nuno Crato - diria... se não fosse necessário denunciar o real 'valor' desse livro que já esgotou várias edições, mas assim, digo que ainda bem que o fez.
Quando li o referido livro de Nuno Crato, não consegui terminar as últimas páginas pois estava já demasiado nauseada, e nem ocupei nenhum post a comentá-lo - apenas terei feito um ou outro comentário nalguns (poucos) blogues. Mas agora falo nele, pois fiquei muito contente por encontrar bem destacada na livraria da FNAC a resposta que ele precisava que alguém soubesse dar com a notável autoridade com que Álvaro Gomes a deu (estava bem destacada, mas não tanto, diga-se, como continua a estar O eduquês em discurso directo).
Mas, quero dizer (e sublinhar) que a náusea que o dito livrinho me causou nada tem a ver com as opiniões pedagógicas de Nuno Crato e muito menos com a pessoa do autor, pois eu posso pessoalmente despresar actos, atitudes, etc., isso não envolve os autores enquanto Pessoas nem o direito a terem as suas opiniões. Acontece é que Nuno Crato até é um investigador conceituado na sua área, para mais a da Matemática, e não é por ser Matemática Aplicada que espero menos que a formação matemática de uma pessoa tão considerada nesse campo lhe tenha incutido o hábito e a auto-exigência de rigor intelectual extensivos a qualquer obra que entenda merecer ser publicada, mesmo que noutra área.
O que me nauseou nesse livro não foi, como já disse, o conjunto de opiniões pessoais sobre pedagogia, mas sim os métodos a que recorreu e a que se limitou para ridicularizar nomes conhecidos, alguns com trabalho sério na investigação no campo da educação-ensino (outros não tanto, mas não é isso que importa quando falo dos métodos usados para essa ridicularização). Caracterizar as perspectivas pedagógicas seja de quem for por meras citações de uma ou outra frase infeliz e desinserida do contexto, ou ir buscar, em jeito de argumento, um caso de ignorância que encontrou, ou, pior, chegar ao obsceno uso de uma só ínfima citação, isolada de um extenso e importante documento, para ridicularizar alguém que já não se encontra entre nós para se defender - e tanta falta faz no domínio da Educação Matemática, que tão querida lhe era -, em suma, fazer tudo isto é que me causou a náusea.
Álvaro Gomes soube mostrar a ausência de referentes que fundamentassem, minimamente, ao menos, as "opinionites" de Nuno Crato ("opinionite" - termo usado por Álvaro Gomes), pois o que se espera de um investigador, acho eu, é que revele ter alguns fundamentos que suportem as suas opiniões. Em que consagrados pedagogos e investigadores se baseia? Porque parece nem os conhecer?
"Se, como vimos, este livro silencia a essência nuclear das Ciências da Educação, qual é o lastro fundamentante da formação pedagógica de Nuno Crato? Onde aduba ele o seu pensamento?" - Com estas palavras, Álvaro Gomes resume o que eu desejava que fosse feito publicamente, e que era, simplesmente, lembrar a responsabilidade que deve sentir e demonstrar alguém que publica um livro mas é um investigador e um homem das 'ciências do rigor', e não apenas um dos tantos jornalistas ou comentadores que vão fazendo o "serviço" que lhes é pedido ou até, nalguns casos, lhes é imposto.
Antes de mais, refiro o autor: Álvaro Gomes. Pela grande idoneidade que revela, alicerçada em vasta cultura pedagógica (e não só pedagógica). E também, no que respeita a esse único livro que dele ainda li (Blues pelo Humanismo Educacional?), pela deliciosa escrita incluindo uma requintada ironia na mordacidade com que sabe desmontar e reduzir à sua real mediocridade uma publicação recentemente erigida a "best-seller" cá pelo nosso país, na área da educação.
O livro... eu diria que é pena Álvaro Gomes ter tido que dedicar tanta atenção, através de uma entre mais de setenta obras que publicou, ao livrinho O eduquês em discurso directo, de Nuno Crato - diria... se não fosse necessário denunciar o real 'valor' desse livro que já esgotou várias edições, mas assim, digo que ainda bem que o fez.
Quando li o referido livro de Nuno Crato, não consegui terminar as últimas páginas pois estava já demasiado nauseada, e nem ocupei nenhum post a comentá-lo - apenas terei feito um ou outro comentário nalguns (poucos) blogues. Mas agora falo nele, pois fiquei muito contente por encontrar bem destacada na livraria da FNAC a resposta que ele precisava que alguém soubesse dar com a notável autoridade com que Álvaro Gomes a deu (estava bem destacada, mas não tanto, diga-se, como continua a estar O eduquês em discurso directo).
Mas, quero dizer (e sublinhar) que a náusea que o dito livrinho me causou nada tem a ver com as opiniões pedagógicas de Nuno Crato e muito menos com a pessoa do autor, pois eu posso pessoalmente despresar actos, atitudes, etc., isso não envolve os autores enquanto Pessoas nem o direito a terem as suas opiniões. Acontece é que Nuno Crato até é um investigador conceituado na sua área, para mais a da Matemática, e não é por ser Matemática Aplicada que espero menos que a formação matemática de uma pessoa tão considerada nesse campo lhe tenha incutido o hábito e a auto-exigência de rigor intelectual extensivos a qualquer obra que entenda merecer ser publicada, mesmo que noutra área.
O que me nauseou nesse livro não foi, como já disse, o conjunto de opiniões pessoais sobre pedagogia, mas sim os métodos a que recorreu e a que se limitou para ridicularizar nomes conhecidos, alguns com trabalho sério na investigação no campo da educação-ensino (outros não tanto, mas não é isso que importa quando falo dos métodos usados para essa ridicularização). Caracterizar as perspectivas pedagógicas seja de quem for por meras citações de uma ou outra frase infeliz e desinserida do contexto, ou ir buscar, em jeito de argumento, um caso de ignorância que encontrou, ou, pior, chegar ao obsceno uso de uma só ínfima citação, isolada de um extenso e importante documento, para ridicularizar alguém que já não se encontra entre nós para se defender - e tanta falta faz no domínio da Educação Matemática, que tão querida lhe era -, em suma, fazer tudo isto é que me causou a náusea.
Álvaro Gomes soube mostrar a ausência de referentes que fundamentassem, minimamente, ao menos, as "opinionites" de Nuno Crato ("opinionite" - termo usado por Álvaro Gomes), pois o que se espera de um investigador, acho eu, é que revele ter alguns fundamentos que suportem as suas opiniões. Em que consagrados pedagogos e investigadores se baseia? Porque parece nem os conhecer?
"Se, como vimos, este livro silencia a essência nuclear das Ciências da Educação, qual é o lastro fundamentante da formação pedagógica de Nuno Crato? Onde aduba ele o seu pensamento?" - Com estas palavras, Álvaro Gomes resume o que eu desejava que fosse feito publicamente, e que era, simplesmente, lembrar a responsabilidade que deve sentir e demonstrar alguém que publica um livro mas é um investigador e um homem das 'ciências do rigor', e não apenas um dos tantos jornalistas ou comentadores que vão fazendo o "serviço" que lhes é pedido ou até, nalguns casos, lhes é imposto.
sábado, novembro 26, 2005
Sugestão de leitura
Sou insuspeita, pois, numa fase em que me chamou a atenção o pensamento de Olga Pombo, senti discordâncias com algumas das suas ideias.
Acabei de encontrar por acaso um endereço, uma referência a um seu texto, num dos tantos comentários a posts na blogosfera (comentário apenas identificado como anonymous) Trata-se de um texto longo, mas que sugiro como a não perder, mesmo que se concorde aqui, se concorde menos ali e não se concorde acolá. É um texto que permite multiplicar-se em várias reflexões/discussões bem pertinentes.
Transcrevo apenas algumas afirmações soltas, de modo nenhum na ideia (que seria redutora e incorrecta) de sintetisar as ideias de um texto que aborda e coloca muitas questões, mas como meras "motivações" para a sua leitura, também para as controvérsias que suscite mas que, a meu ver, por isso mesmo inovam e dinamizam a nossa reflexão.
(...) no nosso mundo de hoje, uma das funções mais silenciadas da escola, mas nem por isso menos incontornável, é a de tomar conta dos filhos enquanto os pais vão trabalhar. (...) Estamos pois perante uma situação terrível - a mais terrível de todas, a meu ver - a progressiva e alarmante transferência para a escola das responsabilidades educativas que, naturalmente, e desde sempre, pertencem à família. (...)
(...) a escola está hoje confrontada - diria mesmo sufocada - com uma complicada alquimia por intermédio da qual procura responder a tantas novas responsabilidades educativas. (...)
(...) Estamos perante dois conceitos - educação e ensino - que se confundem hoje de forma dramática. (...)
(...) este verdadeiro emaranhado de equívocos, deslizamentos lógicos e falhas conceptuais em que está enredada a instituição escolar(...)
Acabei de encontrar por acaso um endereço, uma referência a um seu texto, num dos tantos comentários a posts na blogosfera (comentário apenas identificado como anonymous) Trata-se de um texto longo, mas que sugiro como a não perder, mesmo que se concorde aqui, se concorde menos ali e não se concorde acolá. É um texto que permite multiplicar-se em várias reflexões/discussões bem pertinentes.
Transcrevo apenas algumas afirmações soltas, de modo nenhum na ideia (que seria redutora e incorrecta) de sintetisar as ideias de um texto que aborda e coloca muitas questões, mas como meras "motivações" para a sua leitura, também para as controvérsias que suscite mas que, a meu ver, por isso mesmo inovam e dinamizam a nossa reflexão.
(...) no nosso mundo de hoje, uma das funções mais silenciadas da escola, mas nem por isso menos incontornável, é a de tomar conta dos filhos enquanto os pais vão trabalhar. (...) Estamos pois perante uma situação terrível - a mais terrível de todas, a meu ver - a progressiva e alarmante transferência para a escola das responsabilidades educativas que, naturalmente, e desde sempre, pertencem à família. (...)
(...) a escola está hoje confrontada - diria mesmo sufocada - com uma complicada alquimia por intermédio da qual procura responder a tantas novas responsabilidades educativas. (...)
(...) Estamos perante dois conceitos - educação e ensino - que se confundem hoje de forma dramática. (...)
(...) este verdadeiro emaranhado de equívocos, deslizamentos lógicos e falhas conceptuais em que está enredada a instituição escolar(...)
(...) Há hoje dois discursos educativos de sinal contrário: um centralizador, estatizante, que aponta para grandes reformas planificadas pelos organismos centrais (...) outro, descentralizador, liberal, hoje triunfante e invasor embora nunca vitorioso, que dá "prioridade às escolas e não ao sistema" (...) Ambos estes discursos têm em comum o facto de proporem grandes mudanças. Em ambos, uma procura voluntarista de mudança, uma vontade bárbara de reforma, uma "mania" de inovação.
Ora, o que importa (...)
(O que importa, no pensar de Olga Pombo? Deixo em "suspense" a controvérsia que provavelmente suscitará.)
sábado, setembro 17, 2005
Sugestões de leituras
I
Aos colegas de Matemática, sobretudo aos que o Ministério da Educação pretende "reciclar":
Artigo de interesse do Inquietações Pedagógicas: Aqui.
Artigo de interesse do Inquietações Pedagógicas: Aqui.
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II
| Há duas maneiras de governar: pela força ou pela farsa. Glauco Mattoso | Bem... o autor não diz Há só duas maneiras... Mesmo que o pense, eu acredito que haja outra, por isso achei oportuna a citação. |
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