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segunda-feira, setembro 06, 2010

TIC... mais TIC... e mais TIC no ensino

Nota prévia
O que se segue é escrito com absoluta isenção, pois fui pioneira, na minha ex-escola, na 'introdução do computador na sala de aula', no tempo em que os alunos não tinham "magalhães" e só tinha uma sala com os primeiros computadores que a escola conseguiu - sala para onde apenas eu levava as minhas turmas, sem problema de não estar vaga.
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Perdi-me com tantos "reajustamentos" no modelo da ADD, pelo que não sei bem se o uso das TIC ainda conta para a pontuação na avaliação dos professores, mas suponho que ainda conta.
Ora, um método de ensino não vale por si só, vale pelo que o professor fizer com ele. Não há padrões, muito menos um padrão único. O que me parece essencial é que o ensino-aprendizagem assente num método verdadeiramente activo, de modo a conduzir os alunos, sempre que possível, à (re)descoberta, e à construção da sua relação com o(s) saber(es). E seria um erro, a meu ver, que o professor, ao interiorizar isto, se forçasse a pôr em prática modelos/métodos que não sejam já significativos para si. Das teorias e dos artigos fundamentados que não faltam, o professor recolhe novas perspectivas, e o que delas fica nele é o que pessoalmente (re)constrói no alargamento e aprofundamento da sua prática, não na demolição de tudo o que já construiu no seu modo de ensinar.

Isto leva-me à questão da formação (sem dúvida urgente) dos professores no uso das novas tecnologias. É verdade que, actualmente, não estou a par do modo como essa formação decorre e de quem a dá. Mas lembro-me que, quando essa formação começou nos centros de formação, no âmbito da formação contínua obrigatória para obtenção dos créditos então indispensáveis para mudança de escalão, quem escolhia uma acção relacionada com as ditas TIC recebia uma formação meramente técnica, sem ligação à Pedagogia (apesar de o formador ser professor).
Claro que os professores têm que aprender os aspectos técnicos do uso de recursos informáticos - se não os souberem, caso que até já pouco sucederá com as novas gerações de docentes. Mas a formação tem que ser dada por pedagogos, por professores abertos à inovação e conscientes de que o uso de recursos informáticos nas aulas em nada melhora as aprendizagens dos alunos se esses recursos forem usados na manutenção de um ensino tradicional, expositivo, em que os alunos não são chamados a construir, a criar, a serem agentes activos.
E é para isto que o formador tem que estar apto a sensibilizar os formandos e a dar-lhes perspectivas de recursos diversos a fim de que cada um possa sentir apelo e motivação de acordo com a sua apetência, de acordo com o que seja mais significativo para si próprio, de modo a sentir-se atraído pela inovação ou pelo desejo/necessidade de mudança face a eventuais (ainda há muitos - demasiados) métodos retrógados anquilosados.

A finalizar, deixo o pedido a quem eventualmente me leia e esteja informado, de me esclarecer: Estão a ser assim, generalizadamente, as formações dos professores no uso das TIC? (Digo generalizadamente porque não duvido de que há formadores nessa área - e até conheço dois ou três - que é nessa perspectiva de real mudança que se esforçam por sensibilizar os seus formandos).

sábado, maio 22, 2010

Scratch Day - Setúbal (I)

Não resisto a começar a "reportagem" fotográfica por esta foto.


Um pequenote - pequenotinho mesmo - acompanhou a curta exposição de iniciação ao funcionamento do Scratch fazendo no seu computador o que estava a ser explicado. Ei-lo na sessão de trabalho que se seguiu, sem precisar de monitor a ensinar... (Não são precisas mais palavras, a foto fala por si)

No ecrã já pôs um cenário e personagens jogando com uma bola em movimento

segunda-feira, maio 25, 2009

A minha neta Inês e o Scratch

Depois da nossa iniciação e da motivação resultante do Scratch Day (16 do corrente mês na FPCE de Lisboa), a Inês já completou dois projectos - o segundo no computador dela (ainda não o vi), o primeiro aqui na minha casa. E eu (avó "babada") não resisto a deixar aqui esse seu primeiro projecto para minha recordação desta aventura no Scrath, onde os miúdos se iniciam em programação.

Scratch Project

Clicar na imagem

(Depois, clicar na bandeira e, para que as instruções funcionem, é preciso pôr o rato em cima do projecto)

quinta-feira, maio 21, 2009

Eu e o Scratch

Procurei iniciar-me no Sctratch para poder iniciar também a minha neta Inês antes de irmos participar no evento Scratch Day que se realizou no passado dia 16 na FPCE de Lisboa.

Agora, ela está a tentar fazer um projecto, mas com desenhos dela, pois gosta muito de desenhar e pintar (EVT é a única disciplina em que tem tido nível 5). Entretanto, pareço eu uma criança a brincar com o scratch. Ainda me falta muitíssimo para chegar ao nível dos projectos da 3za, mas quero deixar aqui a recordação dos meus primeiros passos na aprendizagem - duas experiências destinadas a motivar e ensinar a Inês, a primeira antes do Scratch Day, a segunda depois. Mas eu própria ando com o "bichinho" do scratch a fazer-me querer aprender muito mais. ;)


Scratch Project


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Scratch Project


Clicar na imagem

sábado, maio 16, 2009

Scratch Day - II

Com os parabéns à 3za e um agradecimento muito especial :)

A minha neta Inês no Scratch Day

sexta-feira, maio 15, 2009

Scratch day

Amanhã vou com a minha neta Inês ao evento, na FPCE, comemorativo do dia do Scratch.

Já a iniciei, mas eu também estou ainda na fase de iniciante. Ambas vamos aprender ;)

Como sou um tanto animal nocturno, terei que me levantar à hora em que costumo estar a começar o 2º sono, para mais, terei que ir buscar a Inês a casa. Mas não há problema, eu vou pôr dois despertadores daqueles muito barulhentos. lol

Depois darei notícias.

domingo, outubro 12, 2008

As minhas páginas web - uma memória

ou
A propósito da frenética campanha de implementação das tic no ensino

(Na sequência do post anterior, ocorreu-me esta memória; depois, o meu pensamento regressou à actualidade, por isso o subtítulo)

Estávamos ainda na década de 90 do anterior século quando envolvi a minha turma de dt do 9º ano na criação da nossa primeira página da escola - uma página de Matemática que os meus alunos baptizaram de RacioMat. Há muito que a desactivei, mas ainda guardo a recordação do grupo de alunos voluntários que prosseguiram com a incumbência da sua actualização ao nível dos conteúdos.

Posteriormente, criei a página Eu e a Matemática, com a ajuda da mão do meu amigo Francisco no 'visual'. Estava engraçada, apelativa para os miúdos, e chegou a ser bastante concorrida. Contudo, isto dos 'visuais' tem as suas modas, depressa ultrapassadas, pelo que fiquei surpreendida com um prémio recente (que referi aqui).


Entretanto, a primeira página RacioMat tivera uma secção que transpus para o placard da minha sala de aula na forma de concurso (mensal, às vezes quinzenal), concurso que suscitava grande contentamento entre os alunos de cada vez que era afixada a lista dos vencedores do mês. No final do ano lectivo eram apurados os três vencedores do ano e não esqueço que, no último ano em que o concurso funcionou, o primeiro vencedor foi um dos meus alunos mais fraquinhos - não esqueço o seu sorriso de orelha a orelha perante a vitória. Os problemas eram de lógica, não requeriam especiais conhecimentos de matemática, pelo que era frequente um aluno mais fraco acertar enquanto que outros melhores se precipitavam na entrega das respostas e erravam - por isso o concurso era motivador.

Foi o tipo de problemas desse concurso que me levou à experiência que relatei no post anterior - a página Lógica para Todos, abandonada por mim logo que a alojei, o que me devia envergonhar (mas eu só queria penetrar no css e no xhtml, e depois não continuei).


Mas tudo isto vem à minha memória a propósito da actual campanha frenética dos computadores na escola, e mais os quadros interactivos, e agora o computador Magalhães, campanha eleitoralista ignorante do facto de as tic jamais poderem constituir por si só solução para os problemas de insucesso escolar.
E eu não deixo de achar curioso que, tendo-me empenhado no uso dos computadores com os alunos logo que tive na escola uns escassos e já velhos pcs, não sinta agora grande contentamento com o investimento do governo em computadores para as escolas e os alunos, não que esse investimento em si não seja bem-vindo, mas porque as tic não se introduzem à pressão (influindo até o seu uso na avaliação dos professores) como se contivessem dentro de si ou por si só as inovações desejáveis nos tradicionais métodos de ensino - como se o computador, a internet e todos os recursos cada vez mais acessíveis fizessem sozinhos o milagre de mudar os métodos anquilosados de ensino que ainda se constatam em bastantes situações.

Desde aquelas minhas primeiras páginas web não passaram assim muitos anos, no entanto a rápida evolução fez delas páginas velhas e fora de moda. Entretanto, desejo que os ímpetos de modernidade dos nossos governantes de hoje sirvam bons intentos pedagógicos, acima de intentos eleitorais que nada têm a ver com a escola e a formação a que os alunos têm direito.

Página feita... página abandonada!

Foi a última que fiz destinada a alunos de 2º e 3º ciclo. Para aí há uns dois anos, não me lembro com precisão. Foi mesmo só uma página web pequenina, eu andava a querer experimentar um modelo css, em xhtml (nem sei bem se são correctas estas designações, não devia escrever sem perguntar a um amigo informático, mas como estou livre da avaliação de desempenho não faz mal). É assim como nos blogues, mas estes são criados automaticamente e depois uma pessoa lá vai aprendendo a mexer nos códigos, enquanto que criar uma página sem ser só "siga os passos 1, 2, 3" é mais complicado. Eu bem quis usar o meu velho e querido FrontPage, mas não é que ficava tudo fora do sítio de cada vez que acrescentava qualquer coisa?! Então lá fiz a página toda à mão, lá vi onde mudava códigos - enquanto outros continuavam (e continuam) chinês para mim. Eu, que já percebia bem o velho html, deparei-me (e continuo a daparar-me nos blogues) com mais o "x", pois, se não estou a dizer disparate, parece-me que o tal de xhtml encheu de mistérios o html sem x!

Mas tudo isto para contar que fiz e alojei a minha pequena e simples página de Lógica para Todos e depois... pronto, lá ficou abandonada, nunca mais a actualizei. Coitadita, lá vai tendo uma ou duas visitas por dia, que isso de as pessoas andarem a pesquisar no Google lá as vai levando aos sítios mais recônditos, mas a verdade é que hoje lembrei-me dela e fui revê-la. Ui! Aqueles problemas de lógica precisavam de variar, pus os primeiros só para levar a cabo aquela experiência, é uma vergonha não os acrescentar e mudar... só não sei por que não estou a ter vergonha de mostrar a página a quem queira seguir o link... mas por que hei-de ter vergonha se ela lá está com o meu nome?!

E pronto, já tive um pretexto para mais um post, que isto de querer manter o cantinho e andar com tanta falta de inspiração, motivação, disposição (sei lá qual o "ão" mais adequado!) não é fácil.

terça-feira, setembro 02, 2008

A minha neta e o Hot Potatoes

A minha neta Inês vai iniciar o 2º Ciclo e, nos últimos dias, tem-se manifestado preocupada porque (diz ela) precisa de fazer revisões para não chegar às novas aulas com as matérias esquecidas. Eu não acho muito necessário, acho que ela pode gozar os dias de férias que ainda lhe restam sem essas preocupações, mas como foi ela que pediu, ontem retomámos um nosso antigo concurso com exercícios feitos no Hot Potatoes. Ela chama 'concurso' porque entra em competição consigo própria, a querer bater os seus "records" de pontuação, pois os exercícios dão automaticamente a pontuação obtida, o que basta para funcionarem como jogo-desafio.





Comecei por um de palavras cruzadas, achei mais adequado a tempo ainda de férias (constrói-se num instante com essa simpática e simples ferramenta)



Clicar para ampliar

Mas estou a contar isto porque me pus a pensar que o Hot Potatoes já é velhinho e que isso não é razão para o deitar fora (a ele e a alguns outros recursos assim antigos) só porque surgem novos, mais sofisticados ou mais na moda, no entanto talvez mais difíceis de dominar pelos professores que se iniciaram há pouco tempo no uso das "novas tecnologias" - para mais, alguns sob pressão dado que isso conta para a avaliação.
'Conta para a avaliação'... escrever isto até me fez lembrar a pergunta que às vezes alunos me faziam: "isto conta para a avaliação?". Mas o curioso é que eles não perguntavam como quem diz que se não conta, então não vale a pena o esforço - pelo contrário. Por exemplo, eu às vezes arriscava uma tarefa difícil e dizia-lhes que era difícil mas que não se preocupassem, se não conseguissem eu ajudaria e não iria avaliar, e ficavam logo entusiasmados, a quererem conseguir (para mais, trabalhavam em grupo, o que estimulava e ajudava todos). Sim, faça-se esquecer o papão da avaliação e dê-se a uma tarefa o caracter de desafio, e aí vão eles... (Depois crescem... depois crescemos e fica tudo mais complicado...)

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Nota:
O Hot Potatoes foi, em tempos, de download gratuito, mas, para uma versão mais recente, já há cerca de um ano tive dificuldade em o encontrar gratuitamente. Não me lembro onde encontrei, mas, se alguém quiser, comece por experimentar
aqui.

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ADENDA

Já tinha publicado este post quando li o artigo Magalhães: como funciona e para que serve?, de Vieira de Carvalho no Público de hoje. Não se trata propriamente de vir a propósito a não ser por ter a ver com o uso das TIC, inclusivamente no ensino. Gostei do artigo, que começa assim: "A prioridade deve ser dada ao uso crítico da tecnologia." Como julgo que só está acessível online para assinantes, sugiro a quem não tenha lido a sua leitura aqui.

terça-feira, março 18, 2008

Vaidosa ou envergonhada?

Hoje recebi um telefonema da Ensino Magazine a convidar-me para comparecer em Castelo Branco (não anotei a data) para receber o 2º prémio de um concurso de sites - não, não tem a ver com o blogue, trata-se de uma minha velhinha página para alunos. A conversa ao princípio parecia de tontos, eu não me lembro nada de ter concorrido (nem me vejo a fazê-lo), provavelmente alguém o fez por mim, tinham os meus dados todos, até a idade - que indiscrição, eu costumo deixá-la em branco! ;o)
Criei o site em mil novecentos e noventa e tal (não sei precisar), há que tempos que está abandonado. É verdade que na altura teve alguma divulgação, por exemplo a APM referenciou-o, e o 'visual' até estava engraçado devido à ajuda, nesse aspecto, do meu amigo Francisco Cerqueira (ajuda que não está omitida na página), mas isso era naquela altura, essas coisas de visuais e técnicas de construção ficam ultrapassadas muito depressa.
E não é que lá estou eu, mais a minha página web - ali!!!

Isto até vem a propósito da velocidade a que evoluem as novas tecnologias, nomeadamente nos instrumentos e técnicas para construção de páginas web. Nessa altura eu ainda usava o velhote FontPage mais umas inclusões à mão de javascripts (digo "ainda" porque há poucos meses pus uma paginazita na net - Lógica para Todos, mas não ponho link porque foi uma experiência mais para tentar manejar o xhtml), essas técnicas estão ultrapassadas, e até designs que são engraçados numa dada altura ficam absolutamente fora de moda ao fim de dois ou três anos.

Mas... pronto, embora dividida entre ficar vaidosa ou ficar envergonhada - e claro que envergonhada não é pela dita página, é porque fico sem jeito com "prémios" -, agradeço o prémio e partilho-o aqui.

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Adenda
Esqueci-me de dizer que o prémio também tem forma material, é um telemóvel. (Mas o meu não é arcaico, ainda não está a precisar de substituição ;o) )

segunda-feira, outubro 08, 2007

Memórias do uso das TIC na sala de aula - III

A fase do computador como factor de motivação

A minha escola acabara de receber sete computadores devido a uma candidatura mediante projecto. Ficou, pois, com uma sala de Informática e foi logo incluída no currículo do 6º ano a disciplina de "Iniciação à Informática", a funcionar em desdobramento das turmas.


Essa disciplina deixava suficientes tempos livres na sala para que pudesse ser requisitada para outras aulas. Não tive dificuldade durante esse e os aninhos seguintes (até à minha aposentação), pois comecei por ser quase o único professor da escola que a requisitava e, mais tarde, quando outros (não muitos) o faziam para a Área de Projecto, tivemos mais uma sala apetrechada com computadores na sequência da introdução da disciplina TIC no currículo do 9º ano, do qual tínhamos só ora duas, ora três turmas. (Hoje essa situação de facilidade não se verificaria, é um tipo de situação própria de fases iniciais nas quais começa por haver apenas uns poucos pioneiros, mas agora há os portáteis - e quanto a ter o professor um só computador na sala de aula para seu uso poderá ser bastante útil noutras disciplinas, mas para a minha pouca utilidade teria, a meu ver)

Nessa minha primeira fase, eu não deixava de ter a perspectiva do uso dos computadores pelos alunos como meio propício à construção, produção, criação pelos próprios, mas eram poucas as unidades do programa da disciplina que se prestavam a isso, tanto mais que não tinha software específico para a matemática. Assim, comecei a deslocar de vez em quando a aula para a sala dos computadores também para meros exercícios que só diferiam de exercícios de rotina da aula pela interactividade, o ambiente visualmente atraente e por darem automaticamente a pontuação obtida pelos alunos, o que conferia algum carácter de jogo/desafio. Mas, nessa altura, eram raros os meus alunos que tinham computador em casa, este era novidade para a maioria, todos sem excepção ficavam contentes e entusiasmados quando eu anunciava que teríamos a aula na sala dos computadores.

Foi, pois, uma fase em que também usei o computador como quase mero elemento sedutor - como factor de maior gosto ou de motivação para os menos motivados. Tinha algum trabalho acrescido, até porque inicialmente ainda não tinha descoberto esse prático e fácil recurso que era (e é) o HotPotatoes, preparando as actividades com base no FrontPage mas com inclusão de códigos buscados na net. E os alunos gostavam muito, não se importavam de se sentarem incomodamente em grupos e organizavam-se muito bem para corresponderem à minha exigência de que todos participassem (o que controlava e verificava, claro).


Mas, como já disse, essa foi uma fase. Toda a vida considerei que os alunos não precisam de ser infantilizados, puxar/desafiar com o devido apoio e confiança sempre foi uma constante que me deu muitas oportunidades de constatar que não só correspondiam quase sempre às minhas expectativas, como as excediam bastantes vezes.

Assim, aquele tipo de actividades/exercícios passaria a ser reservado para aulas de final de período, para descontracção, bem como para o contributo do meu departamento para as actividades não curriculares de escola no último dia do período lectivo.

Deixo umas recordações (print screen)...




(O primeiro da Páscoa não era só para a Matemática, pedi perguntas a outros professores)


Da minha fase seguinte falarei noutro post.

terça-feira, setembro 04, 2007

Memórias do uso das TIC na sala de aula - II

Envolvimento dos alunos

Disse no post anterior que em meia dúzia de anos ou pouco mais ficam desactualizadas e toscas iniciativas tidas no âmbito das TIC no ensino. Mas são memórias, hoje vou deixar uma aqui guardada.

Eu já aprendera a construir páginas web com o FrontPage e mais umas inclusões manuais no html, procuradas e achadas na net. Aprendera, com umas dicas de um amigo, criando uma página para o meu neto, que acabara de fazer cinco anos. Podia dizer que ainda nem passaram nove anos, mas é mais adequado dizer que já passaram quase nove anos, pois, neste campo, isso é imenso em termos de novos recursos e técnicas.

A minha escola ainda não tinha recebido aqueles sete computadores que ganhara num concurso mediante projecto, mas havia de um a três no Centro de Recursos (variação consoante avarias à espera de reparação), herdados de "velharias" de outra escola com mais sorte no apetrechamento devido a ser a sede do nosso centro de formação. Lancei numa minha turma de nono ano (a da minha direcção de turma) a proposta de construirmos uma página de Matemática da nossa escola, a ser alojada após aprovação do presidente simultaneamente do CE e CP (a escola ainda não tinha site).

Não tínhamos horário para lhes ensinar a parte técnica(*), eles participariam (após a parte inicial de sugestões para a estrutura, componentes e 'visual') nos conteúdos - procura de curiosidades relacionadas com a Matemática para uma das secções, de passsatempos matemáticos para outra secção, e de problemas um pouco do tipo quebra-cabeças de níveis de dificuldade apropriados respectivamente para 2º e 3º ciclo e destinados a um concurso mensal a que qualquer aluno poderia responder por mail desde que se identificasse, incluindo turma e escola (o prémio era apenas ver o seu nome na net, na lista dos vencedores do mês, mas os miúdos gostavam - nessa altura, a net ainda era novidade para a maior parte deles).

O nome da página - RacioMat - foi proposto por um deles entre outras propostas e escolhido quase por unanimidade em votação nessa turma e na minha outra.

Numa fase logo a seguir, constituiu-se um grupo de alunos voluntários que assumiram dinamizar a página. Mas ninguém na turma podia concorrer ao referido concurso, pois era condição para que fosse integrado um problema por eles trazido que todo o grupo soubesse previamente não só a resposta, como também explicá-la à restante turma (eles não se importavam de não poderem concorrer, sentiam-se todos co-autores da página).

Esse grupo empenhou-se nas suas responsabilidades até ao final do ano lectivo (em que partiram por terem terminado o 3º Ciclo). A página, que prosseguiu depois deles partirem, já está desactivada, mas guardo os ficheiros, pelo que posso deixar aqui a recordação desse grupo - recordação e saudades :)

(Filipe, Gonçalo, Luís, Nuno, Renato, Rudi e Sérgio - os nomes viam-se à passagem do rato)

Bem... agora viria o relato das decepções que eles teriam se eu não tivesse outra turma - só nesta havia concorrentes, mas ao menos o concurso funcionou com vencedores todos os meses, e até houve envio de uma ou duas curiosidades, por iniciativa de alunos da mesma. E não foi porque a página não estivesse divulgada, mas até na minha escola os colegas de disciplina se limitaram a manifestar contentamento porque "já temos uma página de Matemática", e depois, quanto aos alunos... ponto final. :(

Mas não entro por esse relato. Digo apenas que até havia uma dificuldade, que era o facto de os alunos nas escolas não terem acesso a mail, a menos que o professor os levasse a criar um hotmail - o que era moroso e não se justificava só por aquele concurso. (Contudo, havia outros meios - eu própria não gastava tempo com essa dificuldade, recolhia as respostas em papelinhos identificados, e o carácter de concurso tinha um efeito desafiante para os miúdos)
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(*) Cheguei a fazer uma sessão de FrontPage numa hora fora dos nossos horários para o grupo referido, apenas para terem uma ideia. Um dos alunos foi para casa decidido a construir e alojar uma página pessoal, o que fez com a minha ajuda por emails que andaram para cá e para lá - levou pouco tempo e a sua página ficou interessante e útil para colegas e amigos dele.
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Adenda

Mais tarde, o concurso deixaria de ter problemas exigindo alguns conhecimentos de matemática, para passar a requerer só raciocínio, designando-se Lógica para Todos, e passou a funcionar também no placard da nossa sala de mat. Tornou-se popular nas turmas das colegas que passaram a "alinhar" e me deixavam as respostas no armário da sala.

Acrescentei esta referência porque passou então a ser frequente alunos fraquitos acertarem e tornarem-se muito assíduos a concorrer, enquanto acontecia bons alunos errarem. E, no último ano em que funcionou, o primeiro dos três vencedores do ano (também havia esse apuramento) foi um dos meus alunos mais fraquitos, que teve um sorriso de orelha a orelha quando recebeu as palmas da turma.

(Mas não vou "dissertar" sobre nada disto...)

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Adenda 2

A propósito da nota de rodapé (alusiva à construção de uma página pessoal por um dos alunos), lembrei-me de que o meu neto, agora também a iniciar o 9º ano, criou um blogue há uns meses atrás sem precisar de ajuda, pois agora basta seguir os passos indicados e ele surge quase automaticamente. Mas disse-me, passado pouco tempo, que o abandonara porque não sabia o que escrever nele. Decerto não dirão o mesmo os adolescentes e jovens que tenham passado por experiências tais como as conduzidas pela 3za - como se pode ver aqui e aqui -, ou pelo Pedro - referidas aqui e aqui.

domingo, setembro 02, 2007

Memórias do uso das TIC na sala de aula - I

Uma questão de perspectiva

Passada meia dúzia de anos ou pouco mais, as minhas modestas memórias tornaram-se desactualizadas e toscas face à recente quantidade de novos recursos de fácil acesso e utilização. No entanto, não mudaram as diferentes perspectivas em que podem ser encaradas e utilizadas as TIC no ensino. Não mudaram porque não são as novas tecnologias que trazem em si as perspectivas e os objectivos com que podem ser usadas - isso está em cada um que as use.

Dispenso-me de citar autores que mais recentemente e com bem maior desenvolvimento colocam essa questão (colegas os têm citado na blogosfera), limitando-me a recordar a ideia essencial de um dos primeiros artigos que li sobre a mesma questão, ainda a minha escola não tinha quaisquer computadores a serem usados por professor com alunos. Perdi o artigo, também o nome do autor, mas a ideia não esqueci por ser uma das primeiras abordagens ao assunto que li. Alertava o autor para que "a introdução dos computadores na sala de aula" tanto poderia significar inovação, como poderia simplesmente perpetuar métodos tradicionais e estagnados introduzindo nestes apenas 'ambientes' e 'visuais' mais vistosos e modernos.

De facto, o envolvimento dos alunos na aprendizagem construindo-a de forma activa, a promoção da reflexão e o desenvolvimento de competências tão importantes como o espírito crítico não vêm embalados nas novas ferramentas. São, sim, objectivos que professores perseguiam sem essas novas ferramentas e continuarão a perseguir com elas, explorando as maiores potencialidades que, sem dúvida, as mesmas oferecem - e aqueles que eventualmente se contentem com ser meros transmissores de conhecimentos a turmas algo passivas continuarão iguais, ainda que com ferramentas actuais.

Ora, da parte do actual ME, vieram anúncios de investimentos (ou intenções de investimentos) na formação dos professores no âmbito das TIC. Claro que, antes de mais, os professores precisam de aprender a manejar as novas ferramentas. Mas isso, a meu ver, não basta. E, se é verdade que o professor reflecte, repensa, evolue e assume a sua formação contínua, também é verdade que tem direito a uma formação inicial e à existência de acções de formação posteriores que, no domínio das TIC, lhes abram perspectivas do uso das mesmas no sentido de elas contribuirem para maior e melhor alcance dos objectivos acima referidos. E, pelo que conheci das ditas acções de formação, já existentes, (conheci pouco diretamente, mas vi guiões e ouvi relatos), a maioria tem-se destinado a que os formandos aprendam a manejar programas e outros recursos de modo alheado a (ou independente de) perspectivas da sua aplicação no processo de ensino-aprendizagem de forma efectivamente inovadora - a aprendizagem 'técnica' já é alguma coisa, poupam muitas horas a deslindar por si, só com umas dicas de amigos, mas é pouco.

(Não haverá que inovar também no que respeita a certos promotores de acções de formação cujos pelouros parecem intocáveis, bem como a alguns "eternos" formadores?)

quarta-feira, março 14, 2007

Ainda a propósito de trabalhos dos alunos

No post anterior, a propósito do dia do Pi, lembrei-me de um dos tipos de actividades (os trabalhos referidos nesse post) a que conduzia os meus alunos quando a minha escola já tinha condições mínimas para 'aulas de Matemática nos computadores'.

Abro um perêntesis para contar que, na minha escola, todos os alunos do 3º ciclo passaram a estar já iniciados no uso da internet e de várias ferramentas no computador desde que nela se poude ter uma sala de informática minimamente equipada para permitir a inclusão no currículo do 6º ano da disciplina de "Introdução à Informática" (no âmbito dos tempos destinados a ofertas de escola e possibilitada quer por funcionamento em desdobramento das turmas, quer por a escola ter, por acaso, recursos humanos, centrados principalmente numa colega credenciada com habilitação formal para tal e completados por dois ou três professores, em que fui incluída, também habilitados, embora por formação mais informal).

Voltando aos trabalhos dos alunos, terminei o post anterior aludindo a recomendações que lhes fazia e, a propósito destas, lembrando-me de uma ou outra situação (saliento que não generalizo) que, na altura, me fez pensar cá comigo mesma na questão de valer a pena alguns professores começarem a pedir trabalhos aos alunos com recurso às "novas tecnologias", incluindo o uso da internet para pesquisa de informação. Recordo a questão, que ainda há pouco tempo tinha, a meu ver, razão para ser colocada, mas recordo-a mais para me congratular com o reconhecimento por parte do ME (este também toma algumas medidas acertadas - se chega a concretizá-las na extensão que requerem, isso já não sei), para me congratular com o reconhecimento, dizia, da necessidade de proporcionar a todos os professores formação no uso das TIC no ensino.
A pouco e pouco, sobretudo por causa da Área de Projecto (que, por acaso, até nunca me calhou no horário), alargou-se na minha escola o número, inicialmente reduzidíssimo, de professores que levavam os alunos à sala de informática, quando livre. Naquela área, os alunos realizavam, entre outros, trabalhos a apresentar baseados em pesquisa na net, pelo que, a dada altura, pensei que já não seria necessário gastar eu tempo especial para que aprendessem a seguir as minhas recomendações nos trabalhos de matemática, recomendações tais como "nada de meras colagens", "seleccionem só informação e ilustrações que já possam compreender", recolhem informação mas depois têm que a seleccionar e organizar, com redacção vossa, num texto coerente", "todos terão que saber expor o que fizerem", "não esqueçam que o trabalho tem que incluir a indicação de todas as fontes utilizadas" e - agora sobretudo para 9º - "não esqueçam que os trabalhos devem ter uma introdução e uma conclusão".
Contudo, a verdade é que continuei a deparar-me com uma ou outra turma em que ninguém parecia habituado a nada disso, apesar de já terem realizado trabalhos na dita Área de Pojecto, com vistosas capinhas, baseados em pesquisa na net sobre determinados temas, mas fazendo-o muito entregues a si mesmos. Já salientei que tal não era uma situação generalizada, mas alguns casos não deixaram de me fazer pensar cá comigo mesma que era melhor os respectivos professores, enquanto não se habituassem eles próprios a usar a net e a procurarem previamente nela fontes a indicar criteriosamente aos alunos ou a irem verificar, nas que estes encontravam, se não se tinham limitado a "copy-past" sem trabalho pessoal de redacção e organização coerente (o que, aliás, era de suspeitar pela não correcção pelos alunos de brasileirismos, dado que grande parte da informação em língua portuguesa se encontra mais profusamente em páginas brasileiras), era melhor, dizia, que enquanto esses professores não se familiarizassem com a prática pessoal que referi, prescindissem de "novas tecnologias" e orientassem as suas turmas na Área de Projecto (e não só) para pesquisas em livros da biblioteca ou disponibilizados pelo professor, como decerto faziam dantes sem que acontecesse pouca atenção tal como não repararem que os trabalhos eram meras colagens mal compreendidas, e sem parecer haver algumas demissões na orientação dos alunos para aprenderem a estruturar um trabalho - deixado demasiado entregue a eles talvez pelo facto de dominarem o uso de ferramentas em que (alguns professores) se sentiam "a zero".

Creio que estas minhas considerações são já extemporâneas. Apesar de essa fase ainda se ter estendido a tempo relativamente recente, derivada da resistência de várias gerações de professores ao uso do computador com os alunos pela insegurança decorrente de estes até os ultrapassarem em termos "técnicos", acredito que foi uma fase neste momento já vencida por grande parte dos professores (não foram, de facto, muitos os que, por iniciativa própria, nunca se deixaram desactualizar nesse campo) e que, em breve, estará ultrapassada por todos, já que a formação no uso das TIC (a começar pelo mais simples e elementar, quando necessário) finalmente se impôs.

Dia do Pi (recordação)

Ao lembrar-me que este é o dia do Pi, veio-me à memória o cartaz que sempre aparecia na minha sala de aula, ou com a canção de "aniversário", ou com um dos poemas que na net se podem encontrar dedicados a esse número. E, atrás dessa memória, veio-me a de trabalhos dos meus alunos, esses trabalhos de grupo que lhes exigem pesquisa, selecção, escrita sem meros "copy-past" e estruturação do trabalho final a apresentar à restante turma, mas que eles fazem com gosto, quer porque lhes agrada sempre irem para os computadores, quer porque os leva a descobrir curiosidades interessantes fora do "clima" do currículo "obrigatório".
Tenho alguns porque, por vezes (depois da exposição, no final do ano lectivo, de trabalhos dos alunos nas várias disciplinas), diziam-me para ficar com eles para "dar ideias" a futuras turmas. E como um desses, além de ser sobre o Pi, refere este dia, aproveito para deixar no meu cantinho uma recordação.




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Adenda
Fora do tema (O Dia do PI), mas a propósito do tipo de trabalhos dos alunos, que acima referi, a minha memória estende-se um pouco mais. Bastava-me dedicar a eles um ou dois blocos do horário da disciplina uma vez por ano (formatações e outros pequenos acabamentos ficavam por conta dos alunos já sem a minha presença) pois cada grupo tinha o seu tema (escolhido entre várias sugestões minhas se eles próprios não conseguiam sugerir), cada trabalho era depois apresentado à restante turma, pelo que se multiplicavam as oportunidades de todos descobrirem mais aprofundadamente quer a presença da matemática na própria natureza - incluindo o mundo microscópico, e não só nas formas, simetrias, etc., mas também nessa harmonia de uma proporção misteriosamente detectável também na natureza (lembro-me de trabalhos sobre o "número de ouro" - o phi ("fi") -, não referido no programa mas que era oportuno a propósito dos números irracionais) -, quer episódios da história da matemática propiciando uma melhor compreensão e distinção dos números que usavam - dos racionais aos irracionais -, quer curiosidades interessantes. E as exposições de final de ano fizeram-me ouvir, sobretudo inicialmente, colegas não de Matemática dizerem "Já aprendi coisas que não sabia" ou "Não fazia ideia que na disciplina de Matemática se fizessem trabalhos teóricos - assim chamavam a alguns, mas cá para mim trata-se de proporcionar aos alunos olharem a matemática na sua beleza ou harmonia, e também na sua história, como já disse acima, vindo por acréscimo o aproveitamento da motivação para trabalhar no computador (e também motivação por adorarem procurar, além de informação, imagens ilustrativas a seu gosto) para elaborarem eles um trabalho a apresentar.
O trabalho mostrado é escolhido por ser o único, dos que ficaram comigo, que refere o dia do Pi, e nem tem os nomes dos elementos do grupo (falha que não era habitual). Outros, sobre diferentes temas, estão devidamente identificados com os nomes dos autores pelo que até mereciam "publicação" pois são de facto trabalhos interessantes, foram de alunos ainda só no 3º ciclo, e o mérito foi deles. (À professora só cabia estímulo, orientação e algumas recomendações)

"Recomendações" - a propósito destas ocorrem-me algumas questões e comentários, mas não vou alongar-me mais, guardo isso para próximo post.

terça-feira, janeiro 30, 2007

"As minhas" TIC com os netos

A parte do meu desktop que é só dos netos
(do resto, cada um de nós usa o que precisa)

O Nuno só tem uma pasta no ambiente de trabalho do pc da avó pois a sua fase nas TIC já é outra e está no 8º ano - dessa fase não vou falar (hoje) porque lá iria eu desviar-me para questões das escolas, do uso das novas tecnologias com os alunos (ou do ainda bastante generalizado não uso). Apenas quero guardar neste cantinho as pastinhas da Inês aos oito anos, que 'eles' crescem muito depressa, daqui a nada já serão só recordações.


Lembrei-me de pôr a imagem para reter especialmente duas das pastas da Inês. Uma, é a das artes plásicas, designação que veio dela quando me disse que queria "fazer artes plásticas no computador" - donde lhe veio a pomposa designação, não cheguei a averiguar bem.
Mas, o que importa é que largou definitivamente os programinhas já demasiado infantis, em que as composições "artísticas" são quase só feitas com clics. Iniciei-a então no Paint, incluindo busca de imagens para inserir a fim de complementar/enfeitar o trabalho pessoal com as limitadas ferramentas.
Confesso o meu desleixo na procura de recursos menos limitados, acessíveis à idade, mas também é muito pouco o tempo que lhe sobra das suas "pesquisas" na net, nos bocadinhos que está na minha casa (regularmente, só duas vezes por semana), dado que o computador dos dois manos em casa deles ainda não tem internet, e o outro tem muitas vezes prioridades profissionais.
"Pesquisas" na net... é que me aparece frequentemente com endereços de sites (são sempre infantis ou juvenis) que traz de cor, suspeito que alguns de anúncios da TV, outros devem vir dos amiguinhos da escola. E lá vai explorá-los (depois de eu ver onde entrou - sempre convém), se lhe agradam guarda na sua pasta dos Favoritos. Também recebe de vez em quando e-mails de um ou outro site que promove concursos, e lá vai ela, de respectivos username e password nos dedos. (Ainda "ontem" mal sabia ler e escrever! Mas, este pouco agradável passar dos anos para quem já tem os que eu tenho tem suas compensações, e uma é reviver o crescimento das minhas crianças)

Mas... que coisa, lá estou eu a desviar-me (coisas de avó), pois a pasta que queria referir mais é a designada por concursos. Adora quando eu faço um exercício com o Hot Potatoes, seja para o português, seja para a matemática, seja... de "cultura geral". São esses os concursos da respectiva pasta pois são desafios, dado que indicam no final a pontuação (que vai sendo registada no post-it, como se vê na imagem). Não crio estes exercícios-concurso para suprir nenhuma insuficiência da escola - a professora é excelente -, nem para motivar a Inês que, felizmente, gosta de aprender. Apenas os faço de acordo com perguntas/dúvidas que ela me coloca. Por exemplo, para reforço da correcção da ortografia em casos em que mantém hesitações ou em tipo de erros que ainda comete repetidamente, para apreender melhor um raciocínio na matemática em que noto que persistem dificuldades ou erros por precipitações automáticas e também para "puxar" pelo seu vocabulário, inclusive o "matemático", neste caso num exercício de palavras cruzadas que o Hot Potatoes permite criar com extrema facilidade.



(Mas agora ando a descurar o concurso, pois há novo entusiasmo na pasta dos jogos)



E, já agora, uma referência a essa pasta dos jogos. Embora a Inês aproveite as vindas cá a casa para os joguinhos online dos seus sites favoritos, também gosta muito do chamado software educativo. Usa-o em casa dela, mas também com frequência aqui, o que mostra que vale a pena adquiri-lo. Ainda há umas três semanas andou a pedir-me a Aventura do Corpo Humano, que chegou a encontrar cá em casa mas foi para o lixo quando verifiquei que era um daqueles que o XP fez passar à categoria de antiguidade. Comprei a versão actualizada a pensar que se não iria interessar muito, mas a verdade é que está agora no "top" dos preferidos. Além de actividades mais lúdicas, o cd tem outras que eu supunha que não a entusiasmariam, mas afinal... jogo é sempre jogo, e para as crianças ouvirem os elogios numa vozinha engraçada, acompanhados de palmas, pelos vistos até seguem atentamente as lições prévias do cd sobre nomes de ossos e outros componentes do corpo, enfim, essas "coisas chatas".
[Ei! Atenção! Estou a falar de uma criança de 8 anos, nada de confusões com 8º ano, que eu não defendo mesmo nadinha joguinhos 'toda a vida' para motivar a aprendizagem. Desafios a crescerem, isso sim - aliás, até tenho um marcador de posts designado por "infantilizar ou puxar?", embora nenhum dos posts marcados tenha a ver (explicitamente) com aprendizagem curricular, e suponho que (ainda) não escrevi nenhuma memória que se relacione com a ideia a que procurava sempre que os alunos do 2º ciclo aderissem (e julgo poder dizer que não era mal sucedida nisso) - a de a matemática e os respectivos problemas serem como um jogo, um desafio ao raciocínio, e que eram capazes do mesmo modo que revelavam ser capazes de descobrir estratégias, às vezes difíceis, para ganharem em certos dos seus jogos].



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Adenda



Ainda pelos 4-5 anos do Nuno, a mãe (minha filha) declarou que não teria que se preocupar com a "formação informática" dele pois delegava-a em mim. Pois, pois... até há um tempo atrás ainda pensávamos que isso poderia passar por nós, mas do que eles gostam é das modas lá entre eles... Por exemplo, cedo deixam de precisar que lhes ensinem a usar o msn, e lá os temos a prolongarem em casa as conversas da escola com os amiguinhos (e amiguinhas), o horário de estudo esquecido (até serem apertados com uma proibição de msn até levantarem aquelas notas negativas que começaram a aparecer nos testes por causa de tanta conversa - mas isso só fazem alguns pais, eu sei de uns que tiveram que o fazer uma vez há pouco tempo mas não vou dizer aqui em público quem era o filhote, digo só que as notas levantaram logo nos testes seguintes e ele não andou traumatizado com a proibição), e a dedicação intensiva a uma nova escrita que qualquer dia os põe a escrever português com mais erros do que quando tinham nove anos, isto se falarmos só dos que até fizeram um bom 1º ciclo.
O Nuno até criou um blog, e não fui eu que ensinei, só dei depois umas dicas que até o levaram a um primeiro contacto com html, mas depressa o abandonou por "falta de assunto" e, quanto a descobrir assunto... bem, "santos de casa não fazem milagres" (até porque são vistos como intrusos, os reconhecidos como "autoridades" são os professores nas disciplinas escolares - no mais geral ainda com nada ou pouco de TIC -, alguns amigos um pouco mais velhos noutras áreas e os publicitários das últimas modas/aliciamentos - que não são o msn, este até é um desviante menor do estudo).



Como competir com isto? Que papel cabe à escola?



Mas já saí do assunto do meu post... que mania das adendas!



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_xiiiiiii... Isabel, que post tão longo!!
_Ora, não faz mal, este foi para guardar como recordação, eu volto qualquer dia a questões implícitas na adenda...

sexta-feira, dezembro 30, 2005

A propósito das TIC

Embora seja difícil disponibilizar salas na minha escola, esta tem duas equipadas com computadores. A segunda deveu-se ao investimento do ME por causa da nova disciplina no 9º ano (e 10º), mas a primeira existe há bastante tempo, desde que obtivemos 8 computadores novinhos, mediante candidatura sob projecto. (Ao falar aqui de computadores na escola, refiro-me a computadores para trabalho com os alunos). Desde então, aliás, o 6º ano tem uma disciplina de iniciação, integrada no currículo obrigatório, graças ao tempo que a escola dispõe para ofertas curriculares, funcionando em desdobramento (metade da turma em cada meio tempo de um bloco).
Era ainda o tempo em que boa parte dos professores não estava sensibilizada para a introdução do computador na sala de aula - ou seja, para deslocar turmas para a sala de informática, que para termos as salas de aula equipadas com computadores ainda devemos ter que esperar pelo menos um decénio (só??). Excepto os mais jovens professores, a grande maioria sentia-se ultrapassada por novas tecnologias que não sabia utilizar. Fazendo eu parte daqueles que não se deixaram ultrapassar, foi-me então fácil, nos pedidos de horário, conseguir que qualquer das minhas turmas tivesse garantido um tempo de Matemática com a sala dos computadores disponível para requisição quando necessitasse.
Além de outros objectivos nas actividades no computador, tornou-se meu hábito incluir de vez em quando apenas a intenção de dar um certo carácter lúdico a exercícios de Matemática que podiam ser realizados em fichas na sala de aula, mas que recursos disponíveis gratuitamente na internet me permitiam construir como mais desafiantes, pela interactividade e indicação automática de pontuações, além de que os alunos diziam que o simples facto de estarem no computador já lhes dava uma sensação lúdica.
Neste ano que decorre, subitamente eliminei das minhas perspectivas de planificação de aulas esse tipo de exercícios no computador, pois sente-se a actual geração de alunos de tal maneira a querer só o divertido ou atraente, sem hábitos de trabalho e esforço, sendo os jogos no computador uma das aliciantes que lhes tira tempos e aptência para estudo, que, embora as actividades que referi (não outras necessárias, inclusive requerendo pesquisa, etc., claro) não fossem propriamente jogos, tinham para os alunos um pouco esse carácter e... pronto, eliminei-as, com este pensamento de que jogo no computador já a maioria tem demais. Deverá parecer uma barbaridade eliminar algo que torne aulas mais alegres/divertidas para os alunos - falo de alunos já de 8º e 9º ano e até gostaria que, se acaso me lerem, comentassem - mas a verdade é que, de repente, deitei fora as referidas actividades no pc. (Aquelas só, não outras que, aliás, não são menos motivadoras ou atractivas pois a ideia de irem trabalhar no computador logo lhes provoca contentamento)

quinta-feira, maio 26, 2005

Os comentários

Com o comentário do Jorge a "Pergunta", fico indecisa sobre se opto por memórias soltas ou questões soltas (destas últimas já há "toques", nos comentários, que bem dão para discutir) - ou se ponho aqui primeiro o comentário dele como artigo e... entramos então em enormes questões de fundo!

Mas amanhã é feriado... mais não faço do que anotar na minha agenda :)

Entretanto, uma memória em foto e uma histórinha alegórica... (dedicada ao comentário do johndoe sobre as calculadoras - mas não só a ele)

Foto

Calculadora? - pergunta o Prof franzindo o sobrolho. Stor, sabe que o número 37 tem magia? - responde o miúdo. Ai sim? Hum... mostra lá! - diz o Prof. Mas tem que ser com a calculadora, que só três ou quatro exemplos não permitem tirar conclusões... - sentencia o puto. Isso é verdade, muito bem dito - elogia o Prof. E o garoto, lesto: Vamos à do computador, que não trouxe... Não, não é preciso - interrompe o idoso professor, já assustado - serve-te aqui da minha!

;)