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quarta-feira, outubro 19, 2011

Quando a Educação e a Cultura baixam para o nível da pobreza...

... as consequências podem ser irreversíveis por muito tempo!

«A despesa pública em educação em percentagem do Produto Interno Bruto, prevista para 2012, vai empurrar Portugal para a cauda da União Europeia.
De 5% do PIB em 2010, as despesas do Estado com a educação passarão a representar apenas 3,8%. Na UE, a média é de 5,5%. Na Eslováquia, que estava no final do tabela, rondava os 4%.
A descida deste indicador estrutural é apresentada na proposta de Orçamento do Estado para 2012.»

E enquanto Vitor Gaspar continua a guiar-se pela sua fé no "deus mercado", Nuno Crato já não se guia por coisa nenhuma, restando-lhe uma fé abstrata e irracional...

«Questionado por jornalistas, em Braga, o ministro Nuno Crato escusou-se a pronunciar-se em concreto sobre os cortes previstos no orçamento do seu ministério, mas considerou que as opções do Orçamento do Estado para 2012 são "as melhores" face ao "momento difícil" que o país atravessa. "São opções difíceis, vivemos um momento difícil, mas eu creio que são as melhores opções face à situação em que estamos", disse. "Temos todos esperança no futuro, na educação, na ciência, vamos ultrapassar este momento difícil, vamos de certeza conseguir ultrapassá-lo", acrescentou.»

Demita-se, Senhor Ministro Nuno Crato! As intenções que propagou não nos fazem falta nenhuma, mas, ao menos, mostre alguma dignidade recusando ser mero "pau-mandado". 
Li que argumentou  na defesa do corte da carga horária das disciplinas de História e Geografia que elas não são estruturantes. Olhe que a Matemática também pode não ser para "brilhantes" alunos, como parece ter sido o caso de V. Excia. 

terça-feira, julho 26, 2011

UAU!

Não há ninguém que não saiba que conceber um modelo de ADD simultaneamente, por um lado, fiável e justo, e, por outro lado, viável para já, é extraordinariamente difícil. E, conseguir isso em poucas semanas... isso então é um feito genial.
Estou indecisa entre a total incredulidade e a expectativa de que Nuno Crato descobriu (ou alguém descobriu e lhe apresentou) uma cabeça genial algures neste nosso Portugal.

segunda-feira, junho 20, 2011

Comentário ao discurso do novo Ministro da Educação

O discurso já é bem conhecido e pode ser ouvido AQUI.
Comentei-o na rede Interactic 2.0, pelo que me limito a copiar para aqui esse meu comentário, com alguns pequenos prolongamentos.

-Começando por apontar um ponto positivo: Valorizar os professores. Mas, onde fez Nuno Crato ouvir a sua voz quando, após a LBSE, a formação dos professores de Matemática do Ensino Básico, especialmente do crucial 2º Ciclo(falo desta disciplina porque a lecionei durante 37 anos, primeiro no 2º Ciclo - e ainda no "Ciclo Preparatório" da Reforma Veiga Simão -, depois no 3º Ciclo), baixou muitíssimo de qualidade, juntando a formação científica à formação pedagógica, praticamente eliminando verdadeiros estágios pedagógicos, tudo com a mesma duração que antes tinha a formação científica? E com que força procurou opor-se ao ainda pior Novo Regime de formação de professores, quando do processo de Bolonha? (Não tenho voz pública, mas, no meu humilde blogue, muito denunciei tudo isso)

-"Ensino em espiral":  NC critica, e valoriza conteúdos, mas esquece que, no E. Básico, além de uma boa preparação nos conhecimentos, essencial para os alunos que virão a prosseguir para áreas com Matemática ( e boa preparação a nível de conhecimentos não é simplesmente  decorá-los de modo a não serem esquecidos até realizarem exames), é fundamental criar os hábitos (e o gosto) de raciocinar, de rigor, de pensar criticamente, e proceder desde relativamente cedo à iniciação em CONCEITOS, os quais só ficam elaborados por sucessivas retomas. A matemática do (decorar) "como se faz" em nadinha contribui para a Formação Matemática e desenvolvimento do pensamente rigoroso sem a aquisição de conceitos, e estes só ficam elaborados após o tal "ensino em espiral" (que Nuno Crato de algum modo caricaturiza - talvez se encontre aí a explicação para a falta de rigor de alguns dos seus escritos, nada própria de um matemático)

- Nunca adopto a expressão "Ciências da Educação" (e gosto de ter no meu registo biográfico "mestrado em Educação", pelo Departamento de Educação da FCUL - departamento que é avesso à expressão acima). Mas muito importantes são as Ciências tais como Psicologia Cognitiva, Psicologia da Aprendizagem", etc., do âmbito da investigação científica (essas sim, Ciências), pelas suas aplicações em educação-ensino-aprendizagem. NC tem na sua cabeça um "eduquês" que ridicularizou com bastante ignorância e recurso a método nada próprio de quem deveria ter rigor intelectual, como já disse acima - um "eduquês" completamente irreal nas escolas.
O que não é compatível, é juntar a formação científica sólida (o professor tem que saber bem mais do que o que tem que ensinar a determinadas idades) com essas ciências num curso de formação inicial com a mesma duração que tinha no meu tempo só a licenciatura científica especializada. E os verdadeiros estágios pedagógicos foram tornados caricaturas de estágios por motivos economicistas (pelo menos para lecionar 2º Ciclo, onde tive o que guardo como triste memória quando, uma única vez, aceitei ser professora cooperante - não confundir com professor orientador). NC denuncia o actual regime de formação inicial de professores, relacionado com o Processo de Bolonha, mas não diz que vai ter coragem para o alterar.

- Por último: NC tem-se mostrado assustadoramente retrógado, pois tem insistido na sobreposição dos conteúdos e na memorização, desvalorizando os processos. Além de que mais exames pressionarão os professores para o treino para estes, quando a aprendizagem da Matemática, precisando, claro, também de treino, não chega a ser aprendizagem que dure sem os processos que levam os alunos ao pensar, à compreensão, e ao ganho de autonomia numa relação com gosto e com esforço no prosseguimento do estudo dessa disciplina.

Perdoem-me o pecado de pouca humildade, mas tenho que dizer que tenho autoridade para opinar pois os meus alunos sempre provaram prosseguir bem preparados, e, no respeitante ao 9º ano, quer aqueles a quem atribuí o nível mais elevado (5) mantiveram, na escala de notas do Secundário, a excelência (própria das elites sobre as quais parece predominar o pensamento de NC), quer alunos a quem atribuí aquele nível 3 "baixinho" e prosseguiram para a escolaridade não obrigatória, aguentaram-se muitas vezes até para além das minhas expectativas. (Eu tinha notícias de quase todos porque a Escola Secundária era ao lado da minha E2,3).
Eu seria decerto apelidada por NC de "eduquesa", mas, por minha vez, eu considero-o não "moderno", mas sim com um pensamento extraordinariamente antiquado e voltado para as elites de alunos. Revela-o pouco no vídeo, mas não é pelo vídeo que eu o conheço (que nós o conhecemos).

sábado, junho 18, 2011

Já estava de luto pela Cultura, agora estou de luto pela Educação Escolar

Exceptuando o que toca ao novo Ministro da Educação, não comento o novo elenco ministerial, não só porque cabe pouco no âmbito deste blogue, mas também porque não tenho dados para opinar. Melhor dizendo, as questões ideológicas já estão fora da ordem do dia desde os resultados das eleições, em que, num sistema democrático, o povo é soberano (mesmo que possa mais tarde perceber que foi iludido pelas campanhas que nada esclareceram concretamente). Restam as questões de competência política e técnica para execução do programa imposto externamente, e é sobre essas que não tenho dados. 

Também vou escrever pouco sobre o novo Ministro da Educação porque, embora tenha fundamentos para estar de luto, todos têm o direito de vir a mudar, sobretudo se for por meio (meritório) de estudo que permita colmatar grandes e graves ignorâncias demonstradas fora da sua área de especialidade. Esta hipótese obriga-me a algum benefício da dúvida.

Erigido a comentador, algumas das suas ideias sobre educação-ensino preocupam-me. Mas preocupa-me ainda mais o facto de ter revelado duas facetas num livrinho que escreveu, promovido por largo tempo aos "tops" das livrarias e obtendo grande popularidade:
- Ignorância sobre  verdadeiros conceitos da teoria e da investigação internacional no âmbito da Psicologia Cognitiva, ridicularizando-os por confusão com pseudoconceitos em voga, embora não na comunidade científica.
- Falta de rigor (para não dizer falta de honestidade intelectual) ao ridicularizar, mediante um ou outro exemplo isolado e caricato,  ideias que os professores nunca tiveram, bem como ao ridicularizar o pensamento de figuras prestigiadas no campo da Educação e da Psicologia Educacional através de curtíssimas citações totalmente retiradas do contexto em que se inseriam, deturpando ou omitindo o real pensamento das pessoas citadas.

Eu poderia escrever um muito mais longo texto comprovando o que acabo de dizer, mas dispenso-me de o fazer já que comecei por conceder algum benefício da dúvida. No entanto, como não é bonito (leia-se "honesto") fazer sequer insinuações sem as provar, remeto o leitor para a 1ª Parte de um livro que comprova o que eu disse, embora eu tenha constatado o que disse por discernimento meu baseado em conhecimento  directo antes de ler o livro que cito:
Álvaro Gomes (2006), "Blues pelo Humanismo Educacional?". Eds Flumen.

segunda-feira, junho 06, 2011

Imensa tristeza. Mas luto, não!

É fácil iludir um povo assustado quando se faz uma campanha em que são omitidas-escondidas as medidas concretas que vão ter que ser tomadas e, ainda mais, as outras para além das impostas externamente. E são feitas promessas de intenções em abstrato para bem do povo, salientando o povo mais desfavorecido, quando, na realidade, se é por profunda convicção a favor do neoliberalismo extremado, ainda que não convenha dizê-lo.
Como se pudessem renunciar à proteção dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros, cujo apoio é o seu sustentáculo na posse do poder da governação.
Como se fossem capazes ou estivessem dispostos a, por exemplo, compensar o  abaixamento da Taxa  Social Única, imposto no acordo que assinaram, mediante taxação dos escandalosos lucros não taxados, contra o sustentáculo referido acima, evitando assim que seja o povo a compensar, evitando assim mais fome e miséria.

Imensa tristeza por ver o cravo de Abril em perigo de murchar. Mas luto, não, porque o povo pode ter sido iludido, mas o povo português não quer que esse cravo de Abril murche para sempre, e saberá regá-lo pela tomada de consciência que conduz ao NÃO, que conduz à luta que for necessária.

Há sempre os homens e mulheres que lutam... Aqui... na Europa... no Mundo...

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis
.
B. Brecht
 
É preciso saber esperar, sim. Mesmo que a mudança qualitativa aconteça sem que os que lutam toda a vida cheguem a vê-la - mas vêem e vivem os filhos ou netos. E agora a História até "anda" mais depressa.

Para os que não se acomodem: Jamais percam a ESPERANÇA!

domingo, janeiro 23, 2011

Libertando-me de um (mau) pensamento

São 23.30h. Bate-me na cabeça um pensamento. Como tenho que ir pensar noutras coisas, nada como escrevê-lo para libertar a cabeça.

Seria deselegante algum mau perder. É (no mínimo) deselegante ter um mau ganhar.

quinta-feira, maio 13, 2010

E se estudassem o que é o Construtivismo?

Num artigo de uma revista brasileira (veja.com), deparei-me, a dada altura, com...


“À luz das versões tropicais do construtivismo, essa deficiência é até uma vantagem, pois, afinal, cabe aos próprios alunos definir com base em sua realidade o que querem aprender.” (destaque meu)


O construtivismo não tem culpa das disparatadas e cretinas ilações como a citada.

Piaget não foi pedagogo, mas não deixou de escrever alguns textos para os professores. Se estes nunca os leram, nem sequer sabem o que é construtivismo... é lamentável. Tal como é lamentável que figuras públicas cá da nossa Praça também não saibam, incluindo uma que escreveu livrinho muito publicitado e vendido onde revela grande confusão entre aquele conceito e umas "modernices" acerca dele sem qualquer credibilidade na comunidade científica da área.


Não me admira, pois, que o artigo acima citado também informe:

"De acordo com a mais completa compilação de estudos já feita sobre o tema, consolidada pelo departamento de educação americano, os estudantes submetidos a esse método de alfabetização têm-se saído pior do que os que são ensinados pelo sistema tradicional. Foi com base em tal constatação que a Inglaterra, a França e os Estados Unidos abandonaram de vez o construtivismo nessa etapa."


(In revista citada)

domingo, setembro 27, 2009

Eleições: Pelo menos uma coisa positiva...

Não houve maioria absoluta (fosse de um lado ou do outro). Apesar dos argumentos contra maiorias relativas por poderem ocasionar instabilidade governativa, para mim têm maior peso os riscos de maiorias absolutas para a democracia. Sobretudo quando um primeiro mimistro é arrogante e prepotente, parecendo não ouvir nada nem ninguém senão ele próprio. E o que tivemos durante toda a legislatura que hoje terminou foi (a meu ver), não digo um país em ditadura, mas foi um país como se tivesse partido único.

quinta-feira, maio 22, 2008

Adenda ao post anterior

Há 10 meses o CNE discordava e agora já concorda?
Ou estou a ler mal?
(Se estou a ler mal, corrijam-me, por favor!)
«4—Apreciação na especialidade.
4.1—No caso da formação de professores do 2º ciclo do ensino básico (...), o anteprojecto contraria a Lei de Bases do Sistema Educativo [artigo 8º, nº 1, alínea b)], dado que nela se consagra que, no 2º ciclo do ensino básico, o ensino se desenvolve «predominantemente em regime de professor por área». No entanto, o anteprojecto propõe um mesmo professor para um alargado espectro de áreas (Língua Portuguesa, Matemática, História, Ciências da Natureza e Geografia de Portugal). No nosso entender, a formação de tais professores deve conferir-lhes habilitação para a docência de uma área do 2º ciclo do ensino básico (tal como previsto na Lei de Bases do Sistema Educativo) e, simultaneamente, para serem professores coadjuvantes dessa mesma área no 1º ciclo do ensino básico. » (destaque meu)
«(…) numa altura em que as alterações ao enquadramento jurídico da formação de professores (Dec-Lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro) definiram uma licenciatura em educação básica comum como ponto de partida para a formação profissional pós-graduada para educadores de infância, professores do 1º CEB e professores do 2º CEB, tendo subjacente a ideia de estabelecer uma unidade educativa com identidade própria para a faixa etária dos 0 aos 12 anos. Neste contexto, importa reflectir sobre os fundamentos e os efeitos dessa reorganização do sistema educativo – relativamente à qual, desde já, se expressa a nossa concordância (…)» (destaque meu)

Com tantos documentos, alguns a carecerem que os leia com mais atenção, humildemente admito que esteja a ler mal o sentido dos excertos que citei em termos do que me parece uma contradição. Se assim é, agradeço que me corrijam.

terça-feira, maio 20, 2008

Ciclos de ensino... a questão não está no nome ou na duração

O que me preocupa e assusta não é a ideia de se passar, no nosso país, a designar como um só ciclo o que actualmente se designa por 1º ciclo e 2º ciclo. Vários países consideram como um só ciclo o ensino dos 6 aos 12 anos - a questão não está na ideia, em si, de "ciclo".

A 1ª grande questão, a meu ver, está no regime e conteúdos da formação de professores instituída ou a instituir, bem como na adequação do número de professores às exigências quer dos progressivos aprofundamentos das aprendizagens, quer das áreas especializadas que a formação de professores "generalistas" não pode abarcar com seriedade.

Assim, o que me preocupa e assusta na publicação, pelo CNE, do Relatório do Estudo "A educação das Crianças dos 0 aos 12 anos" nem é tanto o seu conteúdo (que deve ser lido, e não os "resumos" que dele faz a comunicação social), mas sim o aproveitamento que decerto a Ministra da Educação dele fará em apoio aos seus objectivos. E, porque considero que os objectivos economicistas desta ministra (e do governo a que pertence) juntamente com as desastrosas visões que tem sobre educação e ensino estão a levar o nosso sistema educativo para caminhos cujas lamentáveis consequências demorarão muito tempo a remediar, fiquei aterrada com este "apoio" do CNE .

As nossas crianças estão a ser cobaias. A quem responsabilizará o país se vier a acordar para tristes consequências das experiências precipitadas de governantes que tomam uma maioria absoluta como legitimidade para catadupas de reformas e medidas, numa correria de quem se importa muito mais com o seu percurso eleiçoeiro do que com o futuro (e o presente) dos portugueses?

Estou cansada - cansada do que observo. Já não tenho vontade de comentar. Deixo só este breve e muito superficial comentário - para escrever mais, estou cansada (ou triste, ou descrente, nem sei).
______
Adenda
A Ministra da Educação já veio a público dizer que a fusão dos 1º e 2º ciclos não está nos objectivos deste governo (para a 1ª legislatura, leia-se). (Ouvi a própria Ministra na rádio, mas outras e talvez um pouco diferentes declarações se seguirâo) Mas os primeiros alicerces foram construídos por este mesmo governo com o novo regime de formação para a docência.
O relatório do CNE diz ter como um dos seus objectivos "comparar a situação portuguesa com a situação noutros países". Então, porque descreve longamente a organização da educação das crianças dos 0-12 anos em seis países e quase nada informa sobre a formação de professores nesses países? A esta são apenas dedicados dois parágrafos que se limitam a dizer que a formação para a educação de infância é, em geral, de nível superior, que a formação para o "ensino primário" é de nível universitário e que ambas são completadas por um período de estágio profissional. Acho estranho este laconismo.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Extremo zelo de uma presidente de conselho executivo

Acabo de ler esta notícia do Público e lá estou eu a não resistir a dar um saltinho a este canto, apesar de ele estar mesmo em interrupção de postagem.
Que escola é esta que se demite de aplicar uma sanção ao alcance dos seus próprios poderes internos e autónomos, a alunos seus que, provavelmente com idades entre 13 e 15 anos, cometem um acto de facto ilegal e punível, decerto influenciados pelo protesto dos alunos do secundário, preferindo apresentar queixa ao Ministério Público?
Não ponho em causa uma punição, mas das punições espera-se que tenham um efeito formativo, neste caso precisando talvez qualquer sanção de ser acompanhada de um esclarecimento sobre a ilegalidade de algumas acções mesmo que levadas a cabo com o intuito de luta ou protesto. Os alunos do secundário que ontem fizeram "greve" não estavam protegidos por nenhum mecanismo que lhes conferisse legalidade, por isso terão tido faltas injustificadas.
Os garotos do 3º Ciclo da escola em questão, que se quiseram juntar ao protesto excedendo-se pelo encerramento da escola a cadeado, são ainda crianças, e eu penso tristemente com os meus botões: a queixa ao Ministério Público não parece ter o intuito de punir para educar/formar, mais parece uma vingança de adultos contra crianças.

P.S.:
Escrevi de corrida, deve estar um texto 'mal amanhado', mas estou atrasada para me ir juntar ao cordão humano a caminho do ME - enfim... os impulsos de momento a que não resisto, mesmo com pressa.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Poupem-me, por favor!

Não foi, como julgo óbvio, directamente este post do Miguel Pinto que me levou a escrever o título acima, foi apenas essa moda recente, que ele me lembrou, de algumas rotulações fáceis de "eduquês" sobre variadas ideias pedagógicas, e algumas autoproclamações mais fáceis ainda de "anti-eduquês". (Não me refiro, claro, a colegas que, sensatamente até, rotulem de eduquê este ou aquele escrito que leiam - esses colegas, aliás, não costumam andar a apregoar-se dogmaticamente disto ou daquilo).

Todos sabemos que esta moda se popularizou a partir do livrinho de Nuno Crato que o Miguel também refere como tendo colocado o dito termo "no top dos lugares comuns" e ao qual, já que teve a categoria de livro, eu só chamo mesmo "livrinho". Logo quando o li me faltou a paciência para terminar as últimas páginas, pois duas coisas me irritaram, uma respeitante ao recurso a curtas frases proferidas em situações pontuais, e retiradas do contexto do que esta ou aquela pessoa disse, e a outra parecendo já ignorância sobre o significado original, genuino, de um ou outro conceito. Mas, não venho falar do dito livro nem dos métodos nele seguidos pelo seu autor, embora isso de deduzir, de um pequeno escrito ou comentário, algum enorme eduquê ande a ter seguidores.

Entretanto, nesta 'história' de eduquês e anti-eduquês, o que me preocupa não são os que se andam a ocupar dela com defesas ou acusações (a menos que sejam mesmo professores e uns tantos miúdos lhes andem a passar pelas mãos). O que me preocupa é que também haja, entre os professores que os lêem, alguns que se limitem a fazer a sua auto-formação contínua por leituras "pop" (como lhes chamava um professor que tive não há muitos anos), umas "baratas", outras superficiais.

Já que Rousseau anda na mira dos anti-eduquês, ocorre-me que o caso da pedagogia não é, a meu ver, diferente do da filosofia propriamente dita no que concerne à formação do nosso pensamento. No 2º caso, o conhecimento de grandes filósofos contribui para a formação, criticamente, do nosso próprio pensamento sobre a vida e a humanidade, e, de preferência, conhecimento de pensadores com diferentes e até contrárias perspectivas, pois é no conflito entre ideias contrárias que o pensamento avança. Quanto ao 1º caso, se me perguntassem em que perspectiva ou corrente pedagógica me insiro, desde há muito tempo que responderia: Em quase todas as que li e em nenhuma. Claro que não estou a referir-me a alguma amálgama de ideias contraditórias. O facto é que construí (como todos os professores que procuram um pensamento autónomo) as minhas perspectivas pedagógicas (e também busquei fundamentos sólidos para as que privilegiei) através da selecção, em cada uma, dos aspectos sensatos a conservar - embora, naturalmente, tenha as minhas 'linhas de fundo'. Ou seja, a adopção exclusiva, exagerada ou dogmática de qualquer uma depressa, numa determinada fase lá para o início da vida profissional, me pareceu inadeaqada, seja às realidades, seja à eficácia, ou simplemente a mim mesma.
Considero, aliás, que foram bastante nefastas as passagens, depois do 25 de Abril, de extremos para outros extremos - foram os casos de eliminações de memorização da tabuada e de defesas de que tudo tem que ser bem compreendido antes de memorizado, ou até de traumas com algo que possa ter alguma pequena semelhança com o ensino do antigamente, como seja haver momentos de aula expositivos e exigindo dos alunos que ouçam com atenção e calados informações ou explicações do professor, para não falar de ideias extremadas sobre educação adoptadas muito para além do interior da escola.
Tudo isto pareceria caricatura se não tivesse mesmo acontecido. E, professor que inova na sala de aula e vai adequando as suas inovações a novas realidades (ou pedagogo teórico), só dá um contributo válido com isso se tiver, antes de tudo o mais, as noções de bom senso e de equilíbrio.

Mas eu ia jantar, passei pelo blogue do Miguel e vim, para quê (?) escrevinhar - já acentuei no início que o Miguel não teve culpa nenhuma, ainda menos de eu, em vez de ir jantar, me pôr a escrever também lugares comuns. Afinal, o que queria era apenas fazer o desabafo - que até fiz logo em título - sobre telenovelas de eduquês e anti-eduquês: Poupem-me, por favor!

;)

sexta-feira, junho 23, 2006

Adenda


Eu sei que ainda estou impulsiva, que ainda estou zangada. Mas, afinal, eu também sei como cada 'hoje' em que nos centramos, que empolamos, em que nos zangamos, ou, mesmo, outros 'hoje' em que sofremos, 'amanhã' serão passado e parecerão, afinal, insignificantes.
Como, amanhã, parecerá insignificante uma ministra em que hoje nos centramos empolando consequências da sua breve passagem.
(Vê se recomeças a aplicar as tuas filosofias, Isabel!)

quinta-feira, março 09, 2006

Nem tudo são flores (Adenda à orquídea do dia 8)

Sempre me fez confusão como por vezes, numa escola, um só "valter" infiltrado (de calças ou de saias) consegue "destilar" dióxido de carbono. Não só (nem tanto) no ambiente humano, sobretudo no ambiente pedagógico, poluindo desejos de desburocratização e a própria autonomia pedagógica. A sua acção não traz assinatura porque nem poder tem para tal, mas , autista e prepotente, paira, com origem nebulosa em pelouros habilidosamente construídos para serem unipessoais. Ninguém reconhece a omnisciência a quem de tal está autoconvencido, mas a pressão sub-reptícia para a impor empata, consegue criar tensões, obstáculos, dificuldades e, a alguns, perda de paciência.

terça-feira, setembro 13, 2005

Aparte para um aplauso...

...à Sra Ministra da Educação
Aplauso por ter chegado a essa conclusão. Já é um passo para perceber! Uma dica: não serão guardar meninos; mas podem (vir a) ser também reforços PEDAGÓGICOS, com os respectivos espaços, recursos materiais e tempo para planificação e organização.

segunda-feira, julho 04, 2005

Outras potências

O Binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.

óóóó---óóóóóó óóó---óóóóóóó óóóóóóóó

(O vento lá fora).
(Álvaro de Campos)
Pois, querido poeta, mas o binómio de Newton é o binómio de Newton, e a matemática dos senhores economistas é apenas a matemática dos senhores que governam a economia – variáveis, só uma, euro, euro, euro, e quanto a potências, não são as da matemática, são OUTRAS.

sexta-feira, junho 10, 2005

Um aparte de momento

Congelada a progressão na carreira docente...
Se se criasse um verdadeiro sistema de formação e avaliação definidor dos critérios de progressão na carreira, eu estaria de acordo! Mas congelar sem mais, não é simplesmente parar o jogo e suas regras para arrecadar o dinheiro das apostas dos outros jogadores sem ter tido que fazer nenhuma aposta?