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terça-feira, fevereiro 07, 2012

Sebastião da Gama partiu há 60 anos



Do Professor...
"Cada vez me apetece menos classificar os rapazes, dar-lhes notas, pelo que eles «sabem». Eu não quero (ou dispenso) que eles metam coisas na cabeça; não é para isso que eu dou aulas. O saber - diz o povo - não ocupa lugar; pois muito bem; que eles saibam, mas que o saber não ocupe lugar, porque o que vale, o que importa (e para isso pode o saber contribuir e só contribuir) é que eles se desenvolvam, que eles cresçam, que eles saibam «resolver», que eles possam perceber."
(In Diário, Eds Ática 1962)

Do poeta...
Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas ...


Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?


Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.


E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.


Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!


Povo anêmico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!
(In Jornal de Poesia)

segunda-feira, junho 13, 2011

Faria anos hoje...


NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fatuo encerra.

Ninguem sabe que coisa quere.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro,
Tudo é disperso, nada é inteiro,
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

In Mensagem, 10-12-1928

segunda-feira, abril 25, 2011

Ao povo português







O povo é quem mais ordena...


Acordai e regai!

E dizei às vossas crianças, aos vossos adolescentes... à geração do Futuro...

sexta-feira, abril 22, 2011

25 de Abril: Aos avós da "geração à rasca"

Àqueles cujas pernas já não permitem 'sair à rua', mas que têm as memórias vivas, a voz que sabe contar contos verdadeiros e as mãos que pegam na caneta e escrevem...
A mais importante forma de comemorarem o 25 de Abril impõe-se neste momento... Usai-a!
Contem o que foi viver sem liberdade e democracia. Contem como foram as diferentes formas de consciencializar e lutar. Contem que custa (re)conquistar, mas quanto vale a pena. Contem sobretudo que esses valores preciosos não se defendem a olhar para os umbigos e digam quanto é urgente... tão urgente!... defender e, quiçá, reconquistá-los. Digam, e digam, e digam aos netos "geração à rasca" quanto e como têm o dever de cumprir hoje o seu papel para preservar um legado que outros lhes deixaram, e como muitos deram até a vida para lho deixarem, para o deixar aos filhos e netos. Contem!


Era preciso agradecer às flores

Terem guardado em si,

Límpida e pura,

Aquela promessa antiga

De uma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner Andersen (Obra poética)

quarta-feira, dezembro 23, 2009