sábado, junho 11, 2011
Adequação aos tempos actuais ou acomodação aos tempos desumanos? I
terça-feira, maio 17, 2011
Beco...
Beco sem saída?
(...)
Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.
(Do Soneto do Trabalho, de Ary dos Santos)
segunda-feira, março 28, 2011
sábado, março 12, 2011
Hoje apeteceu-me recordar Portugal no Festival da Eurovisão...
sexta-feira, março 11, 2011
terça-feira, fevereiro 15, 2011
sábado, setembro 04, 2010
homens artificiais cheirando rosas de plástico
O homem que inventou as rosas de plástico morreu.
Reparem na sua importância:
as suas flores imperecíveis e imaculadas nunca murcham
mas resolutamente velam o seu túmulo através da escuridão.
Ele não compreendeu a beleza nem as flores,
que enredam os nossos corações em redes suaves como o céu
e nos prendem com um fio de horas efémeras:
as flores são belas porque morrem.
A beleza sem o seu lado perecível
torna-se seca e estéril, um palco abandonado
com uma floresta de enganos. Mas a realidade
dá razão à invenção deste homem; ele conhecia a sua época:
uma visão do nosso tempo impiedoso revela-nos
homens artificiais cheirando rosas de plástico.
Peter Meinke
(Via Amélia Pais)
domingo, fevereiro 14, 2010
Leitura a não perder...
Un tsunami de regalos (Miguel Santos Guerra)
O JMA publicou aqui uma parte (As Crianças e os Tsunami de Presentes), eu sugiro a leitura de todo o artigo.
terça-feira, maio 19, 2009
Pelos vistos, já é tempo de não nos queixarmos dos jovens ;)
1ª citação:
"A nossa juventude ama o luxo, é mal educada, zomba da autoridade e não tem nenhuma espécie de respeito pelos velhos. As crianças de hoje são tiranas. Não se levantam quando um velho entra numa sala, respondem a seus pais e são muito simplesmente más"
- Sócrates (430-399 a.C.)
2ª citação:
"Não tenho nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o mando amanhã, porque estes jovens são insuportáveis e não têm moderação. Simplesmente terrível".
- Hesíodo (720 a.C.)
3ª citação:
"O nosso mundo atingiu um estado crítico. Os filhos não escutam os seus pais. O fim do mundo não pode estar longe".
- Inscrição no túmulo dum sacerdote egípcio (2000 a.C.)
4ª citação:
"Esta juventude está podre desde o fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Não serão nunca a juventude de outrora. Os jovens de hoje não serão capazes de manter a nossa cultura".
- Inscrição numa olaria de Babilónia (2500 a.C.)
Fonte: Ronald Gibson, British Medical Journal, cit. por "Revista da Armada", s.d.
segunda-feira, abril 06, 2009
Neste tempo de desconfiança e decadência
Este é o tempo
Da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam
________
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
_______
Cantaremos o desencontro:
O limiar e o linear perdidos
Cantaremos o desencontro:
A vida errada num país errado
Novos ratos mostram a avidez antiga
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(*) Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, agosto 14, 2008
...

segunda-feira, setembro 18, 2006
Ponto prévio ao post posterior
As minhas memórias são essencialmente de outros tempos (sim, no plural, cada 'tempo' tem andado a mudar depressa). Não penso que as memórias de "velhos" professores estejam necessariamente ultrapassadas, mas, para terem alguma pertinência actualmente, têm que ser ponderadas e escolhidas, entre muitas, as que ainda sejam adequadas.
A actual sociedade da Informação e Comunicação, ou, mais propriamente agora (? hum...), do Conhecimento, traz, por si só, novas exigências à Educação e ao Ensino, e isso nada teria de preocupante se não acontecesse que a globalização (de inevitável efeito nas políticas nacionais) decorre sob um pensamento neo-liberal desenfreado, que teoriza, defende, e se assume e se autoproclama condição indispensável e irreversível para o desenvolvimento/progresso económico, ao mesmo tempo que reformula conceitos e valores tais como Liberdade - o direito à "liberdade individual" -, ausentando desta um outro valor, que é o serviço a bem do colectivo humano, nomeadamente sem qualquer referente ético (ao menos em "teoria") sobre o livre empreendimento lucrativo mesmo que este cave o fosso da desigualdade ou acentue a pobreza e a marginalização. A democracia torna-se caricatura, ou luxo dos que a podem pagar, e também o(s) Estado(s) não se aguenta(m) no papel que deles se espera, passando "a bola" e deixando os imensos cidadãos que têm condições desfavorecidas cada vez mais desprotegidos.
Ora, a que propósito vem este meu "discurso"? Pois vem a propósito de que, se é irrecusável que a escola tem que ser capaz de preparar os jovens para corresponderem às exigências da actual sociedade, é também, penso, imprescindível que se não limite a instruir e a preparar para um contínuo aprender e que não esqueça que a educação não está cumprida se não atingir uma finalidade essencial: a aquisição de autonomia de pensamento e de capacidade e instrumentos para análise crítica. Se assim não for, a escola manter-se-à instrumento de reprodução de "valores" vigentes ao serviço dos intereresses dos pequenos senhores de países como o nosso e dos grandes senhores do mundo.
Tenho, nos últimos dias, citado uma afirmação de Hargreaves e volto a citá-la porque me parece urgente que ao menos os professores a assumam: "Ensinar para a sociedade do conhecimento e educar para além dela constituem dois objectivos que não são necessariamente incompatíveis". E penso que é sobretudo para esta segunda vertente que todos os contributos, em forma de memórias ou testemunhos, não serão demais - desde os pequeninos como os de professores anónimos como eu até aos bem maiores de docentes cujo prestígio não permite que lhes seja recusada a publicação da voz.
Contudo, e para finalizar explicando que não será para já que retomarei a escrita de memórias, mesmo uma pessoa que, como eu, é lida apenas por um número insignificante de colegas sente neste momento que já não deverá escrever por impulso deste ou daquele dia ou motivado por este post ou aquele comentário noutros blogs. Ora, estou num período bastante monopolizado por reorganizações, quer de vida na minha nova fase, quer de "cabeça", pois (embora não se note devido a este cantinho estar voltado para a educação e o ensino) eu tenho uma muito maior necessidade pessoal e de fundo de reflectir em "coisas" mais abrangentes do que as circunscritas à "coisa" educativa para poder manter um entendimento optimista sobre o futuro da sociedade em que viverão os meus netos (ou em que eles lutem pelo dos seu filhos) e não cair nalguma conclusão, que recuso, da inutilidade de tudo - e isso não tem a ver com os conteúdos específicos deste blog, tem sim com necessidade de tempo para mais informação e novas leituras, agora que... tenho tempo!
Entretanto, este cantinho sempre foi também um "sítio" onde me dá jeito exprimir a mim mesma estados de espírito ou breves pensamentos, seja para os salvaguardar, seja para os contrariar, pelo que o "até..." indefinido do post acima (que ia publicar quando resolvi teclar este "ponto prévio") provavelmente não significará silêncio, já que eu gosto de poemas e de imagens a quebrar o silêncio. ;)
quarta-feira, junho 21, 2006
E porque hoje é um dia qualquer...
(Eu sempre achei que o universo não é doido, portanto o nosso planeta também não, mas o nosso planeta é habitado, os seres que nele habitam perderam os sonhos, uns porque se embriagam em banhos de notas, outros porque não têm nem uns trocos para sobreviver, e os primeiros são loucos e põem os segundos loucos. Mas ainda há uns terceiros que têm a sorte de não ter nenhum monte ou montinho de notas, mas ficam-lhes umas moeditas até para ir comprando livros, acho que ainda são os que conseguem ir arranjando protecções para não virarem doidos)
Afinal, escrevi umas palavritas, mas é mesmo verdade que não me apetece escrever até ao fim de semana.
Bom trabalho para todos!
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*Federico Rampini (2006). O Século Chinês. Editorial Presença. (Original publicado em 2005)
quinta-feira, março 30, 2006
Adenda: Crescer, hoje...

Preferia poder olhar só esta imagem, mas...
Crescer não é fácil.
Nunca foi fácil aos pais ajudar a crescer, nem à escola ajudar também. Mas era mais fácil, e a sociedade dava uma ajuda, falava de perspectivas e de valores.
"As grandes corporações empresariais e seus personagens tomaram conta do circuito cultural da infância e da juventude", e eu acrescento... com a ajuda dos media. E acrescento também que aos valores vigentes não chamo Valores, e que às perspectivas oferecidas aos jovens chamo aliciamento ao Salve-se quem puder (com valores ou contra eles), drogue-se quem não puder.
Assim curtinho, que é só uma adenda.
E olho outra imagem, que é mais complexa que a primeira.
Diane Tremblay, AdolescenceP.S. E acho que agora o "open-closed" fica do lado direito ;)
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Tempo de desencanto II
Sergei Samsonov
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O terrível paradoxo é o de tudo ter mudado no mundo e o mundo nada ter mudado. Não é preciso mostrar estas estatísticas aqui, pois todos as conhecem.
Alguém que já viveu também tantos Tempos num só tempo de vida - Amélia Pais - deixou no meu post anterior um comentário lindo, como lindo igualmente o que escreveu no seu blog: "Volte sempre -por aqui navega-se entre flores." Refiro-o porque revela esse olhar positivo semelhante ao que sempre teimei, e teimei, e teimei manter. Mas a realidade no presente é mesmo essa que afirmei acima: o mundo nada mudou, as estatísticas nada mudaram - as estatísticas da pobreza e do sofrimento e também as da riqueza que violentamente afrontam tão enorme parte da humanidade. E há estatísticas por fazer, uma delas, a dos jovens delinquentes por raiva e desespero.
Também porque é um pensamento sobre o mundo, e eu vivo num pequeno país em que não deixam de ser pequenas aquelas diferenças estatísticas, face à enormidade das mundiais.
É também tempo de Natal. E, se na intimidade da família e na alegria das minhas crianças ele é bom, não deixa de ser o momento do ano em que o exterior me parece mais alienado, o que deve estar a concorrer um pouquito para esta minha "crise" de desencanto.
domingo, outubro 23, 2005
domingo com jogos
"Será que nasceste nos anos 60 ou 70 ?
Como conseguiste sobreviver?
Os carros não tinham cinto de segurança, nem apoio de cabeça nem seguramente airbags.
No banco de trás era a festa, era divertido e não era perigoso.
As barras das camas e os brinquedos eram multicolores ou pelo menos envernizadas e com tintas contendo chumbo ou outros produtos tóxicos.
Não havia protecção infantil nas tomadas eléctricas, portas das viaturas, medicamentos e outros produtos químicos de limpeza.
Podia-se andar de bicicleta sem capacete.
Bebia-se água da mangueira de rega, num chafariz ou não importa qualquer outro sítio, sem que fosse água mineral saída de uma garrafa estéril.
Fazíamos carros com caixas de sabão e aqueles que tinham a sorte de ter uma rua asfaltada inclinada junto de casa podiam tentar bater records de velocidade e aperceberem-se, tarde demais, que os travões tinham sido esquecidos... Após alguns acidentes, o problema era normalmente resolvido!
Tínhamos o direito a brincar na rua com uma única condição: estar de volta antes de anoitecer. E não havia telemóvel e ninguém sabia onde estávamos nem o que fazíamos... Incrível!
A escola fechava ao meio-dia para almoço, podíamos ir comer a casa.
Arranjávamos feridas, fracturas e às vezes até partíamos os dentes, mas ninguém era levado a tribunal por isso. Mesmo quando havia grande bagunça, ninguém era culpado excepto nós mesmos.
Podíamos engolir toneladas de doces, torradas com toneladas de manteiga e beber bebidas com Açúcar de verdade, mas ninguém tinha excesso de peso, porque nos fartávamos de correr na rua.
Podíamos partilhar uma limonada com a mesma garrafa sem receio de contágio.
Não tínhamos Playstation, Nintendo 64, X-Box, jogos vídeo, 99 programas de TV por cabo ou satélite , nem vídeo, nem Dolby surround , nem GSM , nem computador , nem chat na internet , mas nós tínhamos.... amigos !
Podíamos sair, a pé ou de bicicleta para ir a casa de um colega, mesmo se ele morasse a alguns km , bater à porta ou simplesmente entrar em casa dele e sair para brincarmos juntos. Na rua, sim na rua no mundo cruel! Sem vigilância! Como é que isso era possível?
Jogávamos futebol só com uma baliza e se um de nós não era seleccionado uma vez, não havia traumas psicológicos, nem era o fim do mundo!
Por vezes um aluno talvez um pouco menos bom que os outros tinha que repetir. Ninguém era enviado ao psicólogo ou ao pedopsiquiatra. Ninguém era disléxico, hiperactivo nem tinha " problemas de concentração". O ano era repetido e pronto, cada um tinha as mesmas oportunidades que os outros.
Nós tínhamos liberdades, erros, sucessos, deveres e tarefas ... e aprendíamos a viver e a conviver com tudo isso.
A pergunta é então: mas como conseguimos sobreviver ? Como pudemos desenvolver a nossa personalidade ?
Será que tu também és desta geração?
Se sim, envia esta descrição aos teus contemporâneos, mas também aos teus filhos sobrinhos e sobrinhas, etc. para que eles vejam como era, naquele tempo!
Eles vão achar que a nossa época era aborrecida .... ah, mas como éramos felizes !"
terça-feira, setembro 20, 2005
Tempo para pausa
![]() | De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume... Matsuo Bashô |





