terça-feira, junho 19, 2007

"Sem partido que o incomode"...

Regresso ao país e leio um artigo de António Barreto enviado pela Amélia Pais. Nem costumo gostar muito do que escreve A.B., mas, na minha opinião, este retrato que faz é lúcido e certeiro.

«(...)
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta.
(...)
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.»

Texto na íntegra pode ser lido aqui.

Regresso a casa




Uma vista da varanda da casa onde ficaram as minhas saudades, parte do coração sempre lá pelo pensamento que não conhece distâncias...

sexta-feira, junho 15, 2007

Mas o que é isto?! "Que já me querem cego, surdo, mudo"...

Mas o que é isto?!
É processo disciplinar por graçola sobre um primeiro ministro; é convite de exclusão por comentário a palavras de uma ministra; é uma direcção regional a guardar "tudo o que tem saído na comunicação social, nos blogues, ..."; é a táctica intimidatória quando é convocada uma greve; é a ameaça em mesa de negociação; é o abuso do poder, o pontapé na Constituição da República, a punição a quem adoeça...

Ninguém trava estes ditardorzinhos de meia tigela? É que se lhes dão corda, eles não param!
Que se passa? Medos?

É a medo que escrevo. A medo penso.
A medo sofro e empreendo e calo.
A medo peso os termos quando falo
A medo me renego, me convenço.

A medo amo. A medo me pertenço.
A medo repouso no intervalo
De outros medos. A medo é que resvalo
O corpo escrutador, inquieto, tenso.

A medo durmo. A medo acordo. A medo
Invento. A medo passo, a medo fico.
A medo meço o pobre, meço o rico.

A medo guardo confissão, segredo.
Dúvida, fé. A medo. A medo tudo.
Que já me querem cego, surdo, mudo.

José Cutileiro, Os medos, in Versos da mão esquerda, 1961.

quarta-feira, junho 13, 2007

Sanções por delito de opinião - Ainda o caso da APM

Faço uma pequena interrupção no meu intervalo para deixar a notícia que a Maria Lisboa me fez chegar. Ler aqui.
É tempo de acabar com o silêncio complacente sobre a atitude de represália da actual equipa do ME e seus colaboradores face a opiniões críticas. Aguardemos...

sábado, junho 09, 2007

Intervalo


Renoir (1906). La promenade

____
Marchando no tempo,
antes de tudo e após tudo,
soberbo, o silêncio.
Alexei Bueno

quarta-feira, junho 06, 2007

Quando o exemplo de cima é propício...

Quando entro em intervalo ou pausa surgem sempre acontecimentos que me batem na cabeça não me deixando ficar em silêncio.
Ainda não deixei de pensar no caso de que, como outros colegas, tive conhecimento ontem logo pela manhã. A notícia (de Fevereiro) "Com leucemia - obrigada a dar aulas" pode ser lida aqui, não a transcrevo pois já foi divulgada na blogosfera. Transcrevo, sim, esse desabafo de enorme e justificada revolta pelo qual conhecemos o triste desfecho do caso, e que o colega Francisco me deixou ontem num post meu que oportunamente encontrou intitulado "Isto já não é só arbitrariedade prepotente, é demência (e violenta)":

"Apenas vos queria comunicar que essa professora, a minha colega Manuela Estanqueiro, foi hoje a enterrar às 15.30h no Cemitério de Cacia, em Aveiro.Estou REVOLTADO. Nem sabem o que me apetece fazer.Agora percebo porquê que às vezes lemos nos jornais casos de ajustes de contas a tiro.Por muito menos o fazem, por muito menos.Desculpem a crueldade mas, dizer menos que isto, era lutar contra um sentimento de justiça que me atormenta e é bem mais forte.Estou ENOJADO.ENOJADO!!!!!!!!!!!!!Francisco"

Quando, de cima, escasseia o exemplo de moral ou ética e de sensibilidade humana, não é de admirar que se propague um clima propício a que se aliem ao excesso de zelo servil tendências para exercício prepotente de pequenos poderes, tendências essas que podem tocar impunemente as raias da crueldade, como no caso acima citado, além de, como noutros casos de que vamos tendo conhecimento, darem largas à delação, a disfarçadas perseguições, à instalação de um ambiente de medo, enfim, a pelouros onde imperam tendências autocráticas de indivíduos que apenas esperam climas favoráveis a exercê-las.
Termino repetindo apenas o título deste post: Quando o exemplo de cima é propício...

segunda-feira, junho 04, 2007

Paisagens tranquilas (para intervalo)

Desconheço os nomes significativos das artes deste país onde estou, mas achei graça ao encontrar na net, em página suiça, a referência a esse autor abaixo como "Un peintre politiquement incorrect", embora o quadro que dele deixo tenha apenas a ver com o título deste post e nada revele de política[Livra! Não me ia meter por aí! ;-)]


O.Gonet. Une escale sur le lac Leman


E, já agora, mais um(a) artista destas paragens onde tudo parece sempre calmo (numa estranha coexistência pacífica entre a banca e a política social)...


Jacqueline Bachmann (2003). Reflet estival

sábado, junho 02, 2007

Estou em atraso...

Acho que não devo adiar mais a minha resposta a este desafio, apesar de continuar em pausas e intervalos, também com pouca assiduidade em termos de visitas excepto a quatro ou cinco vizinhos. Aliás, face à disponibilidade/prioridades que tenho, há bastante tempo que as minhas rondas se limitam à "blogosfera docente" e, mesmo nesta, haverá bastantes blogues que ainda não calhou conhecer.

"Thinking Bloggers"? Bem, eu penso muito, pensar é até um vício ou mania que tenho, mas acho que as minhas escolhas "bloguistas" se guiam sobretudo por afinidades e também por procura de informação que me mantenha actualizada.

Mas, deixo-me de mais paleio prévio e aqui vão as minhas maiores pendências...

- OutrÒÓlhar, do Miguel Pinto, pela dinamização de debate que procura fazer, pela crença e defesa persistente de um modelo de escola pública com que me identifico, e também por esse elo que criei com alguns dos colegas que conheci na blogosfera.

- Da crítica da Educação à Educação Crítica, do Henrique Santos, pela afinidade que tenho sentido com os seus ideais sobre política educativa e não só educativa, pela sua intervenção forte e persistente, enfim... é também um blogue cujo acompanhamento não dispenso.

- Tempo de Teia, da Teresa Marques, pelo dinamismo, gosto de partilhar, amor pelos alunos, enfim, pela dedicação que revela, também pela persistência no optimismo e na confiança, e ainda porque me traz memórias e me faz sentir que pugna na prática docente por coisas muito parecidas com aquelas em que acreditei e por que também pugnei.

- O Canto do Vento, da Matilde, porque nesta sinto serenidade, tempo para poesia, também porque a sinto na blogosfera assim como vizinha amiga.

- A Educação do meu Umbigo, do Paulo Guinote, porque, ainda que nem com todas as suas ideias esteja de acordo, considero que o seu espírito de análise e os conteúdos dos seus fluentes textos têm sido um contributo notável na blogosfera.

Ai... já foram os cinco! Desculpem, desculpem ultrapassar o limite, mas não consigo deixar de referir...

- Terrear, do José Matias Alves, porque... pronto, acho que é mesmo um thinking blogger;

- Chora que logo bebes, da Madalena Santos, por aqueles posts que me fazem sentir tantas afinidades com ela;

- Ao longe os barcos de flores, da Amélia Pais, não só por ser um canto que diariamente proporciona poesia - em verso e em prosa -, mas também porque, paralelamente ao seu blogue, a Amélia, como eu na situação de aposentada, continua atenta e activa sobre as questões de educação/ensino, alertando e partilhando; pela poesia e não só, obrigada, Amélia!


- E ainda uma palavra para o Miguel Sousa, do
Educar para a Saúde e do Escolaridades, pelas espontâneas denúncias na defesa veemente de uma escola pública que não instrua apenas, mas também eduque, com, por vezes, "iras" impulsivas que mais não são do que leve capa de um coração que suspeito de ouro, amando a escola de facto pelos alunos.

sexta-feira, junho 01, 2007

No dia da criança... para as minhas crianças

Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
P'ra me poder aquecer
Na mão de qualquer menino

Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz
P'ra tudo o que eu sou caber
Na mão de qualquer de vós

Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Tudo em mim se pode erguer
Quando me pisam não grito

Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto
O que lá estou a fazer
Só se nota quando falto

Quando eu for grande quero ser
Ponte de uma a outra margem
Para unir sem escolher
E servir só de passagem

Quando eu for grande quero ser
Como o rio dessa ponte
Nunca parar de correr
Sem nunca esquecer a fonte

Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz

Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto

Quando eu for grande...
Quando eu for grande...

Quando eu for grande quero ter
O tamanho que não tenho
P'ra nunca deixar de ser
Do meu exacto tamanho


José Mário Branco, Quando eu for grande (Carta aos meus netos)

quinta-feira, maio 31, 2007

Desigualdade de direitos

"Em Portugal existem hoje mais de um milhão de trabalhadores que não podem fazer greve sem correr o risco imediato de perder o trabalho. Já lhes chamaram os trabalhadores do século XXI: são os contratados a prazo, os falsos recibos verdes, os temporários, os subempregados. Um contingente que tem vindo a aumentar à medida que se consolidam duas das tendências do mundo do trabalho actual. Nas empresas, há cada vez menos efectivos e cada vez mais serviços externos, frequentemente disponilizados por firmas de trabalho temporário. (...)"

(No Público de ontem)

quarta-feira, maio 30, 2007

Greve


Um modo simbólico de me juntar aos professores em greve, bem como a todos os outros trabalhadores portugueses em greve neste dia, já que a situação de aposentada não me permite outro modo de participar.

terça-feira, maio 29, 2007

Greve: Conheça os seus direitos

Há professores que fazem perguntas, tais como: A recolha de dados permite a identificação dos grevistas? É preciso comunicar a adesão à greve? Esclareça-se aqui sobre estas e outras perguntas.
____
P.S.:
Disse, no post anterior, que iria ter o meu pc desligado, e é verdade. Mas, neste recanto da Europa onde me encontro e que, por sinal, não pertence à UE, tenho um pc à minha disposição e não lhe resisto ;)

sábado, maio 19, 2007

Desligando o pc por uma dúzia de dias





Ali habitam minhas saudades. Amanhã estarei lá. Já estou ouvindo Lio a dizer todo o tempo: Viens jouer avec moi...
:)




Dia 30 ainda não estarei cá pelo país. Será que me vão chegar as notícias?
Deixo votos de que a adesão à greve no sector dos professores seja coerente com o que de facto pensam e sentem. Seja maior ou menor, que permita uma leitura que nos esclareça a todos.
(Não, não estou a ser cínica, podem crer. A greve geral é no dia 30, não foi ontem nem é daqui a um mês ou a seis, portanto, é mesmo dia 30 que vai haver oportunidade de os professores enviarem a sua mensagem a quem governa - não só os professores, claro, mas permita-se-me esta especial referência).

segunda-feira, maio 14, 2007

Breve interrupção da pausa deste blogue

Este blogue completa hoje dois anos. Não vim interromper a pausa em que ele está para trazer bolinho de festa com velinhas, nem para os amigos cantarem os parabéns (shiuuu... não esqueçam que este cantinho está mesmo parado, só cá vim deixar para mim mesma mais uma memória - sim, neste momento, vejo o projecto inicial já como uma memória).

Quando criei este blogue mal conhecia a blogosfera e ainda nem tinha procurado blogues de colegas. Aliás, criei-o em Maio, mas pensando que só nas férias seguintes teria tempo para lhe começar a dar corpo. Estava, então, bem longe de imaginar que muito brevemente a nova ministra da Educação viria desviar-me de memórias, nem que fossem memórias com poucos meses.

Criei-o pensando-me particularmente como professora de Matemática do Básico. Essa disciplina, sempre a de maior taxa de insucesso, mas tão importante na educação para os hábitos (e o gosto) de desafiar o raciocínio e procurar o rigor e a precisão (deixem que me exprima simplificadamente, não quero alongar-me), essa disciplina, cá na minha convicção, precisa de ampla partilha de experiências, especialmente sobre os métodos de ensino dela - note-se que disse experiências, pois teoria e estudos importantes não faltam.
Mas, depressa a actual política educativa me desviou do projecto inicial, ele nem chegou a passar de um vago projecto.
E, já agora, digo uma coisa que nunca disse: É que até nem foi por acaso que não cheguei a escrever nenhuma memória relativa a outra vertente de trabalho que, durante mais de vinte anos, também foi para mim uma paixão (depois, as duas horas sobrantes do meu horário foram precisas para tarefas no campo das TIC), situando-se nela boa parte das memórias que me são mais gratas como professora e educadora. Refiro-me à direcção de turma. "Coisas" para e com as turmas, também para e com os pais, e ainda com uns e outros ao mesmo tempo... disso percebi que não queria falar, pois a papelada, a burocracia que foi caindo sobre os directores de turma, mais os conselhos de turma (incluindo os intercalares) progressivamente a esvaziarem-se (apesar de parecerem encher-se, pois papelada não lhes falta para se passar o tempo todo a preenchê-la), tudo isso, e tudo o mais que hoje não vou referir (ou repetir), acabou por me exasperar e me criar a necessidade pessoal de deixar estar as minhas memórias quietinhas e protegidas. (Incluindo memórias de outro tipo, também de muitos anos, que no futuro só 'professores titulares' passarão a ter, mas sobre essas seria sempre complicado escrever, o mundo das crianças é mais simples que o dos adultos e alguns destes vão criando resistências a "aventuras" - não me refiro, claro, a aventuras perigosas, nem a aventuras nefastas ao jeito milu, valter & cª)

Depois de intermitências e de intenções de intervalos, entrei finalmente em pausa de escrita aqui (um post ou outro não altera isso). Entrei, porque não gosto de andar, em nada, a balançar entre "quero continuar" e "não quero continuar", e o meu bloguezito nem é caso para isso, não é caso para precisar de decisões, a decisão virá por si quando calhar, embora não esteja a pensar apagá-lo pois guarda algumas recordações.
E, nesta disposição para o laconismo, ao vir escrever só para não tratar tão mal o meu cantinho que nem sequer ligasse ao seu segundo aniversário, isto de tocar levemente em vários assuntos claro que tinha que dar um post sem jeito - desculpa lá, cantinho!

P.S.
Que coisa... só agora fui ver! Não é que há um ano já escrevi quase o mesmo que hoje?! (Com a diferença de ter sido um post bastante mais longo). Enfim... nem faço comentários a mim mesma, pronto.
_____
Adenda
Mas o post que eu queria deixar neste mês de Maio, já que é muito pouco provável que escreva, continua a ser o anterior, aqui.

terça-feira, maio 01, 2007

O que eu queria era um mês de Maio cheio de flores...





Quando não sei quando volto, gosto de deixar o meu cantinho bonito (recorrendo aos Grandes criadores de beleza).
Mas...



(1)

...mas, o que eu queria era um mês de Maio cheio de flores.


(Até porque acho que este Maio cá pelo nosso país vai ter 30 dias e o 31º será para balanço)


(2)
________
(1) Renoir, 1912
(2) Monet, 1923-1925

domingo, abril 29, 2007

A propósito do artigo "Professores confessam ângustias em blogues"

Já que fui citada no artigo da jornalista Ângela Marques publicado hoje no Diário de Notícias (aqui), trasncrevo na íntegra o texto do meu e-mail em resposta ao pedido da minha opinião sobre o crescente uso de blogues por professores.

«Olá, Ângela Marques

Vou tentar dizer rapidamente o que penso, mas fico à disposição para algumas questões concretas que eventualmente queira colocar. E vou referir-me apenas aos blogues de professores que são assumidos como tendo por temáticas essencias as relacionadas com educação-ensino (ensino não superior).
Não me detenho no importante e óbvio aspecto geral de a blogosfera ser um espaço de liberdade de expressão e de opinião públicas aberto a todos os que o queiram utilizar.

Começo por salientar a importância de um tipo de blogues de professores voltados principalmente para a partilha de experiências e práticas, cujos autores são professores que procuram sempre inovar, que procuram novos recursos nomeadamente no campo do uso das TIC no ensino, e que partilham as suas experiências, interrogam, avaliam e proporcionam nessa partilha enriquecimento para todos os que os lêem, quer para os que também partilham as suas, quer sobretudo para os professores mais novos, dos quais há já bastantes testemunhos do apreço pelo que aprendem com outros já mais experientes. Há já bastantes blogues deste tipo, cito um apenas a título de exemplo - O Tempo de Teia:
http://tempodeteia.blogspot.com/ .
Ainda neste âmbito, há também blogues cujos autores, dominando bem as TIC, têm principalmente (ou até exclusivamente) o objectivo de divulgar os novos recursos aplicáveis ao ensino que constantemente estão a surgir, e que são preciosos para os professores que, não tendo tido uma formação nesse campo, desejam actualizar-se dado que se torna urgente a generalização do uso desses recursos, aliás motivadores para os alunos. Um exemplo: O Educação, Matemática e Tecnologias (não só recursos aplicáveis na Matemática, apesar do título):
http://blog.joseoliveira.net/

Passando para outro tipo de blog mais voltado para a política educativa e para a análise das novas medidas, é natural que encontre crítica, mas é também aí que se encontram publicadas a análise e a opinião dos que estão no "terreno", são os professores quem conhece bem este, mas são os professores precisamente os que raro espaço têm na comunicação social para serem ouvidos, mesmo quando na comunicação social são denegridos, acusados, todos metidos no mesmo saco.
Entre estes blogues, há blogues de bastante qualidade, cujos autores escolheram o ensino por vocação e, muitos, por paixão mesmo, e a exposição e debate de ideias é sempre importante como dinamização do pensamento e da reflexão, para o que há cada vez menos espaço e tempo dentro das escolas devido à catadupa de papelada e tarefas burocráticas que tem caído nas reuniões dos diversos orgãos da escola. E, se haverá professores cujos blogues possam denotar mais preocupação com a situação profissional dos docentes, outros há cujas temáticas de discussão são na defesa da escola pública e na preocupação com os alunos (os alunos todos).

Pronto, já disse o suficiente para mostrar que considero positivo o crescente interesse dos professores pela blogosfera. Como em tudo, há qualidade melhor e qualidade menor.

Mas quero ainda referir um outro uso crescente do blog pelos professores, que é a criação de blogs de turmas. Seja para a escrita de contos e poemas pelos alunos, seja para a divulgação de trabalhos destes, seja, no caso de turmas de anos mais avançados, para tratarem temas curriculares exigindo pesquisa ou proporcionando debate, etc. - o blog é motivador para os alunos e, através de um blog orientado pelo professor podem desenvolver várias competências.

Duas notas finais sobre duas observações suas:

1ª - Confesso que nunca vi dizer mal dos alunos em blogues. Mas é preciso ter em atenção dois aspectos. Um, é que há blogues de professores que são mesmo uma espécie de diário, tanto falam de outras coisas do quotidiano como das aulas, e creia que há muitos professores que quanto mais se preocupam com os alunos, mais se desesperam quando não trabalham, é natural que tenha encontrado desabafos. Outro aspecto, é que não se confunda a referência à perda de hábitos de trabalho e esforço, e à indisciplina, notoriamente crescentes nos últimos 10 ou 15 anos, com atribuição de "culpa" aos alunos. Os professores "bloguistas" mais considerados, quando referem isso, sabem e apontam que as causas são variadas, devendo preocupar toda a sociedade - pais, professores, governo, responsáveis pelos media (principalmente TV), ...

2ª - Pergunta se os blogues dos professores são lidos pelos alunos. Penso que terão pouca curiosidade por isso e, exceptuando os blogues que são criados para alunos, naturalmente que os professores não vão publicitá-los nas turmas, tal como nas aulas o que se deve é desenvolver competências de análise e de crítica fundamentada, não fazer a cabeça dos alunos com as ideias pessoais dos professores.

Desejo-lhe bom trabalho (que será decerto árduo, pois a variedade é grande e mesmo cada blogue não pode ser percebido quanto às suas temáticas predominantes por pequena amostra de postagens.

Com os melhores cumprimentos
Isabel Campeão, professora de Matemática aposentada desde Setembro último, blogue:
http://msprof.blogspot.com»

sexta-feira, abril 27, 2007

Os tempos livres das crianças

Continuo com muito pouca disponibilidade para "postar". Mas deixo a sugestão de leitura de um artigo que tem a ver com o título que dei a este post - Os ecrãs, a família e o quotidiano, de Manuel Pinto, em a Página da Educação.

quarta-feira, abril 25, 2007

33 anos depois...

... comemorar, sim, mas lutar também.






De tudo o que Abril abriu

ainda pouco se disse

e só nos faltava agora

que este Abril não se cumprisse.



Ary dos Santos (1975).
Pequeno excerto de As portas que Abril abriu.

terça-feira, abril 24, 2007

"Boys and girls need separate classes"

Que coisa, eu já tinha lido isto há quase quatro meses, e só agora é que a "novidade" chega cá?
(Por acaso tinha guardado o artigo, lembrei-me dele agora que estou a ouvir no noticiário da SIC esta ideia bombástica. Se alguém a quiser comentar, faça favor... - eu não comento, ando com falta de paciência)