quinta-feira, agosto 31, 2006

Expectante...

Passei pelo site da FENPROF mas, como era de esperar (Agosto não terminou), ainda está em silêncio, lêem-se as intenções escritas em Julho e subscritas por 13 organizações. Resta aguardar.
Mas, do que estou mais expectante é da disposição com que os professores regressarão ao trabalho. Sei que o novo ECD já não é meu, mas acho que ainda não interiorizei bem que passarei a saber dele, bem como das escolas, do estado do ensino público e da política educativa apenas por notícias. De qualquer modo, a minha atitude não é só expectante, é preocupada também. Por um lado, porque tenho dois netos em idade escolar que vão crescer e fazer a sua vida neste país; por outro lado, porque, quando são goradas no imediato esperanças em que se investiram muitos pedaços de vida, uma pessoa transfere-as para prazo mais alargado, teimando em que não fiquem afinal sem sentido.

A minha maior interrogação, neste momento, é a que aqui deixo: Quais vão ser as consequências do ataque à classe docente feito ao longo do último ano, da culpabilização que tão amplamente foi lançada sobre os professores (do ensino não superior), e também da mais e mais burocracia em que escolas e professores foram enredados - quais vão ser as consequências?

terça-feira, agosto 29, 2006

Meu Agosto teve 28 dias ;)

Os meus meninos, ele e ela, regressaram de férias... Decidi logo dar por terminado o meu Agosto dedicado à indolência física e mental!
Morarem aqui tão perto de mim ao menos compensa um pouco ter as outras minhas duas meninas tão, tão longe. (Digo "as minhas outras duas meninas" só a fingir que não tenho ainda mais duas, como se estas não continuassem sempre as minhas meninas, mesmo mães dos meus meninos, mesmo que as venha a ver avós!)
Mas foi mesmo o regresso daquele meu parzinho que me desviou da cisma de só acordar no primeiro dia de Setembro - acordar com os dois olhos, pois, na verdade, já andava a abrir um, desperto por regressos aqui à blogosfera...). E, claro, ao despertar virada para o lado de avó, no meu pensamento não pairaram duas flores sem que se lhes atassem logo outras duas...


Nathaniel Mather

domingo, agosto 27, 2006

Adenda: Recordações

Já que falei no percurso de aprendizagem de 'coisas informáticas' e agora quero actualizar-me nas técnicas de construção de páginas Web, apeteceu-me guardar aqui umas recordações das minhas velhas páginas.

Uma amostra da primeira página que fiz (foi para o meu neto, através dela ele começou a navegar na net a partir dos links que lhe pus):


A primeira página de Matemática para alunos, feita com a participação de um grupo deles (alojada no Terravista, perdeu-se, mas passei-a para a secção Alunos do site da minha escola):


E esta ainda está na net, mas deixei de a actualizar (esta teve o dedo de um amigo a ajudar nos "visuais"):


Este foi um trabalho muito divertido, tinha bastantes actividades e não era de Matemática, não foi alojado na net (hi... que fundo feio, já nem me lembrava dele), esteve lá pela escola nos computadores dos miúdos (o menu é o que está no baú, mapeado):

E, por último, um exemplo de entrada para actividades para alunos, que qualquer professor que saiba construir páginas facilmente prepara para utilizar só nos computadores da escola (e se usar o programa Hot Potatoes, disponível gratuitamente na net e com versão em português, então cria rapidamente diversos tipos de exercícios para qualquer disciplina, inclusive na forma de palavras cruzadas - estive um tempão com trabalheiras desnecessárias enquanto não soube da sua existência, já que para os putos os exercícios tinham um carácter lúdico devido a darem a pontuação obtida no final, mas acrescento que ultimamente só os fazia para finais de período pois jogo no computador já uma boa parte deles tem demais em casa e há trabalhos mais importantes a pedir-lhes com recurso ao computador e à net, aos quais, aliás, aderem bem porque gostam sempre de trabalhar nos computadores):

sábado, agosto 26, 2006

Já tenho direito a um luxo!

Não me lembro de todo em que ano tive o primeiro computador, tenho só ideia de que o primeiro objecto parecido que houve cá em casa era só um processador de texto. Mas recordo-me bem, isso sim, de várias fases a passar muitas horas enredada na descoberta, sozinha, de procedimentos e potencialidades de ferramentas, primeiro porque comecei a ter necessidade pessoal, depois porque veio a minha fase da "introdução do computador na sala de aula" (expressão enganadora, como se tivéssemos um computador sequer na sala onde damos as aulas e a perspectiva de ter mais que um para grupos de alunos não fosse ainda agora uma ilusória miragem - as minhas turmas é que iam até à sala pomposamente chamada de informática quando, diga-se, ainda só eu fazia isso na minha escola). Essa fase foi mais ou menos coincidente com a da aprendizagem de construção de páginas e, como só com o prático Front Page não se vai longe, lá passei horas a descobrir javascripts e a olhar para a confusão do html quase como se de chinês se tratasse, até começar a reconhecê-lo como razoavelmente familiar e a usar os copy-past percebendo o que estava a adicionar ou substituir. Entretanto, claro, outras fases fui tendo, incluindo a da decisão de deixar a dependência deste ou daquele amigo mais ou menos técnico ou perito quando o pc desatinava, o que me fez por mais do que uma vez ficar quase com um esgotamento em alternativa à concretização irremediável do pensamento suicida de ir buscar o martelo ou fazer o pc voar pela janela, pois este objecto tem a inclinação para desatinos precisamente quando uma pessoa anda esquecida de salvaguardar trabalhos cuja perda seria um drama ou tem em mão uma tarefa urgentíssima.

Tudo isto para dizer que tenho dois diabinhos a tentarem-me há quase dois anos, até os figuro abaixo para ao menos servirem de enfeite a esta entrada.


Já estiveram instalados, na altura eu não tinha tempo e também me disseram que estes são difíceis de desvendar sem umas lições, pelo que fiquei aguardando na esperança de que o centro de formação da minha escola promovesse uma acção para a qual até havia candidato como formador. Mas esse centro, como vários outros, tornou-se capelinha onde os pelouros instalados se protegem de intrusos, e a dita acção de formação nunca se realizou.
Vou instalar outra vez esses diabinhos que me tentam a frequentar um cursinho, pelo menos o Flash, mas algo me divide na tomada de decisão. Por um lado, isto de irmos aprendendo por explorações árduas, só com umas dicas de vez em quando de amigos, dá-me a sensação de vir a ser parvoíce ou até de trair uma espécie de princípio se for gastar euros nas aventuras pela informática. Por outro lado, eu quero mesmo actualizar-me em novas técnicas de feitura de páginas (apesar de estar a ser complicada a minha substituição na manutenção do site da minha escola, já 'fora de moda', mas em que alunos e encarregados de educação se habituaram a encontrar as informações e notícias, até as pautas, sem terem que se deslocar), e é tentadora a ideia de me poupar ao método da tentativa-erro a prolongar-se por horas provavelmente de insucesso ou resultados toscos quando até acabei de descobrir que há, próximo de mim, a papinha feita mediante um curso específico. Vou primeiro ver tutoriais, mas aqui fica a proclamação: Já tenho direito a um luxo!
________________
P.S.:
Se alguém, que eventualmente tenha chegado ao fim da leitura deste arrazoado todo e saiba trabalhar com o flash e com o dreamwhever, me disser se é ou não difícil dominá-los satisfatoriamente sem umas aulas, fico agradecida.

quinta-feira, agosto 24, 2006

...

(Momentos... pensamentos... estradas... curvas de estrada... Mas Agosto ainda tem uma semana, eu destinei Agosto ao repouso do pensar a fim de ficar em forma para novos 'pensares', este cantinho é-me útil para tirar da mente pensamentos rebeldes àquela decisão e aqui os fechar quietinhos, assim em jeito só de metáforas que os meus poetas e pintores me proporcionam dispensando-me de me deter nos insinuados pensamentos por alguma tentação de os deixar desenvolverem-se, inclusive pela escrita, o que quebraria o repouso)

MENDIGO do que não conhece,
Meu ser na 'strada sem lugar
Entre estragos amanhece...
Caminha só sem procurar...


Fernando Pessoa (Poesias Inéditas)



Paul Cézanne (1885)

quarta-feira, agosto 23, 2006

Quando já não interessa fazer notícia...

De vez em quando, um acontecimento enche os telejornais durante dias ou mesmo semanas (ou outro tem grande destaque por uns três dias seguidos mas a continuação é interrompida), e, quase de repente, passa a ser-lhe feita breve referência diluída entre outras notícias para rapidamente desaparecer no silêncio, ao mesmo tempo que os comentadores da praça pública perdem o interesse por analisar ou esclarecer o que, sobre o caso, restou por esclarecer (ou não chegou a interessar esclarecer? - Visões mais alargadas correm o risco de porem as pessoas a pensar demais...). Refiro-me a vários acontecimentos incluindo, entre eles, alguns sobre os quais entrou pela nossa casa dentro uma aparentemente completa informação, até foram mostradas muitas imagens, umas mesmo em directo, embora, curiosamente, todas mais ou menos as mesmas nos canais portugueses (e não só, claro...).
O facto é que, para acedermos a algumas outras imagens, ou para conhecermos comentários e análises menos conformes, ou para vislumbrarmos meandros que rodearam um acontecimento, ou ainda para nos mantermos informados sobre o pós-acontecimento (o dito acontecimento tem consequências e seguimentos), para isso temos que ir à procura por meios próprios que o público em geral não tem à mão - aliás, nem lhe ocorre procurar, horas de notícia encheram as casas de modo a não deixar dúvidas de que não ficou informação omitida, e se os noticiários se calaram com um caso, a que propósito iriam as pessoas querer saber mais do que já passou??

(Os subterrâneos da política permanecem, e bem activos, mas subterrâneos são para ficar no segredo dos 'deuses' do mundo - e também outros, mais limitados, no segredo dos minúsculos deuses deste país) -, ia agora a comunicação social 'bem comportada' badalar sobre eles!)

segunda-feira, agosto 21, 2006

Regressando com a cisma em templates

O escape de Lisboa foi de poucos dias, mas foi suficiente para me reconciliar com Agosto. A verdade é que quase sempre que saio sinto depressa falta da minha casa.
Uma das primeiras coisas que fiz ao regressar foi, claro, ligar o computador - este objecto faz-me frequentemente ter discussões comigo mesma pois, se não tenho trabalho, meto-me em trabalhos nele nem sempre proveitosos ou bem sucedidos e, se acabo por pôr de lado pesquisas ou experiências, lá fico a ralhar-me pelas horinhas em que podia ter feito coisa mais salutar. Desta vez, vim cismando em mudar o visual a este cantinho porque o template que o Miguel Pinto me deu já prontinho é bonito e alegre, mas comecei a achá-lo demasiado primaveril para mim (eu sei que a minha mente é que anda voltada para o Outono) e então procurei uma imagem que de algum modo aludisse a memórias, o pior é que o que se imagina não se encontra, e pior ainda é que as imagens requerem arranjos, às ferramentas é preciso juntar arte e eu para artes visuais sou mais que tosca, sou o que se costuma chamar um zero à esquerda.

(Ora aí está uma memória para escrever qualquer dia, a memória das minhas vicissitudes e até lágrimas em criança com a então chamada disciplina de Desenho, e também das minhas frustrações, ainda hoje quando uma das netas me pede para desenhar algo - bem, não estou a ser exacta pois já não pede, já desistiu...)
Mas, o template, esse cismei que mudava mesmo que amanhã ou depois retome o visual com o passarinho e a flor, nada como fazer experiências para tirar conclusões...

Entretanto, ainda só dei uma voltinha muito rápida e curta pela blogosfera (deu para ver que dois amigos também chegaram de férias e mudaram visuais), ainda não cumprimentei ninguém e muito menos desenferrujei os dedos a teclar comentários, pelo que aqui fica um obrigada pelos votos de boas férias que me foram deixando durante as minhas últimas intermitências bloguistas.
_______________
Adenda:
Já que andei às voltas com templates, se alguém me desse uma dica sobre como se põe o título sobreposto à imagem de topo... ;)
(Não me atrevo a enviar a pergunta ao Miguel, ainda me chama ingrata por me pôr com experiências toscas depois dos visuais que operou na nossa 'confraria'!)

segunda-feira, agosto 14, 2006

Uns dias de escape


Depois de meio Agosto na cidade sufocando com calor, que bom amanhã fechar as persianas, pegar no saco e dirigir o carrito para a saída de Lisboa! Será um escape de poucos dias, mas já dá para deixar de sentir o Agosto às avessas!

quarta-feira, agosto 09, 2006

Iludindo o calor



Não tenho vindo a este cantinho - com o tormento deste calor não apetece ligar sequer o pc. Hoje vim abrir uma janela para ter a ilusão de ar fresco, de brisa do mar. Matisse não ligará muito com as canções que deixei na entrada anterior, mas aproveitei para as ouvir - são as canções que escolhi para deixar na minha ausência neste Agosto, elas continuam aqui, só um nadinha mais abaixo.


Henri Matisse (1921)

quinta-feira, agosto 03, 2006

P.S.: Deixo canções...

Uma das 'minhas' canções de sempre, depois do vinil nunca a encontrei em cd - Geraldo Vandré...

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
(...)
Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo canhão
(...)
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

E a voz de Maria Bethânia...

Há canções e há momentos
que eu não sei como explicar
em que a voz é um instrumento
que eu não posso controlar
Ela vai ao infinito
ela amarra a todos nós
e é um só sentimento
na plateia e na voz

...


Agosto na cidade :-(

Isto de não planear férias deixando as saídas da cidade para decisões de momento não me está a parecer o melhor método! É verdade que escapei àquela vaga de calor em Julho, mas regressei quando amigos e conhecidos se estavam preparando para sair. Agosto aqui na cidade dá-me a sensação de abafo, mas, pelos vistos, este ano tenho o Agosto às avessas.
Enfim... estou sem mar ou montanha, fica-me o refúgio dos livros. E este cantinho... bem, não sei se cá virei escrever por agora, nem sei se ainda sairei da cidade por uns dias, portanto vou deixar o cantinho intermitente.


segunda-feira, julho 31, 2006

Como se continuasse ausente...

Regressar a casa, regressei - e começo por agradecer os votos de boas férias que me deixaram. Mas entrei e o meu computador saiu, que desta vez os seus desatinos precisam de tratamento de perito, e neste emprestado parece que estou numa caixa vazia!
Nestas duas semanas não li jornais, não li artigos, não li posts, no que respeita a notícias limitei-me a um telejornal diário. E, se o mundo se confinasse a este país que tão medíocrezinho anda, nem perderia nada relevante se nem a TV ligasse - ver a triste prestação de Maria de Lurdes Rodrigues na sua ida ao Parlamento esteve dentro das expectativas já rotineiras e, quanto às cenas dos exames, quem ainda se espanta com repetições de remediação ou com perguntas ambíguas que até professores põem a discutir??
Mas, este país não é o mundo, e, no mundo, está a acontecer a agressão de uma potência militar sobre uma população de outro país - sim, eu digo assim, a comunicação social diz de outras maneiras, ou só diz Israel e o Hezbollah, o Hezbollah e Israel, parece que sumiu das bocas e das mentes a história do conflito israelo-árabe (história que não se confina à causa original), que o que é preciso é que o mundo aceite sem demasiada indignação imagens como esta, que recolhi aqui.

Este cantinho não costuma ter imagens assim, além de que é de memórias de professora. Mas ando ausente dessas memórias, ando farta de uma comunicação social quase acrítica, voz das conveniências dos senhores do mundo e de seus formais aliados, subserviente ao papel dela esperado de fazedora das cabeças ocidentais. Ando também a começar a perder algum gosto ou sensação compensatória de, apesar de tudo, pertencer a uma comunidade europeia esperada como preservadora de valores mas que, afinal, ao invés de se distinguir ou diferenciar, embarca nas águas desse poder que (por enquanto) estende pelo mundo os seus tentáculos gananciosos sem que a boca de outras nações (inclusive a que somos) pronuncie o termo terrorista ou o epíteto criminoso, como se as expressões com que intitulam o parceiro americano e se auto-intitulam - mundo civilizado, mundo democrático - concedessem por si só a imunidade. Agitar a bandeira de combate ao terrorismo ou a qualquer grupo que chacina civis indefesos é, indiscutivelmente, defender direitos humanos. Todavia, é preciso algum 11 de Setembro que ponha na visão dos possíveis outros atentados algures, perto, sobre as próprias cabeças, para se recuperar a capacidade de indignação que o quotidianozinho razoavelmente seguro que se vai vivendo faz, de facto, ir perdendo, num quase fechar de olhos a outras formas de terrorismo, belicistas quando as mais disfarçadas não chegam, mas mais geralmente invisíveis, subterrâneas, com as quais o interesse próprio e a ganância do poderio económico tornam ou mantêm num inferno a vida de povos, pois mesmo sem guerra se vive o inferno da fome ou o sofrimento da exploração ou a humilhação de governações fantoches e subservientes.
A meu ver, Israel, neste momento, está a ser uma gota de água (mas uma gota chega para fazer transbordar um copo) a que o Hezbollah serve de pretexto. E as causas perdem a sua justiça a partir do momento em que de vítima se passe a vitimador e outros interesses viciem o que foram outrora causas justas. Israel já teve oportunidades de rasgar o seu papel de vítima, neste momento só lhe consigo vislumbrar a hipocrisia filiada nessa outra hipocrisia maior que todas, sob a qual se processa (até quando, está por ver) a "democrática" supremacia americana. E é desta que estou farta, é sob os seus tentáculos que tenho sentido o mundo, apesar de saber que outros tentáculos se poderão constituir, apesar de ser pequena (embora persistente) a esperança de que alguma vez a humanidade descubra um caminho de libertação - libertação de si mesma, superação de uma parte da sua própria natureza?

Como disse acima, este cantinho não costuma exibir imagens como essa com que a ele regresso. Mas, as memórias de professora andam distantes, também não quero apagar este blogue para iniciar um com outro nome, acho, pois, que pus o título adequado nesta reentrada - sinto-me como se continuasse ausente...

domingo, julho 16, 2006

Ausente por duas semanas

O imprevisto às vezes sabe bem...
Não tinha planos para sair em Julho, eis que, com menos de 48 horas de prazo, surge o desafio "vem comigo", e lá vou eu fugir ao calor insuportável... domingo à noite já estarei a receber a brisa marítima.
Bem, provavelmente pouco escaparei depois ao calor de Agosto aqui por esta Lisboa onde umas fugidas até ao rio ou ao mar têm o preço de um trânsito lento e sufocante, que o meu carrito não tem ar condicionado, mas há que aproveitar as oportunidades do 'hoje', no 'amanhã' pensarei quando lá chegar.
Boas férias para quem para elas for entretanto [e, em férias, não leiam notícias do Ministério da Educação, não tenham receio de perder alguma importante pois não será no verão que ele cairá...;)]

sábado, julho 15, 2006

E porque é a 1ª noite do fim de semana...

...Bom fim de semana! :)

De palavra em palavra
a noite sobe
aos ramos mais altos

e canta
o êxtase do dia.

Eugénio de Andrade


Frederick Church, Crepúsculo na Imensidão

sexta-feira, julho 14, 2006

Adenda

Sobre comentários de Valter Lemos...

Conhecidos os resultados dos exames de Português e Matemática do 9º ano, Valter Lemos emitiu comentários que causariam dó a quem ouviu se não acontecesse que quem o ouve é cidadão deste país - ter dó deste membro da governação do país é ter pena do país que tem tal mentor da política educativa, é, portanto, ter pena de si próprio dado que ao país pertence. Ora, eu não quero ter pena de mim mesma, eu quero é que ponham esse Valter na rua!
Os comentários de Valter Lemos acabaram por ficar sintetizados nesta sua frase digna de constar entre os pensamentos a guardar para a posteridade:
«Esperamos que os resultados continuem a melhorar, até que os níveis de Matemática sejam pelo menos idênticos aos do Português, o que já seria razoável, porque significaria que eram positivos» (Destaque meu).

1º comentário meu:
46 em cada 100 alunos do 9º ano tiveram nível negativo na prova de Português. Considerará o Secretário de Estado da Educação que teremos um país 'positivo' se 'somente' 46% da futura população adulta portuguesa for incompetente na sua própria língua?

2º Comentário meu:
Estatisticamente, os resultados em Matemática apontam para uma pequena melhoria - de apenas 30% de classificações positivas no ano anterior passou-se agora para (também apenas) 36%. Mas... que fácil se tornaria para quem investiga seja que tendência for numa dada população se lhe bastasse ir aplicando testes ao sabor de quem fosse concebendo um e outro e outro como se as variáveis inerentes a diferentes conteúdos e graus de dificuldade desses testes não tivessem qualquer importância! O teste de Matemática deste ano parece mais fácil para os alunos do que o do ano anterior (ou menos difícil, atendendo aos resultados) e, embora dizer que 'parece' não signifique certeza, penso que pelo menos ficou atenuado o factor surpresa perante o tipo de itens. De qualquer modo, pouco interessa que sim ou que não pois o facto é que testes diferentes quanto a conteúdos abrangidos e a graus de dificuldade não podem permitir inferir que as competências matemáticas dos alunos melhoraram (ou pioraram), sobretudo quando a diferença percentual dos resultados é tão pequena. E isto é claro para qualquer pessoa que não esteja distraída - ou trata-se só de números para as estatísticas a pendurar na porta do país e não de tentar perceber como andam saberes e competências dos nossos alunos? Assim, das duas, uma: ou os raciocínios do sr. Valter Lemos padecem de indigência mental, ou o sr. Valter Lemos espera que disso sofram os que o ouvem.

3º e último comentário meu:
Sempre que tenho ouvido ou lido palavras desse personagem do Ministério da Educação, de nome Valter, (admito que tenha azar nas poucas vezes que me dou ao trabalho de o ouvir ou ler) fico prestes a sentir constrangimento, como quem está perante alguém que emite uma estupidez (desculpe-se-me a crueza). Entretanto, não chego a ficar constrangida pois o que me vem imediatamente a seguir é a vontade de gritar: Ponham depressa esse indivíduo na rua!

quinta-feira, julho 13, 2006

Imagens desconexas em jeito de adenda (Da aprendizagem ao exame?)

Learning




















Benjamin Chi Chi


Students


Marion Howard






















(Fonte não identificada)

Perplexidade face ao tema 'exames'

Haver ou não haver exames no 9º ano e que significado ou importância atribuir a resultados já são questões polémicas. Só me faltava agora sentir simplesmente perplexidade perante o assunto!!!

A M. teve 3 na prova de Matemática do 9º ano, tal como tivera 3 atribuído por mim na classificação de frequência. Até aqui, nada a justificar a evocação do caso. Entretanto, aconteceu que a P. também teve 3. Ora, com a M. tudo bate certo, enquanto que com a P. tudo leva à perplexidade.
A M. até se sentia sempre preocupada e insegura com a Matemática porque por vezes esta não lhe corria bem, de vez em quando, quer no 8º, quer no 9º, tinha um teste negativo (embora isso estivesse longe de predominar), mas o seu nível à luz dos meus critérios era 3 - critérios que não nascem de subjectividades. Obtido o 3, não era aluna para deixar de estudar nas duas semanas antecedentes ao exame e também nunca iria para este na atitude de já não importar dado que estava "passada" pois, além de briosa, na sua insegurança era-lhe importante provar a si própria que se sairia bem. É por tudo isto que digo que, com a M., o resultado bateu certo. Mas o resultado da P. (aluna daquelas 'fora de série') não só não bateu certo, como parece inexplicável, pois teve apenas 3 como a M. e outros colegas de níveis de competência bem aquém dos dela, sendo a sua descida não de um nível, mas de dois - de 5 para 3. Acresce que qualquer professor que conheceu a P. confirmará que não era só uma boa aluna, ela era (é) excelente. Foi o único 5 que dei no conjunto das minhas duas turmas de 9º, mas dava-lhe 6 se pudesse "furar" a escala.
Sim, a P. tinha um nível muito bom em termos de competências cognitivas, era excelente na relação com a Matemática, já muito autónoma e com o gosto de perceber tudo em profundidade e em pormenor, a sua concentração ia a ponto de não se deixar perturbar por uma turma turbulenta, além de também não ser aluna para ir para o exame achando que o resultado já não tinha importância. E era calma e concentrada, e eu não estou a pensar nalgum engano ou demasiado rigor na correcção da prova - podia não ter chegado aos 90% por qualquer excessivo zelo do corrector ou por percalço seu, mas a verdade é que nem chegou aos 70 (no exame, 4 é atribuído a partir da pontuação 70 inclusive).
Sei que um caso não chega para que o tema 'exame' me passe a causar perplexidade. No entanto, sobretudo depois de ver a prova, não difícil e até quase sem itens que pudessem considerar-se inesperados para os meus alunos, não só não imaginei esta aluna a baixar do seu 5, como também pensei que talvez a H. e o M. subissem os seus quatros - esse 4 em que os mantive porque nos quatros e cincos sou bastante exigente como sempre o reconheceram os meus alunos e vários pais atentos. Pois não subiram, ao contrário, tiveram 3 - mais dois resultados inferiores a 70%, lado a lado com a mesma classificação daqueles colegas que mantiveram um 3 que eu atribuíra como nada mais do que médio - lado a lado, inclusive, com O V., que conseguiu 3 na prova tal como na frequência e, no entanto, o cômputo final foi reprovação de ano. Contudo - e para finalizar estes exemplos com outro a contrariar tendências que aqueles sugerem -, penso na I., com boas capacidades, mas não tão boas quanto a H. ou o M., que foi a exame com 4 e nele 4 teve.

Não consigo, não consigo mesmo imaginar, para mais nesta prova deste ano, como é que a excelente e impecável P. cometeu tantos erros ou lacunas para descontar pelo menos 31 pontos!!! Como é que cometeu quiçá tantos ou quase tantos como colegas de não mais do que nível 3 médio??? Enfim, já não sei aventar hipóteses de causas de certos resultados nos exames, enquanto que até agora, se causas certas não sabia em cada caso, várias me pareciam óbvias enquanto conjunto de situações ou atitudes dos alunos passíveis de ocorrer e de concorrer para taxas de insucesso a nível nacional que interrogo se não são excessivas em termos de correspondência real a verdadeiro défice de competências dos nossos jovens alunos - e, note-se, o tipo de resultados que exemplifiquei não entra na estatística do insucesso, pois limitei-me a casos que, mesmo baixando em relação à nota de frequência, se mantiveram na escala positiva.

P.S.:

Acrescento, não para fugir a pôr-me em causa, mas apenas porque, sendo verdade, é uma achega para a reflexão sobre o assunto, que tenho a felicidade de poder dizer que os alunos que me saíram das mãos para o Secundário com 5 andaram neste pelos 18, 19, valendo então as perguntas: 'o que indica a nota de exame?', 'a nota de exame numa idade de 9º ano indica o mesmo que as notas que os professores atribuirão no Secundário?', 'para que sucesso trabalhamos?', 'significa o sucesso num exame o mesmo que sucesso no prosseguimento da escolaridade ou na vida?'

quarta-feira, julho 12, 2006

"Canto em Qualquer Canto"

Ney Matogrosso - actuou esta noite no Coliseu dos Recreios. Uma noite que ainda está comigo (já passou para novo dia), a não apetecer ir dormir para a reter nos ouvidos e nos olhos um pouco mais. Embora Ney tenha deixado para trás aquelas encenações excêntricas com que o recordo e que faziam da sua actuação um espectáculo original um tanto louco, a sua presença ainda tem, por vezes, leves reminiscências desse estilo passado, por exemplo na sua meneante entrada em palco com uma veste soberba, peito desnudado.
Ouço pouco Ney Matogrosso em disco apesar de estar entre os meus favoritos, era de não perder a oportunidade da sua actuação em Lisboa pois, em palco, ele torna grande a diferença fazendo do conjunto voz e presença uma exibição excelente, a meu ver.
A acompanhá-lo, um notável quarteto de cordas que inclui o português Pedro Jóia (alaúde e violão), sendo os outros instrumentistas Marcelo Gonçalves (violão de sete cordas), Ricardo Silveira (guitarra) e Zé Paulo Becker (viola e violão).

Em baixo, uma imagem de Canto em Qualquer Canto noutra actuação, no Brasil.

(Actuação Canto em Qualquer Canto gravada
para o programa de fim de ano de 2004 do Canal Brasil)

Aqui fica um bocadinho de som - de Bandoleiro, e também de Duas Nuvens na 1ª parte em que só Pedro Jóia acompanha.



segunda-feira, julho 10, 2006

Nas horas de cada dia

Um post da Tit sobre o Tempo trouxe-me à memória uma época em que os dias pareciam passar mais devagar, sem a sensação de que cada 24 horas não chegava para fazer tudo o que gostávamos de fazer. E, não penso apenas no que tomamos como tarefas ou afazeres obrigatórios, mas nas outras coisas que as apenas 24 horas nos vão levando a adiar, como a pilha de livros em espera, o ir contemplar devagar o rio ou o mar, o encontro com amigos que a agenda vai obrigando a protelar, o filme ou peça de teatro ou concerto ou exposição que não queríamos ter perdido mas já passou.

Vim estudar para Lisboa com 15 anos, na minha vila natal não havia onde prosseguir os estudos mesmo ainda liceais, foi com essa idade que passei a ter a responsabilidade de tomar conta de mim (embora com o controlo que meus pais pediam aos meus hospedeiros). E tenho bem presente na memória essa Lisboa de então, lembro como sentia os sons e cheiros matinais de uma capital em que tudo se podia saborear devagar - os eléctricos com o tlin tlar isento da poluição sonora de businas, deslocando-se nos carris sem altas velocidades, as pessoas que desciam à rua ao encontro dos vendedores quando escutavam os pregões das varinas, leiteiros e ardinas e que diziam 'bom dia', 'bom dia vizinha', 'bom dia menina', ainda não tornadas anónimas ou indiferentes nas pequenas multidões de hoje, também as ruas, largos, fontes por onde se não passava de automóvel, por onde não se passava sem nelas sequer já reparar, e ainda os cafés não em grande quantidade mas que não fechavam às 21 horas, hoje encerrados no tempo que se conseguia que sobrasse para o café com amigos após o jantar, empurrando assim os jovens para mil e um bares e os adultos para casa a nesta substituirem por alguma comunicação (por vezes anónima) via Internet aqueles pontos de encontro onde não era preciso combinar para se saber que alguns amigos e conhecidos lá estariam de certeza.

Já que me reportei aos meus 15 anos, comparo o tempo dos adolescentes de então com os de hoje. É verdade que as horas no liceu eram lentas porque quase todas as aulas eram chatas, algumas a parecerem infindáveis, mas até nestas se ia arranjando tempo para ler, escrever ou divertir a jogar a batalha naval com a colega do lado ou da frente perante uma ou outra professora que, lá de cima do seu estrado, expunha o tempo quase todo para uma turma que não olhava com olhar de ver, abstraída na sua exposição. Mas o horário do liceu terminava cedo, dava para ir para casa fazer os tpcs e depois sentar confortavelmente, pernas estendidas, na entrega ao enorme prazer de ler que era comum a tantos estudantes. E, os que não estudavam nem tinham livros (muitos mais, eu sei), também tinham tempo, que parecia tanto, para esses jogos de rua hoje apenas chamados jogos tradicionais do antigamente, jogados naquelas algumas ruas em que raramente passava um carro e nos pátios e terrenos trazeiros aos prédios, ainda não tranformados em parques de estacionamento a abarrotar.

Hoje, os adolescentes passam dias inteiros na escola com pequenos intervalos entre aulas nos quais, em muitos casos, não há espaços senão para encontrões e atropelos. E chegam cansados e tarde a casa, o tempo já só dá para os tpcs ou, para os que optam pela TV, a playstation ou a conversação oca no msn mais não resta do que pensar à pressa numa desculpa a dar ao professor. Depois chega o fim de semana, os que ainda saem com a família são arrastados por esta para um dos centros comerciais que nascem por todo o lado como ervas, de preferência, aqui na capital, para o atordoante e alienador Colombo, há sempre pretexto para aí passar uma preciosa tarde, um qualquer objecto é inventado como pretexto de ir 'às compras' para mais um gasto não indispensável a aumentar a dívida que o cartão de crédito vai acumulando, além de que para captar a companhia do adolescente é preciso arranjar tempo para a escolha de uns ténis de marca ou mais um jogo para a playstation - que decepção se a proposta fosse a aquisição de um livro -, e para as crianças lá se concedem 15 minutos, da tarde de atordoamento por corredores de montras, para brincarem nos pequenos espaços a elas destinados.

Este post não significa saudosismo, apenas saudade; não significa que eu tenha ficado no passado a criticar o progresso, somente uma pergunta sobre se tudo o que parece progresso aumenta de facto a qualidade de vida. Eu até vivo mais devagar desde há alguns anos (embora poucos), a necessidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo numa ginástica para caberem em cada 24 horas já ficou para trás enquanto obrigação - filhas com a sua vida autónoma, outros empreendimentos já com a experiência a fazer ponderar melhor em termos do que são investimentos com significado ou utilidade, para não falar da profissão, pois só agora chegou ao fim. Todavia, neste tempo a poder usar com mais vagar, não deixaram de permanecer as tantas coisas adiadas que referi acima. Por isso, me suscitaram memórias e (mais uma vez) reflexão sobre a ocupação do nosso tempo estas palavras da Tit que me permito reproduzir, a terminar: "
Mas... corremos afinal para quê? Para chegar onde?... Poupamos Tempo por uma vida com mais Qualidade, ou queremos apenas Tempo pelo Tempo?"