terça-feira, maio 20, 2008
Ciclos de ensino... a questão não está no nome ou na duração
segunda-feira, maio 19, 2008
Quase...
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
domingo, maio 18, 2008
;0) Apenas um copo de leite...
sábado, maio 17, 2008
Falando com os meus botões
quinta-feira, maio 15, 2008
Conselho Geral Transitório - uma oportunidade a perder?!
E eu esperava que a ideia estivesse a correr pela blogosfera, para correr, a seguir, pelos meios actualmente habituais - mail e sms -, mas ainda não me apercebi de tal. Esmorecimento da classe docente?! O novo modelo de gestão das escolas é irreversível?! A reivindicação da revisão do modelo saiu do horizonte de luta dos professores?!
P.S.:______
Vi agora que a FENPROF é clara sobre a oportunidade a propósito dos conselhos gerais transitórios. No seu jornal deste mês de Maio lê-se na contracapa: "(...) a FENPROF propõe que seja ponderada a possibilidade de não haver candidaturas de docentes aos Conselhos Gerais Transitórios. Dessa forma, tornariam clara a sua oposição ao modelo imposto pelo ME e a sua recusa em o consolidarem, criando condições para a sua revisão."
quarta-feira, maio 14, 2008
Uma canção - uma memória
P'ra não dizer que não lembrei...
terça-feira, maio 13, 2008
domingo, maio 11, 2008
sábado, maio 10, 2008
Jantar comemorativo - Rever companheiros
sexta-feira, maio 09, 2008
Contemplo o que não vejo
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.
Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.
Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.
Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.
Fernando Pessoa, Cancioneiro
quinta-feira, maio 08, 2008
Também me entristeço ao ler...
quarta-feira, maio 07, 2008
Pequenos poemas que me tocam depois das memórias
sementes de algodão | ||
| Dias que se alongam — Cada vez mais distantes Os tempos de outrora! Buson | ||
|
terça-feira, maio 06, 2008
Memórias de directora de turma - II
Os alunos podiam ser do 5º ano, podiam ter apenas 10 anos, mas, com excepção da primeira assembleia, que eu dirigia, as outras passavam a ficar a cargo deles. A minha orientação consistia em dar uma tarefa para casa: pensarem nos assuntos definidos e, para os alunos que iriam dirigir, prepararem-se especialmente para isso; consistia também em pedir a palavra e intervir com a minha opinião ou sugestão, mas apenas quando necessário.
Por tantas vezes me limitar quase só a assistir (eu disse quase, a minha intervenção era na dose q.b.), olhando com encantamento a turma e aquelas três ou quatro crianças na "mesa" a desempenharem o seu papel (uma fazia a acta), e tendo pena de não ter levado a máquina fotográfica (vídeo iria distraí-los), uma vez ou outra lembrei-me de ir prevenida. Mas quase sempre me esquecia, pelo que tenho raras fotos, aliás já postas algures neste cantinho a propósito da pergunta "infantilizar ou puxar?"
(Todas as fotos são de turmas do 2º Ciclo)
"Mesa" de uma Assembleia de Matemática:
(Clicar para ampliar)
Assembleia dirigida pelos delegados de turma e que incluiu debate em grupos:
(Clicar - Vêem-se os delegados em pé a acompanhar os grupos. Não são uma delícia? Era 6º ano)
Outras sembleias:
Nota:
Não, não se trata de "eduquês", não se trata de coisas tais como não-directividade ou alguma espécie de basismo. Eles não corresponderiam como correspondiam, debatendo disciplinada e responsavelmente e chegando a conclusões, avaliações e propostas pertinentes se não fossem preparados para isso no quotidiano das aulas.
(Perdoe-se-me a nota, mas eu sou alérgica à expressão eduquês)
domingo, maio 04, 2008
Memórias de directora de turma - I
É certo que a acção educativa e de acompanhamento directo dos alunos é a componente primordial da função do director de turma - e tem já implícita uma colaboração com as famílias -, mas não é por essa componente que começo. Porque a colaboração escola-família é decisiva e porque, a meu ver, ao director de turma também cabe envolver (ou tentar envolver) os pais ou encarregados de educação na acção que desenvolve junto dos alunos, bem como ir ao encontro das necessidades de apoio, informação e até formação que aqueles tenham.
Fazem-se diligências (e bem) para conseguir que vão à escola encarregados de educação de alunos de famílias problemáticas, mas há que não esquecer que muitas outras têm baixo nível de instrução e cultura, contudo preocupam-se e gostariam de proporcionar aos seus filhos um melhor acompanhamento, pelo que são muito receptivas a informação, formação e apoio que, nesse sentido, recebam da escola. O problema de pais e mães ausentes ou que se demitem existe, mas seria injusto julgá-lo tão extenso como por vezes parece.
Assim, sempre entendi que a direcção de turma, com as oportunidades de reuniões e entrevistas individuais com os encarregados de educação, também tem uma vertente de acção formativa junto destes sempre que tal se justifica. E creio que a razão de, nas reuniões, ter tido sempre a sala cheia, frequentemente com a presença não apenas do pai ou da mãe, mas de ambos, foi o facto de incluir em todas elas um debate temático.
Uma nota, a terminar: Era também logo na primeira reunião que eu desmontava a ideia de que irem à escola falar individualmente com a directora de turma só se justificaria em situações preocupantes sobre aproveitamento escolar ou comportamento, e especialmente quando convocados. E logo ficava esboçado um calendário, com prioridade aos que tivessem algum problema ou preocupação a transmitir-me urgentemente, mas permitindo que tão breve quanto possível eu pudesse falar com todos, pois uma entrevista permitia um conhecimento mais amplo do aluno, quer a mim, que só o observava na escola, quer também ao encarregado de educação, que, embora conheça bem o(a) filho(a), muitas vezes ignora facetas escolares pouco reveladas em casa.
E, com a desmontagem que fazia daquela ideia que tinham sobre idas à escola, acabava por ganhar a adesão para marcação das entrevistas, nem que estas fossem por telefone quando havia dificuldade em comparecerem. (Telefone, mas para a escola, note-se, pois eu não considerava isso 'trabalho de casa'...) E claro que também tive casos difíceis relativamente a comparência, mas julgo que actualmente isso é mais frequente, tive sorte no meu tempo de dt.
Em suma, tenho muito boa recordação das reuniões com encarregados de educação. Talvez fosse outro tempo... não sei. (Fui dt durante mais de 20 anos consecutivos, mas depois não voltei a ser)
sábado, maio 03, 2008
Novidade esquisita no blogger
Hoje retomo um fio de memórias
quinta-feira, maio 01, 2008
Chega um tempo...
Um poema, enquanto tento parar o tempo. Tempo para reencontrar um fio; tempo para preencher vazios; tempo à deriva; tempo ferido; tempo, só tempo.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade, Os Ombros Suportam o Mundo
segunda-feira, abril 28, 2008
Afinal para que quero um blogue?
Para que quis um blogue quando criei este, até sei; para que o quero agora, isso é que já não sei!
Quando criei este bloguezito, eu queria falar de alunos, de ensino e aprendizagem, de aulas, de métodos e estratégias de ensino, da minha disciplina que é a Matemática e de sucesso e insucesso nela, também de direcção de turma, de educação, de formação de alunos e de formação de professores, enfim, queria falar de escola.
E, quando comecei a conhecer colegas da blogosfera, pensei até que não falaria sozinha disso tudo, pensei que poderia não ser só falar, mas debater também. Troca de experiências, partilha, testemunho, isso era o que me atraía, embora tenha encontrado raríssimos blogues de docentes em que tal acontecesse.
Contudo, de tudo isso me fui desviando, pois quase logo apareceu a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, e eu própria andei centrada nela e na sua política. E, hoje, com esta sensação de que dirigi este meu cantinho sobretudo para essa política, lembrei-me de fazer uma contabilidade, já que tenho os meus posts quase todos etiquetados (de 590, têm marcadores quase 400, e os que não estão marcados são irrelevantes quanto a assunto). E não é que constato que, afinal, apenas 21 são sobre política educativa?! Vá lá, mesmo que estime nuns 30 os que à política educativa se referem, tenho mesmo que concluir que, afinal, não foi (só) a política do Ministério da Educação que me desviou e me desmotivou de escrever sobre o que tencionara inicialmente.
Dos temas que acima mencionei, há um que jamais abordei - e não foi por acaso. Jamais abordei um dos temas que me são mais gratos e de que tenho melhores memórias: a direcção de turma. Porque a burocracia que foi progressivamente assoberbando os directores de turma parecia-me retirar sentido às minhas memórias de mais de 20 anos consecutivos até outras tarefas terem requerido que deixasse esse cargo.
No entanto, tenho consciência de que a falta de condições e os climas de escola perturbados pela política de MLR foram apenas meia razão para abandonar as minhas memórias. Costuma dizer-me um amigo (e ainda hoje mesmo mo disse) que da outra metade do motivo da minha desmotivação nunca falei, que eu só falo da política deste ME porque omito a outra face do sistema educativo, que é a realidade no "terreno". Sei que o meu amigo tem razão, no terreno há muito do bom e até do excelente, mas bastante há também do menos bom, e o indesejável ou pernicioso não é tão insignificante quanto muitas vezes dizemos - dizemos, seja por corporativismo, seja por compreensão tolerante, ou seja por uma espécie de reserva ética.
Afinal, para que mantenho eu um blogue?
Talvez porque ainda vou esperando por condições mais propícias para falar do que é o tema mais importante para mim como professora: alunos - ensino e aprendizagem - educação. Mas pergunto-me: se voltar a falar disso, não será um monólogo? Não porque aquele não seja o tema prioritário no pensamento de muitos colegas, e aqui deixo a minha manifestação de apreço à 3za - uma companheira "bloguista" - por não ter perdido nunca a motivação para falar dos alunos, para partilhar as experiências e vivências com eles, para nos revelar a paixão de ensinar e ajudar a crescer. No entanto, no clima de escola que se tem vivido nos últimos quase três anos, a escrita da 3za e a dos poucos outros que privilegiam esse tema serão muito mais do que monólogos?







