domingo, abril 06, 2008
Regressando às minhas memórias? (Ponto prévio)
Hum... não me parece que seja bem um regresso... talvez só uma breve passagem por algumas memórias...
De tanto se falar agora de maus comportamentos de alunos a propósito de um caso filmado cujo vídeo foi mostrado ao país até à exaustão e causou uma overdose de comentários e debates, é natural que me viessem à mente memórias de alunos problemáticos - alunos que tive, outros com quem contactei nas escolas onde estive.
Jornalistas, comentadores, professores, psicólogos, políticos e até juristas discutiram ou pronunciaram-se. Por mim, não me vou meter nem por teorias nem por análises do referido caso, para mais tendo escassos dados sobre o contexto de aula e de escola em que ocorreu. E, se por associação de ideias me veio à mente o tema alunos problemáticos, as minhas memórias quase nada têm a ver com o episódio mencionado. Apenas estou a recordar alunos, e, com este cantinho tão abandonado enquanto cantinho de memórias, porque não descrever dois ou três casos?
Se ainda estivesse na escola, as memórias que escreveria seriam da véspera, ou da semana passada - não era preciso serem desactualizadas. Mas... memórias são isso mesmo: memórias.
quarta-feira, abril 02, 2008
Testemunhos de estudantes
Nada que não saibamos, mas em que é necessário reflectir.
Recortes deste vídeo (enviado por um amigo, mas que não é novo na blogosfera)
Clicar para ampliar
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quarta-feira, março 19, 2008
E para não deixar uma página em branco...
...enquanto permaneço expectante sobre a 'coisa' educativa, fica um poema...
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade, Mãos dadas.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade, Mãos dadas.
terça-feira, março 18, 2008
Vaidosa ou envergonhada?
Hoje recebi um telefonema da Ensino Magazine a convidar-me para comparecer em Castelo Branco (não anotei a data) para receber o 2º prémio de um concurso de sites - não, não tem a ver com o blogue, trata-se de uma minha velhinha página para alunos. A conversa ao princípio parecia de tontos, eu não me lembro nada de ter concorrido (nem me vejo a fazê-lo), provavelmente alguém o fez por mim, tinham os meus dados todos, até a idade - que indiscrição, eu costumo deixá-la em branco! ;o)
Criei o site em mil novecentos e noventa e tal (não sei precisar), há que tempos que está abandonado. É verdade que na altura teve alguma divulgação, por exemplo a APM referenciou-o, e o 'visual' até estava engraçado devido à ajuda, nesse aspecto, do meu amigo Francisco Cerqueira (ajuda que não está omitida na página), mas isso era naquela altura, essas coisas de visuais e técnicas de construção ficam ultrapassadas muito depressa.
Isto até vem a propósito da velocidade a que evoluem as novas tecnologias, nomeadamente nos instrumentos e técnicas para construção de páginas web. Nessa altura eu ainda usava o velhote FontPage mais umas inclusões à mão de javascripts (digo "ainda" porque há poucos meses pus uma paginazita na net - Lógica para Todos, mas não ponho link porque foi uma experiência mais para tentar manejar o xhtml), essas técnicas estão ultrapassadas, e até designs que são engraçados numa dada altura ficam absolutamente fora de moda ao fim de dois ou três anos.
Mas... pronto, embora dividida entre ficar vaidosa ou ficar envergonhada - e claro que envergonhada não é pela dita página, é porque fico sem jeito com "prémios" -, agradeço o prémio e partilho-o aqui.
______
Adenda
Esqueci-me de dizer que o prémio também tem forma material, é um telemóvel. (Mas o meu não é arcaico, ainda não está a precisar de substituição ;o) )
sábado, março 15, 2008
Pensando em voz alta (nas últimas posições dos sindicatos)
(Pensar em voz alta/escrevendo ajuda a raciocinar)
1. A proposta de António Vitorino de haver um período experimental no processo de avaliação de desempenho dos professores foi largamente considerada uma boa proposta (e recorde-se que AV não foi, de modo nenhum, o primeiro a apontar esse caminho). Mas, face a ela, importa que seja bem esclarecido o que significa um período experimental de um decreto.
Ora, eu não sou jurista, mas julgo que tal não significa usar umas tantas pessoas (neste caso, professores) como cobaias que possam ser (menos ainda só essas) vítimas de experiências. A ideia que tenho de um período experimental é que ele se destina a testar o processo, os métodos e os respectivos instrumentos, e a tirar conclusões sobre o que é adequado e o que não serve e até eventualmente contribua para obstáculos à seriedade e credibilidade que se deseja para uma avaliação exequível, isenta e justa. Não me tinha passado pela cabeça que desse período resultasse necessariamente avaliação de professores - então, seriam escolhidos para cobaias?! -, mas sim a avaliação do modelo. E acho que não preciso de ser jurista e saber exactamente em que termos seria decretado o período experimental para considerar que não seria lógico nem legítimo que determinados professores sofressem mesmo uma avaliação ao mesmo tempo que se tirariam conclusões sobre erros do modelo a requererem ser corrigidos antes da sua aplicação à generalidade dos professores.
2. Não compreendo o argumento do ME de não poderem deixar de ser avaliados os professores contratados e os que estão em condições de progressão no presente ano lectivo (estes, aliás, num muito pequeno número, segundo ouvi Jorge Pedreira dizer).
Há algum impedimento legal a que os contratos sejam renovados segundo as normas que vigoravam anteriormente, dispensando também, portanto, avaliação neste ano lectivo dos respectivos professores?
Quanto aos que estão em condições de progredir, lembro-me do sucedido quando esteve instituída a candidatura ao então 8º escalão (e lembro-me muito bem pois fui abrangida por ela). Esperámos muitos meses para que os nossos currículos pormenorizados e trabalhos de natureza educacional fossem analisados e fôssemos chamados a exame, mas o atraso não nos trouxe prejuízo significativo em termos remuneratórios pois foi simplesmente decidido pelo governo o pagamento do aumento salarial por acesso ao 8º escalão com rectroactivos reportados ao momento em que atingíramos as condições de mudança de escalão.
3. Da reunião negocial de ontem entre ME e FENPROF, declarou Mário Nogueira, em nome desta, a não aceitação do que o ME propôs. (Pelo pouco que li, creio que também a FNE tomou posição semelhante). Dispenso-me de resumir as declarações de MG, todos já as conhecemos.
Não as ouvi sem algumas interrogações iniciais cá para comigo mesma (daí o título deste post). Depois reflecti e, além das considerações anteriores, perguntei-me o que é isso de "procedimentos mínimos" de que fala o ME. Volto a dizer que não sou jurista, gostava que algum jurista viesse a público explicar que figura legal é essa de aplicação simplificada de um decreto-lei, ou de procedimentos mínimos na aplicação do mesmo. E concluí que os sindicatos não podiam deixar de tomar a posição que tomaram (ainda que corram o risco de à primeira vista parecer intransigência quando se pretende transigência por parte do ME), pois de facto um decreto ou se aplica, ou se revoga, ou se suspende, não me consta que exista a figura legal da tal aplicação simplificada mediante "procedimentos mínimos" (agravada ainda por simplificação ao critério de cada escola, em nome dessa palavra autonomia que agora anda a servir para tudo, e com todos os riscos de critérios desiguais entre os professores de escolas diferentes)
Nota: Relembro que disse estar apenas a pensar em voz alta, até nem é meu costume pronunciar-me antes de ler as propostas e respectivos fundamentos divulgados com precisão nos locais e documentos próprios - locais que não são a comunicação social, mas nesta já ouvi directamente Jorge Pedreira e Mário Nogueira após a reunião. Assim, o que escrevi é o que, para já, me parece, podendo uma informação mais pormenorizada e precisa melhorar os meus raciocínios imediatos ou corrigir algumas questões sobre isto de legalidades, nomeadamente quanto ao significado legalmente correcto seja de período experimental de um decreto, seja de aplicação simplificada ou mínima do mesmo (se é que este segundo caso pode ter qualquer ponta de cabimento legal).
quinta-feira, março 13, 2008
Manifestações que não desejo
Considero um erro esse apelo que corre por mail e sms para uma manifestação de professores à porta do comício do PS no próximo sábado, no Porto, e considero que não ficará bem a quem aderir.
Considero que manifestações à porta de reuniões partidárias (como se viu uma há pouco tempo em Lisboa), inclusivamente perturbando a entrada de quem quer participar - e em reuniões partidárias incluo comícios - tiram qualquer autoridade a quem quer que seja dos promotores e participantes quando acusarem políticos ou outros de atitudes pouco democráticas.
terça-feira, março 11, 2008
domingo, março 09, 2008
Sugestão de leitura
Por acaso o nome do autor deste artigo não me é especialmente conhecido, de momento não me recordo das ideias/posições que costume ter. Simplesmente, ao ler o seu artigo de hoje no Público, achei que põe o dedo certeiro pelo menos nalgumas feridas ("equívocos", como designa o autor - José Madureira Pinto, sóciólogo e professor na universidade do Porto).
(Julgo que o artigo só é acessível online a assinantes, por isso copiei-o par aqui).
sábado, março 08, 2008
8 de Março de 2008
Também Dia Internacional da Mulher, e também o dia em que vi uma manifestação de professores que jamais imaginara ver.
E conheci pessoalmente alguns dos amigos da blogosfera, de diferentes pontos do país - por ordem de encontro, a 3za, a Tit, a Maria Lisboa, o Tsiwari e o Miguel. Conheci-os com emoção. Adorei! :)
[Graças aos telemóveis, mas não foi fácil encontrá-los assim sem ponto de encontro prévio, como se deve imaginar! Bem... a persistência é sempre fundamental ;) ]
sábado, março 01, 2008
No dia 8 participarei porque...
...porque quero uma Escola Pública que proporcione aos meus netos e a todas as crianças e adolescentes - e em igualdade de oportunidades - Ensino e Educação de qualidade. Para isso, quero que as reformas necessárias no Sistema Educativo sejam preparadas e implementadas:- com objectivos transparentes,
- com o respeito pela mais alta prioridade do trabalho dos professores, que é o trabalho para e com os alunos,
- sem medidas precipitadas, cuja pressa origina, para além de atropelos e contradições legais, a desestabilização do funcionamento das escolas pelo lançamento de profundas mudanças com os anos lectivos já a decorrerem.
Quero, sim, uma Escola Pública exigente quanto à formação/competência dos docentes, para o que a avaliação dos mesmos deve concorrer e é necessária, mas uma avaliação de desempenho mediante um processo formativo, estimulante, credível, justo e exequível, e não um processo burocratizado e absorvente do tempo dos docentes e dos orgãos de gestão das escolas, inevitavelmente desviante da mais alta prioridade acima referida.
Quero, sim, o que contribua para o verdadeiro sucesso educativo, sem escamoteamento desse objectivo por urgências em melhorar resultados estatísticos quaisquer que sejam os significados destes e custe o que custar, mesmo que esse custo, na verdade, venha a recair na Educação e no Futuro dos alunos, seja por facilitismo, seja por economicismo e deterioração das condições de trabalho dos professores, nomeadamente condições de tempo e exequibilidade, de colaboração, de estímulo e de respeito, e também de salvaguarda de uma gestão democrática.
domingo, fevereiro 24, 2008
Um esclarecimento que faço questão de prestar
Este meu cantinho anda muito parado desde há bastante tempo, como sabem os que me liam. E os motivos são, em parte, por alguma falta de disposição para escrever por razões da minha vida particular, mas também e sobretudo porque (como disse mais do que uma vez) não quero alterar-lhe o título, iniciei-o para guardar memórias da minha vida de professora e também numa perspectiva de partilha - memórias sobretudo da minha prática com e para os alunos -, mas a desestabilização causada nas escolas pela política do actual ME e as suas medidas em catadupa, caracterizadas muitas vezes por uma enorme precipitação (o que já de si é insensato) (logo nos primeiros tempos do mandato desta equipa ministerial escrevi mais do que uma vez sob o título "a carroça à frente dos bois") e revelando inaceitável desconhecimento do terreno onde pretendeu implementar essas medidas, para não falar do crasso erro de pensar que qualquer reforma no ensino pode ser bem sucedida sem ganhar minimamente para ela, ou para a crença nela, os principais e fundamentais intervenientes - os professores -, muito menos numa atitude pública contra eles, essa desestabilização, dizia, e para a qual o afogamento em papelada muito contribui, torna o momento nada propício a pensar e a escrever as referidas memórias.
(Talvez eu não queira mudar o título do meu blogue e a intenção de escrita que lhe está subjacente por ter esperança de que venham a cessar todas as trapalhadas em que o actual ME se tem mostrado exímio nas regulamentações das suas medidas - a cessar e a serem corrigidas por outra equipa mais competente -, regressando-se a clima e condições mais propícias a que os professores possam, e lhes deixem tempo, para centrarem as suas atenções no que é primordial e que é o trabalho efectivamente útil com e para os alunos, continuamente reflectido, auto-avaliado, renovado e desejavelmente colaborativo. Mas "só o tempo dirá", como já escrevi em título de um post)
Mas o que quero esclarecer é o seguinte:
Mas o que quero esclarecer é o seguinte:
1º - Estou aposentada, sim, mas nadinha alheada das questões da Educação-Ensino. Portanto, também nadinha alheada das legítimas lutas dos professores.
2º - Muitas vezes tenho vontade de divulgar aqui posições e movimentações (mas não deixo de o fazer por mail aos meus contactos que sejam professores não "bloguistas"), bem como de colocar sugestões de leitura de algumas entradas pelo menos de dois blogues muito activos quanto à analise crítica da actual acção do ME - entradas que, umas, proporcionam aos professores acesso e elucidação em cima da hora sobre tudo o que vai sendo emitido pelo ME, desde decretos a despachos (e não só) - e o meu destaque vai principalmente para os blogues do JMA e do PG -, outras são divulgação de importantes materiais/documentos/artigos que elucidam e são verdadeiramente formativos - e destaco novamente o JMA, que considero prestar no seu blogue um autêntico e precioso serviço público.
Mas, já que a minha opção (ou necessidade) de momento é continuar com este meu cantinho bastante parado, raramento cedo à vontade de simplesmente sugerir as referidas leituras pela razão simples de que, sendo este um blogue insignificante e menos lido ainda do que já foi quando escrevia memórias ou escrevia assiduamente, as referidas menções/divulgações que faria não se justificariam, não são precisas dado que se tornaram amplamente conhecidas.
Em suma, o que quis esclarecer a quem vai visitando este meu cantinho é que a sua (quase) paragem não significa alheamento dos problemas e da defesa da nossa Escola Pública. E não esclareço isso porque sinta qualquer necessidade de me justificar, mas apenas para manifestar a minha solidariedade, activa no que ainda está ao meu alcance, para todos os que resistem e pugnam autenticamente por uma escola pública que de verdade progrida e melhore no seu serviço pela educação e futuro de todas as crianças e todos os adolescentes, o que, aliás, é também serviço pelo progresso do nosso país.
_______
Adenda
Acrescento aos meus destaques o blogue do RM - blogue mais recente que, inclusivamente pelos materiais que disponibiliza, também constitui, a meu ver, um valioso contributo.
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Do Professor e do Poeta
Completam-se hoje 11 anos sobre a morte de Rómulo de Carvalho - António Gedeão.
Já o recordei neste cantinho, no centenário do seu nascimento e noutros momentos.
Hoje deixo...
Do Professor:
“Ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação.”
Do poeta:
Arma Secreta
Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis da furalina.
Erecta, na torre erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.
Já o recordei neste cantinho, no centenário do seu nascimento e noutros momentos.
Hoje deixo...
Do Professor:
“Ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação.”
Do poeta:
Arma Secreta
Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis da furalina.
Erecta, na torre erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Momentos meus... Deixo só...
| Doente de viagem, meus sonhos vagueiam pelo campo seco. Bashô | ||||
| Eu e meu aquecedor — Lá fora o Senhor do Feudo Passando ensopado. Issa |
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
E é assim que um Primeiro Ministro debate...
Que nos debates na Assembleia da República haja trocas de "piropos" viperinos, isso "faz parte" (até sabemos que, depois dessas trocas, muitos vão de braço dado tomar café). Mas o que retive do noticiário, não por relato, mas ao vivo (até fui depois ouvir à net para anotar as palavras), foi o tão baixo nível com que Sócrates se descartou de uma pergunta que, por respeito pelos professores, alunos e famílias, e pela Educação, deveria tratar com ao menos um mínimo de seriedade.
Porque a questão de os resultados dos alunos influenciarem (e não pouco) a avaliação dos professores é uma questão séria, e mesmo os que concordem não podem deixar de reconhecer que não é uma questão ligeira, muito menos "de pormenor" (como Sócrates apelidou as críticas da oposição ao sistema de avaliação de desempenho de professores - ao que está a ser implementado, pois ainda não ouvi nenhuma voz contra os professores serem avaliados).
Pergunta (de Paulo Portas, como poderia ser de qualquer outra bancada da AR):
"O senhor como professor, sabendo que a nota do aluno conta para a progressão na carreira, o que vai fazer? Dá-lhe a nota que é merecida, respeitando a verdade escolar e arriscando ser prejudicado na carreira, ou vai inflacionar as notas para poder defender a sua posição?"
Resposta do Primeiro-Ministro: "Eu não sou seu professor, sr. Deputado. Porque, se fosse seu professor, sr. Deputado, em não lhe poderia dar em nenhuma circunstância uma nota positiva. É que eu não gosto da sua demagogia, sr. Deputado".
Eu também não gosto da demagogia desse e doutros Senhores Deputados, bem como não gosto da sua, Senhor Primeiro Ministro. Mas a demagogia é uma das "artes" dos políticos (disso nunca nos livramos), e o seu tratamento de questões sérias, talvez julgando mostrar-se jocoso para a sua bancada rir e aplaudir e limitando-se a isso, podia ao menos não ter sido uma demagogia de tão baixo nível pelo desrespeito da sua (não)resposta - não desrespeito para com o deputado PP ou qualquer outro, pois essas "tiradas" já sabemos e eu já disse acima que "fazem parte" dos vossos debates e não impedem os autores de irem depois de braço dado tomar café, mas desrespeito para com questões sérias da Educação.
sábado, fevereiro 09, 2008
Finalmente algumas boas notícias
Já estão divulgadas, inclusivamente na blogosfera, mas não posso deixar de vir aqui congratular-me. Bem está a ser preciso animar a malta!
- Parecer do Conselho Nacional de Educação sobre o Projecto de Decreto-Lei “Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário” (ou mais directamente aqui, se o link funcionar)
P.S.: Alterei o link para o Parecer na sequência do problema referido nos comentários .
- "Tribunal aceita acção para travar avaliação docente"
- "Tribunal aceita acção para travar avaliação docente"
___________
Adenda
E mais uma notícia neste fim de semana:
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Ei!
(…)Ei você,
Não os ajude a enterrar a luz
Não se entregue sem lutar
(…)
Ei você,
Não me diga que não há nenhuma esperança
Juntos nós resistimos, separados nós caímos
(Sou do tempo dos discos de vinil. Se calhar estou desfasada nisto dos 'tempos' ao deixar essa tradução acima. Mas... pronto, apetece-me deixar a canção.)
In YouTube: "Hey You - Pink Floyd (Vinyl Recorded)"
domingo, fevereiro 03, 2008
Carnaval...
Os alunos estão em férias de Carnaval. Portanto, nas escolas é período de Carnaval.
O Sr. Presidente da República, interpelado pelos jornalistas sobre uma determinada notícia e recusando comentá-la, acrescentou que estamos em dias de nos distrairmos, de deixar preocupações para aproveitarmos os dias de Carnaval (não foram exactamente estas as palavras, não as anotei, mas o sentido foi esse).
Fiquei a pensar cá com os meus botões que, então, devemos fazer umas feriazinhas nas preocupações com a Educação. Mas senti-me um tanto perplexa... É que eu julgava que o nosso querido Ministério da Educação tinha instituído o carnaval na Educação para o ano todo!
Bem... devo andar confusa...
________
Pronto... Volto-me para a arte (mas confesso que não escolho ao acaso)...

M. Cassatt (1873). On the Balcony During Carnival
W. Homer (1877). Dressing for the Carnival
Eu e o meu blogue
Ao escrever o post anterior, reparei que era o 501º. Fiz umas contas por alto e, atendendo a que pouco escrevo desde há muitos meses, e que há mais tempo ainda (antes de assumir que passaria a postagens bastante espaçadas) andei frequentemente a avisar intervalos e pausas, concluí que na fase inicial estive mesmo motivada para a escrita das memórias de prof !
Não, a desmotivação posterior não foi por me ter aposentado; foi, sim, por as minhas memórias de professora serem agredidas pelo actual ministério da educação e também pelo clima que esse ministério gerou nas escolas - assim, preferi protegê-las.
Entretanto, o template do blogue ficara uma misturada quando consegui passar para o novo blogguer sem perder o template que tinha e respectiva personalização, pelo que, para aproveitar a novidade bem prática dos marcadores nos posts, tive que introduzir uns códigos (inspirados nuns da 3za), o que deu a caixinha preta que está por aí à direita. Até embirrei que só marcaria posts que tivessem a ver com memórias mesmo do 'terreno' - memórias mesmo dos alunos ou relacionadas com eles - pois fora para os alunos, ou por eles, que sempre trabalhara. No entanto, mais tarde acrescentei ao índice uma 2ª parte com outros posts, mas só escolhi mais uns pouquitos para etiquetar.
Mas, há dois dias, ao querer deixar à 3za o link para uma canção, ainda me vi "às aranhas" para encontrar o post onde a tinha. E então pensei cá para comigo que tenho um cantinho que também é de recordações - recordações para mim mesma -, além dos meus momentos ou estados de espírito que nele ficaram de forma mais ou menos metafórica, com alguns dos "meus" haikus, também com alguns dos "meus" quadros e algumas das "minhas" canções, mas tudo isso quase tão difícil de encontrar, quando me apetecer ou precisar, como encontrar agulha num palheiro, como se costuma dizer. E lá fui percorrer outra vez aquela 'tralha' toda para pôr marcadores em mais umas dezenas de posts, o que, no caso do meu template, implica também ter que nele acrescentar à mão mais umas linhas de código, uma para cada marcador com nova designação.
Isto para comentar que eu misturo novas funcionalidades destas tecnologias com velhas quando me dá para ser um tanto conservadora de umas velhas, e depois continuo teimosa na mistura, mesmo que com mais trabalho como neste caso. Enfim... caturrices ;)
terça-feira, janeiro 29, 2008
Mais uma perda
O Correio da Educação cessa.
Ando demasiado triste (e atónita) com o que anda a acontecer à Educação e, por isso - talvez também por estar já fora da escola e, ao olhar para os anos todos em que a minha vida profissional decorreu, me perguntar como foi possível chegar-se ao que anda a acontecer - acabei por ficar sem vontade de escrever, as palavras faltam-me. Assim, digo apenas que andamos a ter muitas perdas, que nos deixam mais pobres. Agora, o fim do Correio da Educação é mais uma. :(
Bem-haja, José Matias Alves, por tudo o que deu nele.
Sei que vai continuar a dar, e bem-haja também por isso.
Ando demasiado triste (e atónita) com o que anda a acontecer à Educação e, por isso - talvez também por estar já fora da escola e, ao olhar para os anos todos em que a minha vida profissional decorreu, me perguntar como foi possível chegar-se ao que anda a acontecer - acabei por ficar sem vontade de escrever, as palavras faltam-me. Assim, digo apenas que andamos a ter muitas perdas, que nos deixam mais pobres. Agora, o fim do Correio da Educação é mais uma. :(
Bem-haja, José Matias Alves, por tudo o que deu nele.
Sei que vai continuar a dar, e bem-haja também por isso.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Só o tempo dirá...
O ar que se respira no interior das escolas públicas já não é o que respiro no meu quotidiano, mas parece que ele me entra pela casa dentro quando leio mais e mais legislação que vai surgindo, projectos desta e regulamentações. E o que pressinto é uma atmosfera que gera desgastes, que empurra para inversões das prioridades que seriam desejáveis, que sufoca o gosto por educar e ensinar e que até torna impossíveis objectivos necessários (basta pensar no decreto da avaliação do desempenho dos professores e nos prazos absurdos determinados no respectivo decreto regulamentar).
Se outros vêem no que está a acontecer uma "reforma", eu talvez esteja com perda de visão, pois só consigo ver uma correria de decretos, lançados com a precipitação que decorre sempre das pressas, alguns cerceando objectivos expressos noutros (veja-se a questão da autonomia), mais uns tornando a sua operacionalização e a sua prática séria num quebra-cabeças (veja-se a já referida avaliação de desempenho), e mais uns ainda requerendo debate para que não há tempo (veja-se a mudança de modelo de gestão, e até o novo programa de Matemática do Ensino Básico homologado sem que quase ninguém se tenha dado conta). E uma imensa papelada a ter que se elaborar para que a inspecção veja, mesmo que só dê para ler e arquivar.
Porque tempo é preciso, e tempo é o que cada vez menos anda a restar nas escolas para ponderar, discutir, pensar nos que deveriam ser os destinatários de tantas medidas cujas justificações nem sequer começam por ser claras - não é preciso dizer que nada fará sentido se os destinatários não forem os alunos, a bem de um sistema de educação-ensino de efectiva qualidade para todas as crianças e todos os adolescentes do nosso país.
E só o tempo dirá qual o saldo de tudo isto que está a acontecer em nome da, e na, nossa escola pública.
Entretanto, qualquer gosto meu por este cantinho tem vindo a eclipsar-se. Porque o que eu gostaria de falar (ou recordar) nele seria principalmente e directamente sobre ensinar, educar, formar crianças e adolescentes, discutir sobre como encorajar, motivar, envolver, disciplinar e incutir hábitos de trabalho e esforço, enfim, sobre coisas destas que a sociedade tem parecido andar a assumir tão pouco. Mas agora instila-se nessa mesma sociedade pouco respeito pelos professores ao mesmo tempo que se desmoralizam os melhores deles e se tomam medidas que, ao invés de estimularem o trabalho colaborativo e formativo, ameaçam punições esvaziadas de conteúdo formativo ou de condições para a vertente formativa sem a qual nenhuma avaliação de professores, por si, melhorará o trabalho de ninguém.
Termino repetindo o que já disse acima: Só o tempo dirá qual o saldo de tudo isto que está a acontecer em nome da, e na, nossa escola pública.
________________
W.G.Barry (1864-1941). Time Flies
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