segunda-feira, março 27, 2006

Mais um "A fazer" para a lista dos "A adiar"

Várias questões e alguns casos individuais me ocorrem colocar ou contar quando corrijo testes de Matemática, especialmente do 9º ano - já se trata dos 14-15 anos e, também, do momento de uma primeira decisão, mesmo que ainda não precisa, sobre o futuro profissional. Não questões ou casos sobre o já sobejamente comentado (e, quiçá, de forma algo parcial, que aponta causas, mas não todas) à volta de facilitismos, de falta de trabalho ou esforço, de indisciplina e desatenção que tornam as aulas pouco ou nada produtivas para os respectivos alunos. São outras as questões que também ficam a pairar na minha mente, relativas a dificuldades, erros e respostas em branco.
Dificuldades, erros e respostas em branco sempre houve, insucesso também. Mas, se é verdade que algo parece diferente nas recentes gerações de alunos, há outra coisa que não tem nenhum "parece" porque é verdade mesmo: algumas características comuns a muitos alunos não tornam nenhum realmente representativo de outros. Cada criança, pré-adolescente ou adolescente não é igual a mais nenhum, cada um é único.
Espero que a minha memória guarde essas questões e esses casos que, mais uma vez, ao corrigir testes de Matemática, ou me suscitam reflexões sobre défice nas competências, ou me mostram exemplos de uma relação com esta disciplina que faz negativas em testes (decorrentes de reais difuculdades) irem progressivamente subindo, ao longo de um ciclo, até ao primeiro Bom a ultrapassar os habituais de outros que, no mesmo teste, até escorregaram pela escada mal se segurando no degrau abaixo.

P.S. A minha lista das "coisas adiadas" não é bem a mesma das "coisas a adiar". As adiadas... vão sendo adiadas devido a falta de tempo ou a outras prioridades; as a adiar... bem, essas precisam de análise, ponderação e organização, precisam, pois, de tempo de férias das tarefas e reflexões quotidianas, precisam, afinal, de esperar por momento mais calmo, menos confuso e menos propício a escritos impulsivos do que o corrente ano lectivo, para que este cantinho possa retomar o seu rumo inicial de memórias de prof.
(Entretanto, o cantinho vai continuando a dar sinais de vida... "intermitentes")

4 comentários:

3za disse...

Concordo com essa necessidade que referes de (re)pensar com a calma necessária certos fenómenos. Nada me confunde tanto como perceber que o "desgraçado" com quase 2 faça uma subida magnífica, acorde e chegue ao Bom ou quase e o (pressuposto) craque delize, na mesma avaliação, para níveis de quase muito pouco... ou mesmo abaixo do pouco. Neste ano, algumas (poucas)destas situações com alunos meus tiveram causas directas (problemas familiares do tipo "divórcios" e algum ambiente excessivamente "agressivo" entre pais e um irmão adolescente - aponto dois casos, embora tenha uma aluna com problemas de ausência de um pai a trabalhar no estrangeiro e que chorou imenso por mais um Natal separados e... tenha sempre muito bom). Só que isto não explica as tantas surpresas ao ver os testes... realmente, os factores de perturbação começam a ser tantos e as crianças e jovens tão (excessivamente) permeáveis a eles, que dizer agora que o insucesso é multifactorial é dizer que os factores, antes reduzidos a alguns (quase)perfeitamente identificáveis, passaram a ser quase infinitos e a revestir-se de mistérios quase insondáveis... Só indo de aluno único em aluno único perguntando, estudando, questionando se poderia perceber (um pouquinho só) do que aparentemente se passa nas cabeças, almas e corações desta gente... nem imagino os factores que podem vir a descobrir-se...

IC disse...

Pois, Teresa, "só indo de aluno único em aluno único perguntando, estudando, questionando..." Eu só tenho uma turma de nono que trago desde o 7º, até os conheço quase como a palma da mão (o que não quer dizer que não me escapem, em termos de compreensão, certas dificuldades já inesperadas de por ex. duas alunas sempre trabalhadoras, uma a descer até do 5 que já teve em anos anteriores quase para 3, outra com um teste agora positivo, mas bem abaixo do 4 em que já parecia fixada, enquanto a aluna de que falei e outra com uma relação com a Matemática quase como a 1ª tiveram, a que referi, o seu primeiro Bom e a 2ª o seu 2º Bom nestes anos. Baixar num teste acontece podendo não ter significado, mas as evoluções e involuções que noto neste período batem certo com o teste, e os erros tiveram mesmo a ver com dificuldades de interpretação e resolução de problemas que estou a ter dificuldade de compreender.
Mas, voltando ao conhecer os alunos, esta turma não teve nenhuma negativa em Mat no ano passado excepto uma aluna que não transitou, houve tb tranferências de escola, de modo que ficou com vagas para receber um grupinho de repetentes, esses continuam na negativa e eu ainda não consegui "conhecê-los" como era necessário, são fechados e nada sei do seu passado escolar. Vou dedicar-lhes as 2 1ªas aulas do 3º Período para recuperação e maior observação individual (enquanto os outros trabalharão sem mim noutras actividades), mas é quase impossível (só não digo impossível porque, se calhar, não há impossíveis)conseguir essa percepção de cada um de todos os tantos que temos, sobretudo quando os recebemos com um passado de negativas e nada sabemos dos "comos" tal aconteceu, dos porquês de tal não ter sido ultrapassado.
(Nalguns, até calculo porquê, escusamos de escamotear que nem para todos os professores cada aluno é Um a quem se procura perceber e "tocar", além de que isso exige um funcionar nas aulas com muito investimento e muita empatia, escusamos também de escamotear que temos uma profissão que não faz diminuir o insucesso cumprindo apenas o dever de ensinar para uma turma como um todo.

(Lá estou eu a "estender-me" demais)

3za disse...

Ñão, não estás... É tudo verdade. Eu ontem cheguei tão cansada exactamente dessa diversidade e do esforço de chegar a todo o lado... Quando se leva a sério é esgotante e... benditas férias! Até ao recreio fui buscar uma aluna da minha DT que tem feito imensos progressos a Mat (está no bom)e ontem resolveu ficar a catrapiscar rapazes na rua (tem 11 anos)... confesso que me custa a entender... mas pronto. Mesmo conhecendo-os tão bem há dois anos... acontecem coisas sem explicação...e ntão sem os conhecer...

Anónimo disse...

Esta emgraçado.
Mas podia ter mais coisas interessantes.
como desporto e outras coisas