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ainda pouco se disse e só nos faltava agora que este Abril não se cumprisse.
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quarta-feira, abril 25, 2007
33 anos depois...
segunda-feira, abril 16, 2007
Uma memória do cinema
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P.S.
Uf!!! Tinha esta cena final do Tempos Modernos em rascunho e quando fui publicar... tinha sido retirada do YouTube! Mas eu tinha que encontrar essa cena, só levou um bocadinho de tempo ;)
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Deixou-nos há 20 anos...
| Que amor não me engana Com a sua brandura Se de antiga chama Mal vive a amargura Duma mancha negra Duma pedra fria Que amor não se entrega Na noite vazia E as vozes embarcam Num silêncio aflito Quanto mais se apartam Mais se ouve o seu grito Muito à flor das águas Noite marinheira Vem devagarinho Para a minha beira Em novas coutadas Junto de uma hera Nascem flores vermelhas Pela Primavera Assim tu souberas Irmã cotovia Dizer-me se esperas O nascer do dia José Afonso |
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Hoje deixo outro poeta...
[Onde me levas...]
Onde me levas rio que cantei,
esperança destes olhos que molhei
de pura solidão e desencanto?
Onde me levas?, que me custa tanto.
Não quero que conduzas ao silêncio
duma noite maior e mais completa,
com anjos tristes a medir os gestos
da hora mais contrária e mais secreta.
Deixa-me na terra de sabor amargo
como o coração dos frutos bravos,
pátria minha de fundos desenganos,
mas com sonhos, com prantos e com espasmos.
Canção, vai para além de quanto escrevo
e rasga esta sombra que me cerca.
Há outra face na vida transbordante;
que seja nessa face que me perca.
Eugénio de Andrade
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domingo, dezembro 17, 2006
Fernando Lopes Graça completaria hoje 100 anos
« Poderia dizer-lhes enfim, como além de uma Arte a considero uma Religião, a minha única religião (...) e como visiono uma única Religião do Futuro, a única Religião de uma Humanidade Livre, Justa e Sábia» |
Da sua vasta e valiosa obra musical (a que se acrescenta também a obra literária), ficaram popularizadas as Canções Heróicas, musicadas sobre poemas de autores portugueses e cantadas não só pelo Coro da Academia de Amadores de Música, mas também pelo povo (primeiro em surdina – apesar da censura, a voz dos resistentes não deixou de as ir ‘passando’).
Creio que, há uns tempos atrás, a minha escolha em homenagem a Lopes Graça seria outra, entre as suas menos divulgadas obras musicais. Mas, o tempo de hoje impele-me, afinal, a deixar duas dessas Heróicas.
(Desligar música de fundo à direita)
| Acordai (Letra de José Gomes Ferreira) Acordai acordai homens que dormis a embalar a dor dos silêncios vis vinde no clamor das almas viris arrancar a flor que dorme na raíz Acordai acordai raios e tufões que dormis no ar e nas multidões vinde incendiar de astros e canções as pedras do mar o mundo e os corações Acordai acendei de almas e de sóis este mar sem cais nem luz de faróis e acordai depois das lutas finais os nossos heróis que dormem nos covais Acordai! |
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Livre |
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Adenda:
E, lembrando ainda Lopes Graça...
Àqueles que se deram e continuam a dar-se por uma escola pública democrática e estão vivendo momentos de desalento (também a todos, em geral, que pugnam por uma democracia que não se torne mero luxo dos ricos ou poderosos)...
Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada...
(ao som desta canção)
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Adenda à adenda: Eles...
sexta-feira, novembro 24, 2006
Rómulo de Carvalho/António Gedeão

Faria hoje 100 anos.
E porque o sonho comanda a vida, e porque acredito que sempre que o homem sonha o mundo pula e avança, e porque precisamos tanto que o Homem sonhe, o poema que escolhi de António Gedeão foi mesmo esse ...
Pedra Filosofal - Poema de António Gedeão,
cantado pela voz de Manuel Freire
(Para ouvir, pode desligar a música de fundo, na margem direita)
terça-feira, novembro 14, 2006
Não podia deixar passar este dia...
Claude Monet (1973). Impression, soleil levant.Como disse no post anterior, motivos de força maior levam-me a adiar a postagem neste cantinho e a não poder estar atenta, mas, devido a gentil e-mail pelo qual fiquei alertada de que hoje faria anos Claude Monet (14 de Novembro de 1840 - 5 de Dezembro de 1926), vim aqui, de corrida.
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*Informação que pode ser lida, entre outras fontes, em: http://fr.wikipedia.org/wiki/Impressionnisme#Origine
sábado, outubro 28, 2006
Adenda: A memória que hoje deixo (não minha)
quinta-feira, junho 01, 2006
No Dia da Criança...
segunda-feira, maio 29, 2006
"Nós lutámos tanto!"
segunda-feira, maio 01, 2006
Memória do 1º de Maio de 1974
É uma memória única: Não houve mais em Portugal outro 1º de Maio assim. O que, aliás, é natural, pois festejava-se a libertação, os abraços eram entre todos, mas, por essa libertação começava a democracia, seguir-se-iam, pois, oposições entre partidos, divergências ideológicas/políticas, divisões, tal é inerente a um sistema democrático. Evoco esse 1º de Maio de 1974 porque, simplesmente, ele de facto foi único.
Porque as filhotas eram pequenitas e eu queria que "vissem", comecei por as levar de carro, no meu saudoso boguinhas de motor a dois tempos, a elas e aos seus avós paternos, pela Avenida de Roma, antes de ir eu para o estádio que se chamou 1º de Maio (a que se acedia a pé, pela avenida paralela). Carros e multidão mal se deslocavam.
Todas as mãos se agitavam com dois dedos em V, todos os rostos sorriam e riam para os rostos desconhecidos do lado, parecia que ninguém tinha ficado em casa ou deixado de acenar à janela, a não ser os que fugiam para o Brasil ou permaneciam, de persianas cerradas, fazendo o luto pelo 24 de Abril. Não se pensava em divisões partidárias, a euforia era a da libertação. O banho de carros e de multidão que, a pé, atalhava o caminho para o estádio, os braços e os dedos no ar, as buzinas, os sorrisos e risos de todos para todos, essa manifestação assim foi tão inesquecível que ficou também gravada na memória das minhas pequenitas. Quando consegui desviar e deixar as crianças entregues, era como abaixo se vê.
(Para o meu próprio arquivo documental, fui pesquisar as fotos na net, pois é muito difícil encontrar jornais da época naquelas prateleiras junto ao teto tão cheinhas de livros e documentos que já uma vez desmoronaram e foi um pandemónio cá em casa)
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terça-feira, abril 25, 2006
25 de Abril
Hoje, neste pós-modernismo, impera um primado da liberdade individual em que se afirmam os direitos do indivíduo mesmo que contra a sociedade. Democracia? Democracia conciliável com a ditadura do mercado? Enfim... neste ano de 2006, eu recordo, mas (com uma estranha sensação pois é a primeira vez), a minha comemoração está parada, em tempo de espera - sim, em tempo de espera, não de desesperança. Comemoração é festa, escrevo e, sem precisar de ligar som, ouço a voz do Chico, "já murcharam tua festa, pá", o verso ressoa em mim mais do que nunca. Contudo... o canto continua e fica-me na mente, "Mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto do jardim", e fica, e fica-me na mente...
Apenas deixo uma mensagem a alguns dos que nos governam (pequeninos e subjugados aos senhores do mundo, e a quem, miúdos(as) ainda que eram, não pertencem as emoções que vivi) - Que procurem estar à altura da Liberdade que receberam, que se lembrem do significado de Igualdade de Direitos, de Democracia De Facto.
Após vinte anos já o poeta dizia... (mas passaram mais doze e há sempre vozes que resistem, vozes que dizem não, podem ser assassinadas que outras nascerão - este parêntesis é o meu acrescento ao poema)
Vinte anos depois a história escreve-se ao contrário
Abril é uma data do avesso e os tanques
estão a voltar em marcha atrás a Santarém.
Se por acaso alguém dissesse É a Hora
verias que ao redor ninguém ninguém.
Um caranguejo pôs-se a caminhar
um caranguejo dentro das palavras.
Vinte anos depois há um erro de calendário
alguém anda a querer virar a página
vinte anos depois a história escreve-se ao contrário.
Resistência? Que horror. Um arcaísmo.
Não me venha com tretas neo-realistas
agora estamos na Europa e não me diga
que ainda há esquerdas e direitas. Por favor.
Agora só asséptico a jusante em termos de.
Vinte anos depois os cravos saem pela coronha
veja lá se se faz protagonista
o que é preciso agora é implementar
no programa no projector no vector
desafio e vertente é o que está a dar.
Vinte anos depois novos censores
alguns profundamente intelectuais
têm poetas para usar em confidência
alguns mortos são mortos outra vez
vinte anos depois quem manda é vosselência.
Por mais incrível que pareça estamos todos
vinte anos depois a ser assassinados
devagar devagar a cruz em cima
enterrados aos poucos que é mais fundo
vinte anos depois Abril não rima.
Pela vírgula mal posta pela gralha
pelo vazio a distracção a indiferença
por já não haver poema que nos valha
pela prosa que é quase uma doença
pela língua de trapos da canalha
pela pequena sacanice à portuguesa
por silêncios de gatos amestrados
pelo buraco na memória e a esperteza.
Por omissão. Por mais incrível que pareça
estamos todos a ser assassinados.
Devagar devagar que é mais depressa.
Manuel Alegre (1994), Vinte anos depois.
(In Manuel Alegre, Obra Poética. Publicações D. Quixote, 1999)
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Adenda
O 25 de Abril de 1974 é uma data do meu país. Mas, na verdade, a sensação asfixiante vem-me de bem além fronteiras dele, como uma teia esmagadora tecida de ganância, hipocrisia e prepotência, que se estende por meandros visíveis a olho nú, outros quase insuspeitados, por isso o tempo por que espero neste tempo de espera é um novo tempo no mundo "global", este mesmo levará à inevitabilidade daquele. Na verdade, acho que é essencialmente um mundo além fronteiras do meu pequeno país que me faz hoje dizer que as minhas comemorações estão paradas.
quarta-feira, março 08, 2006
No Dia Internacional da Mulher...
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
Homenagem
“Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem”
(Agostinho da Silva, "Cartas a um jovem filósofo")
quarta-feira, outubro 05, 2005
Dia Mundial do Professor
"World Teachers' Day was launched by the Director-General of UNESCO, Federico Mayor, at the International Conference on Education in Geneva in 1993. The date 5 October was chosen because it was that date in 1966 that a special inter-governmental conference, organized jointly by UNESCO and the International Labour Organisation (ILO), adopted the Recommmendation concerning the Status of Teachers,which remains valid today.World Teachers' Day was proclaimed to keep alive the recognition of the contribution of teachers to society. When drawing up their policies, governments all too often neglect teachers. Yet, without their full co-operation, there can be no sustained development, social cohesion or peace."
sábado, julho 23, 2005
14 de Julho
No momento em que tanto se tem discutido o ensino-aprendizagem da Matemática, tenho-me lembrado bastante de Paulo Abrantes. Em 14 de Julho, completaram-se dois anos desde que nos deixou, deixando também uma enorme perda no seio do pensamento sobre a educação matemática - expressão que ele usava bem mais do que ensino-aprendizagem da Matemática. Dando-me hoje conta de que a data passou há dias, não quis deixar de a lembrar aqui. Paulo Abrantes marcou larga e profundamente os que reflectem na educação matemática, e muitos decerto se perguntam: Porque têm alguns que partir tão cedo? |
Não é por causa da questão "exames no básico, sim ou não?" que me lembro de Paulo Abrantes. Mas encontrei também um documento de arquivo, e achei oportuno deixar a imagem do cabeçalho, incluindo a citação de Hans Freudenthal.
terça-feira, junho 21, 2005
Poema em prosa (Num centenário)
quarta-feira, junho 15, 2005
Outras memórias
(...)
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
(...)
Pablo Neruda, 1953












