Mostrar mensagens com a etiqueta efemérides-homenagens-dedicatórias(I). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta efemérides-homenagens-dedicatórias(I). Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, abril 25, 2007

33 anos depois...

... comemorar, sim, mas lutar também.






De tudo o que Abril abriu

ainda pouco se disse

e só nos faltava agora

que este Abril não se cumprisse.



Ary dos Santos (1975).
Pequeno excerto de As portas que Abril abriu.

segunda-feira, abril 16, 2007

Uma memória do cinema

Chaplin faria anos hoje.
Já que o YouTube me permite guardar no meu cantinho imagens inesquecíveis, escolhi essas...




_______
P.S.
Uf!!! Tinha esta cena final do Tempos Modernos em rascunho e quando fui publicar... tinha sido retirada do YouTube! Mas eu tinha que encontrar essa cena, só levou um bocadinho de tempo ;)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Deixou-nos há 20 anos...

No dia 23 de Fevereiro de 1987 dissemos adeus a José Afonso, dissemos:
Até sempre, Zeca!



Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se de antiga chama
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
O nascer do dia

José Afonso


sexta-feira, janeiro 19, 2007

Hoje deixo outro poeta...

... completaria hoje 84 anos - Eugénio de Andrade.

[Onde me levas...]

Onde me levas rio que cantei,
esperança destes olhos que molhei
de pura solidão e desencanto?
Onde me levas?, que me custa tanto.

Não quero que conduzas ao silêncio
duma noite maior e mais completa,
com anjos tristes a medir os gestos
da hora mais contrária e mais secreta.

Deixa-me na terra de sabor amargo
como o coração dos frutos bravos,
pátria minha de fundos desenganos,
mas com sonhos, com prantos e com espasmos.

Canção, vai para além de quanto escrevo
e rasga esta sombra que me cerca.
Há outra face na vida transbordante;
que seja nessa face que me perca.


Eugénio de Andrade
_____________________
ADENDA
Eugénio de Andrade é um dos poetas de que gosto tanto que, sabendo que seria hoje o seu aniversário, tinha que deixar um poema seu. Além disso, quando penso que vou deixar o meu cantinho um tanto em pausa, gosto de deixar um poema (ou uma pintura - as obras de arte são poemas). Contudo, desta vez em que também me parece que vou fazer (ou retomar) alguma pausa, deixo o desejo de que o tema do meu post anterior (resumido: o professor generalista para o 2º ciclo) se torne tema de combate a tal visão, inclusivamente na blogosfera)

domingo, dezembro 17, 2006

Fernando Lopes Graça completaria hoje 100 anos




Sobre a Música, disse:

« Poderia dizer-lhes enfim, como além de uma Arte a considero uma Religião, a minha única religião (...) e como visiono uma única Religião do Futuro, a única Religião de uma Humanidade Livre, Justa e Sábia»

Da sua vasta e valiosa obra musical (a que se acrescenta também a obra literária), ficaram popularizadas as Canções Heróicas, musicadas sobre poemas de autores portugueses e cantadas não só pelo Coro da Academia de Amadores de Música, mas também pelo povo (primeiro em surdina – apesar da censura, a voz dos resistentes não deixou de as ir ‘passando’).

Creio que, há uns tempos atrás, a minha escolha em homenagem a Lopes Graça seria outra, entre as suas menos divulgadas obras musicais. Mas, o tempo de hoje impele-me, afinal, a deixar duas dessas Heróicas.

(Desligar música de fundo à direita)


Acordai
(Letra de José Gomes Ferreira)

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

___

Livre
(Letra de Carlos de Oliveira)

Solo

Não há machado que corte
a raiz ao pensamento

Coro
não há morte para o vento
não há morte.

Solo
Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida,

Coro
sem razão seria a vida,
sem razão.

Solo
Nada apaga a luz que vive
num amor, num pensamento,

Coro
porque é livre como o vento,
porque é livre.


______
Adenda:

E, lembrando ainda Lopes Graça...
Àqueles que se deram e continuam a dar-se por uma escola pública democrática e estão vivendo momentos de desalento (também a todos, em geral, que pugnam por uma democracia que não se torne mero luxo dos ricos ou poderosos)...

Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada
...
(ao som desta canção)

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Adenda à adenda: Eles...

Com saudade, destes e dos outros - tantos! - a que não calharam as minhas raras lembranças de andar com a máquina fotográfica.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Rómulo de Carvalho/António Gedeão


Faria hoje 100 anos.
E porque o sonho comanda a vida, e porque acredito que sempre que o homem sonha o mundo pula e avança, e porque precisamos tanto que o Homem sonhe, o poema que escolhi de António Gedeão foi mesmo esse ...




Pedra Filosofal - Poema de António Gedeão,
cantado pela voz de Manuel Freire

(Para ouvir, pode desligar a música de fundo, na margem direita)

terça-feira, novembro 14, 2006

Não podia deixar passar este dia...

... em que faria anos um dos meus mais queridos impressionistas e, também, dos meus mais queridos pintores em geral. Aqui deixo a obra a que terá sido dado inicialmente o título Impression na sua primeira exposição - em que Monet lhe não atribuíra título -, originando o termo impressionismo.*

Claude Monet (1973). Impression, soleil levant.



Como disse no post anterior, motivos de força maior levam-me a adiar a postagem neste cantinho e a não poder estar atenta, mas, devido a gentil e-mail pelo qual fiquei alertada de que hoje faria anos Claude Monet (14 de Novembro de 1840 - 5 de Dezembro de 1926), vim aqui, de corrida.

____
*Informação que pode ser lida, entre outras fontes, em: http://fr.wikipedia.org/wiki/Impressionnisme#Origine

sábado, outubro 28, 2006

Adenda: A memória que hoje deixo (não minha)

"No terreno, ao percorrermos, durante décadas, centenas de escolas de Portugal, encontrámos incógnitos heróis, espalhados por essas salas de aula, falámos com educadores que nada pedem e tudo dão. E, a par de alguma (inevitável) poluição (Onde está a "ETAR"?), encontrámos oceanos povoados de humanismo e de fascínio."

[São estas palavras de Álvaro Gomes, escritas no livro referido no post abaixo, que vos deixo ao retomar o meu intervalo. :)]

quinta-feira, junho 01, 2006

No Dia da Criança...

...Sem tempo, precisamente por estar ocupada com os netos, deixo apenas a "carta aos meus netos", de José Mário Branco, e uma imagem que já usei algures, mas que me parece oportuna.


Wait for Me!

Sophie Anderson

segunda-feira, maio 29, 2006

"Nós lutámos tanto!"

Na 5ª feira encontrei a Antonieta, amiga sempre e colega, muitos anos, nas mesmas escolas. Entretanto, viemos a separar-nos quando concorreu para escola acabada de construir, enquanto eu, preguiçosamente, me deixei ficar a uns metros de casa esperando a substituição dos velhos pavilhões, montados algures no tempo como provisórios (já não estarei na nova construção que, julga-se, surgirá finalmente em 2007).
A Antonieta está igual, o tempo não parece passar por ela. Professora de Português prestigiada e mulher d'armas, foi mais previdente do que eu ao aposentar-se no ano passado. Saturada de uma escola, digamos antes, de um sistema educativo que só mudou no sentido da degradação, e (como eu) a já estar bem somente na sala de aula, com os putos, decidiu cessar a sua carreira (aliás, bem recheada) logo que a isso teve direito, pelo que foi a tempo de não terminar uma vida profissional empenhada, dedicada e respeitada com um ano de despudorado desrespeito, na praça pública, pelo nome Professor.
Deste encontro ficou-me, sobretudo, a repetir-se na minha mente, a sua frase exclamativa e desconsolada (referindo-se ao ensino), que deixo a terminar este escrito de homenagem a esta amiga: "Nós lutámos tanto!..."
:(

segunda-feira, maio 01, 2006

Memória do 1º de Maio de 1974

Iniciei este blogue de memórias em Maio passado, vai fazer um ano no dia 14, é inevitável que, depois de há dias ter evocado Abril, também nele queira deixar a memória desse 1º de Maio na primeira vez que há um 1 de Maio desde que entrei na blogosfera.

É uma memória única: Não houve mais em Portugal outro 1º de Maio assim. O que, aliás, é natural, pois festejava-se a libertação, os abraços eram entre todos, mas, por essa libertação começava a democracia, seguir-se-iam, pois, oposições entre partidos, divergências ideológicas/políticas, divisões, tal é inerente a um sistema democrático. Evoco esse 1º de Maio de 1974 porque, simplesmente, ele de facto foi único.

Porque as filhotas eram pequenitas e eu queria que "vissem", comecei por as levar de carro, no meu saudoso boguinhas de motor a dois tempos, a elas e aos seus avós paternos, pela Avenida de Roma, antes de ir eu para o estádio que se chamou 1º de Maio (a que se acedia a pé, pela avenida paralela). Carros e multidão mal se deslocavam.
Todas as mãos se agitavam com dois dedos em V, todos os rostos sorriam e riam para os rostos desconhecidos do lado, parecia que ninguém tinha ficado em casa ou deixado de acenar à janela, a não ser os que fugiam para o Brasil ou permaneciam, de persianas cerradas, fazendo o luto pelo 24 de Abril. Não se pensava em divisões partidárias, a euforia era a da libertação. O banho de carros e de multidão que, a pé, atalhava o caminho para o estádio, os braços e os dedos no ar, as buzinas, os sorrisos e risos de todos para todos, essa manifestação assim foi tão inesquecível que ficou também gravada na memória das minhas pequenitas.
Quando consegui desviar e deixar as crianças entregues, era como abaixo se vê.

(Para o meu próprio arquivo documental, fui pesquisar as fotos na net, pois é muito difícil encontrar jornais da época naquelas prateleiras junto ao teto tão cheinhas de livros e documentos que já uma vez desmoronaram e foi um pandemónio cá em casa)



terça-feira, abril 25, 2006

25 de Abril 1974 - A notícia



25 de Abril

Foi emoção indizível e foi esperança, esperança...
Sem me sentir com direito ao que me impulsionava - ir para o Carmo - pois as filhas pequenitas podiam sofrer algum acidente, foi de pé em frente da TV que agarrei e apertei uma mãozinha de cada uma em cada uma das minhas mãos, com o pensamento repetindo, em louca alegria: Vão crescer num país livre, vão crescer num país livre!

Hoje, neste pós-modernismo, impera um primado da liberdade individual em que se afirmam os direitos do indivíduo mesmo que contra a sociedade. Democracia? Democracia conciliável com a ditadura do mercado? Enfim... neste ano de 2006, eu recordo, mas (com uma estranha sensação pois é a primeira vez), a minha comemoração está parada, em tempo de espera - sim, em tempo de espera, não de desesperança. Comemoração é festa, escrevo e, sem precisar de ligar som, ouço a voz do Chico, "já murcharam tua festa, pá", o verso ressoa em mim mais do que nunca. Contudo... o canto continua e fica-me na mente, "Mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto do jardim", e fica, e fica-me na mente...


Apenas deixo uma mensagem a alguns dos que nos governam (pequeninos e subjugados aos senhores do mundo, e a quem, miúdos(as) ainda que eram, não pertencem as emoções que vivi) - Que procurem estar à altura da Liberdade que receberam, que se lembrem do significado de Igualdade de Direitos, de Democracia De Facto.
________________________

Após vinte anos já o poeta dizia... (mas passaram mais doze e há sempre vozes que resistem, vozes que dizem não, podem ser assassinadas que outras nascerão - este parêntesis é o meu acrescento ao poema)

Vinte anos depois a história escreve-se ao contrário
Abril é uma data do avesso e os tanques
estão a voltar em marcha atrás a Santarém.
Se por acaso alguém dissesse É a Hora
verias que ao redor ninguém ninguém.

Um caranguejo pôs-se a caminhar
um caranguejo dentro das palavras.
Vinte anos depois há um erro de calendário
alguém anda a querer virar a página
vinte anos depois a história escreve-se ao contrário.

Resistência? Que horror. Um arcaísmo.
Não me venha com tretas neo-realistas
agora estamos na Europa e não me diga
que ainda há esquerdas e direitas. Por favor.
Agora só asséptico a jusante em termos de.

Vinte anos depois os cravos saem pela coronha
veja lá se se faz protagonista
o que é preciso agora é implementar
no programa no projector no vector
desafio e vertente é o que está a dar.

Vinte anos depois novos censores
alguns profundamente intelectuais
têm poetas para usar em confidência
alguns mortos são mortos outra vez
vinte anos depois quem manda é vosselência.

Por mais incrível que pareça estamos todos
vinte anos depois a ser assassinados
devagar devagar a cruz em cima
enterrados aos poucos que é mais fundo
vinte anos depois Abril não rima.

Pela vírgula mal posta pela gralha
pelo vazio a distracção a indiferença
por já não haver poema que nos valha
pela prosa que é quase uma doença
pela língua de trapos da canalha

pela pequena sacanice à portuguesa
por silêncios de gatos amestrados
pelo buraco na memória e a esperteza.
Por omissão. Por mais incrível que pareça
estamos todos a ser assassinados.

Devagar devagar que é mais depressa.

Manuel Alegre (1994), Vinte anos depois.
(In Manuel Alegre, Obra Poética. Publicações D. Quixote, 1999)

__________

Adenda
O 25 de Abril de 1974 é uma data do meu país. Mas, na verdade, a sensação asfixiante vem-me de bem além fronteiras dele, como uma teia esmagadora tecida de ganância, hipocrisia e prepotência, que se estende por meandros visíveis a olho nú, outros quase insuspeitados, por isso o tempo por que espero neste tempo de espera é um novo tempo no mundo "global", este mesmo levará à inevitabilidade daquele. Na verdade, acho que é essencialmente um mundo além fronteiras do meu pequeno país que me faz hoje dizer que as minhas comemorações estão paradas.

quarta-feira, março 08, 2006

No Dia Internacional da Mulher...



Esta foi a flor que recebi na minha escola.











Todas as mulheres que trabalham na minha escola receberam hoje uma orquídea.
(Estando o nosso Conselho Executivo no seu segundo mandato, esse gesto é já uma tradição, como outros com que contribui para, ao ambiente humano, "a cor dar".)

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Homenagem

(Com atraso, por isso ainda aqui voltei - foi no dia 13 último o centenário do nascimento de Agostinho da Silva)



“Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem


(Agostinho da Silva, "Cartas a um jovem filósofo")

sábado, julho 23, 2005

14 de Julho


No momento em que tanto se tem discutido o ensino-aprendizagem da Matemática, tenho-me lembrado bastante de Paulo Abrantes. Em 14 de Julho, completaram-se dois anos desde que nos deixou, deixando também uma enorme perda no seio do pensamento sobre a educação matemática - expressão que ele usava bem mais do que ensino-aprendizagem da Matemática. Dando-me hoje conta de que a data passou há dias, não quis deixar de a lembrar aqui. Paulo Abrantes marcou larga e profundamente os que reflectem na educação matemática, e muitos decerto se perguntam: Porque têm alguns que partir tão cedo?

Não é por causa da questão "exames no básico, sim ou não?" que me lembro de Paulo Abrantes. Mas encontrei também um documento de arquivo, e achei oportuno deixar a imagem do cabeçalho, incluindo a citação de Hans Freudenthal.


in www.apm.pt/apm/revista/pabrantes/EM16-1990.pdf

terça-feira, junho 21, 2005

Poema em prosa (Num centenário)

Não é em nenhum refúgio que nos descobriremos: é na rua, na cidade, no meio da multidão, coisa entre as coisas, homem entre os homens.
Jean-Paul Sartre

quarta-feira, junho 15, 2005

Outras memórias

Memória de um tempo que felizmente meus alunos não viveram...
Em memória de Alguém que o viveu e se deu
para que eles hoje não o vivam

(...)
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
(...)
Pablo Neruda, 1953