terça-feira, junho 27, 2006

Plano de Acção para a Matemática - II...

...Humilhação?

Medida 7 -
Lançamento de um Programa de Formação Contínua em Matemática para Professores de 2º Ciclo (...)
Medida 8 -
Apoio a Programas de Formação Contínua em Matemática para professores do 3º Ciclo e do Secundário.

Desconheço ainda sob que critérios vão se executadas estas medidas. Voluntariado? Dependendo dos cursos de formação inicial? Acções de actualização em matérias específicas, ou acções indiscriminadas/gerais, para todos?
Para o 2º Ciclo, serão entidades formadoras Escolas Superiores de Educação e Universidades. Não vou ao ponto de perguntar se professores dos Quadros de 2º Ciclo com cursos universitários, concretamente, licenciaturas em Matemática, (não, ainda não estão todos 'velhos', ainda há bastantes nesses quadros, longe da aposentação) vão ser chamados a "corrigir" a sua formação na ESE mais próxima, como também me abstenho de perguntar se professores formados em determinada ESE vão ser chamados à mesma que, segundo parece insinuar a Medida 7, lhes deu formação insuficiente.
Mas deixemos todos estes "pormenores".
Formação contínua é natural, desejada e desejável.
Recordo as frequentes acções promovidas pelos ministérios da educação no tempo em que o 2º Ciclo se chamava Ciclo Preparatório. Para a Matemática especificamente, tinham a designação de Encontros - Encontros de delegados da disciplina, que deles voltavam para as escolas com a missão de "passar" aos colegas o enriquecimento neles recebido, bem como a documentação. Esses encontros, em que não estavam em questão os conhecimentos científicos propriamente ditos, mas sim a didáctica específica e os métodos, eram frequentados com gosto até porque se trabalhava em grupos, discutia-se, trocavam-se experiências e novas ideias. E, nota importante, não eram notícia nos jornais.
Recordo também uma ampla acção, em 1974/75, para professores do Ensino Primário (assim designado na altura). Visava a Matemática, eu era nova, com estágio feito no ano lectivo anterior, talvez por causa dele me chamaram a participar como formadora, essa ainda juventude poderia ser constrangedora para as colegas 'formandas' (no grupo que me coube só havia elementos femininos), mas não foi, porque a convocatória (ou convite, não lembro se tinha carácter obrigatório) não transmitia a ideia de necessidade de colmatar falta de saber, nem que fosse por delicadeza e respeito pelas pessoas, tais insinuações não se faziam, as participantes vinham com entusiasmo e era natural para elas que a dinamizadora da acção fosse uma professora do Ciclo Preparatório pois era para ele que preparavam os seus alunos, a ideia veiculada (mesmo que houvesse e se previsse que haveria alguns participantes com insuficiências na formação para o ensino da Matemática no Primário) era a de uma ligação entre os dois ciclos, uma acção de formação que actualizasse os professores do 1º para o ensino dos alunos a caminho do 2º (Teria uns sete anos a reformulação do programa do Ciclo Preparatório sob a corrente da 'Matemática Moderna'). Em suma, eram acções de formação contínua naturais, desejadas e desejáveis, como já disse atrás. E, não me lembro de serem notícia nos jornais, não lembro, mas sei que não eram.
O que quero dizer com este 'vício' que aqui ganhei de escrever tanta linha, é simplesmente isto:
Maria de Lurdes Rodrigues não revela ter na sua personalidade, quer política, quer humana, umas "coisas" a que era costume chamar qualidades, com designações tais como 'tacto', 'bom senso', 'delicadeza', 'respeito pelas pessoas e pela sua sensibilidade'. A Ministra Maria de Lurdes Rodrigues apregoa, faz notícia, insinua por todo o lado que os professores de Matemática precisam de acções de formação, no que sub-repticiamente se veicula que os professores de Matemática não sabem suficiente matemática para a ensinar. É verdade que, para poderem ensinar bem, embora de forma adequada às idades, têm que saber bastante mais do que a que ensinam, mas a Ministra insinuou que os professores do 1º Ciclo ("os", que isso de distinguir "uns" e "outros" é coisa que só faz quando se vê apertada) não sabem nada que baste de Matemática, agora igualmente insinua sobre os do 2º Ciclo, e não fica por aí, os do 3º e Secundário também precisam de voltar à Universidade... ah, já me esquecia, pode não ser à Universidade, alguns, se calhar pensará a Ministra que saberão de menos para isso e irão ter acções nos Centros de Formação de Professores (só não percebi bem quais centros, não está especificado se são alguns daqueles em que se instalaram os tachinhos financiados pelo hoje tão "acreditado" FOCO.
_Isabel, lá te estás outra vez a estender! _ Queres dizer espalhar, pronto, pronto, então agora digo só o que afinal somente queria dizer, e até "grito", para os eventuais leitores não perderem tempo com essas linhas acima:
A Ministra Maria de Lurdes Rodrigues humilha os professores (e deu-lhe para privilegiar, na humilhação, os de Matemática).

11 comentários:

TsiWari disse...

Recuando no tempo, vemos insucesso em Matemática desde sempre.

Esse insucesso, na minha humilde opinião, deve-se MUITO à especificidade da disciplina que não se compadece com falta de empenho. Aliás, requer, salvo casos excepcionais (e como tal, raros) MUITO empenho.

TUDO passa por aí. Pelo empenho do aluno. Esse empenho protege-o, inclusivamente, de um qualquer menos bom (ou até mau) professor de Matemática.

Será isto tão difícil de entender?

Delfim Peixoto disse...

Há que mostrar que ela não tem razão!
A minha força e solidariedade

maria disse...

Só não vê quem não quer ver. Mas é assim em cada novo dia temos uma novidade da ministra contra os professores. Sempre me espantou a questão do 1º. ciclo: os jovens professores formados pelas ESES vão ser reciclados pelo estabelecimento que os mal-formou. Coloca-se a questão da credibilidade dessa formação recebida e da que vão receber agora. Faltavam os outros níveis de ensino. Que me digam agora ao fim de vinte anos de serviço que tenho que voltar aos bancos da universidade...concordo é humilhante.

maria disse...

Ainda voltando ao Plano de Acção. Na minha escola só há duas professoras de matemática. Uma dá o 3º. ciclo , eu dou o 2º. Não há insucesso,mas os resultados nos dois primeiros anos depende dos alunos, da sua aprendizagem anterior, do acompanhamento dos pais...etc. o professor é sempre o mesmo - eu. Com o passar dos anos a situação agrava-se e ultimamente nos 8 e 9 anos já se verifica algum insucesso. Mas insatisfeitas com a nossa prática e com os resultdos tinhamos pensado redigir este ano um projecto visando aspectos mais lúdicos e experimentais da matemática. Até fiquei feliz quando soube que ia haver um plano da acção para a mat. Mas reconheço que concordo com a Isabel.Vai ser mais uma confusão de papelada e relatórios, faz-me lembrar o projecto Pept que para obtermos uns míseros escudos tinhamos que penar.

Levy disse...

É por me sentir humilhado, que não a suporto. Nunca destestei nenhum ministro da educação, mas essa senhora nem a posso ver.

Levy disse...

É por me sentir humilhado, que não a suporto. Nunca destestei nenhum ministro da educação, mas essa senhora nem a posso ver.

Quiron disse...

Tudo o que Maria de Lurdes Rodrigues faz, faz com acinte. Não sei se lhe está na natureza ou se são as estratégias do marketing político que a isso a obrigam.

Mas a Ministra é o menos: o Ministério é pior. O Ministério da Educação é o rei Midas ao contrário, transforma em estrume tudo aquilo em que toca. E é em estrume, isto é, em toneladas de papel, que este Plano de Acção para a Matemática se vai transformar.

O Ministério da Educação não é uma associação de malfeitores - mas a maior parte das vezes as coisas más não acontecem por as pessoas serem más, acontecem pela pura lógica da máquina.

Carlos AFG disse...

De facto mais uma vez neste país o responsável pela pasta da educação, leia-se Maria de Lurdes Rodrigues, não tem quaisquer conhecimentos práticos nem competência para o cargo. Confunde a sua experiência universitária com as exigências colocadas diariamente aos professores dos vários ciclos de ensino, os quais todos os anos após agressões várias do ministério de educação ainda conseguem inventar forças e alguma motivação para tentar ensinar quem não quer aprender. Contrariamente à tranquilidade que geralmente envolve a função docente no ensino superior, os professores dos vários ciclos do ensino não superior, principalmente os do 2º e 3º ciclos, vivem diariamente um desgaste físico e psíquico que a senhora ministra desconhece por completo. Concluo com a seguinte frase: todos nós professores sabemos o que dizemos, a senhora ministra infelizmente não sabe o que faz.

Anónimo disse...

Excellent, love it! » » »

Anónimo disse...

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Bruno G disse...

Compreendo a vossa frustração, mas formação é obrigatória para todos nós, em qualquer disciplina, meio ou empresa. Ter formação não quer dizer necessariamente que são burros ou que não os ensinaram correctamente. Todos os médicos, enfermeiros, engenheiros, até empregadas da limpeza, necessitam de ter permanentemente acções de formação. Por exemplo, as boas práticas hoje serão corrigidas no futuro. E não me venham com histórias, todos nós nos esquecemos progressivamente do que aprendemos. Especialmente os profs de Matemática necessitam de ter um conhecimentos vastíssimo e muito mais alargado do que aquilo que ensinam! A ministra é má, mas a intenção dela é boa! Dêem-lhe o benefício da dúvida... (pronto agora podem "bater-me" à vontade por não detestar a ministra)