quinta-feira, maio 31, 2007

Desigualdade de direitos

"Em Portugal existem hoje mais de um milhão de trabalhadores que não podem fazer greve sem correr o risco imediato de perder o trabalho. Já lhes chamaram os trabalhadores do século XXI: são os contratados a prazo, os falsos recibos verdes, os temporários, os subempregados. Um contingente que tem vindo a aumentar à medida que se consolidam duas das tendências do mundo do trabalho actual. Nas empresas, há cada vez menos efectivos e cada vez mais serviços externos, frequentemente disponilizados por firmas de trabalho temporário. (...)"

(No Público de ontem)

quarta-feira, maio 30, 2007

Greve


Um modo simbólico de me juntar aos professores em greve, bem como a todos os outros trabalhadores portugueses em greve neste dia, já que a situação de aposentada não me permite outro modo de participar.

terça-feira, maio 29, 2007

Greve: Conheça os seus direitos

Há professores que fazem perguntas, tais como: A recolha de dados permite a identificação dos grevistas? É preciso comunicar a adesão à greve? Esclareça-se aqui sobre estas e outras perguntas.
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P.S.:
Disse, no post anterior, que iria ter o meu pc desligado, e é verdade. Mas, neste recanto da Europa onde me encontro e que, por sinal, não pertence à UE, tenho um pc à minha disposição e não lhe resisto ;)

sábado, maio 19, 2007

Desligando o pc por uma dúzia de dias





Ali habitam minhas saudades. Amanhã estarei lá. Já estou ouvindo Lio a dizer todo o tempo: Viens jouer avec moi...
:)




Dia 30 ainda não estarei cá pelo país. Será que me vão chegar as notícias?
Deixo votos de que a adesão à greve no sector dos professores seja coerente com o que de facto pensam e sentem. Seja maior ou menor, que permita uma leitura que nos esclareça a todos.
(Não, não estou a ser cínica, podem crer. A greve geral é no dia 30, não foi ontem nem é daqui a um mês ou a seis, portanto, é mesmo dia 30 que vai haver oportunidade de os professores enviarem a sua mensagem a quem governa - não só os professores, claro, mas permita-se-me esta especial referência).

segunda-feira, maio 14, 2007

Breve interrupção da pausa deste blogue

Este blogue completa hoje dois anos. Não vim interromper a pausa em que ele está para trazer bolinho de festa com velinhas, nem para os amigos cantarem os parabéns (shiuuu... não esqueçam que este cantinho está mesmo parado, só cá vim deixar para mim mesma mais uma memória - sim, neste momento, vejo o projecto inicial já como uma memória).

Quando criei este blogue mal conhecia a blogosfera e ainda nem tinha procurado blogues de colegas. Aliás, criei-o em Maio, mas pensando que só nas férias seguintes teria tempo para lhe começar a dar corpo. Estava, então, bem longe de imaginar que muito brevemente a nova ministra da Educação viria desviar-me de memórias, nem que fossem memórias com poucos meses.

Criei-o pensando-me particularmente como professora de Matemática do Básico. Essa disciplina, sempre a de maior taxa de insucesso, mas tão importante na educação para os hábitos (e o gosto) de desafiar o raciocínio e procurar o rigor e a precisão (deixem que me exprima simplificadamente, não quero alongar-me), essa disciplina, cá na minha convicção, precisa de ampla partilha de experiências, especialmente sobre os métodos de ensino dela - note-se que disse experiências, pois teoria e estudos importantes não faltam.
Mas, depressa a actual política educativa me desviou do projecto inicial, ele nem chegou a passar de um vago projecto.
E, já agora, digo uma coisa que nunca disse: É que até nem foi por acaso que não cheguei a escrever nenhuma memória relativa a outra vertente de trabalho que, durante mais de vinte anos, também foi para mim uma paixão (depois, as duas horas sobrantes do meu horário foram precisas para tarefas no campo das TIC), situando-se nela boa parte das memórias que me são mais gratas como professora e educadora. Refiro-me à direcção de turma. "Coisas" para e com as turmas, também para e com os pais, e ainda com uns e outros ao mesmo tempo... disso percebi que não queria falar, pois a papelada, a burocracia que foi caindo sobre os directores de turma, mais os conselhos de turma (incluindo os intercalares) progressivamente a esvaziarem-se (apesar de parecerem encher-se, pois papelada não lhes falta para se passar o tempo todo a preenchê-la), tudo isso, e tudo o mais que hoje não vou referir (ou repetir), acabou por me exasperar e me criar a necessidade pessoal de deixar estar as minhas memórias quietinhas e protegidas. (Incluindo memórias de outro tipo, também de muitos anos, que no futuro só 'professores titulares' passarão a ter, mas sobre essas seria sempre complicado escrever, o mundo das crianças é mais simples que o dos adultos e alguns destes vão criando resistências a "aventuras" - não me refiro, claro, a aventuras perigosas, nem a aventuras nefastas ao jeito milu, valter & cª)

Depois de intermitências e de intenções de intervalos, entrei finalmente em pausa de escrita aqui (um post ou outro não altera isso). Entrei, porque não gosto de andar, em nada, a balançar entre "quero continuar" e "não quero continuar", e o meu bloguezito nem é caso para isso, não é caso para precisar de decisões, a decisão virá por si quando calhar, embora não esteja a pensar apagá-lo pois guarda algumas recordações.
E, nesta disposição para o laconismo, ao vir escrever só para não tratar tão mal o meu cantinho que nem sequer ligasse ao seu segundo aniversário, isto de tocar levemente em vários assuntos claro que tinha que dar um post sem jeito - desculpa lá, cantinho!

P.S.
Que coisa... só agora fui ver! Não é que há um ano já escrevi quase o mesmo que hoje?! (Com a diferença de ter sido um post bastante mais longo). Enfim... nem faço comentários a mim mesma, pronto.
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Adenda
Mas o post que eu queria deixar neste mês de Maio, já que é muito pouco provável que escreva, continua a ser o anterior, aqui.

terça-feira, maio 01, 2007

O que eu queria era um mês de Maio cheio de flores...





Quando não sei quando volto, gosto de deixar o meu cantinho bonito (recorrendo aos Grandes criadores de beleza).
Mas...



(1)

...mas, o que eu queria era um mês de Maio cheio de flores.


(Até porque acho que este Maio cá pelo nosso país vai ter 30 dias e o 31º será para balanço)


(2)
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(1) Renoir, 1912
(2) Monet, 1923-1925

domingo, abril 29, 2007

A propósito do artigo "Professores confessam ângustias em blogues"

Já que fui citada no artigo da jornalista Ângela Marques publicado hoje no Diário de Notícias (aqui), trasncrevo na íntegra o texto do meu e-mail em resposta ao pedido da minha opinião sobre o crescente uso de blogues por professores.

«Olá, Ângela Marques

Vou tentar dizer rapidamente o que penso, mas fico à disposição para algumas questões concretas que eventualmente queira colocar. E vou referir-me apenas aos blogues de professores que são assumidos como tendo por temáticas essencias as relacionadas com educação-ensino (ensino não superior).
Não me detenho no importante e óbvio aspecto geral de a blogosfera ser um espaço de liberdade de expressão e de opinião públicas aberto a todos os que o queiram utilizar.

Começo por salientar a importância de um tipo de blogues de professores voltados principalmente para a partilha de experiências e práticas, cujos autores são professores que procuram sempre inovar, que procuram novos recursos nomeadamente no campo do uso das TIC no ensino, e que partilham as suas experiências, interrogam, avaliam e proporcionam nessa partilha enriquecimento para todos os que os lêem, quer para os que também partilham as suas, quer sobretudo para os professores mais novos, dos quais há já bastantes testemunhos do apreço pelo que aprendem com outros já mais experientes. Há já bastantes blogues deste tipo, cito um apenas a título de exemplo - O Tempo de Teia:
http://tempodeteia.blogspot.com/ .
Ainda neste âmbito, há também blogues cujos autores, dominando bem as TIC, têm principalmente (ou até exclusivamente) o objectivo de divulgar os novos recursos aplicáveis ao ensino que constantemente estão a surgir, e que são preciosos para os professores que, não tendo tido uma formação nesse campo, desejam actualizar-se dado que se torna urgente a generalização do uso desses recursos, aliás motivadores para os alunos. Um exemplo: O Educação, Matemática e Tecnologias (não só recursos aplicáveis na Matemática, apesar do título):
http://blog.joseoliveira.net/

Passando para outro tipo de blog mais voltado para a política educativa e para a análise das novas medidas, é natural que encontre crítica, mas é também aí que se encontram publicadas a análise e a opinião dos que estão no "terreno", são os professores quem conhece bem este, mas são os professores precisamente os que raro espaço têm na comunicação social para serem ouvidos, mesmo quando na comunicação social são denegridos, acusados, todos metidos no mesmo saco.
Entre estes blogues, há blogues de bastante qualidade, cujos autores escolheram o ensino por vocação e, muitos, por paixão mesmo, e a exposição e debate de ideias é sempre importante como dinamização do pensamento e da reflexão, para o que há cada vez menos espaço e tempo dentro das escolas devido à catadupa de papelada e tarefas burocráticas que tem caído nas reuniões dos diversos orgãos da escola. E, se haverá professores cujos blogues possam denotar mais preocupação com a situação profissional dos docentes, outros há cujas temáticas de discussão são na defesa da escola pública e na preocupação com os alunos (os alunos todos).

Pronto, já disse o suficiente para mostrar que considero positivo o crescente interesse dos professores pela blogosfera. Como em tudo, há qualidade melhor e qualidade menor.

Mas quero ainda referir um outro uso crescente do blog pelos professores, que é a criação de blogs de turmas. Seja para a escrita de contos e poemas pelos alunos, seja para a divulgação de trabalhos destes, seja, no caso de turmas de anos mais avançados, para tratarem temas curriculares exigindo pesquisa ou proporcionando debate, etc. - o blog é motivador para os alunos e, através de um blog orientado pelo professor podem desenvolver várias competências.

Duas notas finais sobre duas observações suas:

1ª - Confesso que nunca vi dizer mal dos alunos em blogues. Mas é preciso ter em atenção dois aspectos. Um, é que há blogues de professores que são mesmo uma espécie de diário, tanto falam de outras coisas do quotidiano como das aulas, e creia que há muitos professores que quanto mais se preocupam com os alunos, mais se desesperam quando não trabalham, é natural que tenha encontrado desabafos. Outro aspecto, é que não se confunda a referência à perda de hábitos de trabalho e esforço, e à indisciplina, notoriamente crescentes nos últimos 10 ou 15 anos, com atribuição de "culpa" aos alunos. Os professores "bloguistas" mais considerados, quando referem isso, sabem e apontam que as causas são variadas, devendo preocupar toda a sociedade - pais, professores, governo, responsáveis pelos media (principalmente TV), ...

2ª - Pergunta se os blogues dos professores são lidos pelos alunos. Penso que terão pouca curiosidade por isso e, exceptuando os blogues que são criados para alunos, naturalmente que os professores não vão publicitá-los nas turmas, tal como nas aulas o que se deve é desenvolver competências de análise e de crítica fundamentada, não fazer a cabeça dos alunos com as ideias pessoais dos professores.

Desejo-lhe bom trabalho (que será decerto árduo, pois a variedade é grande e mesmo cada blogue não pode ser percebido quanto às suas temáticas predominantes por pequena amostra de postagens.

Com os melhores cumprimentos
Isabel Campeão, professora de Matemática aposentada desde Setembro último, blogue:
http://msprof.blogspot.com»

sexta-feira, abril 27, 2007

Os tempos livres das crianças

Continuo com muito pouca disponibilidade para "postar". Mas deixo a sugestão de leitura de um artigo que tem a ver com o título que dei a este post - Os ecrãs, a família e o quotidiano, de Manuel Pinto, em a Página da Educação.

quarta-feira, abril 25, 2007

33 anos depois...

... comemorar, sim, mas lutar também.






De tudo o que Abril abriu

ainda pouco se disse

e só nos faltava agora

que este Abril não se cumprisse.



Ary dos Santos (1975).
Pequeno excerto de As portas que Abril abriu.

terça-feira, abril 24, 2007

"Boys and girls need separate classes"

Que coisa, eu já tinha lido isto há quase quatro meses, e só agora é que a "novidade" chega cá?
(Por acaso tinha guardado o artigo, lembrei-me dele agora que estou a ouvir no noticiário da SIC esta ideia bombástica. Se alguém a quiser comentar, faça favor... - eu não comento, ando com falta de paciência)

domingo, abril 22, 2007

FENPROF

E agora que terminou o Congresso... Força, FENPROF!

(Se os professores assim quiserem. Não duvido da determinação dos dirigentes da FENPROF, mas a sua força dependerá sempre da firmeza e da luta a que os professores estiverem dispostos na defesa quer dos seus legítimos direitos, quer de um sistema de educação-ensino de qualidade e democrático)

sábado, abril 21, 2007

Uma dica (Sou conservadora no software)

Quando gosto de determinado programa e me habituo a ele, seja simples ou mais complicado de dominar, é-me difícil aceitar substituí-lo. Por exemplo, quanto a tratamento e montagem de imagens (fixas), ainda nada me convenceu a substituir o meu velho Corel PhotoPaint, apesar de me terem dado outro também óptimo e até ter tido o raro luxo de sessões (gratuitas) para lhe conhecer todas as funcionalidades sem andar a matar a cabeça. Mas não é nenhum programa assim desses mais complicadinhos de aprender a usar que venho referir.



Há necessidades correntes e básicas que não precisam de software complicado nem pago (ou "pirateado"). E, já que acabei de recuperar o meu velhinho visualizador gráfico - o IrfanView -, agora em versão actualizada, lembrei-me de deixar a dica para quem não o tenha. Tinha deixado de o instalar e até me esquera dele. É grátis e muito simples, mas tem várias funcionalidades que o tornam mais do que um mero visualizador (e pode ser configurado para abrirem com ele apenas ficheiros dos formatos que se desejem). Podem ver essas funcionalidades neste post aqui (foi esse post do Jazzit que mo recordou), ou aqui (pois pareceu-me que o 1º link funciona mal). Para download: IrfanView - graphic viewer.

quinta-feira, abril 19, 2007

Momentos...

Lembro-me ou não ? Ou sonhei ?

LEMBRO-ME ou não ? Ou sonhei ?
Flui como um rio o que sinto.
Sou já quem nunca serei
Na certeza em que me minto.

O tédio de horas incertas
Pesa no meu coração,
Paro ante as portas abertas
Sem escolha nem decisão.

Fernando Pessoa, Poesias Inéditas


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Feodor Vasilyev. Maré.

segunda-feira, abril 16, 2007

Uma memória do cinema

Chaplin faria anos hoje.
Já que o YouTube me permite guardar no meu cantinho imagens inesquecíveis, escolhi essas...




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P.S.
Uf!!! Tinha esta cena final do Tempos Modernos em rascunho e quando fui publicar... tinha sido retirada do YouTube! Mas eu tinha que encontrar essa cena, só levou um bocadinho de tempo ;)

domingo, abril 08, 2007

Um livro...

Embora este cantinho vá continuar em pausa, hoje fui movida por um post que descobri no blogue De Rerum Natura, post assinado por Carlos Fiolhais. Ressalvando que o texto de CF é mais lato do que o que aqui vou recordar como memória minha, emocionou-me a referência não só a Bento de Jesus Caraça, mas à obra cuja capa se vê no topo desse post:


Ignoro se ainda se encontram exemplares à venda de alguma reedição, a que tenho é esta:

Emocionou-me porque este livro foi uma obra que li sofregamente algures na década de 70. Sugiro-o vivamente, pelo menos aos professores de Matemática. Apesar da minha grande admiração por Bento de Jesus Caraça, limito-me a reforçar aqui a referência a esta obra. Um aspecto que nela me fascinou foi a perspectiva dialéctica com que o autor descreve várias evoluções na história da Matemática, nomeadamente no progressivo alargamento do campo dos números, na ultrapassagem de "impasses" gerando novas criações da mente humana no que respeita a conceitos matemáticos, inclusivamente os que se tornaram elementares. Outro aspecto que foi para mim muito interessante tem a ver com uma descrição que alia as novas criações aos contextos e necessidades sociais.

Do prefácio do próprio Bento de Jesus Caraça, datado de 1941, transcrevo a 1ª parte, intitulada Duas atitudes em face da Ciência:

«A Ciência pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. Ou se olha para ela tal como vem exposta nos livros de ensino, como coisa criada, e o aspecto é o de um todo harmonioso, onde os capítulos se encadeiam em ordem, sem contradições. Ou se procura acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo, assistir à maneira como foi sendo elaborada, e o aspecto é totalmente diferente - descobrem-se hesitações, dúvidas, contradições, que só um longo trabalho de reflexão e apuramento consegue eliminar, para que logo surjam outras hesitações, outras dúvidas, outras contradições.
Descobre-se ainda qualquer coisa mais importante e mais interessante: - no primeiro aspecto, a Ciência parece bastar-se a si própria, a formação dos conceitos e das teorias parece obedecer só a necessidades interiores; no segundo, pelo contrário, vê-se toda a influência que o ambiente da vida social exerce sobre a criação da Ciência.
A Ciência, encarada assim, aparece-nos como um organismo vivo, impregnado de condição humana, com as suas forças e as suas fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação; aparece-nos, enfim, como um grande capítulo da vida humana social.

Será esta atitude que tomaremos aqui. (...)»


quarta-feira, março 21, 2007

Lembrando a chegada da Primavera

Auguste Renoir, La fille à l'arrosoir (1876)

Pour Sô

                      















Tu es née en le premier jour du printemps, ma première petite-fille, aujourd'hui une jeune fille merveilleuse. Tes anniversaires seront toujours un premier jour de printemps.
Je laisse ici, pour toi, la représentation du printemps exécuté par un grand peintre.


Parabéns, Soraïa!
Saudades... saudades... Até breve!
[Ces mots, tu connais ;)]

segunda-feira, março 19, 2007

Educação para os Media: que papel cabe à escola?

Limito-me a transcrever (os destaques são meus), na sequência da minha última visita à a Página da Educação.

Primeiro, em jeito de introdução, palavras de José Paulo Serralheiro no artigo A vida social e política ao sabor do telecomando:

"(...)
A política e a vida transformadas em espectáculo televisivo não são uma questão local mas global. Os média [em geral] deixaram desde há muito de ser espaços de discussão, de debate, de informação pertinente e fiável, de racionalidade, de análise da realidade, para serem lugares promotores de espectáculos onde cabem, cada vez mais, a vulgaridade, (...) O que cada vez mais espectadores esperam é o «espectáculo da vida» e imaginar-se participante dele.
(...)
A crença de que «o que não passa na comunicação social não existe» tem efeitos devastadores nas sociedades. E se não importa fazer, mas fazer constar que se faz, que consequências tem tal realidade na carreira e na prática docente?
(...)
Os objectivos educacionais são políticos, não são técnicos. E por isso a profissão docente não dispensa nem o pensar nem a política.
(...)
Também nesta Pós-Modernidade portuguesa, onde florescem novos «ismos», a nova gerência do Estado ambiciona dispensar-nos do pensamento critico e convida-nos a bastarmo-nos com o espectáculo comunicacional. É que não aprender a pensar é condição indispensável para se aceitar que os caminhos do mundo não são diversos, mas são só um e mais nenhum. "

A seguir, palavras de Sara Pereira, no artigo Educação para os Media: por onde começar?:

"(...) Esta reflexão surge num momento simbólico para esta área – a celebração do 25º aniversário da Declaração de Grunwald, um documento publicado pela UNESCO a 22 de Janeiro de 1982 que expressa as razões da premência e da pertinência da EPM. Um quarto de século depois desta Declaração, pouco se avançou neste domínio em Portugal. (...) Em 1993 o então Secretário de Estado dos Ensinos Básico e Secundário encomendou à Universidade do Minho um estudo que teve como finalidade apresentar propostas de implementação da EPM nos vários níveis de ensino. A iniciativa foi encarada, na altura, como uma excelente possibilidade para que esta área entrasse formalmente nos curricula de crianças e jovens, porém, com a mudança de Governo, o estudo acabou por ficar na gaveta, sem qualquer seguimento. A EPM permaneceu, deste modo, um domínio de ninguém, empurrado muitas vezes da escola para a família e vice-versa. (...) Por motivos de vária ordem, alguns conhecidos, outros ainda por apurar, esta área tem tido uma aceitação e uma recepção difíceis por parte dos que poderiam ser seus protagonistas (os vários agentes educativos – professores, pais, técnicos dos serviços educativos, etc). Um desses motivos é, necessariamente, a pouca oferta de formação dirigida aos actuais e futuros profissionais da educação (...)
Na minha perspectiva, é fundamental que as famílias sejam envolvidas na EPM pois um trabalho desta natureza unilateralmente considerado pode não ter as condições necessárias para o seu desenvolvimento e pode não alcançar resultados efectivos. (...) Porém, nas duas últimas acções desenvolvidas percebi a resistência de alguns pais em aceitar os media, especificamente a televisão, como motivo e mote de diálogo e de reflexão. Percebi alguma dificuldade em aceitarem que o seu principal meio de entretenimento, de distracção, de informação, de companhia e até de catarse dos problemas do dia-a-dia possa, também ele, constituir razão de preocupação e de discussão. A televisão assume um lugar tão central nas casas e nas vidas de algumas famílias que não é fácil deixarem, por uma noite, de ver televisão para irem falar sobre ela.
Perante este cenário, coloca-se a questão: por onde começar então esta formação considerada pela UNESCO, e por outras organizações internacionais, uma componente essencial da formação básica de qualquer cidadão? A questão fica em aberto, como apelo à reflexão do leitor. "
______
Adenda
Também de Sara Pereira, um artigo mais antigo - Fevereiro de 2006 -, mas ainda pertinente (sugiro a sua leitura, até porque refere alguns dados de um estudo realizado com crianças) : Os "Morangos com Açúcar" têm lugar na escola?

sábado, março 17, 2007

E já que falei da matemática...

[Quatro posts seguidos a falar dela... mas que coisa! Pois agora, para mais um fim de semana prolongado do meu cantinho - ou pretexto para intervalo -, deixo um pensamento ainda sobre a matemática ;)]

"A Matemática pura é, à sua maneira, a poesia das idéias lógicas.”

Albert Einstein