terça-feira, janeiro 21, 2014

Eu vi... Por que não vejo agora??

"Eu vi este povo a lutar"... Por que não vejo agora, antes que seja tarde demais?

A minha Minie e o seu brinquedo

Todas as noites, ao seguir-me para o quarto para se instalar na almofada (com cobertor, claro :-)) onde passa a noite ao lado da minha cama, ela volta atrás para ir buscar o brinquedo por que ficou apaixonada desde que a minha Filhota lho trouxe no Natal. Mais ainda... de manhã volta a transportá-lo para a 'nossa' salinha de estar. E este ritual já dura há quase um mês!
(Más fotos, não consegui apanhar o momento em que o leva pelo ar a correr)

domingo, janeiro 19, 2014

Revisitando este cantinho...

Cantinho abandonado... hoje senti saudades. 
Saudades de o 'enfeitar' com poemas e arte, saudades também de deixar para trás as memórias de prof que já não era (porque reformada) para aqui vir em impulsos de denúncia e luta contra medidas desestabilizadoras da Escola Pública e da sua qualidade, então sem imaginar (sem imaginarmos) possível assistir em breve a intenções e medidas conducentes à destruição da mesma, menos ainda a uma política de destruição do nosso país pelo empobrecimento do seu povo e pelo ataque a conquistas civilizacionais e a princípios que a nossa Constituição partilha com todas as Constituições dos países democráticos. 

O FaceBook tornou-se o espaço privilegiado para comunicar, denunciar, mobilizar... mas tenho saudades de um cantinho só meu, onde vem quem quiser, mas só se quiser, e se ninguém mais vier, venho eu... é o meu canto. 
Não sei ainda se o revisitei para voltar com frequência, mas hoje tive saudades e vim. 
E vim com o sentimento que trago em mim todos os dias destes últimos dois anos e meio... REVOLTA.



sexta-feira, janeiro 25, 2013

Por que vou dia 26?

Aposentada há já uns anitos, por que vou? Vou pela mesma razão por que irão muitos daqueles para quem a causa da Educação foi/é uma das grandes causas das suas vidas.
Educação de qualidade para TODOS nunca foi objectivo atingido no nosso país, e muita falta de vontade política houve para tornar esse objectivo prioritário, e muitas medidas a ele perniciosas foram tomadas por motivos meramente economicistas. No entanto, desde aquele Abril de 1974, nunca como agora vi tanto em perigo esse Futuro em que todos tenham igualdade de oportunidades de acesso  à Educação de qualidade; nunca, como agora, vi a Escola Pública ameaçada de verdade porque ameaçada por bem mais do que "necessidades" economicistas, porque ameaçada também por mentes ideologicamente enviesadas e perigosas.
Confesso que não espero nada que venham aqueles cem mil que vieram por causa do modelo da ADD de MLR. Mas desejo estar enganada pois, se não vierem, embora respeite os motivos e as motivações de cada um, não conseguirei deixar de sentir vergonha.

segunda-feira, novembro 12, 2012

Como se impede uma manifestação sem a proibir

Ou como, mais do que o medo que tem da Democracia, o governo demonstra esconder de A. Merkel o sentir largamente maioritário do Povo que deveria representar

Não está em questão a máxima segurança a garantir à chanceler alemã em todos os seus percursos. Mas foram também todos os acessos que nada tinham a ver com essa segurança, a algum local numa área de quilómetros à volta de Belém, que foram interditos não só a transportes privados, mas também a públicos, incluindo taxis. E indo ao pormenor de proibir as habituais paragens dos comboios na estação de Belém. 
Num horário de trabalho, a grande maioria dos que poderiam ir manifestar-se, como queriam, só poderia ser de reformados e de desempregados. E a idade dos reformados já não permite (senão aos de invulgar saúde e resistência física) tão grandes percursos a pé.
Mas, aos referidos expedientes providenciados pela prepotência deste governo, acresceu outra medida que raiou o ridículo. O alto gradeamento que rodeou o CCB foi colocado a tal distância que, mesmo que fossem muitos milhares a gritarem à máxima potência das suas vozes, não seria mais do que um murmúrio o som que chegaria ao CCB.
Exagero? Não observei pessoalmente?
Não, não exagero pois observei directamente com os meus olhos, após uma aventura a que nem deveria ter-me arriscado dado que todos temos o dever de preservar o bem mais precioso, que é a saúde. (No caso, a física e também a mental) 
Não me meti nesta aventura de hoje por nenhum "heroísmo", mas simplesmente porque não previa que até os comboios estivessem impedidos de parar. Não previa tanto "requinte". No tempo da ditadura não eram permitidas manifestações e os que a elas se atrevessem apanhavam logo com a polícia de choque a toda a força. PC foi mais requintado, decerto para que não lhe chamassem ditador - e de 'meia-tigela', diga-se.

sábado, novembro 03, 2012

A minha indignação ainda consegue subir!

Agora também o "modelo alemão" para a Educação. Nem consigo escrever muitas linhas. Haverá muita diferença (se é que há alguma) entre decidir os destinos das crianças aos 9-10 anos e decidi-los à nascença?
Mas estas notícias-medidas merecem pouca atenção à comunicação social, não suscitam múltiplas entrevistas e debates, pelo que as famílias dos que serão maiores vítimas pouco se aperceberão atempadamente. Restaria aqueles de cuja profissão-missão se esperaria uma preocupação primordial pela Educação e pelo Futuro das crianças que frequentam ou frequentarão a Escola Pública.
Infelizmente para todas essas crianças, não espero que os professores saiam em massa à rua (oxalá me engane). Não se trata de subida de impostos, e mais desempregos não é coisa para já, já. Não é que eu não ache legítimo que se saia à rua por razões da austeridade imposta cegamente - mais do que legítimo, acho imperioso. Mas a verdade é que a actual equipa governamental  vai prepotente e criminosamente ainda mais longe, pronta a destruir valores civilizacionais e de justiça, bem mais irremediáveis a longo prazo - essa prepotência própria dos medíocres, e esses crimes mais próprios de psicopatas.
Professores, vão consentir?

domingo, outubro 14, 2012

A Cultura saiu à Rua

Acabo de regressar da Praça de Espanha. Em defesa da Cultura, manifestação? protesto? espetáculo de oito horas? Eu diria apenas que a poesia, a canção, as artes - a cultura - (também) sairam à rua. 
Trago nos ouvidos e no espírito o ACORDAI, cantado depois de dito em seis línguas por declamadores dos respectivos países. Trago também a Grândola, a terminar após o Acordai.
Eu sei que já não posso ter a certeza de não morrer como nasci - em ditadura. Mas, na verdade, tenho vivido e sentido, nas últimas semanas, ambientes em que se sente um  cheiro a vésperas de novo Abril.
Não me lembro (perdoem-me se a memória me trai), não me lembro de, depois do 1º de Maio de 1974, sentir o povo português assim. O povo em geral, o povo que então ainda não tinha partido e agora está farto de partidos - dos partidos que nos têm governado pondo a proteção dos interesses dos grandes lobbies e, tantas vezes, os seus próprios interesses eleitorais acima dos interesses do povo português e dos valores da Pátria.
Talvez um governo de homens e mulheres de sólidos, corajosos e incorruptíveis ideais de justiça e de humanismo seja utopia. (Embora..."Se as coisas são inatingíveis... ora! / não é motivo para não querê-las. / Que tristes os caminhos, se não fora / a mágica presença das estrelas!") 
Mas não é exigir muito clamar por um governo ao menos de homens e mulheres patriotas, lúcidos, estudiosos e experientes que urgentemente substituam a submissão, o culto cego e insensível dos números e o atabalhoamento que caracterizam a actual governação (para não usar outros termos).
Assim o povo português queira. Assim o povo português não esqueça as palavras que mais têm sido gritadas ultimamente: O Povo é quem mais ordena.

domingo, setembro 16, 2012

Eu vi este povo a lutar

E há que continuar!
A indignação não se manifesta num só dia!

O 15 de Setembro

O povo unido jamais será vencido - Foi o que mais se ouviu na colossal manifestação em Lisboa 

Para os meus arquivos:

   
Foto do Sapo Notícias

Eu

sexta-feira, setembro 14, 2012

Fora!!!!

AGORA! AMANHÃ PODE SER TARDE!

ACORDAI!
Não deixemos destruir o nosso país e destroçar o futuro dos nossos filhos!

Sim, o Estado Português assumiu um compromisso em Maio de 2011, mas NÃO assinou nenhuma condenação dos portugueses à pobreza, nenhuma destruição do património de Portugal, nenhuma afronta à Constituição da República, nenhuma condenação à morte da Democracia, nem nenhuma submissão do Povo à prepotência de técnicos facciosos, cegos, ajoelhados diante dos ocupantes do seu país até com oferendas que estes nem lhes pedem, e destituídos de qualquer sentimento de justiça e humanidade.

BASTA!

O povo é quem mais ordena - é tempo de o lembrar!

sexta-feira, julho 13, 2012

"Primeiro levaram...... Não era nada comigo"

Vieram 120 mil... Todos eram atingidos, vieram quase todos.

Agora levam milhares...  _mas não sou contratado, não é nada comigo
Agora outros milhares apanham com uma coisa que se chama "horário zero"..._' mas não acredito que me possam despedir  ("depois lavaram-me a mim, mas já era tarde")

Aquela avaliação atingia todos. Vieram quase todos (muitos  pelos moldes dessa avaliação, alguns porque, secretamente, não  queriam avaliação nenhuma)

Tu, que agora preferiste não ter o incómodo de vir, não te moves por solidariedade, mas... também não te moves pelo descalabro da Educação que recai sobre os teus alunos?  Não te moves por causa dos mega agrupamentos e das mega turmas?  Nem pelas razões que levam milhares de colegas teus ao desemprego? Não são precisos??!!  A dita "reforma curricular", que dispensa a formação integral das crianças e adolescentes (e, por isso, dispensa hoje milhares de colegas teus) não te preocupa e revolta?

terça-feira, julho 10, 2012

Só nas Honduras?...

A liberdade é isto?

Carlos, um rapaz das Honduras, é uma das cerca de quarenta milhões de crianças que, por não terem lar, vivem abandonadas à sua sorte nas ruas das cidades latino--americanas. Muitas delas ainda têm pais, mas estes são tão pobres que não podem tomar conta dos filhos. Há cinco anos que Carlos ganha o sustento como engraxador de sapatos. Não é nada fácil sobreviver.

O meu maior problema é dormir. Não é nada fácil encontrar um lugar seguro onde não seja incomodado. Eu não quero juntar-me a nenhum bando e começar a roubar. Isso não é futuro. Mas como não estou em nenhum bando, também não tenho ninguém que me proteja. Às vezes é horrível não ter ninguém no mundo que goste de mim. É preciso ser-se muito forte para aguentar.

Há dias em que tenho a impressão de que toda a gente me detesta. Alguns olham-me, furiosos, quando pergunto: “Quer engraxar os sapatos?” Outros insultam-me porque estou sujo. Mas já me habituei a ser insultado só por ser pobre. A vida na rua é difícil. Quando comecei a trabalhar, havia rapazes mais velhos e mais fortes que me tiravam o dinheiro todo e até me batiam. Os polícias também me bateram várias vezes. Uma vez, meteram-me num lar, mas era como estar numa prisão. Ao fim de algumas semanas, fugi. A maioria das pessoas não fala comigo quando me manda engraxar os sapatos. Lê o jornal ou olha em frente. Mas também há quem me diga: “Dá-te por feliz por poderes viver em liberdade, por ninguém te dar ordens”, ou coisas parecidas. Isto põe-me furioso.

É liberdade ter fome?

É liberdade não poder ir à escola por ter de trabalhar?

É liberdade não poder aprender uma profissão e ser talvez condenado a passar a vida inteira na rua?

Hannelore Bürstmayr

Grün wie die Regenzeit

Mödling, Verlag St. Gabriel, 1986

(Tradução e adaptação)
Via Clube das Histórias