domingo, junho 12, 2011

UBUNTU

UBUNTU
 
A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.


Ela  contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando  terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele  chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas   as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós  poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"
 

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda  não havia compreendido, de verdade,a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...

sábado, junho 11, 2011

Adequação aos tempos actuais ou acomodação aos tempos desumanos? I

Fui professora no tempo da ditadura. Um ano no ensino nocturno numa escola do Barreiro, com esses maravilhosos operários(as)-estudantes de então, que regressavam do trabalho em Lisboa para irem directamente para as aulas, com uma sanduíche engolida  a correr como jantar. Depois ingressei no então recente "Ensino Preparatório". Tive um director no primeiro caso, a seguir uma directora até ao 25 de Abril de 1974.
Ambos me manifestaram consideração como professora, acho que porque nasci com vocação para o ensino, ou seja, eu tinha algo mais inato do que meritório. Assim, não me incomodaram, muito menos me ameaçaram por as minhas aulas terem sido sempre democráticas.
No entanto, no Ensino Preparatório, o meu método para a aprendizagem da Matemática já foi o que segui  em toda a minha vida profissional, baseado numa estrutura cooperativa de aula, além de que já fazia o que  veio a chamar-se "assembleias de turma", nas quais as alunas participavam activamente, quer sobre o seu trabalho, quer sobre o funcionamento das minhas aulas, e, como directora de turma, sobre o seu trabalho escolar em geral. Por isso, a directora escutava frequentemente à porta da minha sala de aula (só o soube quando do 25 de Abril pelas funcionárias que, antes, tiveram medo de mo dizer).

Um dia, a directora veio ter comigo para me falar sobre as minhas aulas. A fim de me chamar a atenção para que eu não estava a preparar as minhas alunas para a sociedade em que iriam crescer e viver. Não usou a expressão "sociedade não democrática", mas era isso que queria dizer. Claro que não me demoveu e... passado um ano aconteceu Abril (o que ela não previa, e eu não esperava para tão cedo). Afinal, não era verdade que eu não estava a preparar as minhas alunas ao proporcionar-lhes vivências de aprendizagem da democracia.

A ditadura durara 48 anos - eram então os tempos longos "actuais" em Portugal. E mais se prolongariam se não houvesse os homens e mulheres que resistiam, tantos enfrentando a prisão e a tortura, muitos arriscando a própria vida e até perdendo-a mesmo.  Pois, se a Revolução foi feita pelos capitães de Abril, as condições de enfraquecimento e apodrecimento do regime que permitiram o sucesso foram sendo criadas por aqueles outros que nunca se "acomodaram".

(Post a continuar)

quinta-feira, junho 09, 2011

Noite com Maria Bethânia

Tinha bilhete conseguido com antecedência e a minha possibilidade de ir providenciada mas, entretanto, esqueci o bilhete. Lembrei-me a tempo, no próprio dia.   Bethânia é uma das cantoras que me encantam - não em todas as suas canções, mas em muitas.
Não sei se alterou o programa previsto como dedicado a Portugal, mas a primeira parte manteve essa dedicatória.
Foi bom ter-me lembrado do bilhete. Fez-me bem uma noite com a voz de Bethânia.


De Sophia...
(...)
E ao Norte e ao Sul
E ao Leste e ao Poente
Os quatro cavalos do vento
Sacodem as suas crinas

E o espírito do mar pergunta:


«Que é feito daquele
Para quem eu guardava um reino puro
De espaço e de vazio
De ondas brancas e fundas
E de verde frio?»
(...)




De Manuel Alegre...
(...)
     Meu amor é marinheiro
     e mora no alto mar,
     Coração que nasceu livre
     Não se pode acorrentar.


De Pessoa (Álvaro de Campos)...
(...)
       Mas, afinal,
       Só as criaturas que nunca escreveram 
       Cartas de amor 
       É que são
       Ridículas.
(...)

segunda-feira, junho 06, 2011

Imensa tristeza. Mas luto, não!

É fácil iludir um povo assustado quando se faz uma campanha em que são omitidas-escondidas as medidas concretas que vão ter que ser tomadas e, ainda mais, as outras para além das impostas externamente. E são feitas promessas de intenções em abstrato para bem do povo, salientando o povo mais desfavorecido, quando, na realidade, se é por profunda convicção a favor do neoliberalismo extremado, ainda que não convenha dizê-lo.
Como se pudessem renunciar à proteção dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros, cujo apoio é o seu sustentáculo na posse do poder da governação.
Como se fossem capazes ou estivessem dispostos a, por exemplo, compensar o  abaixamento da Taxa  Social Única, imposto no acordo que assinaram, mediante taxação dos escandalosos lucros não taxados, contra o sustentáculo referido acima, evitando assim que seja o povo a compensar, evitando assim mais fome e miséria.

Imensa tristeza por ver o cravo de Abril em perigo de murchar. Mas luto, não, porque o povo pode ter sido iludido, mas o povo português não quer que esse cravo de Abril murche para sempre, e saberá regá-lo pela tomada de consciência que conduz ao NÃO, que conduz à luta que for necessária.

Há sempre os homens e mulheres que lutam... Aqui... na Europa... no Mundo...

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis
.
B. Brecht
 
É preciso saber esperar, sim. Mesmo que a mudança qualitativa aconteça sem que os que lutam toda a vida cheguem a vê-la - mas vêem e vivem os filhos ou netos. E agora a História até "anda" mais depressa.

Para os que não se acomodem: Jamais percam a ESPERANÇA!

sexta-feira, junho 03, 2011

Enquanto candidato a novo 1º Ministro pretende eliminar Ministério da Cultura...

... movimentos de cidadania na Europa manifestam-se contra as ameaças de morte contidas em planos de cortes nos orçamentos da Cultura. E em Portugal? Ficamos (ou continuamos) indiferentes???

(Precisava de mais uns dias para voltar ao meu blogue, mas senti o DEVER de vir, mesmo sabendo que este cantinho é pouco lido)

sábado, maio 28, 2011

Mãe, não quero dizer a palavra adeus

porque partiste aconchegadinha nas almofadas que te amparavam no sofá da tua casinha, sem sentires que partias.
Quando perdemos um amigo, ficamos mais sós no mundo, mas não ficamos sós. Mas eu sabia que no dia em que te perdesse eu ficaria num grande mundo onde, perto ou longe, eu já não sentiria a presença única de um amparo, mesmo que a ele não me quisesse amparar, ou mesmo que  parecesse  já não existir por já nada poderes senão seres tu totalmente amparada - mas existia, mas existia mesmo assim, só por estares cá.
Estive independente, estive muitas vezes distante de ti - foi preciso, ou precisei. Também eras muito autónoma, e quiseste e conseguiste com admirável longevidade. Mas quando já não pudeste, estivemos tão juntas, longamente, que eu hoje, neste dia em que partiste, só sei que vou ter que aprender e que vai ser doloroso aprender  a viver sem isso, (re)aprender um quotidiano em que... um quotidiano sem que...
Mãe, eu não esperava que partisses já, todos os dias respondias "estou boa"... "estou bem".
Obrigada, Mãe, por poder recordar-te assim.

sexta-feira, maio 27, 2011

Para os meus netos (mas tenho a felicidade de me orgulhar deles)

(Via JMA)

Anjos com uma asa

Sei que, para os jovens de hoje, as coisas estão mais difíceis do que para as gerações anteriores. Como, talvez, não se possam comparar fenómenos que não são comparáveis, direi simplesmente que as coisas estão difíceis. Muitos pensam que os jovens dispõem de tudo: estudos, dinheiro, diversões, viagens, oportunidades ... Eu penso que lhes falta o mais essencial: o sentido das coisas numa sociedade que se desumaniza. Não é fácil resistir à corrente que nos arrasta, violentamente, para a competitividade, o individualismo, o relativismo moral e o conformismo.

Na sociedade em que vivemos, não é fácil conseguir um lugar, sem afastarmos os outros às cotoveladas. Não é fácil opor-se a quem tem algo para dar. Na altura em que têm de mostrar que valem para alguém ou para alguma coisa, vêem-se condenados a uma corrida interminável que acaba por conduzi-los ao desemprego.

Não sei quantos jovens de hoje subscreveriam as palavras de Camus: "Não podemos pôr-nos ao lado dos que fazem a história, mas ao serviço dos que a suportam". É mais fácil estar ao lado de quem pode distribuir prebendas, apoios, emprego ou, simples¬mente, sorrisos.
É preocupante ver como alguns jovens viram costas à esperança, mergulhados em si mesmos, nada preocupados com os problemas das pessoas e da sociedade. É preocupante ver que os que começam a caminhar já estão cansados da viagem, fartos de si mesmos, sem vontade de melhorar o percurso da vida dos que caminham a seu lado.

Nem toda a juventude assim é. Bem o sei. Há jovens entusiastas, comprometidos, empenhados. Há jovens sensatamente optimistas e, ao mesmo tempo, com um realismo empreendedor para melhorar as coisas.
Quero repetir, aqui, a mensagem que um ancião de 88 anos escreveu para os jovens. Uma pessoa que, apesar de já ter percorrido um longo caminho semeado de obstáculos, de tragédias e de dor, ainda mantém a esperança. Não de forma ingénua, evidentemente.

Ernesto Sabato escreveu o seu testamento destinado à juventude. Foi Seix Barral quem o publicou, com o título de Antes do Fim. Aos 88 anos, este doutorado em Física que abandonou os seus trabalhos sobre radiações atómicas para se dedicar, a partir de 1945, à literatura dirige-se aos que estão a iniciar um projecto de vida. E fá-lo sem dogmatismos, com humildade. As primeiras palavras da sua obra são significativas:
"Tenho vindo a acumular muitas dúvidas ... ".

Sabato constitui como destinatários do seu testamento moral os adolescentes e os jovens. Delicada etapa da vida em que se busca, ansiosamente, o sentido das coisas. Também se dirige aos idosos que, olhando para trás, se interrogam se terá valido a pena tanta dor, tanto caminho .. "Sim, escrevo isto "- diz Sabato -" sobretudo para os adolescentes e jovens, mas também para os que, como eu, nos aproximamos da morte, e nos perguntamos com que finalidade e por que razão vivemos, aguentámos, sonhámos, escrevemos, pintámos ou, muito simplesmente, empalhámos cadeiras".

Disse Camus: "Existe apenas um único problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Decidir se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia". Todas as perguntas acabam por nos conduzir a esta pergunta central que tem as suas raízes no coração humano.
Sabato não é um ingénuo. Não é um cínico. Construiu, com dor, um pequeno monte do qual se vislumbra a esperança. Muitas vezes se debruçou sobe o profundo poço do suicídio. E encontrou em si mesmo e nos outros uma réstia de esperança que o ajudou a continuar o caminho. As últimas palavras do seu testamento para os jovens são esclarecedoras: "Só os que forem capazes de encarnar a utopia estarão aptos para o decisivo combate, o de recuperar quanto de humanidade já perdemos".

Interroga-se Sabato, como já fizera antes em algumas das suas obras, sobre o sentido da pessoa na crise do nosso tempo. Estremecemos ao ler algumas das suas páginas (sobretudo o capítulo intitulado "A Dor Faz Parar o Tempo"). Como é possível manter a esperança no meio de tantos desastres, tanta miséria, tanta crueldade, tantos maus presságios?

O mais aberrante, talvez, é a desproporção da violência a que estão expostas as crianças. As torturas, a exploração, a venda, o abandono de crianças parece dar razão a Nietzsche, quando dizia: "Os valores já não valem" .

O filósofo Fernando Savater encerra a sua interessante obra As Perguntas da Vida com este poema de Heinrich Heine: "E não deixamos de interrogar-nos uma e outra vez; até que um punhado de terra/ nos cala a boca! Mas, será isto uma resposta?".
Num mundo que se desumaniza, há que pensar, com Goethe, que "a humanidade acabará por triunfar". E uma boa parte desse triunfo está nas mãos da juventude.

A comunidade caminha para a Utopia. Está em Utopia. É como a personagem da seguinte história. Era uma vez, há centenas de anos, um homem que, uma noite, caminhava pelas escuras ruas duma cidade do Oriente, com uma lâmpada acesa. Encontra-se com um amigo que, surpreendido, lhe pergunta:

- Que fazes tu, que és cego, com uma lâmpada acesa nas mãos?
Responde o cego:
- Não levo a lâmpada para poder ver o meu caminho. Conheço as ruas de cor em plena escuridão. Levo esta luz para que os outros, quando derem comigo, possam descobrir o seu caminho.

A esperança radica na ajuda mútua, na justa convivência, na solidariedade. Li numa parede da cidade de São Salvador de Jujuy este grafito: "Somos anjos com uma asa. Precisamos de nos abraçar para poder voar".

Miguel Santos Guerra. No coração da escola.

terça-feira, maio 17, 2011

Beco...

Beco sem saída.
Beco sem saída?

(...)
Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta  é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.

(Do Soneto do Trabalho, de Ary dos Santos)

quinta-feira, maio 12, 2011

Coisas insólitas

(Escrevo às 23h 45m)

Por favor, expliquem-me devagarinho, como se eu fosse muito, muito burra!

1. Resumo por palavras minhas (desculpem se a minha burrice deturpa):

_ Temos um programa, temos estratégias.
_ Mas como vão conseguir...?
_Teremos que estudar isso.
_ E como vão conseguir...?
_Isso é um problema a estudar.
.......
_E como sabe... como vai ter tempo para saber...?
_(Ainda) Não sei, mas só precisarei de 15 dias para saber.

2. O que me parece uma originalidade verdadeiramente histórica:

   Um governo minoritário de um país democrático consegue sozinho ser todo-poderoso (e ainda por cima para gerar uma catástrofe política-económica-financeira)
(Haja decoro a lavar as mãos!)

segunda-feira, maio 02, 2011

Reparo a jornalismos-TV sobre a notícia do dia

Não comento a notícia do dia. Sou frontalmente contra o terrorismo, mas não sei quais as consequências do acontecimento.
Vim aqui apenas por ter acabado de ouvir (23h53m), entre as várias vozes portuguesas de jornalistas repetindo a notícia, uma referindo o atentado do 11 de Setembro como "a maior tragédia de que há memória na Histótia da humanidade". (!!!)
Claro que todos os atentados ceifando vidas são tragédias. Claro que todos os que assistimos (e repetidamente) na TV ao 11 de Setembro ficámos impressionados e revoltados, mesmo os que depois admitimos que talvez ficasse para sempre por esclarecer completamente. Mas... haja senso! E haja cuidado na escolha dos jornalistas que são admitidos para emitirem ou repetirem notícias, a qualquer hora que seja. 
Foram muitas as vítimas do atentado do 11 de Setembro, mas... foram cerca de três mil. 
Nem é necessário lembrar ao sr. jornalista (e a outros que tais)  uma  tragédia tão grande como o Holocausto, para o qual não é preciso longa memória histórica, a menos que, na sua ideia,  "tragédia" só conte se nela forem abrangidos cidadãos americanos.

Parábola (?)

Sermão do Bom Ladrão
(excerto)
Suponho finalmente que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este género de vida, porque a mesma sua miséria, ou escusa, ou alivia o seu pecado, como diz Salomão: Non grandis est culpa, cum quis furatus fuerit: juratur enim ut esurientem impleat animam. O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao Inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera (...) Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. - Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: - Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos. - Ditosa Grécia, que tinha tal pregador!
Padre António Vieira - Sermão do Bom Ladrão, 1655

(Com o agradecimento à Amélia Pais)

domingo, maio 01, 2011

Mãe...

... sempre me acalentaste, mesmo quando não o sabias, mesmo quando eu parecia fugitiva, e também naqueles momentos que te escondi, em que desejei colo em lágrimas silenciosas enxugadas pelo teimar da força que precisei de encontrar em mim.


Agora é a minha vez...  Que sintas todos os dias o Dia da Mãe.

sábado, abril 30, 2011

1º DE MAIO

"Pois...o momento não nos permite ficarmos em casa neste dia...
Também os aposentados e reformados o não podem fazer! O seu local de encontro é em frente à igreja dos Anjos, Av. Almirante Reis (já não podemos andar tanto...)."

Via SPGL, recebi de uma amiga o comentário acima, adicionado pessoalmente. Ora esta! Eu a pensar que tenho que deixar de ser preguiçosa para fazer exercício a pé, e ela a lembrar a PDI... Detesto-a (não à amiga, claro), mas pronto... lá estarei ao pé da Igreja dos Anjos... tenho que perder a mania teimosa de não querer ser velhota!

terça-feira, abril 26, 2011

Av. da Liberdade, Lisboa - ontem


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ADENDA

segunda-feira, abril 25, 2011

Ao povo português







O povo é quem mais ordena...


Acordai e regai!

E dizei às vossas crianças, aos vossos adolescentes... à geração do Futuro...

domingo, abril 24, 2011

25 de Abril... ACORDAI!

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz




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Poema: José Gomes Ferreira (musicado por F. Lopes Graça) Acordai - excerto
Citações: 1. De Grândola Vila Morena; 2. De Ary dos Santos, As portas que Abril abriu

sexta-feira, abril 22, 2011

25 de Abril: Aos avós da "geração à rasca"

Àqueles cujas pernas já não permitem 'sair à rua', mas que têm as memórias vivas, a voz que sabe contar contos verdadeiros e as mãos que pegam na caneta e escrevem...
A mais importante forma de comemorarem o 25 de Abril impõe-se neste momento... Usai-a!
Contem o que foi viver sem liberdade e democracia. Contem como foram as diferentes formas de consciencializar e lutar. Contem que custa (re)conquistar, mas quanto vale a pena. Contem sobretudo que esses valores preciosos não se defendem a olhar para os umbigos e digam quanto é urgente... tão urgente!... defender e, quiçá, reconquistá-los. Digam, e digam, e digam aos netos "geração à rasca" quanto e como têm o dever de cumprir hoje o seu papel para preservar um legado que outros lhes deixaram, e como muitos deram até a vida para lho deixarem, para o deixar aos filhos e netos. Contem!


Era preciso agradecer às flores

Terem guardado em si,

Límpida e pura,

Aquela promessa antiga

De uma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner Andersen (Obra poética)

sábado, abril 16, 2011

Eu diria antes "Meu Mundo"

MON PAYS


Vois-tu
nous avons d'abord bâti dans du sable,
le vent a emporté le sable.
Puis nous avons bâti dans du roc,
la foudre a brisé le roc.
Il faut qu'on pense sérieusement à batir
dans l'homme.

Ahmed Bouanani

Poeta marroquino
1939, Casablanca


O meu país

Vê bem
Construímos primeiramente na areia
o vento levou a areia
Depois construímos na pedra
o raio quebrou quebrou a pedra
Temos de pensar seriamente em construir
 no homem
(Tradução da Amélia Pais)

terça-feira, abril 12, 2011

Portugal visto lá fora versus Só males o que nos mostram cá dentro

Agradeço ao meu amigo Francisco os dados que me enviou relativos apenas a um período de um mês - de  1 de Fevereiro a 2 de Março do corrente ano de 2011. Desculpa, Francisco, e desculpem os meus eventuais leitores, mas perdi a paciência, não vou trancrever os textos, nomeadamente em Inglês, das fontes como o Eurostat, Comissão Europeia, etc., fico por um curto post  em jeito de índice de notícias. Deixo a quem estiver interessado e duvidar a procura das fontes (legítimo direito à dúvida,  mas eu também tenho direito à falta de paciência e, portanto, a enunciar o que poderão procurar para se certificarem, como o Francisco fez. Ver também no blogue fado positivo).

O povo português merecia que certos dados lhes fossem divulgados ou escritos em destaque em vez de em notícia secundária (e reparem que só referirei um período tão recente e tão curtinho), para ao menos poderem ter uns grãozinhos de orgulho no seu país numa fase em que nada nos orgulhamos dele via políticos,  politiqueiros e comentadores.

01-Fev-2011  Inovação: Nos últimos cinco anos, Portugal foi o país da UE que mais cresceu no ranking europeu. (A rubrica em que Portugal mostra um melhor resultado - e está mesmo em terceiro lugar face os países da Europa a 27 - é no item "Inovadores", isto é, dos países com empresas que declaram ter introduzido produtos ou processos inovadoras no mercado, conseguindo com eles uma maior eficiência na utilização de recursos ou na diminuição dos custos de produção.)

03-Fev-2011  Comércio português com maior crescimento em toda a Europa
Eurostat diz-nos que o volume de vendas no comércio caiu 0,6% em Dezembro face ao mês anterior, mas destaca Portugal como dos poucos países onde houve uma melhoria. As vendas do comércio cresceram 4,7%, praticamente o dobro do segundo país com melhor comportamento, a Polónia com 2,4%.

07-Fev-2011  Encomendas estrangeiras à indústria nacional sobem 47,5% em Dezembro
INE diz que em Dezembro (na realidade a média móvel dos últimos 3 meses), o índice de Novas Encomendas na Indústria voltou a aumentar 24,7% face ao mês homólogo. A parte devida ao mercado externo cresceu mesmo 47,5%, depois de já ter crescido 44% em Novembro, sendo que houve crescimento em todos os séctores da indústria.

15-Fev-2011   Eurostat destaca indústria portuguesa como tendo o segundo maior crescimento


01-Mar-11  2010 Um excelente ano para o turismo
Banco de Portugal via Público
Eurostat
 Público:
Apesar dos receios iniciais, o turismo conseguiu alcançar o melhor resultado de sempre em 2010.

02-Mar-2011  Instituto Gulbenkian Ciência entre os melhores do mundo para trabalho de investigação
The Scientist:
O The Scientist sondou vários doutorados a fazer investigação em todo o mundo sobre a qualidade do centro de investigação onde estão a fazer o seu postdoc. O IGC em Oeiras, aparece nos TOP10 das melhores instituições fora dos EUA, com o nono lugar.
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Aparte meu: Que terão pensado lá fora quando se preferiu e se consentiu  chamar o FMI para vir aplicar uma agenda neoliberal de emagrecimento do estado e privatização dos serviços públicos? (Que o que quer vir a ser 1º Ministro preferiu isso mesmo, não tenho dúvidas; que o que quer continuar 1º Ministro preferiu, não sei, mas não me admira se preferiu passar a bola dos disparates e dos erros cometidos pelas tendências do seu pé direito; que o Presidente da República consentiu, disso é que não há dúvidas)

sexta-feira, abril 08, 2011

Se deixares este vídeo por ver, perdes a oportunidade de melhor conheceres a estratégia que cilindra povos, que cilindra um povo, que pode cilindrar-te a ti

Precisas de disponibilizar 1h 17m... podes prescindir de ver um jogo de futebol ou de uma ida a um qualquer cinema...

Noami Klein (2009) - breves excertos:

Um período de crise como a que vivemos neste momento é um bom momento para pensar na história, pensar nas continuidades históricas, pensar nas raízes. É um bom momento para nos situarmos na mais longa história da luta humana. (início)
(...........................................................................................)
Esta crise está entendida por quase todo o mundo como resultado directo desta particular ideologia que crê na desregulação e na privatização. Algo para recordar neste momento, quando há tanta coisa em jogo.
O que dá mais esperança na crise económica é que esta tática está-se a cansar, porque o elemento surpresa já não existe. Estamos a tornar-nos resistentes ao choque. A doutrina do choque como estratégia depende do nosso desconhecimento acerca dela para que possa ter êxito.(...)
Apesar da retórica populista acerca de agarrar os peixes gordos para proteger os débeis e salvar a economia real, estamos a assistir a uma transferência de riqueza  de tamanho incomensurável. Trata-se de uma transferência de riqueza desde mãos públicas, desde as mãos do(s) governo(s), recolhida da gente comum, através de impostos, para as mãos dos indivíduos e empresas mais ricos do mundo. Não necessito dizer que são as mesmas pessoas e empresas que criaram esta crise. (...)
(A história) ensina-nos que se queremos resposta a esta crise económica que nos conduza a um mundo que seja mais saudável, que seja mais justo, que seja mais pacífico, vamos ter que sair à rua e obrigá-los a serem eles a fazê-lo.


sexta-feira, março 25, 2011

Jacob pensa no que quer ser...


Jacob pensa no que quer ser
Jacob pensa no que pode ser quando for grande.
— Talvez carpinteiro — diz Jacob. — Lixar bem as arestas para que ninguém se magoe.
— Por exemplo… — diz Catarina.
— Talvez cobrador de autocarro — diz Jacob. — Alguém que sabe quando se deve sair e mudar.
— É possível — diz Catarina.
— Talvez palhaço — diz Jacob — com uns sapatos enormes, para fazer rir as pessoas.
— Também pode ser — responde Catarina. — Podes ser muitas coisas, quem sabe? Mas, em todo o caso, tens de ser alguém que escute com atenção. Alguém que saiba guardar um segredo. Alguém que não se ria quando vir alguém a chorar. Alguém que seja capaz de ajudar os outros. Alguém de quem se goste… Se fores assim, tanto faz que profissão possas ter.
— Tens razão — diz Jacob.

Lene Mayer-Skumanz,1986 - Via Clube das Histórias

quarta-feira, março 23, 2011

Pensamento breve


Há duas maneiras
de governar:
pela força
ou pela farsa.
Glauco Mattoso














Michael de Ghelderode, Farsa

segunda-feira, março 21, 2011

Dia Mundial da Poesia

E primeiro dia da Primavera... dia em que faz anos que fui avó pela primeira vez :)


Com o agradecimento à Amélia Pais

sábado, março 12, 2011

Porque será que ninguém fala disto?

Quand l’Islande réinvente la démocratie


Hoje apeteceu-me recordar Portugal no Festival da Eurovisão...

... talvez porque estou a sentir-me constrangida?


1973 - a canção que a censura não percebeu!



6 de Abril de 1974 - seria a 1ª senha pouco mais de duas semanas depois



1975 - interpretada no festival por um dos capitães de Abril



segunda-feira, março 07, 2011

Hoje apetece-me...

... poesia musicada naquela que é, para mim, a mais bonita língua do mundo.
Talvez um gesto de rebeldia contra a tornada universalmente obrigatória língua inglesa (desculpem a heresia de dizer que  acho um grande feito terem conseguido escrever, com ela,  grandes obras literárias); rebeldia também contra o destronar do saudoso privilégio à língua francesa nas nossas escolas.



Recordando Leo Ferré, que amou e cantou grandes poetas franceses...

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Cuidado, que andam a empurrar o País para o mais visceral neoliberalismo!

Até há pouco tempo, não me imaginaria a escrever o que vou mesmo escrever. Mas começo por esclarecer duas coisas:
1. Tenho o mesmo direito de expressar o que ando pensando que têm todos os que pensem o contrário - direito que respeito e defendo para todos.
2. Nunca gostei, nem gosto de José Sócrates (como político/governante), nem nunca votei no Partido Socialista - nem penso votar, pois mesmo 'voto útil' para mim não é esse - porque meteu na gaveta bastantes dos princípios (ou ideais, ou utopias, se assim lhes quiserem chamar) que tenciono manter até morrer, dado que o mundo continuará, mesmo que a mudança para a justiça e o humanismo seja longínqua - ficarão cá por mim os netos, depois os bisnetos, e os bisnetos dos bisnetos...

O ódio cega. E a comunicação social nada nos diz de verdades (seleciona meias verdades, omite verdades que no momento não são (ou já não são) convenientes, ajusta-se às suas conveniências futuras mais previsíveis; comentadores e mais comentadores... são ardilosos; e, pior que tudo, nunca como agora o poder político foi tão inexistente, não só cá mas por toda a União Europeia (para falar só desta), nunca como agora foi tão impotente perante o verdadeiro poder que está governando o mundo (sempre esteve, mas hoje muito mais ainda) nos meandros subterrâneos e tentaculares dos interesses económicos gananciosos e indiferentes ao mundo do futuro dos próprios netos ou bisnetos.
De repente, desde há não muito tempo, fiquei mais do que assustada, quase que diria aterrorizada. Não por causa da dita "crise". Porque, como já disse, o ódio cega, e são ardilosas as campanhas veladas para fomentar ódio no povo português (o povo, mesmo povo, em que não é genuino esse sentimento), bem como para manter e alimentar, alimentar, alimentar ódios individuais e ódios de corporações (sim, corporações, chamemos as coisas pelos seus nomes). E até a classe política à esquerda do PS parece ter ficado cega!!

Jamais me imaginei a escrever o que vou continuar a escrever, nem há uns tempos acreditaria que alguma vez o fizesse, pois não gosto do PS, muito menos de Sócrates. Mas, desde que o líder do único partido que, sozinho ou de braço dado com seu apêndice, realisticamente poderá ser alternativa de governo, desde que esse líder, dizia, se revela sem grande pudor ideologicamente bem enraizado no mais acérrimo neoliberalismo, as tendências do pé direito de Sócrates para escorregar para esse lado (que tanto foram salientadas criticamente nesta blogosfera, inclusive por mim própria) não têm comparação - perante um perigo que não é mortal e um perigo de morte, hoje não hesito em dizer que o ódio cegou os que não querem a morte, e pode ser inculcado (ou já está a ser) no povo português que não quer essa morte de que falo. Falo da morte do Estado Social (o possível neste momento, mas acho que ninguém vai chegar ao extremo de acusar o PS, ou mesmo Sócrates, de também o querer abater); falo da morte da Escola Pública, que, é verdade, está doente e Sócrates bem contribuiu cretinamente para a doença (pelo menos por consentimento), mas não pretendeu assassiná-la; e falo até da morte ou da profunda mutilação do bem mais precioso que temos como garante do Abril que tivemos e que é a nossa Constituição - revista, com algumas alterações provavelmente adequadas, mas sempre garantia das nossas esperanças, ainda que com alguns desrespeitos (é verdade) dos governos de Sócrates, todavia com a condescendência de quem tem o supremo dever de garantir o seu respeito.
Não, não gosto de Sócrates. Sim, considero que cometeu bastantes erros graves e que se preocupa demais com as suas propagandas e de menos com o país. Mas não vou ao ponto de cegar, e pergunto-me como é que a própria esquerda parlamentar parece ter cegado, parece não ver os perigos de morte acima dos perigos da ala direita mais a ala silenciosa do Partido Socialista, perigos que, apesar de tudo, comparativamente, se tornam perigositos.
 Até porque ninguém na comunicação social lembra ao povo português que Sócrates não fez só disparates. É preciso ir fora do país para se ser lembrado de que também fez coisas bem prestigiadas no exterior e até apontadas como exemplos a seguir por entidades insuspeitas, como me dizia hoje um amigo.
Não, nunca me passara pela cabeça até há pouco tempo vir chamar a atenção, como quem defende o nosso actual Governo,  para que, se entre todos  os governos presentemente tão manietados como o nosso, vários não gostam do jugo,  o nosso também não, apesar de tudo. Enquanto que o líder da alternativa não sentirá como jugo aquilo de que visceralmente gosta e que defenderá e praticará tanto quanto lhe dêem oportunidade para isso.

Bolas, até a classe política à  esquerda do PS cegou?!
Sinto-me quase aterrorizada, e apetece-me gritar a pergunta a todos os ventos. Mas só me restam os ouvidos das paredes deste meu cantinho.
 Não tenho poder para gritar um alerta. Mas sim, estou sim a escrever o que ainda há um ou dois meses não acreditaria vir a escrever. Sim, estou sim a desejar que, entre as duas alternativas realisticamente possíveis, ganhe as eleições legislativas, sejam lá quando forem, este  PS que até detesto - detesto, mas não perco a lucidez. Sim, estou sim a temer que a percam, por ódios ou ressentimentos, os que, como eu, afinal também temem uma possível maioria absoluta de um acérrimo neoliberalismo à solta.
Disse.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Um pedacinho de um poema...

... pedindo desculpa ao meu cantinho pela minha ausência.

O OCEANO


Eis-me na tua companhia. Diálogo deslumbrante.
Ó oceano! escuta bem este meu canto!
Nós somos dois a misturar os nossos ritmos harmoniosos.
Na vastidão desértica da vida árida
Só tu és meu amigo.
Bastou-me contemplar tua beleza
E logo minha alma triste se alegrou.
E mais do que a presença d'amigos dilectos
Tua presença a solidão preenche nos meus pensamentos.
Tu existes, sim, tu existes, e tal não é suficiente
Para desvanecer, da minha vida, a angústia?
Dize-me, há em ti remédio para as minha feridas?
É em ti que reside a liberdade fora do obscuro?
Ou, por outra, será que tu e eu estamos ambos ligados
À fatal alternância do dia e da noite?
Hoje, ficarei junto de ti até anoitecer.
Eis que te trago a minha esperança, peço-te protecção.
Eu canto o grande movimento da tua música, o espectáculo
Eterno d'altas vagas que se quebram e, muito ao longe, o teu eco legião.
(...)
ABDEL KARIM AKKUM

(Via Amélia Pais)

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Pois...


MON PAYS



Vois-tu
nous avons d'abord bâti dans du sable,
le vent a emporté le sable.
Puis nous avons bâti dans du roc,
la foudre a brisé le roc.
Il faut qu'on pense sérieusement à batir
dans l'homme.

Ahmed Bouanani
Poeta marroquino
1939, Casablanca

(Via Amélia Pais)

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Podem passar os séculos... a política repete-se!



*Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!
*Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?
*Mazarino: Criam-se outros.
*Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
*Mazarino: Sim, é impossível.
*Colbert: E então os ricos?
*Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
*Colbert: Então como havemos de fazer?
*Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.

(Texto linkado para o post-fonte do respectivo blogue)

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

10 dos ingredientes do sucesso educativo

No TERREAR não faltam conjuntos de "Mandamentos" preciosos para o sucesso educativo. Mas os que se seguem não são citações da literatura da especialidade, incluindo a da investigação. São 10 alíneas do JMA num post já não visível na págima principal. Com a sua autorização, tenho vomtade de as deixar aqui no meu cantinho.

i) a prática sistemática de auscultação e escuta para 'ver' e compreender a natureza dos probelmas da aprendizagem; ´
ii) o envolvimento activo dos pais nas tarefas de valorização do trabalho escolar;
iii) construção partilhada da responsabilidade pelas aprendizagens;
iv) a valorização do trabalho, da persistência, do esforço;
v) o desenvolvimento de uma pedagogia do "obstáculo", colocado na "zona de desenvolvimento próximo";
vi) a construção de geometria varíavel de respostas, seguindo o modelo clinico da análise e da tomada de decisão;
vii) o incremento de uma pedagogia da diferenciação de métodos, de conteúdos e de procedimentos de avaliação;
viii) o reforço do trabalho da equipa pedagógica e da articulação horizontal;
ix) o desenvolvimento de posturas de desafio, aposta e confiança nas potencialidades dos alunos;
x) o incremento de uma "avaliação activa" que implica os alunos no trabalho e na construção e controlo dos resultados.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

hasta que todo sea y sea canto






Adios, resbalan
Tantos adioses como las palomas
Por el cielo, hacia el Sur, hacia el silencio (…)
                                                                                                              Joan Miro (1918) The Waggon Tracks
  
(…)
y adiós,
hasta más tarde:
hasta más pronto:
hasta que todo
sea
y sea canto.

Pablo Neruda

  






      Paul Klee (1926), Reconstruction