domingo, abril 24, 2011

25 de Abril... ACORDAI!

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz




________________
Poema: José Gomes Ferreira (musicado por F. Lopes Graça) Acordai - excerto
Citações: 1. De Grândola Vila Morena; 2. De Ary dos Santos, As portas que Abril abriu

sexta-feira, abril 22, 2011

25 de Abril: Aos avós da "geração à rasca"

Àqueles cujas pernas já não permitem 'sair à rua', mas que têm as memórias vivas, a voz que sabe contar contos verdadeiros e as mãos que pegam na caneta e escrevem...
A mais importante forma de comemorarem o 25 de Abril impõe-se neste momento... Usai-a!
Contem o que foi viver sem liberdade e democracia. Contem como foram as diferentes formas de consciencializar e lutar. Contem que custa (re)conquistar, mas quanto vale a pena. Contem sobretudo que esses valores preciosos não se defendem a olhar para os umbigos e digam quanto é urgente... tão urgente!... defender e, quiçá, reconquistá-los. Digam, e digam, e digam aos netos "geração à rasca" quanto e como têm o dever de cumprir hoje o seu papel para preservar um legado que outros lhes deixaram, e como muitos deram até a vida para lho deixarem, para o deixar aos filhos e netos. Contem!


Era preciso agradecer às flores

Terem guardado em si,

Límpida e pura,

Aquela promessa antiga

De uma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner Andersen (Obra poética)

sábado, abril 16, 2011

Eu diria antes "Meu Mundo"

MON PAYS


Vois-tu
nous avons d'abord bâti dans du sable,
le vent a emporté le sable.
Puis nous avons bâti dans du roc,
la foudre a brisé le roc.
Il faut qu'on pense sérieusement à batir
dans l'homme.

Ahmed Bouanani

Poeta marroquino
1939, Casablanca


O meu país

Vê bem
Construímos primeiramente na areia
o vento levou a areia
Depois construímos na pedra
o raio quebrou quebrou a pedra
Temos de pensar seriamente em construir
 no homem
(Tradução da Amélia Pais)

terça-feira, abril 12, 2011

Portugal visto lá fora versus Só males o que nos mostram cá dentro

Agradeço ao meu amigo Francisco os dados que me enviou relativos apenas a um período de um mês - de  1 de Fevereiro a 2 de Março do corrente ano de 2011. Desculpa, Francisco, e desculpem os meus eventuais leitores, mas perdi a paciência, não vou trancrever os textos, nomeadamente em Inglês, das fontes como o Eurostat, Comissão Europeia, etc., fico por um curto post  em jeito de índice de notícias. Deixo a quem estiver interessado e duvidar a procura das fontes (legítimo direito à dúvida,  mas eu também tenho direito à falta de paciência e, portanto, a enunciar o que poderão procurar para se certificarem, como o Francisco fez. Ver também no blogue fado positivo).

O povo português merecia que certos dados lhes fossem divulgados ou escritos em destaque em vez de em notícia secundária (e reparem que só referirei um período tão recente e tão curtinho), para ao menos poderem ter uns grãozinhos de orgulho no seu país numa fase em que nada nos orgulhamos dele via políticos,  politiqueiros e comentadores.

01-Fev-2011  Inovação: Nos últimos cinco anos, Portugal foi o país da UE que mais cresceu no ranking europeu. (A rubrica em que Portugal mostra um melhor resultado - e está mesmo em terceiro lugar face os países da Europa a 27 - é no item "Inovadores", isto é, dos países com empresas que declaram ter introduzido produtos ou processos inovadoras no mercado, conseguindo com eles uma maior eficiência na utilização de recursos ou na diminuição dos custos de produção.)

03-Fev-2011  Comércio português com maior crescimento em toda a Europa
Eurostat diz-nos que o volume de vendas no comércio caiu 0,6% em Dezembro face ao mês anterior, mas destaca Portugal como dos poucos países onde houve uma melhoria. As vendas do comércio cresceram 4,7%, praticamente o dobro do segundo país com melhor comportamento, a Polónia com 2,4%.

07-Fev-2011  Encomendas estrangeiras à indústria nacional sobem 47,5% em Dezembro
INE diz que em Dezembro (na realidade a média móvel dos últimos 3 meses), o índice de Novas Encomendas na Indústria voltou a aumentar 24,7% face ao mês homólogo. A parte devida ao mercado externo cresceu mesmo 47,5%, depois de já ter crescido 44% em Novembro, sendo que houve crescimento em todos os séctores da indústria.

15-Fev-2011   Eurostat destaca indústria portuguesa como tendo o segundo maior crescimento


01-Mar-11  2010 Um excelente ano para o turismo
Banco de Portugal via Público
Eurostat
 Público:
Apesar dos receios iniciais, o turismo conseguiu alcançar o melhor resultado de sempre em 2010.

02-Mar-2011  Instituto Gulbenkian Ciência entre os melhores do mundo para trabalho de investigação
The Scientist:
O The Scientist sondou vários doutorados a fazer investigação em todo o mundo sobre a qualidade do centro de investigação onde estão a fazer o seu postdoc. O IGC em Oeiras, aparece nos TOP10 das melhores instituições fora dos EUA, com o nono lugar.
__________________

Aparte meu: Que terão pensado lá fora quando se preferiu e se consentiu  chamar o FMI para vir aplicar uma agenda neoliberal de emagrecimento do estado e privatização dos serviços públicos? (Que o que quer vir a ser 1º Ministro preferiu isso mesmo, não tenho dúvidas; que o que quer continuar 1º Ministro preferiu, não sei, mas não me admira se preferiu passar a bola dos disparates e dos erros cometidos pelas tendências do seu pé direito; que o Presidente da República consentiu, disso é que não há dúvidas)

sexta-feira, abril 08, 2011

Se deixares este vídeo por ver, perdes a oportunidade de melhor conheceres a estratégia que cilindra povos, que cilindra um povo, que pode cilindrar-te a ti

Precisas de disponibilizar 1h 17m... podes prescindir de ver um jogo de futebol ou de uma ida a um qualquer cinema...

Noami Klein (2009) - breves excertos:

Um período de crise como a que vivemos neste momento é um bom momento para pensar na história, pensar nas continuidades históricas, pensar nas raízes. É um bom momento para nos situarmos na mais longa história da luta humana. (início)
(...........................................................................................)
Esta crise está entendida por quase todo o mundo como resultado directo desta particular ideologia que crê na desregulação e na privatização. Algo para recordar neste momento, quando há tanta coisa em jogo.
O que dá mais esperança na crise económica é que esta tática está-se a cansar, porque o elemento surpresa já não existe. Estamos a tornar-nos resistentes ao choque. A doutrina do choque como estratégia depende do nosso desconhecimento acerca dela para que possa ter êxito.(...)
Apesar da retórica populista acerca de agarrar os peixes gordos para proteger os débeis e salvar a economia real, estamos a assistir a uma transferência de riqueza  de tamanho incomensurável. Trata-se de uma transferência de riqueza desde mãos públicas, desde as mãos do(s) governo(s), recolhida da gente comum, através de impostos, para as mãos dos indivíduos e empresas mais ricos do mundo. Não necessito dizer que são as mesmas pessoas e empresas que criaram esta crise. (...)
(A história) ensina-nos que se queremos resposta a esta crise económica que nos conduza a um mundo que seja mais saudável, que seja mais justo, que seja mais pacífico, vamos ter que sair à rua e obrigá-los a serem eles a fazê-lo.


sexta-feira, março 25, 2011

Jacob pensa no que quer ser...


Jacob pensa no que quer ser
Jacob pensa no que pode ser quando for grande.
— Talvez carpinteiro — diz Jacob. — Lixar bem as arestas para que ninguém se magoe.
— Por exemplo… — diz Catarina.
— Talvez cobrador de autocarro — diz Jacob. — Alguém que sabe quando se deve sair e mudar.
— É possível — diz Catarina.
— Talvez palhaço — diz Jacob — com uns sapatos enormes, para fazer rir as pessoas.
— Também pode ser — responde Catarina. — Podes ser muitas coisas, quem sabe? Mas, em todo o caso, tens de ser alguém que escute com atenção. Alguém que saiba guardar um segredo. Alguém que não se ria quando vir alguém a chorar. Alguém que seja capaz de ajudar os outros. Alguém de quem se goste… Se fores assim, tanto faz que profissão possas ter.
— Tens razão — diz Jacob.

Lene Mayer-Skumanz,1986 - Via Clube das Histórias

quarta-feira, março 23, 2011

Pensamento breve


Há duas maneiras
de governar:
pela força
ou pela farsa.
Glauco Mattoso














Michael de Ghelderode, Farsa

segunda-feira, março 21, 2011

Dia Mundial da Poesia

E primeiro dia da Primavera... dia em que faz anos que fui avó pela primeira vez :)


Com o agradecimento à Amélia Pais

sábado, março 12, 2011

Porque será que ninguém fala disto?

Quand l’Islande réinvente la démocratie


Hoje apeteceu-me recordar Portugal no Festival da Eurovisão...

... talvez porque estou a sentir-me constrangida?


1973 - a canção que a censura não percebeu!



6 de Abril de 1974 - seria a 1ª senha pouco mais de duas semanas depois



1975 - interpretada no festival por um dos capitães de Abril



segunda-feira, março 07, 2011

Hoje apetece-me...

... poesia musicada naquela que é, para mim, a mais bonita língua do mundo.
Talvez um gesto de rebeldia contra a tornada universalmente obrigatória língua inglesa (desculpem a heresia de dizer que  acho um grande feito terem conseguido escrever, com ela,  grandes obras literárias); rebeldia também contra o destronar do saudoso privilégio à língua francesa nas nossas escolas.



Recordando Leo Ferré, que amou e cantou grandes poetas franceses...

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Cuidado, que andam a empurrar o País para o mais visceral neoliberalismo!

Até há pouco tempo, não me imaginaria a escrever o que vou mesmo escrever. Mas começo por esclarecer duas coisas:
1. Tenho o mesmo direito de expressar o que ando pensando que têm todos os que pensem o contrário - direito que respeito e defendo para todos.
2. Nunca gostei, nem gosto de José Sócrates (como político/governante), nem nunca votei no Partido Socialista - nem penso votar, pois mesmo 'voto útil' para mim não é esse - porque meteu na gaveta bastantes dos princípios (ou ideais, ou utopias, se assim lhes quiserem chamar) que tenciono manter até morrer, dado que o mundo continuará, mesmo que a mudança para a justiça e o humanismo seja longínqua - ficarão cá por mim os netos, depois os bisnetos, e os bisnetos dos bisnetos...

O ódio cega. E a comunicação social nada nos diz de verdades (seleciona meias verdades, omite verdades que no momento não são (ou já não são) convenientes, ajusta-se às suas conveniências futuras mais previsíveis; comentadores e mais comentadores... são ardilosos; e, pior que tudo, nunca como agora o poder político foi tão inexistente, não só cá mas por toda a União Europeia (para falar só desta), nunca como agora foi tão impotente perante o verdadeiro poder que está governando o mundo (sempre esteve, mas hoje muito mais ainda) nos meandros subterrâneos e tentaculares dos interesses económicos gananciosos e indiferentes ao mundo do futuro dos próprios netos ou bisnetos.
De repente, desde há não muito tempo, fiquei mais do que assustada, quase que diria aterrorizada. Não por causa da dita "crise". Porque, como já disse, o ódio cega, e são ardilosas as campanhas veladas para fomentar ódio no povo português (o povo, mesmo povo, em que não é genuino esse sentimento), bem como para manter e alimentar, alimentar, alimentar ódios individuais e ódios de corporações (sim, corporações, chamemos as coisas pelos seus nomes). E até a classe política à esquerda do PS parece ter ficado cega!!

Jamais me imaginei a escrever o que vou continuar a escrever, nem há uns tempos acreditaria que alguma vez o fizesse, pois não gosto do PS, muito menos de Sócrates. Mas, desde que o líder do único partido que, sozinho ou de braço dado com seu apêndice, realisticamente poderá ser alternativa de governo, desde que esse líder, dizia, se revela sem grande pudor ideologicamente bem enraizado no mais acérrimo neoliberalismo, as tendências do pé direito de Sócrates para escorregar para esse lado (que tanto foram salientadas criticamente nesta blogosfera, inclusive por mim própria) não têm comparação - perante um perigo que não é mortal e um perigo de morte, hoje não hesito em dizer que o ódio cegou os que não querem a morte, e pode ser inculcado (ou já está a ser) no povo português que não quer essa morte de que falo. Falo da morte do Estado Social (o possível neste momento, mas acho que ninguém vai chegar ao extremo de acusar o PS, ou mesmo Sócrates, de também o querer abater); falo da morte da Escola Pública, que, é verdade, está doente e Sócrates bem contribuiu cretinamente para a doença (pelo menos por consentimento), mas não pretendeu assassiná-la; e falo até da morte ou da profunda mutilação do bem mais precioso que temos como garante do Abril que tivemos e que é a nossa Constituição - revista, com algumas alterações provavelmente adequadas, mas sempre garantia das nossas esperanças, ainda que com alguns desrespeitos (é verdade) dos governos de Sócrates, todavia com a condescendência de quem tem o supremo dever de garantir o seu respeito.
Não, não gosto de Sócrates. Sim, considero que cometeu bastantes erros graves e que se preocupa demais com as suas propagandas e de menos com o país. Mas não vou ao ponto de cegar, e pergunto-me como é que a própria esquerda parlamentar parece ter cegado, parece não ver os perigos de morte acima dos perigos da ala direita mais a ala silenciosa do Partido Socialista, perigos que, apesar de tudo, comparativamente, se tornam perigositos.
 Até porque ninguém na comunicação social lembra ao povo português que Sócrates não fez só disparates. É preciso ir fora do país para se ser lembrado de que também fez coisas bem prestigiadas no exterior e até apontadas como exemplos a seguir por entidades insuspeitas, como me dizia hoje um amigo.
Não, nunca me passara pela cabeça até há pouco tempo vir chamar a atenção, como quem defende o nosso actual Governo,  para que, se entre todos  os governos presentemente tão manietados como o nosso, vários não gostam do jugo,  o nosso também não, apesar de tudo. Enquanto que o líder da alternativa não sentirá como jugo aquilo de que visceralmente gosta e que defenderá e praticará tanto quanto lhe dêem oportunidade para isso.

Bolas, até a classe política à  esquerda do PS cegou?!
Sinto-me quase aterrorizada, e apetece-me gritar a pergunta a todos os ventos. Mas só me restam os ouvidos das paredes deste meu cantinho.
 Não tenho poder para gritar um alerta. Mas sim, estou sim a escrever o que ainda há um ou dois meses não acreditaria vir a escrever. Sim, estou sim a desejar que, entre as duas alternativas realisticamente possíveis, ganhe as eleições legislativas, sejam lá quando forem, este  PS que até detesto - detesto, mas não perco a lucidez. Sim, estou sim a temer que a percam, por ódios ou ressentimentos, os que, como eu, afinal também temem uma possível maioria absoluta de um acérrimo neoliberalismo à solta.
Disse.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Um pedacinho de um poema...

... pedindo desculpa ao meu cantinho pela minha ausência.

O OCEANO


Eis-me na tua companhia. Diálogo deslumbrante.
Ó oceano! escuta bem este meu canto!
Nós somos dois a misturar os nossos ritmos harmoniosos.
Na vastidão desértica da vida árida
Só tu és meu amigo.
Bastou-me contemplar tua beleza
E logo minha alma triste se alegrou.
E mais do que a presença d'amigos dilectos
Tua presença a solidão preenche nos meus pensamentos.
Tu existes, sim, tu existes, e tal não é suficiente
Para desvanecer, da minha vida, a angústia?
Dize-me, há em ti remédio para as minha feridas?
É em ti que reside a liberdade fora do obscuro?
Ou, por outra, será que tu e eu estamos ambos ligados
À fatal alternância do dia e da noite?
Hoje, ficarei junto de ti até anoitecer.
Eis que te trago a minha esperança, peço-te protecção.
Eu canto o grande movimento da tua música, o espectáculo
Eterno d'altas vagas que se quebram e, muito ao longe, o teu eco legião.
(...)
ABDEL KARIM AKKUM

(Via Amélia Pais)

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Pois...


MON PAYS



Vois-tu
nous avons d'abord bâti dans du sable,
le vent a emporté le sable.
Puis nous avons bâti dans du roc,
la foudre a brisé le roc.
Il faut qu'on pense sérieusement à batir
dans l'homme.

Ahmed Bouanani
Poeta marroquino
1939, Casablanca

(Via Amélia Pais)

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Podem passar os séculos... a política repete-se!



*Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!
*Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?
*Mazarino: Criam-se outros.
*Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
*Mazarino: Sim, é impossível.
*Colbert: E então os ricos?
*Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
*Colbert: Então como havemos de fazer?
*Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.

(Texto linkado para o post-fonte do respectivo blogue)

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

10 dos ingredientes do sucesso educativo

No TERREAR não faltam conjuntos de "Mandamentos" preciosos para o sucesso educativo. Mas os que se seguem não são citações da literatura da especialidade, incluindo a da investigação. São 10 alíneas do JMA num post já não visível na págima principal. Com a sua autorização, tenho vomtade de as deixar aqui no meu cantinho.

i) a prática sistemática de auscultação e escuta para 'ver' e compreender a natureza dos probelmas da aprendizagem; ´
ii) o envolvimento activo dos pais nas tarefas de valorização do trabalho escolar;
iii) construção partilhada da responsabilidade pelas aprendizagens;
iv) a valorização do trabalho, da persistência, do esforço;
v) o desenvolvimento de uma pedagogia do "obstáculo", colocado na "zona de desenvolvimento próximo";
vi) a construção de geometria varíavel de respostas, seguindo o modelo clinico da análise e da tomada de decisão;
vii) o incremento de uma pedagogia da diferenciação de métodos, de conteúdos e de procedimentos de avaliação;
viii) o reforço do trabalho da equipa pedagógica e da articulação horizontal;
ix) o desenvolvimento de posturas de desafio, aposta e confiança nas potencialidades dos alunos;
x) o incremento de uma "avaliação activa" que implica os alunos no trabalho e na construção e controlo dos resultados.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

hasta que todo sea y sea canto






Adios, resbalan
Tantos adioses como las palomas
Por el cielo, hacia el Sur, hacia el silencio (…)
                                                                                                              Joan Miro (1918) The Waggon Tracks
  
(…)
y adiós,
hasta más tarde:
hasta más pronto:
hasta que todo
sea
y sea canto.

Pablo Neruda

  






      Paul Klee (1926), Reconstruction







segunda-feira, janeiro 31, 2011

Como já não posso estar solidária pela acção...

... apelo  à solidariedade de todos os que estão no activo. Não digam "isto não é comigo", pois, além de não poderem prever o que virá a ser "consigo", pelo menos é com a Educação na Escola Pública.


quinta-feira, janeiro 27, 2011

As palavras estão gastas

Poema Adeus, de Eugénio de Andrade, interpretado por Luís Gaspar.
Com o agradecimento à Amélia Pais

domingo, janeiro 23, 2011

Libertando-me de um (mau) pensamento

São 23.30h. Bate-me na cabeça um pensamento. Como tenho que ir pensar noutras coisas, nada como escrevê-lo para libertar a cabeça.

Seria deselegante algum mau perder. É (no mínimo) deselegante ter um mau ganhar.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Poema oportuno...


Cântigo Negro, de José Régio, dito por M. Bethânia

Os meus primeiros "Conjuntos de Julia"

Deixo aqui registado um OBRIGADA ao meu amigo Jean Pierre (scratcher consagrado) pela sua prenda de Natal: um programa feito no Scratch (e para o Scratch), que acabara de criar a fim de que este pudesse "aguentar" e fazer funcionar on-line aquele tipo de fractais (uma espécie de compressão por desdobramento das pesadíssimas listas de variáveis dos célebres "conjuntos de Julia").
E cá ando eu (re)estudando matemática e resolvendo os meus quebra-cabeças com as programações... :)

NOTA aos eventuais visitantes: Os projectos publicados no Scratch Mit Edu* só podem ser visualizados tendo o Java instalado (de preferência actualizado) e muitos, que implicam fórmulas matemáticas, podem não funcionar, ou funcionar com lentidão insuportável, se o computador não tiver memória suficiente. (Mas não causa qualquer dano clicar para verificar)

Scratch Project
Clicar na imagem para aceder e visualizar

____________
* É uma enorme comunidade onde são publicados diariamentes muitos projectos de autores de quase todos os países do mundo, desde crianças ou adolescentes, até adultos com diversas formações, tais como matemáticos e físicos (cada um tem o seu espaço).  As programações podem ser vistas por quem esteja inscrito (inscrição grátis), mediante rápido download de projectos que abrem automaticamente no programa pessoal (também grátis). E talvez o mais interessante seja que muitos scratchers adultos analisam os projectos de garotos sugerindo-lhes correcções, cada um tem os seus "amigos" e vai conhecendo outros (como no FaceBook, por exemplo), e alguns dos "consagrados" até têm um espaço para os miúdos porem lá os seus projectos quando precisam de ajuda. Também a equipa responsável seleciona os projectos entrados (deve ser uma enorme equipa), premiando regularmente alguns com o destaque na primeira página, seguindo um critério muito louvável e muito estimulante para os garotos, que é o de destinar grande percentagem de prémios-destaques a selecionar entre os que se vê logo que são juvenis (embora também destaquem entre os projectos de programação avançada).

terça-feira, janeiro 18, 2011

Os meus Intervalos - II

Depois de, no post anterior, ter relatado (mais uma vez?) os motivos da minha desmotivação para a escrita neste blogue e de ter finalizado com a decisão de o tornar (quase) apenas como aquele cantinho que também, outrora,  tinha intervalos que o tornavam para mim como que não virtual, mas como se fosse um cantinho real onde, de vez em quando, me apetecia ir sentar por uns momentos para repousar perante um poema, uma canção ou uma reprodução de alguma obra de arte, hoje inicio essa decisão. Não importa que o nome do blogue se mantenha, pois as memórias estão nos seus arquivos, nem que agora passe, muito provavelmente,  a ser "O blogue que ninguém lê nem vê". É o meu cantinho.
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Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
Fernando Pessoa, Não basta abrir a janela.

René Magritte (1936), La clef des champs 

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Os meus Intervalos - I

Nos tempos idos em que escrevia assiduamente neste blogue, de vez em quando punha o título "Intervalo", embora quase sempre não durasse mais do que dois ou três dias pois logo havia um acontecimenro ou uma nova notícia relativa à política educativa que de imediato me gerava o impulso de escrever/comentar.
Actualmente e desde há bastante tempo, acontece-me o contrário: Quando, de vez em quando, me vem a intenção de retomar a escrita neste cantinho tão abandonado, é essa intenção que não dura mais do que dois ou três dias.
Relato os dois motivos disso, desdobrando o primeiro em jeito de balanço:
1.1.
Iniciado este blogue em Maio de 2005, o objectivo (como já tenho dito) era escrever memórias, antigas ou da véspera, do "terreno" - da escola, da sala de aula, e especialmente do ensino-aprendizagem da Matemática. Logo a seguir, surgiu a Ministra da Educação MLR, suscitando a centração na política educativa, embora não tenha deixado de escrever as memórias e haja nos arquivos deste blogue bastantes textos contribuintes (desculpem a falta de humildade) para a renovação de práticas de ensino, para a minoração do insucesso escolar (não só, mas principalmente na referida disciplina),  para a motivação dos alunos e para a sua formação global visando a educação para a autonomia.
1.2.
Com a aposentação, fiquei sem as memórias "da véspera", mas acho que as antigas, apesar dos novos tempos, não perderam actualidade. O que me desmotivou foi o facto de a blogosfera docente (com raríssimas embora excelentes excepções) não ser também um espaço de partilhas de práticas e de experiências/iniciativas bem sucedidas no sentido da motivação dos alunos, da criação de auto-confiança em tantos que a não têm, e da inovação positiva, geradoras da diminuição do problema da indisciplina e de uma aprendizagem significativa, efectiva e de qualidade. 
Porque, embora a política educativa também seja decisiva e tenha tido consequências desastrosas nos últimos anos, ela não pode interferir (a menos que o professor não se importe) na acção na sala de aula, tal como nem a melhor das políticas educativas pode resultar sem essa acção - aberta ao auto-questionamento, à reflexão crítica, ao estudo pessoal e à renovação.
Mas... o que o professor  poderá fazer, repensar ou inovar na sua prática lectiva individual ou colaborativa não era, salvo excepções, o que suscitava interesse e conferia "popularidade" aos blogues.
Desmotivei-me então, não pelo meu bloguezito cujos contributos seriam um grãozinho bem pequenito, mas pela perda de oportunidade dos docentes para fazerem da blogosfera também um espaço de trocas, de partilhas - um espaço formativo, pois não há professor que saiba tudo de melhor e não tenha novas ideas a receber.

2.
- Actualmente, quanto a qualquer contributo da minha experiência profissional, nada é preciso que escreva, pois o manancial riquíssimo e incansável de textos extremamente formativos do blogue Terrear do JMA, quer quanto à Educação directa, quer quanto à organização das escolas dentro da possível autonomia que lhes é permitida pela Tutela, tem tantos e tantos contributos sugestivos e importantes que, se eu escrevesse (ou se escrever), nada mais teria que fazer senão referir e manter em destaque por mais tempo alguns desses textos que, no Terrear, saiem demasiado depressa do campo de visão da primeira página para os decerto muitos professores para quem o Terrear é uma grande referência, mas que não podem visitá-lo diariamente (há lá posts que me levam a pensar que gostava que o blogger tivesse como que uns pregos para os deixar pendurados no topo por muito tempo).

- Também me falta o tempo para a blogosfera devido não só a horários de assistência familiar, mas também porque ando com uma ocupação pessoal gostosa para mim (porque é criativa por meio da Matemática) e bastante absorvente.

A minha decisão:
Nos tempos idos, este meu blogue era também um cantinho meu como que não virtual, mas real, que nos tais "intervalos" eu gostava de deixar bonito, com um poema, uma canção ou uma reprodução de alguma das obras dos meus pintores preferidos, para, de vez em quando,  me sentar no cantinho por uns momentos.
Decidi recuperar essa faceta parcial, muito provavelmente para este cantinho se tornar o blogue que ninguém lê ou vê - mas que não crie teias de aranha e eu possa voltar a vir por uns momentos que me apeteçam ou me repousem. 

terça-feira, janeiro 11, 2011

Hoje apetece-me o poema e a canção...


Poema de Rosalia de Castro cantado por Amancio Prada.
Com o agradecimento à Amélia Pais, que mo deu a conhecer. 

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Sugestão aos professores de Matemática


Clube de Matemática

Como diz o JMA, que divulgou este site no Terrear, vale a pena adicionar aos "Favoritos".


(Não, o responsável não é NC)

sábado, janeiro 01, 2011

Esperança começa por acreditar nas crianças/alunos

Via referência do JMA no Terrear, trago para aqui uma parte de um relato de uma professora no Vox Nostra. E o que eu gostaria de deixar dito neste primeiro dia do Novo Ano, é dito no último parágrafo por essa professora. Porque acredito convictamente que todos os alunos são capazes de aprender, podendo é ter as aptidões escondidas ou bloqueadas, e que mesmo os que parecem não querer, lá no fundo gostariam de aprender.

(...)

Sou professora de uma turma Ninho do 8º ano, e quando o Ninho foi formado no início do ano, a professora titular forneceu-me algumas informações relativamente aos quatro alunos que iriam ficar comigo. O C. foi o aluno que me chamou mais à atenção, não só porque, segundo a colega, era um aluno com imensas dificuldades de concentração/ atenção, de aprendizagem, mas sobretudo com dificuldades de relacionamento. Logo na primeira aula, o C. isolou-se na sala (e a sala é bem pequena), mal levantava a cabeça, mal respondia às minhas solicitações, era introvertido, e quando os colegas falavam com ele, ele simplesmente ou não respondia, ou dizia qualquer coisa “entre dentes”, imperceptível. Percebi mais tarde que não gostava de aulas, e estava ali por obrigação. Sempre que eu ia para as aulas, pensava numa forma de motivar o C., mas infelizmente saia sempre com um enorme vazio, fracasso, e incapacidade de lidar com este desafio. No entanto, eu continuava a acreditar…
O primeiro conteúdo programático a ser leccionado no 8º ano, e em termos de revisão/ consolidação, foi o texto poético. Todos nós sabemos a dificuldade que existe em conquistarmos os alunos com este tipo de texto, porém, é para mim um prazer enorme “inventar” estratégias/ actividades para os cativar e levá-los a gostar de poesia. Só que nenhuma delas funcionava com o C., e ele continuava no seu canto, em silêncio, no seu mundo. Inesperadamente, e sem pensar em qualquer tipo de intenção, comecei a reparar que nalgumas aulas, o C. fazia uns “rabiscos” no seu caderno. E numa aula, aqui sim, intencionalmente, e a propósito de uma poesia de Eugénio de Andrade, “Paisagem”, perguntei ao Ninho quem sabia desenhar. O C. levantou a cabeça, os colegas responderam de imediato: “O C. stora!”. (Confesso que era esta a reacção que eu esperava). Ele olhou para mim, e eu perguntei: “Queres ir ao quadro C.? Quero desafiar-te.” Incrédula, vi o C. levantar-se, dirigir-se ao quadro, e agarrar na caneta que estava na secretária. “Que quer que eu faça, stora?”, perguntou ele. Senti uma alegria interior. O C. estava a ter um diálogo comigo! E foi aí que o desafiei: “Quero que pintes o poema que os teus colegas acabaram de ler. Vou pedir-lhes para lerem o poema devagar, e tu vais desenhando o que ouves.” E assim foi. Começou a desenhar, cada linha, cada verso, cada imagem que ia “ouvindo”. E nós, cá atrás, estávamos sem palavras. Sem reacções. Apenas olhávamos, em silêncio, cada traço, cada curva, cada figura do C.. E no final, todos aplaudimos. Eu, com uma enorme satisfação, abracei-o, e tirei uma fotografia da “pintura”. O C. sorriu, agradeceu, e manteve o mesmo sorriso até ao final da aula. A partir desta aula, a atitude do C. mudou completamente. É o primeiro a chegar à aula, quer participar, ir ao quadro, tomar apontamentos no caderno diário, e até escrever. Sim, ele escreveu um poema!
(...)
É com esta “história fantástica” e exemplificativa, que pretendo mostrar a todos (as) os (as) colegas que é possível acreditar, mesmo quando pensamos que não vamos conseguir. Não desistam. Dentro de cada aluno, há uma resposta e um sinal, mais precisamente uma chave, para chegarmos até eles. Sucesso não é só levá-los a atingir resultados, é sobretudo levá-los a ganhar confiança neles próprios, e levá-los também a acreditar que são capazes de conseguir.

domingo, dezembro 26, 2010

E porque é Inverno...

Kawase Hasui (1883 - 1957)








tada oreba oru tote yuki no furi ni keri

Apenas estando aqui,
Estou aqui.
E a neve cai.


Issa

O meu Natal

Foi feliz...
a Mãe gostou...
e o desvelo dos bisnetos... são lindos adolescentes assim...

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Votos de Natal para os meus amigos

Um Natal com Alegria e um 2011 com muitas felicidades pessoais e familiares e melhor do que 2010 no que respeita às preocupações políticas e sociais, nomeadamente na Educação.

(Desculpem não pôr um post "enfeitado", mas é a primeira vez que não fiz uma grande árvore de Natal cá em casa (nem grande, nem pequena) devido à saúde muito débil da minha mãe, apenas iremos fazer-lhe companhia na sua casinha, tanto quanto o seu alheamento ainda pode apreciar)

terça-feira, novembro 16, 2010

De luto pela Escola Pública

Depois de 37 anos de dedicação à causa da Educação-Ensino-Aprendizagem, pergunto-me para que serviram tantas e tantas dedicações na minha geração e outras seguintes. Nenhum legado deixámos :-(
Só vejo um Tudo Para Recomeçar, com frutos não sei a que prazo, pois os estragos na Escola Pública foram demasiados e profundos.
Espero vir a ver a esperança. Mas, por agora, não sou capaz de escrever. Além de que (na minha opinião, claro), a blogosfera docente perde a oportunidade da força construtiva que poderia ter, salvo excepções que, por minoritárias, não chegam.

Assim, este bloguezito ficará abandonado até.........

segunda-feira, novembro 08, 2010

Momentos pensativos



Quando eu morrer, voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar

Sophia Andresen




                                                                                      Monet, 1888

sexta-feira, outubro 29, 2010

Tão actual... que desesperança!

Soneto quase inédito

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.


Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.


E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,


Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

JOSÉ RÉGIO - Soneto escrito em 1969

quinta-feira, outubro 21, 2010

Reportagem de um preconceito

Um artigo do MEC na revista Sábado, em Setembro de 2007. Não o li na altura, mas acabo de o receber no mail. Não resisto a deixá-lo AQUI.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Mensagem aos aposentados

DESAPOSENTAR
(Domingos Pellegrini)


Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta.
Amarrou a muda na estaca e se afastou como pra olhar uma obra de arte.
Não resisti a puxar conversa:
- O senhor é da prefeitura?
- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
- Ah... O senhor foi quem plantou essa muda?
- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.
- Então o senhor gosta de plantas.
- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
- Obrigado pela parte que me cabe...
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
- O senhor é aposentado?
- Não, sou desaposentado. Foi podando e explicando:
- Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria... Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não encobrir a fachada da loja? É... aí fica com a loja torrando no sol!
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
- É bom pra terra... tudo que sai da terra deve voltar pra terra... Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando... Até que acabaram com derrame ou infarto, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
Cortou umas flores, fez um ramalhete:
- Pra minha menina. A Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ihh... A Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa.
Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode.
Sorriu, olhando a praça.
- Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem  de cuidar da praça... Ou antes que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei... Ta vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou.
Só  tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar  pinhões.
- Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
- Eu também não sabia, filho. Ihh... aprendi tanta coisa cuidando dessa praça! Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!
- Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein? - falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura. Ele respondeu que não tinha pressa.
- Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber... e a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores...
- É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!
Ele riu:
- Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!


Publicado na GAZETA DO POVO, de 22/05/05, Fortaleza-CE

domingo, outubro 10, 2010

Ontem faria anos...

Um sonho cada vez mais longíquo: Precisamos de Homens que sonhem ("Cada vez que um Homem sonha......"). Nunca é demais ouvir esta canção.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Quando os problemas do presente fazem esquecer os problemas do futuro

Vivimos una situación de auténtica emergencia planetaria, marcada por toda una serie de graves problemas estrechamente relacionados: contaminación y degradación de los ecosistemas, cambio climático, agotamiento de recursos, crecimiento incontrolado de la población mundial, desequilibrios insostenibles, conflictos destructivos, pérdida de diversidad biológica y cultural... Es una situación que aparece asociada a comportamientos individuales y colectivos orientados a la búsqueda de beneficios particulares y a corto plazo, sin atender a sus consecuencias para los demás o para las futuras generaciones. (...)

Es este un reto que exige la incorporación de la educación para la sostenibilidad en el currículo de los diferentes niveles educativos y en la formación del profesorado
(...)