sábado, julho 30, 2011
terça-feira, julho 26, 2011
UAU!
Não há ninguém que não saiba que conceber um modelo de ADD simultaneamente, por um lado, fiável e justo, e, por outro lado, viável para já, é extraordinariamente difícil. E, conseguir isso em poucas semanas... isso então é um feito genial.
Estou indecisa entre a total incredulidade e a expectativa de que Nuno Crato descobriu (ou alguém descobriu e lhe apresentou) uma cabeça genial algures neste nosso Portugal.
sexta-feira, julho 22, 2011
terça-feira, julho 19, 2011
"Exames! - disse ele"
Exames! - disse ele". Exames para professores. Exames para alunos do 9º e do 12º ano.. Exames para alunos do 6º e, já agora, do 4º ano.
Não negamos as virtualidades dos exames. Mas se a receita se fica por aí, a educação rapidamente cederá à "explicacite" nacional. Será que é esta a nova taumaturgia educacional, nova pomada santa jibóia de aplicação universal?
Não é, por isso, com agrado, que aqui lembramos a Nuno Crato que "há mais vida para além do 'eduquês' ". (*pp 47-48)
(...) um capítulo-talismã, uma proposta-pérola: os exames, a obsessão central de toda a sua obra. Mas, aguerrrido na sua batalha, Nuno Crato seguramente dispõe de generais. Vejamos quais.
Convoca (..., ...,...,..................)? Não. Etc., etc., etc.
Refere Nuno Crato algum outro investigador que, seriamente, se ocupe da problemática da avaliação? Das suas vantagens? Dos seus limites? Dos seus riscos? Das suas virtudes? Não refere um único. Nem uma só palavra sobre um único (insistimos) dos problematizadores da avaliação. É no mínimo paradoxal que o capítulo quarto, justamente sobre A polémica dos exames, tenha como bibliografia de fundamentação uns quantos textos de jornal. Não será escandaloso de mais para poder ser verdade?
(...) Mas essa é uma atitude própria da ciência ou da doxa? É uma busca ou é uma fé? Ao não analisar um único teórico da avaliação, um único teórico da docimologia, um único analista dos testes e suas metamorfoses, Nuno Crato deixa na sombra toda a complexíssima problemática que subjaz à sua proposta.
Estas questões são estudadas, há décadas, por gente que não é nem menos séria, nem menos rigorosa, nem menos exigente que o Professor Crato. Não são questões fáceis, como pode parecer de algumas antinomias simplistas; nem são o restolho de ideologias. São conquistas civilizacionais. E são estudos longitudinais, reflectidos, cientificamente irrepreensíveis. (*pp 52-54)
____________
(*) Álvaro Gomes (2006). Blues pelo Humanismo Educacional? Edições Flumen.
domingo, julho 17, 2011
Todos os professores devem conhecer a História do século passado
Desde o Chile de Allende - A doutrina do choque
sexta-feira, julho 15, 2011
quinta-feira, julho 14, 2011
Silêncio... não perturbar...
Meditation
Simone Martini (1312-1317), Meditation
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ADENDA POSTERIOR
Comentário do Professor Álvaro Gomes, que, com o meu agradecimento, trancrevo para aqui pois foi escrito, alusivo a este post, numa posterior (mais actualizada) postagem minha.
«Presenteou-nos, há dias, a I. C. com um belíssimo quadro de Simone Martini. A ausência de comentários a uma obra-prima como aquela dever-se-á, quero imaginar, à meditação profunda que esse quadro em nós provoca. Permita-me, no entanto, I. C., que rompa este silêncio e, mesmo se com algum atraso, aqui venha agradecer-lhe aquele precioso brinde.
Primeiro, pela representação. Martinho, personalidade escolhida pelo pintor, acaso por ser seu homónimo (Martini), é aquela figura popular que está na base dos nossos “S. Martinho, castanhas e vinho.”, “Em dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho...” ou o “Verão de S. Martinho”, etc. Mas nele assenta também a ideia de solidariedade, pois é uma das primeiras representações deste conceito. Conta a lenda que, ao ver um pobre, não lhe deu uma esmola: rasgou o seu manto a meio e partilhou-o com ele. Impressiva lição esta! Quem há, entre nós, que consiga partilhar, 'a meias', o muito ou o pouco que possui?
Ora, ao contemplarmos este quadro, o que verdadeiramente surpreende é aquele olhar, fechado mas sereno, em meditação profunda, estático e quase extático, num recolhimento alheio ao contexto que o envolve. E surpreende-nos tanto mais, quanto uma das marcas mais impressivas deste pintor é, para quem conhece a sua obra, a força expressiva que ele imprime ao olhar das suas personagens, que exibem, genericamente, olhares vivos (directos, uns; oblíquos, outros), mas de uma força interior que marca e toca, vivamente, quem as contempla...
Depois, pela substância. A meditação parece ser a força daquele olhar que se recolhe, se alheia, se interioriza... numa espécie de som do silêncio, de que, contraditando algumas tecnocracias da moda, nós falávamos em obra já longínqua. “Um educador – escrevíamos – é aquele que, por excelência, sabe criar momentos de silêncio profundo, nos seus alunos. [...] É nesses momentos de assombro que a sua acção vibra neles, em ressonâncias sentidas de uma comunicação ímpar, de uma comunicação única, de uma comunicação irrepetível.” [In Á. G. (2000). Do Som do Silêncio. Lisboa: Didáct. Editora, p. 97.]”
Ora, a palavra meditação tem muito a ver com a ideia de avaliação. Ambas são palavras oriundas da medicina. Ambas têm a ver com a saúde. Com efeito, se meditação (*i-e. med-) é cognata de medicação, médico, medicina, medicamento, mezinha..., a avaliação (*i-e. val-) é, por seu lado, cognata de valer, convalescer, válido, inválido, valência, validar, valimento, valioso, valor, valorizar...
É, pois, de saúde, de vigor, que falamos: saúde biológica, saúde institucional, saúde política.
Por fim, pela essência e pela fragrância. Este Martinho, de barba já grisalha, era um amadurecido bispo [em grego, [epi]scopein significa ver de cima, equivalendo ao latim [super]videre – com idêntico significado; cf. supervisor); paradoxalmente, neste quadro, se bem que ostentando os sinais exteriores, Martinho “não olha de cima”; alheio, absorto e como que distanciando-se da sua condição, ele “olha para dentro”, em profunda introspecção, buscando os sinais interiores da sua humanidade.
Num tempo em que tanto se fala da avaliação externa (dos professores e dos alunos, mas raramente dos sistemas e dos políticos – nesses confia-se ou fia-se!), Simone Martini (1284/1344) convida-nos, há 700 anos!, à ponderação, à meditação, ao recolhimento, à auto-análise, ao exame interior...
E é para a urgência desta meditação interior, deste repensar, que, num tempo de decisões imponderadas e imponderáveis, de enxurradas mediáticas, da banalização de cursos, concursos ou discursos, Isabel Campeão etereamente nos convida e nos convoca, através do subtil e sublime quadro que nos propõe. Gratos lhe deveríamos ficar, por isso. Eu estou. Porque ‘este’ Martini é um grande aperitivo...
Á. G.
27/7/11 10:46 AM »
quarta-feira, julho 13, 2011
domingo, julho 10, 2011
Pela Grécia...Pelo Património Cultural mundial
Brilhante... Imprescindível visualizar.
Com o agradecimento ao Professor Á.G. e salientando que começou por o colocar no YouTube em francês, mas... essa versão foi retirada!!!
sábado, julho 09, 2011
Do estado de graça ao 'nim' foi um passo, mas falta o salto de grande altura
Com todo o respeito e solidariedade que tenho pela "classe docente", da qual me sentirei sempre a fazer parte, apesar de aposentada, é inegável e os próprios professores reconhecem em si um defeito que desde sempre foi uma característica da maioria: só se informam devidamente, só lêem legislação (e, agora, programas eleitorais), só começam a prestar atenção pelas suas próprias cabeças ao que lhes diz respeito quando males já estão a cair em cima da sua. Os professores não têm que ser muito politizados, mas deveriam assumir aquilo que se espera deles: serem intelectualmente informados, pesquisadores, se necessário, das ideias daqueles em quem vão votar e daqueles que andam "na berra" como possíveis ministros, especialmente da Educação; e também participarem activamente nos seus sindicatos em vez de se limitarem a atirar culpas aos dirigentes, como se os sindicatos fossem apenas as direcções e não tb os próprios sindicalizados.
Eu e bastantes outros, se conhecemos bem Nuno Crato há que tempos não foi por que tenhamos feito algum curso para identificar ideias e ignorâncias!
Além disto, a obcessão com a ADD (embora havendo toda a razão para contestar fortemente modelos de avaliação injustos, não formativos mas sim penalizadores por motivos economicistas, carregados de burocracia e desestabilizadores das relações de trabalho e da cooperação) cegou muitos quanto ao resto, nomeadamente quanto ao perigo de destruição da Escola Pública de qualidade para todos.
O povo português foi iludido, mas depressa o percebeu, o que se observa nos comentários "de rua" de pessoas com pouca instrução mas que já descortinaram esse "programa oculto" sob o chamado "programa do governo", que se irá revelando a pouco e pouco. Por isso, custa-me dizer, mas é preciso dizer aos caros colegas professores que têm obrigação de descortinar mais depressa o programa do governo, ao menos no que respeita à Educação-Ensino (embora esta parte não se possa desligar do todo). Além de que não se pode ser bom professor quando a cabeça se descentra (e é empurrada por bastante "blogosfera" a desviar-se) da sala de aula, dessa sala onde pais e mães desde a classe média até à mais desfavorecida deverão poder ter os seus filhos, confiantes de que serão instruídos e bem formados.
Eu e bastantes outros, se conhecemos bem Nuno Crato há que tempos não foi por que tenhamos feito algum curso para identificar ideias e ignorâncias!
Além disto, a obcessão com a ADD (embora havendo toda a razão para contestar fortemente modelos de avaliação injustos, não formativos mas sim penalizadores por motivos economicistas, carregados de burocracia e desestabilizadores das relações de trabalho e da cooperação) cegou muitos quanto ao resto, nomeadamente quanto ao perigo de destruição da Escola Pública de qualidade para todos.
O povo português foi iludido, mas depressa o percebeu, o que se observa nos comentários "de rua" de pessoas com pouca instrução mas que já descortinaram esse "programa oculto" sob o chamado "programa do governo", que se irá revelando a pouco e pouco. Por isso, custa-me dizer, mas é preciso dizer aos caros colegas professores que têm obrigação de descortinar mais depressa o programa do governo, ao menos no que respeita à Educação-Ensino (embora esta parte não se possa desligar do todo). Além de que não se pode ser bom professor quando a cabeça se descentra (e é empurrada por bastante "blogosfera" a desviar-se) da sala de aula, dessa sala onde pais e mães desde a classe média até à mais desfavorecida deverão poder ter os seus filhos, confiantes de que serão instruídos e bem formados.
quinta-feira, julho 07, 2011
Carta Aberta de Á.G. à Moody's
Nota prévia:
Agradeço ao Professor Álvaro Gomes a simpatia com que respondeu ao meu pedido de autorização para trazer para aqui a brilhante e reconfortante Carta Aberta à Moody's que deixou na caixa de comentários deste post do fsantos.
Foi ontem e, inesperadamente, o "augúrio", o "vaticínio" e o "oráculo" expressados nessa Carta começaram a indiciar-se já hoje. Que essa pequenininha luz hoje vislumbrada lá no fundo do túnel não se extinga e anime os povos da Europa a exigirem "ratings" criteriosos e isentos.
Carta Aberta à
Moody’s
Foi ontem e, inesperadamente, o "augúrio", o "vaticínio" e o "oráculo" expressados nessa Carta começaram a indiciar-se já hoje. Que essa pequenininha luz hoje vislumbrada lá no fundo do túnel não se extinga e anime os povos da Europa a exigirem "ratings" criteriosos e isentos.
Carta Aberta à
Moody’s
Caros sábios da sábia Moody’s.
Eu já tinha muita consideração pelo vosso centenário crânio (tendes, sensivelmente, a mesma idade do nosso Manoel de Oliveira – em rigor, ele tem um aninho mais). Mas, enquanto este cineasta é mestre e antigo, vossências são discípulos velhos e caducos. Sem engenho e sem arte, vosselências (perdoar-me-ão, mas) vão de tombo em tombo. E é meu pio dever em vosso socorro vir.
Ainda há pouco garantiam ser investimento de primeira água um banco que, dias depois, mergulhava na (des)dita e os banqueiros Irmãos Lehman afogaram-se nas bóias da vossa segura garantia… Vossas insolências garantiam ser investimento do mais alto quilate o país de ouro que a Islândia é e quase em bancarrota entrou, logo a seguir.
Com tais acertos e tais rigores, é uma bênção para nós vê-los fal(h)ar assim, pois que melhor garantia do nosso vigor poderíamos nós buscar?
Apesar de tantos e tão sábios oráculos, estão vosselências mui prudentes. É sabido que não conhecem Portugal, nem este piccolo país lhes diz seja o que for. Mas, justamente por isso, sentem-se legitimados para oracular, augurar, vaticinar, pitonisar…
Só que eu, generoso que sou, graciosamente os informo: Portugal é um rectângulo quase (im)perfeito; mas daí a vossas insolências o tomarem por “bola” de trapo, vai um abismo lógico. Têm-na pontapeado a vosso bel-prazer e acabam, agora, de a chutar para lixo. Por nós, ficámos muito gratos ao vosso augúrio, pois, ao entrarmos na lixeira, fomos lá encontrar, justamente, não apenas a vossa bela terra (sim, os states e os united ), mas também os nipões e, paradoxo dos paradoxos!, a sábia Moody’s… Conhecem?
Este meu país, sabem?, vive há quase mil anos. Eu sei que não sabiam, mas eu informo-os de bom grado. Nós, lusos, veremos passar muitas moddy’s, muitas fitch’s… e muitas poor’s… nas passerelles da rapina! Vossências passarão, nós fi(n)caremos.
Numa irrepreensível lógica, vossências vaticinam e pitonisam segundo elementares forças, pois tudo delas depende. Se não, vejamos:
Eu já tinha muita consideração pelo vosso centenário crânio (tendes, sensivelmente, a mesma idade do nosso Manoel de Oliveira – em rigor, ele tem um aninho mais). Mas, enquanto este cineasta é mestre e antigo, vossências são discípulos velhos e caducos. Sem engenho e sem arte, vosselências (perdoar-me-ão, mas) vão de tombo em tombo. E é meu pio dever em vosso socorro vir.
Ainda há pouco garantiam ser investimento de primeira água um banco que, dias depois, mergulhava na (des)dita e os banqueiros Irmãos Lehman afogaram-se nas bóias da vossa segura garantia… Vossas insolências garantiam ser investimento do mais alto quilate o país de ouro que a Islândia é e quase em bancarrota entrou, logo a seguir.
Com tais acertos e tais rigores, é uma bênção para nós vê-los fal(h)ar assim, pois que melhor garantia do nosso vigor poderíamos nós buscar?
Apesar de tantos e tão sábios oráculos, estão vosselências mui prudentes. É sabido que não conhecem Portugal, nem este piccolo país lhes diz seja o que for. Mas, justamente por isso, sentem-se legitimados para oracular, augurar, vaticinar, pitonisar…
Só que eu, generoso que sou, graciosamente os informo: Portugal é um rectângulo quase (im)perfeito; mas daí a vossas insolências o tomarem por “bola” de trapo, vai um abismo lógico. Têm-na pontapeado a vosso bel-prazer e acabam, agora, de a chutar para lixo. Por nós, ficámos muito gratos ao vosso augúrio, pois, ao entrarmos na lixeira, fomos lá encontrar, justamente, não apenas a vossa bela terra (sim, os states e os united ), mas também os nipões e, paradoxo dos paradoxos!, a sábia Moody’s… Conhecem?
Este meu país, sabem?, vive há quase mil anos. Eu sei que não sabiam, mas eu informo-os de bom grado. Nós, lusos, veremos passar muitas moddy’s, muitas fitch’s… e muitas poor’s… nas passerelles da rapina! Vossências passarão, nós fi(n)caremos.
Numa irrepreensível lógica, vossências vaticinam e pitonisam segundo elementares forças, pois tudo delas depende. Se não, vejamos:
Sol e Chuva
Vai chover? Descem o ranking, pois inundações haver pode. E, se houver míngua, podem secar as albufeiras.
Vai fazer sol? Descem o ranking, não vá haver fogos. Há nuvens? Baixam o ranking, pois a atmosfera será sombria. Não há nuvens? Baixam o ranking, por haver luz em excesso, o que exige óculos da mafia…
Vai chover? Descem o ranking, pois inundações haver pode. E, se houver míngua, podem secar as albufeiras.
Vai fazer sol? Descem o ranking, não vá haver fogos. Há nuvens? Baixam o ranking, pois a atmosfera será sombria. Não há nuvens? Baixam o ranking, por haver luz em excesso, o que exige óculos da mafia…
Eclipses
Vai haver eclipse? Descem o ranking, porque é sinal de mau agoiro. Não vai haver eclipse? Descem o ranking, porque, não havendo astral, haverá eclipse financeiro.
Vai haver eclipse? Descem o ranking, porque é sinal de mau agoiro. Não vai haver eclipse? Descem o ranking, porque, não havendo astral, haverá eclipse financeiro.
Vento
Não há vento? Baixam o ranking, que as eólicas não produzem. Há vento? Baixam o ranking, não venha aí algum tornado.
Não há vento? Baixam o ranking, que as eólicas não produzem. Há vento? Baixam o ranking, não venha aí algum tornado.
Mar
O mar está encapelado? Baixam o ranking, não vá naufragar algum petroleiro. Está calmo, baixam o ranking, pois não haverá campeonato de windsurf.
O mar está encapelado? Baixam o ranking, não vá naufragar algum petroleiro. Está calmo, baixam o ranking, pois não haverá campeonato de windsurf.
Petróleo
Sobe o preço do petróleo? Descem o ranking, porque isso agravará a nossa balança. Desce o petróleo? Descem o ranking, porque isso afectará o vosso balanço.
Sobe o preço do petróleo? Descem o ranking, porque isso agravará a nossa balança. Desce o petróleo? Descem o ranking, porque isso afectará o vosso balanço.
Europa
A Europa diz que acredita em nós? Descem o ranking, porque suspeitam de mentirola diplomática. A Europa diz que não acredita em nós? Descem o ranking, porque a Europa é credível.
A Europa diz que acredita em nós? Descem o ranking, porque suspeitam de mentirola diplomática. A Europa diz que não acredita em nós? Descem o ranking, porque a Europa é credível.
Ouro
Sobe o ouro? Descem o ranking, pois desce o euro. Sobe o euro? Descem o ranking, pois baixa o ouro…
Sobe o ouro? Descem o ranking, pois desce o euro. Sobe o euro? Descem o ranking, pois baixa o ouro…
Espirro
Espirra a Grécia? Baixam o ranking, não venha aí o H5N1. Aprova o parlamento o programa da troika? Baixam o ranking, pois “quem mais jura mais mente”. Portugal elegeu novo governo? Baixam o ranking, porque é inexperiente. No governo anterior baixavam o ranking, porque eram experientes de mais.
Espirra a Grécia? Baixam o ranking, não venha aí o H5N1. Aprova o parlamento o programa da troika? Baixam o ranking, pois “quem mais jura mais mente”. Portugal elegeu novo governo? Baixam o ranking, porque é inexperiente. No governo anterior baixavam o ranking, porque eram experientes de mais.
Ora, com critérios tão lineares e tão cientóides como os vossos, doer, só me dói que os terreiros dos passos (perdão, dos paços) ou os presépios de belém, perante vossências, andem a imodium e se ponham de giolhos. Mas eu, que nutro profundérrima simpatia por tudo quanto me cheire a moddy’s e a blues, há um augúrio, um vaticínio, um oráculo que quero, em português suave, reservar para vossências: “Vão… passear (à Lua. Far-lhes-á bem uma mudança “d’ares”… E por lá fiquem, sem oxigénio, que nós ficaremos bem, graças a vós!)”!
Á. G.quarta-feira, julho 06, 2011
Tocata e Fuga
TOCATA E FUGAÉ tudo aquilo que só existe no ar, 0 que de nós, além de nós, se expande.É a vertigem para o alto, igual à grande Tocata e fuga em ré menor de Bach.É o delírio de um bêbedo num bar É um não sair do chão por mais que se andeTudo que em mim, somente em mim existe,Me transporta, me absorve, me suspende,Me faz sorrir embora eu esteja triste, Triste naquele universal sentido Que a música interpreta e se compreende Dante Milano (Brasil,1899-1991)(via Amélia Pais)
Também detesto Sócrates, mas detestemos com isenção e justiça...
...Detesto Sócrates e nunca votei no seu partido (nem em nenhum à sua direita!)
Jornal i de 5 de Julho de 2011 : ....77 escolas em obras mas só dinheiro até Janeiro
Jornal i de 5 de Julho de 2011 : ....77 escolas em obras mas só dinheiro até Janeiro
(...) O actual programa de requalificação foi da iniciativa do executivo de José Sócrates, que criou a Parque Escolar, em 2008, para garantir a requalificação de 213 escolas a nível nacional.
(...)Chegou-se também à conclusão que na maioria dos casos, e à medida que os estabelecimentos eram renovados, o nível de absentismo e de violência baixou. Para comprovar esses dados foram encomendados alguns estudos.
(...)
(...)
Etc., etc.
Fui para a minha última escola quando foi inaugurada como escola autónoma, há muitos anos mas constituída por já velhos pavilhões prefabricados e "provisórios", antes anexos da escola secundária ao lado. E lá se ia fazendo remendos quando chovia nesta ou naquela sala de aula, graças ao engenho e dedicação de um dos nossos funcionários, enquanto os alunos fugiam para a pequena sala de convívio quando chovia nos páteos. O ambiente físico era propício às agressividades nos recreios pois era difícil a vigilância de tantos espaços entre os ditos pavilhões. Só há dois anos tive o prazer de ver, ao ir à escola pela primeira vez depois de aposentada, uma nova construção com condições e apetrechamento incomparáveis com aqueles em que trabalhei tantos anos. (Trata-se da EB 2.3 Professor Lindley Cintra, sede de agrupamento e, há um ano, integrada em mega-agrupamento)
sexta-feira, julho 01, 2011
Já cumpri o primeiro dever face ao novo Governo
Antes de me referir a DEVER, devo salientar o DIREITO de todos os portugueses sem excepção poderem ter acesso às intenções programáticas do novo Governo. Só não vale a pena lembrar factos irreversíveis tais como as omissões na campanha eleitoral (aliás habituais, infelizmente, em campanhas anteriores dos partidos do chamado arco governativo) porque o povo português legitimou a actual maioria e o actual governo e, portanto, agora é momento de olhar para a frente, não para trás.
Entretanto, sem deixar de afirmar que o povo português não é nada estúpido ou parvo, há todos aqueles que emitem opiniões (quer com grande visibilidade/audição, quer apenas no seu pequeno círculo de convívio, ou nos seus escritos lidos por raros) que são mais "alfabetizados politicamente" (deixem-me usar esta expressão para simplificar). E são estes que, primordialmente, têm o DEVER (ou deveriam sentir esse DEVER) de começar por fazer o que eu hoje já cumpri.
Por uma questão de honestidade intelectual, esvaziei a minha cabeça das ideias ou juízos que já tinha pré-concebidos para assim ler o programa apresentado pelo Governo e ouvir com atenção quer as respostas principalmente do Primeiro Ministro e do Ministro das Finanças na Assembleia da República, quer as dúvidas, críticas e discordâncias das Oposições (tendo em consideração que o Partido Socialista está vinculado ao acordo com a troika, mas não deixa, por isso, de poder ser oposição quanto a medidas não explícitas nesse acordo).
Li e ouvi sinceramente com a minha cabeça como disse acima, pois este é o governo que foi eleito para enfrentar e gerir o Levantar do meu país, humilhado e quase afundado.
Cumprido o que considerei ser meu DEVER conseguir começar por cumprir, passo agora à questão de dar (ou não dar) a este Governo o benefício da dúvida.
E não, não me é possível dar mais do que o benefício da espera - uma espera de que o 1º Ministro cumpra uma coisa que afirmou: que estará aberto a obter consensos mais alargados pela atenção a todos os partidos da oposição. É o benefício da espera para ver se essa sua afirmação corresponderá a uma reflexão da sua parte sobre, ao menos, políticas parcelares ainda vagas, que atenuem um pouco a injustiça de fazer o povo pagar mais e mais a dívida que não é sua poupando os responsáveis por ela (que não são só o Estado), e também sobre as opções que muitos economistas consideram invertidas em termos de prioridade no sentido de gerar investimento na produtividade e desenvolvimento (aqui sou leiga, só posso dar o tal benefício da espera em termos de desejar reflexões correctas)
Propriamente o benefício da dúvida não dou. Porque, com este exercício honesto que me obriguei a fazer, eu não deixei de ser a mesma que colocou o post anterior com o título "Mensagem que urge gritar aos povos: Este não é o único mundo possível".
Um mundo conformado com o neoliberalismo (acerbado) não é o único mundo possível. E uma Europa a subjugar-se e a desistir de si mesma nos valores que já teve não tem que ser inevitável. E há um país que, apesar de ser nela dos "pequenos", tem os olhos dessa Europa postos nele, em primeiro lugar a seguir à Grécia. Esse país é o nosso, merecia, por isso, ter um governo menos conivente, um governo que pugnasse por manter ao menos o Estado Social mínimo que ainda seria possível manter, em vez de, muito provavelmente, o reduzir a Zero.
Nota: Este meu cantinho é um blogue sobre Educação. Mas, neste momento, considero que o programa governamental para a Educação está inserido numa ideologia global que abrangerá toda a política concernente ao que deveria ser - e não será - uma das prioridades: Uma Educação e um Ensino de qualidade para todos. Por isso, de pouco valeria centrar a atenção no programa específico para a Educação (intitulado, como que por ironia, "O desafio do futuro") desinserido do programa geral.
sexta-feira, junho 24, 2011
Mensagem que urge gritar aos povos
Este não é o único mundo possível
E outro mundo possível está na barriga do actual. Será parido, não por parto normal, mas porque a barriga rebentará - acho eu, é nisso que acredito e é isso que espero.
segunda-feira, junho 20, 2011
Comentário ao discurso do novo Ministro da Educação
Comentei-o na rede Interactic 2.0, pelo que me limito a copiar para aqui esse meu comentário, com alguns pequenos prolongamentos.
-Começando por apontar um ponto positivo: Valorizar os professores. Mas, onde fez Nuno Crato ouvir a sua voz quando, após a LBSE, a formação dos professores de Matemática do Ensino Básico, especialmente do crucial 2º Ciclo(falo desta disciplina porque a lecionei durante 37 anos, primeiro no 2º Ciclo - e ainda no "Ciclo Preparatório" da Reforma Veiga Simão -, depois no 3º Ciclo), baixou muitíssimo de qualidade, juntando a formação científica à formação pedagógica, praticamente eliminando verdadeiros estágios pedagógicos, tudo com a mesma duração que antes tinha a formação científica? E com que força procurou opor-se ao ainda pior Novo Regime de formação de professores, quando do processo de Bolonha? (Não tenho voz pública, mas, no meu humilde blogue, muito denunciei tudo isso)
-"Ensino em espiral": NC critica, e valoriza conteúdos, mas esquece que, no E. Básico, além de uma boa preparação nos conhecimentos, essencial para os alunos que virão a prosseguir para áreas com Matemática ( e boa preparação a nível de conhecimentos não é simplesmente decorá-los de modo a não serem esquecidos até realizarem exames), é fundamental criar os hábitos (e o gosto) de raciocinar, de rigor, de pensar criticamente, e proceder desde relativamente cedo à iniciação em CONCEITOS, os quais só ficam elaborados por sucessivas retomas. A matemática do (decorar) "como se faz" em nadinha contribui para a Formação Matemática e desenvolvimento do pensamente rigoroso sem a aquisição de conceitos, e estes só ficam elaborados após o tal "ensino em espiral" (que Nuno Crato de algum modo caricaturiza - talvez se encontre aí a explicação para a falta de rigor de alguns dos seus escritos, nada própria de um matemático)
- Nunca adopto a expressão "Ciências da Educação" (e gosto de ter no meu registo biográfico "mestrado em Educação", pelo Departamento de Educação da FCUL - departamento que é avesso à expressão acima). Mas muito importantes são as Ciências tais como Psicologia Cognitiva, Psicologia da Aprendizagem", etc., do âmbito da investigação científica (essas sim, Ciências), pelas suas aplicações em educação-ensino-aprendizagem. NC tem na sua cabeça um "eduquês" que ridicularizou com bastante ignorância e recurso a método nada próprio de quem deveria ter rigor intelectual, como já disse acima - um "eduquês" completamente irreal nas escolas.
O que não é compatível, é juntar a formação científica sólida (o professor tem que saber bem mais do que o que tem que ensinar a determinadas idades) com essas ciências num curso de formação inicial com a mesma duração que tinha no meu tempo só a licenciatura científica especializada. E os verdadeiros estágios pedagógicos foram tornados caricaturas de estágios por motivos economicistas (pelo menos para lecionar 2º Ciclo, onde tive o que guardo como triste memória quando, uma única vez, aceitei ser professora cooperante - não confundir com professor orientador). NC denuncia o actual regime de formação inicial de professores, relacionado com o Processo de Bolonha, mas não diz que vai ter coragem para o alterar.
- Por último: NC tem-se mostrado assustadoramente retrógado, pois tem insistido na sobreposição dos conteúdos e na memorização, desvalorizando os processos. Além de que mais exames pressionarão os professores para o treino para estes, quando a aprendizagem da Matemática, precisando, claro, também de treino, não chega a ser aprendizagem que dure sem os processos que levam os alunos ao pensar, à compreensão, e ao ganho de autonomia numa relação com gosto e com esforço no prosseguimento do estudo dessa disciplina.
Perdoem-me o pecado de pouca humildade, mas tenho que dizer que tenho autoridade para opinar pois os meus alunos sempre provaram prosseguir bem preparados, e, no respeitante ao 9º ano, quer aqueles a quem atribuí o nível mais elevado (5) mantiveram, na escala de notas do Secundário, a excelência (própria das elites sobre as quais parece predominar o pensamento de NC), quer alunos a quem atribuí aquele nível 3 "baixinho" e prosseguiram para a escolaridade não obrigatória, aguentaram-se muitas vezes até para além das minhas expectativas. (Eu tinha notícias de quase todos porque a Escola Secundária era ao lado da minha E2,3).
Eu seria decerto apelidada por NC de "eduquesa", mas, por minha vez, eu considero-o não "moderno", mas sim com um pensamento extraordinariamente antiquado e voltado para as elites de alunos. Revela-o pouco no vídeo, mas não é pelo vídeo que eu o conheço (que nós o conhecemos).
Eu seria decerto apelidada por NC de "eduquesa", mas, por minha vez, eu considero-o não "moderno", mas sim com um pensamento extraordinariamente antiquado e voltado para as elites de alunos. Revela-o pouco no vídeo, mas não é pelo vídeo que eu o conheço (que nós o conhecemos).
sábado, junho 18, 2011
Já estava de luto pela Cultura, agora estou de luto pela Educação Escolar
Exceptuando o que toca ao novo Ministro da Educação, não comento o novo elenco ministerial, não só porque cabe pouco no âmbito deste blogue, mas também porque não tenho dados para opinar. Melhor dizendo, as questões ideológicas já estão fora da ordem do dia desde os resultados das eleições, em que, num sistema democrático, o povo é soberano (mesmo que possa mais tarde perceber que foi iludido pelas campanhas que nada esclareceram concretamente). Restam as questões de competência política e técnica para execução do programa imposto externamente, e é sobre essas que não tenho dados.
Também vou escrever pouco sobre o novo Ministro da Educação porque, embora tenha fundamentos para estar de luto, todos têm o direito de vir a mudar, sobretudo se for por meio (meritório) de estudo que permita colmatar grandes e graves ignorâncias demonstradas fora da sua área de especialidade. Esta hipótese obriga-me a algum benefício da dúvida.
Erigido a comentador, algumas das suas ideias sobre educação-ensino preocupam-me. Mas preocupa-me ainda mais o facto de ter revelado duas facetas num livrinho que escreveu, promovido por largo tempo aos "tops" das livrarias e obtendo grande popularidade:
- Ignorância sobre verdadeiros conceitos da teoria e da investigação internacional no âmbito da Psicologia Cognitiva, ridicularizando-os por confusão com pseudoconceitos em voga, embora não na comunidade científica.
- Falta de rigor (para não dizer falta de honestidade intelectual) ao ridicularizar, mediante um ou outro exemplo isolado e caricato, ideias que os professores nunca tiveram, bem como ao ridicularizar o pensamento de figuras prestigiadas no campo da Educação e da Psicologia Educacional através de curtíssimas citações totalmente retiradas do contexto em que se inseriam, deturpando ou omitindo o real pensamento das pessoas citadas.
Eu poderia escrever um muito mais longo texto comprovando o que acabo de dizer, mas dispenso-me de o fazer já que comecei por conceder algum benefício da dúvida. No entanto, como não é bonito (leia-se "honesto") fazer sequer insinuações sem as provar, remeto o leitor para a 1ª Parte de um livro que comprova o que eu disse, embora eu tenha constatado o que disse por discernimento meu baseado em conhecimento directo antes de ler o livro que cito:
Álvaro Gomes (2006), "Blues pelo Humanismo Educacional?". Eds Flumen.
terça-feira, junho 14, 2011
segunda-feira, junho 13, 2011
Faria anos hoje...
NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fatuo encerra.
Ninguem sabe que coisa quere.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro,
Tudo é disperso, nada é inteiro,
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
In Mensagem, 10-12-1928
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