domingo, junho 13, 2010

Com a Matemática, em busca da arte

Continuo com o Scratch. Voltei um pouco atrás para recomeçar com a auto-semelhança (o todo igual a qualquer das partes, como numa couve-flor), que é condição necessária mas não suficiente para conseguir um fractal...

Scratch Project

Clicar para ver o projecto correr

domingo, junho 06, 2010

...

Desolação


Nas linhas das palmas das tuas mãos
foi escrito o destino do sol

Nasce,
ergue a tua mão -

a longa noite está a sufocar-me.


Cabul, Junho 1994
Partaw Naderi

Via Amélia Pais

sábado, junho 05, 2010

quarta-feira, junho 02, 2010

Porque sinto o crepúsculo no meu país...

... hoje deixo um poema.


Sinto o crepúsculo nas minhas mãos


Sinto o crepúsculo nas minhas mãos. Chega através do loureiro doente. Não quero pensar, nem ser amado, nem ser feliz, nem recordar.

Só quero sentir esta luz nas minhas mãos

e desconhecer todos os rostos e que as canções deixem de pesar no meu coração

e que os pássaros passem diante dos meus olhos e eu não note que se foram.


Antonio Gamoneda
Tradução: Jorge Melícias
Via Amélia Pais

sábado, maio 22, 2010

Scratch Day - Setúbal (II)

"Reportagem" fotográfica II - legendada. (Amanhã ou depois virá a última e mais completa, em slide show)


Todos conhecemos... A grande impulsionadora e dinamizadora, em Portugal,
do uso de uma extraordinária ferramenta pedagógica


O incansável e imprescindível Fred



Fita da cartão azul: identificação de monitora
Aluna ensina professores




Pais/mães e filhos




Pais... mães... professores...





;)

Scratch Day - Setúbal (I)

Não resisto a começar a "reportagem" fotográfica por esta foto.


Um pequenote - pequenotinho mesmo - acompanhou a curta exposição de iniciação ao funcionamento do Scratch fazendo no seu computador o que estava a ser explicado. Ei-lo na sessão de trabalho que se seguiu, sem precisar de monitor a ensinar... (Não são precisas mais palavras, a foto fala por si)

No ecrã já pôs um cenário e personagens jogando com uma bola em movimento

quinta-feira, maio 13, 2010

E se estudassem o que é o Construtivismo?

Num artigo de uma revista brasileira (veja.com), deparei-me, a dada altura, com...


“À luz das versões tropicais do construtivismo, essa deficiência é até uma vantagem, pois, afinal, cabe aos próprios alunos definir com base em sua realidade o que querem aprender.” (destaque meu)


O construtivismo não tem culpa das disparatadas e cretinas ilações como a citada.

Piaget não foi pedagogo, mas não deixou de escrever alguns textos para os professores. Se estes nunca os leram, nem sequer sabem o que é construtivismo... é lamentável. Tal como é lamentável que figuras públicas cá da nossa Praça também não saibam, incluindo uma que escreveu livrinho muito publicitado e vendido onde revela grande confusão entre aquele conceito e umas "modernices" acerca dele sem qualquer credibilidade na comunidade científica da área.


Não me admira, pois, que o artigo acima citado também informe:

"De acordo com a mais completa compilação de estudos já feita sobre o tema, consolidada pelo departamento de educação americano, os estudantes submetidos a esse método de alfabetização têm-se saído pior do que os que são ensinados pelo sistema tradicional. Foi com base em tal constatação que a Inglaterra, a França e os Estados Unidos abandonaram de vez o construtivismo nessa etapa."


(In revista citada)

Agora consegui :)



Pelo menos esse desenho é mesmo um fractal...















No projecto:


Scratch Project

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quinta-feira, maio 06, 2010

segunda-feira, abril 26, 2010

Comemorado o 25 de Abril...


Comemoradas a revolução e a esperança do 25 de Abril de 1974, uma Prece...

PRECE


Senhor, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, no silêncio hostil,

O mar universal e a saudade.


Mas a chama, que a vida em nós criou,

Se ainda há vida ainda não é finda.

O frio morto em cinzas a ocultou:

A mão do vento pode erguê-la ainda.


Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -,      Vieira da Silva

Com que a chama do esforço se remoça,

E outra vez conquistemos a Distância -

Do mar ou outra, mas que seja nossa!


Fernando Pessoa


Com o agradecimento à Amélia Pais

terça-feira, abril 20, 2010

Sou teimosa!

Eu tinha que conseguir programar um fractal que fosse com toda a certezinha fractal sem erro.

Simples e pequeno, mas já fiquei toda contente pois o meu amigo do MIT e matemático 'até ao osso' MathJP confirmou depois de verificar a programação.

Esta é só a imagem final pois o projecto é para continuar antes de ser publicado e, portanto, antes de poder mostrar a geração.

sexta-feira, abril 16, 2010

Que tristeza... Mas de quem é a culpa?

Os alunos universitários não sabem escrever. Não quiseram aprender? Ou trata-se do modelo de formação de professores do Ensino Básico pós 1ª LBSE, modelo economicista que acabou com os anteriores, nos quais a formação inicial dos professores era uma licenciatura exclusivamente científica, seguida de um verdadeiro/exigente estágio pedagógico (que até chegou a ser de dois anos)?
É um problema das mais recentes gerações de professores, ou trata-se desse maldito modelo de formação que referi, do qual os formandos não têm culpa?
[Quantas vezes, em tempos neste cantinho, alertei para esse "maldito", de que fui testemunha como professora cooperante - não como orientadora - em (pseudo)estágios? Tal como depois me insurgi face à aprovação (sem vozes que gritassem) do Regime de Formação de Professores do Ensino Básico, na sequência do dito Processo de Bolonha.]

Erros de palmatória cada vez mais frequentes entre universitários

Ana, Inês e Mariana estão na Escola Superior de Educação, em Lisboa, e reconhecem que dominar a escrita é uma das suas maiores dificuldades
Pedro Azevedo

Escrever sem erros ortográficos, encadear um raciocínio com princípio, meio e fim, interpretar um texto ou perceber o que é dito na aula. São os próprios professores a reconhecer que o domínio da língua portuguesa é uma aprendizagem que a maioria dos seus alunos não fez no ensino secundário e ainda não consegue fazer no ensino superior. As dificuldades atravessam os cursos que vão das ciências sociais e humanas às ciências exactas e estendem-se a disciplinas como História, Matemática, Física, Gestão, Jornalismo ou Ciência Política.Escrita A incapacidade de usar a língua portuguesa de forma correcta é um "mal generalizado" entre os alunos de todos os anos, avisa Manuel Henrique Santana Castilho, docente da Escola Superior de Educação de Santarém. "São raros os que conseguem organizar um pensamento e escrevê-lo sem incorrecções", diz o professor que ensina Gestão Educacional aos futuros candidatos a professores do 3º ano. Os erros vão muito além da ortografia e da gramática, conta Isabel Ferreira, que dá aulas de Física aos caloiros do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa: "Na generalidade, escreve-se como se fala. Os alunos distorcem as palavras para permitir uma colagem entre a grafia e a fonética."Oralidade Pior do que a escrita é a oralidade, esclarece Miguel Morgado do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Quando o desafio passa por verbalizar uma ideia ou expor um raciocínio, as fragilidades triplicam: "Há uma enorme dificuldade de os alunos conseguirem responder a uma pergunta com princípio, meio e fim." Ou uma incapacidade de começar e terminar uma frase, mantendo uma "lógica coerente", desabafa Santana Castilho. O discurso é com frequência atropelado por "frases incompletas sem um fio condutor", explica Isabel Ferreira. Nuno Crato, professor de Matemática do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), acrescenta que, regra geral, o vocabulário dos seus alunos "é pobre" e o raciocínio "vago e disperso".Se o discurso é incoerente é porque não há um esforço de reflexão: "Logo, as intervenções orais são baseadas no improviso", defende João Cantiga Esteves, professor de Finanças no ISEG, em Lisboa. Expressar uma ideia simples é um desafio que poucos conseguem ultrapassar. "Até nos casos em que peço aos alunos para lerem textos em voz alta, a leitura é apressada sem pausas e com total desrespeito pelas vírgulas e parágrafos", diz João Gouveia Monteiro, professor de História da Idade Média e de História Militar da Universidade de Coimbra.InterpretarLer um texto e saber transmitir o que se retirou dessa leitura é uma habilidade de uma minoria, conta Joaquim Fidalgo, que dá aulas de Jornalismo na Universidade do Minho: "Em regra, o discurso é confuso e há uma tendência para complicar conceitos simples." Prestar atenção ao que o professor diz durante a aula e tomar notas em simultâneo é outra tarefa que poucos conseguem desempenhar, alerta a professora de Física do Instituto Superior de Agronomia. Combater essa limitação passa muitas vezes por interromper a aula e pedir à professora para repetir a frase que acabou de dizer: "Um desafio constante tem sido fazê-los primeiro ouvir, para depois escreverem pelas suas palavras, evitando que se caia num regime de ditado."Dez minutos é, por outro lado, o tempo máximo que dura a concentração de uma turma, conta João Gouveia Monteiro: "Mais do que isso, os alunos começam a dispersar-se e não tenho outra alternativa senão fazer uma pausa." A estratégia do professor passa por contar uma piada ou pedir a um aluno para fazer um comentário sobre a matéria. Após o intervalo, a aula prossegue sem interrupções durante os próximos 10 minutos. A velocidade com que o programa é cumprido é portanto mais lento, explica o director da Imprensa da Universidade de Coimbra: "Há 15 anos demorava duas aulas para ensinar um módulo, hoje levo o dobro do tempo." AprendizagemAs deficiências na escrita e na oralidade têm consequências na aprendizagem e na avaliação dos estudantes. "Os alunos perdem a capacidade para compreender conceitos complexos", diz Isabel Ferreira, esclarecendo que os que têm mais dificuldades na expressão escrita e oral são "tendencialmente" os que também têm maiores resistências em dominar os conceitos científicos da disciplina. E, ao não conseguirem expressar o raciocínio, correm o risco de serem penalizados na avaliação: "A partir do momento em que não percebo o que querem transmitir, não posso avaliar os seus conhecimentos", diz Miguel Morgado.Quanto maiores são as deficiências dos estudantes, menor é o grau de exigência dos professores. Miguel Morgado reconhece que se foi tornando mais tolerante com as falhas dos alunos e hoje há erros que já não considera "assim tão graves". João Gouveia Monteiro admite que entre a classe docente há uma tendência para nivelar por baixo: "Eu, por exemplo, no primeiro semestre do ano passado, chumbei 75% dos meus alunos e, mesmo assim, considero que não fui rigoroso." Isabel Ferreira confessa que teve necessidade de tornar a sua linguagem mais básica para poder ser entendida pelos alunos. O nível de exigência foi descendo sobretudo porque os alunos têm deficiências de base não só a português como a matemática e a física: "Seria impensável fazer testes com enunciados de há 15 anos. Os resultados seriam desanimadores." João Gouveia Monteiro usa outro exemplo para defender a mesma ideia. "A classificação de 18 valores numa prova de hoje equivale aos 12 valores de há 15 anos", conclui.

Fonte:Jornal I de 15 de Abril de 2010
(Agradeço à Amélia Pais)

segunda-feira, abril 12, 2010

Compartilhando a arte e o ensinamento ao desapego

É um trabalho impressionante o dos monges budistas, que fazem as mandalas de sal colorido.
Feitas com o maior cuidado e com a maior dedicação, são desmanchadas logo depois de prontas para demonstrar a transitoriedade das coisas na vida, mesmo que exijam o maior esforço e sejam imagem da perfeição.

A lição pretende ser essa. A de encarar o quotidiano sempre prontos para começar tudo de novo, se preciso for. Nada é mais certo do que a incerteza.

"Panta Rei" é uma expressão do pensador Heráclito, que significa tudo muda, todas as coisas mudam, (tudo flui, nada persiste, nada continua da forma que é) - e ele usava como metáfora filosófica a idéia de que, ao pôr os pés num rio, um milésimo de segundo depois, já não era a mesma água que os tocava, não era o mesmo rio.

A importância do desapego que o ritual da Mandala mostra, facilita entender que nada de facto nos pertence, que um segundo pode ser a eternidade e que toda mudança tem sua razão de ser.


(Recebido no mail)

quarta-feira, abril 07, 2010

O meu primeiro fractal

(Bem... não tenho a certezinha absoluta de que seja mesmo um fractal: Tem as características repetitivas, mas poderá faltar-lhe alguma condição matemática que ainda me escape)

Scratch Project

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terça-feira, abril 06, 2010

quarta-feira, março 31, 2010

Boa Páscoa para todos!

Desculpem os votos em Inglês, mas tenho amigos que não percebem uma palavra de Português.

Scratch Project

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terça-feira, março 30, 2010

Faria anos hoje...

VICENT VAN GOGH
(O pintor que mais me emociona)

Virada para a Matemática...

Há curvas que podem não ter graça, mas têm equações bem complicadas para as programar no Scratch! Tem sido um desafiante entretenimento recordar Mat esquecida por nunca ter tido que a ensinar :)

Scratch Project


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segunda-feira, março 29, 2010

:-) (Recebido no mail)




Decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é bom, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto, enruga.
E o que é realmente bom nesta vida, despenteia...

- Fazer amor - despenteia.
- Nadar - despenteia
- Pular - despenteia.
- Tirar a roupa - despenteia.
- Brincar - despenteia.
- Dançar - despenteia.

- Dormir - despenteia.

- Beijar com ardor - despenteia.


É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteada a mulher que decide andar na montanha russa, que aquela que decide não subir.

Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres:

Entrega-te, come coisas gostosas, beija, abraça,
dança, apaixona-te, relaxa, viaja, salta,
dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para ficares linda, arranja-te para ficares confortável,
admira a paisagem, aproveita, e acima de tudo:

Deixa a vida despentear-te!!!!

O pior que pode acontecer é que precises de te pentear de novo...

domingo, março 28, 2010

Bom domingo!

Mas como a esta hora ainda estou a dizer Boa Noite!...


Ainda João Negreiros...





5ª feira, Bairro Alto...





Interpretação excelente ("visceral", como ele costuma dizer) de alguns dos poemas do seu mais recente livro, que referi no post abaixo.







E uma recordação, esta no seu último e também muito recente livro em prosa...



terça-feira, março 23, 2010

Das minhas leituras

João Negreiros - uma minha descoberta recente...




intervalo

o ar é mais doce nos intervalos da água
mas para o peixe a água é mais doce nos intervalos do ar
mas para o peixe de água doce a água é mais doce nos intervalos do mar

João Negreiros in obra citada

segunda-feira, março 22, 2010

Aprender a Aprender

(Vídeo delicioso que apanhei ao visitar o EDUFORUM que divulguei no post anterior. Disse "apanhei" porque vão passando diferentes vídeos no topo)

Divulgo...


De um colega de Matemática:



"Estou, com uma equipa da Forum Estudante, a construir algo que talvez lhe interesse conhecer:
EDUFORUM - Recursos Educativos para Professores. Pedro Salgueiro"

quarta-feira, março 17, 2010

Faltam só quatro dias para a Primavera :-)

No inverno, os ramos nus
que parecem dormir
trabalham em segredo,
preparando-se para a primavera.

Rumi
(Via Amélia Pais)


Millet (1868-73). Spring

sexta-feira, março 12, 2010

quarta-feira, março 10, 2010

Clube de Scratch?

Com este vício que a 3za e o Fred me pegaram, estou a ver que ainda crio um blogue "Clube de Scratch". Podia ser um blogue colectivo, como o Aragem, em que seriam "confrades" e "comadres", além dos amigos já referidos e outros interessados, os bons scratchers que a 3za já formou como monitores, aberto à participação de todos os seus pequenotes iniciantes, com sugestões, perguntas e partilha de conhecimentos mais ou menos elementares através dos comentários e da passagem a posts quando tal tivesse maior interesse.

A comunidade de scratchers do MIT, embora seja um mundo imenso onde publicam trabalhos desde os garotos até aos matemáticos e físicos, é muito interessante pelas descobertas que vamos fazendo, só tendo o inconveniente para alguns de a linguagem comum ser em Inglês dado que há especialistas de muitas nacionalidades (incluindo, por exemplo, a chinesa). (Por cá, temos o Sapo Scratch, mas embora adultos também lá publiquem, é usado sobretudo por crianças e adolescentes)

Bem... podem sorrir e chamar brinquedo quando usado por adultos, no entanto o Scratch tem-me feito recordar e (re)estudar matemática mais avançada, muito esquecida devido a toda a vida ter ensinado só no Básico. Não é, portanto, um mero brinquedo quanto aos adultos, dado que, sendo óptimo para as crianças se iniciarem em programação e desenvolverem várias competências, o programa tem as potencialidades e ferramentas para programações bem mais complexas. Experimentem increver-se no MitEdu (fazemos tantos logins em tantos sites e redes, demora um minuto a inscrição) e instalarem o Scratch na versão do MIT (outro minuto) para poderem fazer o download de um ou outro projecto mais avançado (meio minuto), pois, ao abrir-se automaticamente no nosso programa, vemos a série de comandos e fórmulas com que foi feita a respectiva programação, para ficarem com uma ideia do que estou para aqui a dizer. E há muitos projectos adultos bem interessantes e com programação exigente, sem, contudo, serem precisas fórmulas matemáticas.

Eu sei que não "ganho" nenhum dos meus visitantes, calculo até que os que aqui passem e vejam um post sobre o Scratch não passem do título, mas este cantinho, antes de ser para eventuais visitantes, é para mim mesma, para as minhas recordações, para os meus poetas e pintores, para as minhas músicas preferidas, para... enfim... as minhas deambulações. E também, agora, para as minhas próprias produções "artísticas", já que em artes sempre fui uma completa nulidade, sempre tive uma inaptidão abaixo de zero.

Ah... este cantinho era sobretudo para a Educação, mas a minha crise de desmotivação para postar sobre esse tema essencial ainda está em fase aguda. Espero que a crise passe - as crises até são fases necessárias para mudanças qualitativas, quem sabe se retomarei o tema qualquer dia?

____________


Scratch Project

(Clicar na imagem se, eventualmente, quiserem ver o projecto, que é o meu segundo sobre curvas famosas)

sexta-feira, março 05, 2010

Lembrando o tempo em que éramos jovens...

E, para todos - para os mais jovens também -, bom fim de semana com muitas flores!

Um Adeus

Adeus, Rogério. O mundo ficou mais pequeno para todos os amigos e companheiros da nossa geração, também para tantos para quem foste uma referência.

Dizer Adeus é dizer Até Sempre.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

O comportamento de cada um

Quem decide por mim?

Um colunista conta uma estória em que acompanhava um amigo a uma banca de jornais.
O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro.
Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo do colunista sorriu polidamente e desejou um bom fim de semana ao jornaleiro.
Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:
- Ele sempre te trata com tanta grosseria?
- Sim, infelizmente foi sempre assim...
- E você é sempre tão polido e amigável com ele?
- Sim, procuro ser.
- Por que você é tão educado, já que ele é tão inamistoso com você?
- Por que não quero que ele decida como eu devo agir.

Autor desconhecido

Matemática com o Scratch

Scratch Project

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segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Um poema... momentos... pensamentos...

VOZES DE CRIANÇAS

O amanhã nos meus olhos é de um cinzento triste,
é uma teia de luz cansada
onde recordo quando iam dormir.
Ainda lhes leio naquele quarto,
debaixo da lâmpada ao lado da cama,
os contos com capas duras de cores brilhantes.
De súbito, em alguma madrugada,
ouço uma criança que me chama e incorporo-me,
mas não há ninguém, só um velho
que ouviu o rumor da memória,
um leve fragor de ar na escuridão
como se uma bala atravessasse a casa.
Ao apagar a luz guardava um tesouro.

Joan Margarit

(Via Amélia Pais)

domingo, fevereiro 14, 2010

Leitura a não perder...

... e a reflectir.
Un tsunami de regalos (Miguel Santos Guerra)

O JMA publicou
aqui uma parte (As Crianças e os Tsunami de Presentes), eu sugiro a leitura de todo o artigo.

sábado, fevereiro 13, 2010

Como ficar rico

Como ficar rico




Com um euro posso comprar
uma tablete de chocolate.
Ou uma bola de Berlim.
Ou três maçãs verdes.

Com um euro posso comprar
uma borracha para a escola.
Ou dois lápis.
Ou um caderno quadriculado.

Com um euro posso comprar
uma rosa.
Ou um balão pequenino.
Ou uma rãzinha de lata.

Com um euro posso comprar
um porta-chaves.
Ou três folhas douradas.
Ou um pincel.


Enquanto não gasto o meu euro
Sou uma criança bastante rica.

Christine Nöstlinger
Via Clube de Contadores de Histórias

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Para vossos filhos (ou netos) ainda pequenotes...

O tão antigo Tangram continua actual como óptimo jogo para desenvolver a capacidade criativa dos pequenotes. Para eles, fiz dois exemplos (claro que o jogo traz um papel com sugestões, mas o papel costuma perder-se logo).

Scratch Project

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quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Barcarolle num vídeo fascinante

Aurora Boreal

O poema de António Gedeão, ao som de Carmina Burana e com belas imagens.
(Pena a má qualidade dos slides do poema)
Conversão para vídeo de pps da autoria de Ney Luiz, contextura: J. A. de Oliveira

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Democracia...



Não existe ideal político mais bonito que a democracia! Porque ele se baseia na ideia de que o povo tem o direito de decidir sobre os rumos desse barco em que navegamos, e que se chama país! É preciso cuidar dele porque há suspeitas de que o seu casco esteja furado ... Os partidos políticos são as várias tripulações que disputam o controlo do barco. O problema é que todas as tripulações dizem a mesma coisa. Todas prometem consertar os furos do barco, todas prometem navegar na direcção do mesmo porto! E é o povo que deverá escolher a tripulação que vai cuidar do barco e fazê-lo navegar na direcção do porto prometido ... Se o povo escolher a tripulação errada, ai de nós: barco furado, naufragando, o povão afogando-se ... O que os partidos dizem não faz diferença, porque todos prometem a mesma coisa. A coisa complica-se quando a gente examina a composição das tribulações. Meu Deus! Que lapso freudiano acabo de fazer! A minha cabeça queria escrever "tripulação", mas_ meus dedos escreveram "tribulação" ... Com quem estará a verdade? Com a cabeça ou com os dedos? O futuro dirá ... O facto é que se consumam alianças que se acreditavam impossíveis: lobos pastando erva com cordeiros, gaviões chocando ovos de relinchas, antigos piratas abraçados e pacíficos navegantes ... Coisa complicada é a democracia, fácil de ser louvada, difícil de ser executada. No final de contas, o ideal da democracia entra pelo esgoto. O facto é que os eleitores nem sabem o que está a acontecer e nem sabem quem é quem. O que eles sabem são as montagens que aparecem na televisão, produzidas segundo a psicologia das massas, a mesma que se usa para vender cerveja, sabão em pó e absorventes higiénicos. Aquilo que o povo sabe é o que as imagens produzidas mostram. O resultado das eleições vai ser, na realidade, a entrega do "Óscar" ao melhor filme: ganha o melhor actor, o melhor roteiro, o melhor director ... Cumpre-se o dito por Maquiavel: o que importa na política não é que o governante seja justo, mas que ele parece justo.

Rubem Alves

sábado, fevereiro 06, 2010

Uma sugestão para alunos iniciados no Scratch

Melhor dizendo... uma sugestão para professores que tenham os seus alunos já iniciados no Scratch... É um trabalho em parceria com Fernando Frederico (Fred).
O projecto intitula-se "Poetas Portugueses", mas os alunos podem fazer o download, observar a programação e aproveitarem esta para um projecto semelhante sobre algum tema que se preste, de outras disciplinas. Podem mesmo, em vez de fotos ou imagens no menu inicial, escrever subtítulos do tema, aproveitando os outros "trajes" para breve texto e ilustração. O Scratch é muito motivador para os alunos, pelo que um projecto também os motiva para a aprendizagem de pesquisa criteriosa na Internet, orientada ou corrigida pelo professor. Claro, seria um trabalho de grande grupo ou mesmo de turma, por exemplo, na Área de Projecto. Aqui fica...

Scratch Project

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ATENÇÃO: O projecto só se consegue visualizar online tendo a versão java actualizada:
actualização free

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Num dia qualquer... decidi... descobri...

Se olharem Portugal com desdém...

Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
e para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá...


E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! Voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear


E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Quando um dia arribei á orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
— eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.


Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.


Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.


Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
— São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português!


Afonso Lopes Vieira (1878-1946)

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Um poema...

... que dedico à minha amiga Isabel Preto.




La nuit n'est jamais complète

Il y a toujours
puisque je le dis
puisque je l'affirme
au bout du CHAGRIN
une fenêtre ouverte
une fenêtre éclairée
[...]

Paul Eluard






(Poema e imagem recebidos da Amélia Pais em Dezembro de 2009)

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Estória

Depois do grande temporal que destruiu a casa de Pedro, no alto da arriba, que havia Pedro de fazer? Ir pelo mundo tentar fortuna é coisa fácil nas histórias, mas não na vida. Pedro estava muito desconsolado da sua vida, sentado no alto da arriba, olhando para os buracos abertos na rocha, onde tinham estado enterradas as estacas da sua casinhota. Pedro pensava na noiva que havia de vir de longe, dali a muito pouco, mal começasse a Primavera, para viver na casinha que ele tinha construído para os dois, no alto da arriba.
Tinham feito muitos projectos. Pedro comprara um barco de pesca, pintara-o de novo; com estacas e pranchas de velhos barcos fizera a sua cabana. Arranjara-a por dentro o melhor que pudera, com esteiras de palha, móveis antigos de casa dos pais, candeias de barro envernizado, búzios e conchas dos mais belos que o mar traz à praia...
Longe, na sua aldeia da encosta, entre pomares muito verdes e casalinhos brancos, a noiva de Pedro fiava o bragal. Tinha tranças loiras no alto da cabeça e as melhores mãos de rendilheira que havia nos arredores. Pedro tinha-a conhecido na grande festa do São Miguel, no Verão do outro ano.
Pedro era pescador, trabalhava por conta dum patrão, mas com as suas economias e a sua coragem, tinha arranjado o dinheiro para comprar o barco. Deixara de aparecer aos domingos na vila, onde as tentações eram maiores — o tiro ao alvo, o jogo da malha, a «venda» do Tio Bento — e o seu barco, o «Estrela de Alva», já estava daí a pouco ancorado na baía, entre os barcos dos outros, com as redes secando ao sol, desenroladas pela areia.
O Inverno chegava ao fim, quando veio o temporal. Com a Primavera, devia chegar da aldeia da encosta a noivazinha que Pedro tinha escolhido no Verão do outro ano. Já as pobres ervas rasas das penedias começavam a espontar-se de verde e a deitar florinhas tristes. E Pedro
nesse dia tinha ido à vila, comprar uns luxos para alindar a casa: um relógio de cuco, um espelho para o quarto, e também um xaile de seda, para oferecer à sua noiva.
O dia desde manhã que ameaçava chuva, mas pela noitinha o céu carregou, começou a soprar um grande vento e a gente velha da vila, os pescadores com longos anos de mar resmungavam, abanando a cabeça:
— Grande coisa vamos ter! Grossa borrasca!...
Pedro voltava com as suas compras para a cabaninha nova das arribas, quando encontrou o Tio Sardinha:
— Olha, menino, não te metas a caminho que o mar já galgou as rochas e vem por aí acima. Se não queres que te apanhe, volta para trás...
— Mas eu vou para casa, Tio Sardinha...
— Se ainda tiveres casa a estas horas... O mar lambeu tudo o que era arribas!
Pedro já não ouviu mais nada: deitou a correr pelo caminho adiante. Depois... Depois, até é melhor não contar. Pedro nem sequer pôde chegar ao alto dos rochedos, ao lugar da sua casa, porque o mar furioso vinha por lá fora, ao seu encontro. Da cabana que ele levantara nas vésperas, com tanto amor, isso nem rasto.
Foi assim que, nessa tarde, o Pedro pescador perdeu em menos dum abrir e fechar de olhos toda a sua fortuna: casa, barco e economias; e, quando o temporal passou, viu-se sentado no alto da arriba, com um relógio de cuco, um espelho e um xaile de seda por únicos bens deste mundo.
Daí a dois dias, chegava da encosta a noivazinha, que ele escolhera no Verão do outro ano, pelo São Miguel. Havia de vir toda asseada, de blusa nova, tranças enleadas em flores, e atrás o pai, guiando o burrico com as arcas do bragal... Ela esperava com certeza que houvesse flores e sinos na igreja da vila. E que no alto das penedias estivesse a cabaninha nova em folha, feita pelas mãos de Pedro, mas toda agasalhada e bonita. E que na baía houvesse um barco pintado de verde, com redes secando ao sol.
E como se enganava!
O mar tinha comido a casa, tinha comido o barco, só deixara no alto da arriba um Pedro miserável, pobre como Job, sem casa nem trabalho...
Na igreja da vila, nem flores nem sinos: muita gente de joelhos, a pedir pelos tristes que o mau tempo apanhara no mar alto e que sabe Deus por onde andariam...
Pedro pensava nisto tudo. Daí a dois dias chegava a noivazinha... Pedro chorava de vergonha e desespero...
Uma gaivota passou, roçou-o com as asas:
— Olha, Pedro, olha como brilha o Sol! Prepara as redes, volta ao mar...
— Não tenho barco...
O Sol bateu-lhe na cara, brilhante, a pino:
— Olha que é meio-dia, Pedro, vai para casa comer as tuas sopas...
— Não tenho casa...
— Não tens casa?! — gritou ali ao pé uma voz rouca e áspera.
— Tens tal! Sempre há um recanto nas rochas mais altas para os desgraçados como tu. Terás peixe cru, sol e bom ar. À noite, a rocha viva serve de tecto e a palha seca serve de cama... Em querendo é vires...
Pedro, que voltara a cabeça, ainda viu a grande águia marinha levantar voo. Olhou pela última vez para os buracos abertos onde tinham assentado as paredes da sua casa. Pensou ainda na vergonha que seria receber na miséria a noiva que ele escolhera. Não tinha coragem, não tinha coragem...
Depois fez uma trouxa com o relógio de cuco, o espelho do quarto e o xaile de seda, e meteu-se a caminho pelas altas escarpas dos rochedos.
— Que vens tu cá fazer? — perguntaram as aguiazinhas-bebés quando viram aparecer no seu ninho de rochas aquele homem esfarrapado e sangrento.
— Venho viver convosco. Foi a mãe-águia que me convidou.
— Ah! — disseram as aguiazinhas, curiosas. — E o que sabes fazer? Sabes voar?
— Não — disse Pedro.
— E tens garras muito grandes?
— Não.
— Bico já se vê que também não tens... Afinal para que é que serves?
Então Pedro disse tudo quanto sabia fazer. Mas como nenhuma das coisas que um homem sabe fazer pode ser feita num alto ninho de águias, longe do mundo e só com as fracas mãos que os homens têm, as aguiazinhas não apreciaram por aí além os talentos de Pedro, e ele viu- -se desde logo esquecido e desprezado, e ali ficou para um canto.
Quando a noiva de Pedro chegou à aldeia, encontrou as portas das casas fechadas em sinal de luto.
— Onde mora o Pedro pescador?
— Morava lá em cima, nas arribas...
A noiva de Pedro não quis saber por que diziam «morava» e correu às arribas: mas nas arribas não havia nenhuma casa. Só restavam os buracos abertos das estacas da antiga cabana.
— O mar levou-lhe a casa... — explicaram os tojos rasteiros da penedia.
— E ele, onde está?
— Isso não sabemos...
A noiva de Pedro viu lá em baixo, à beira-mar, ao sol, homenzinhos que consertavam barcos. Desceu as arribas, e chegou à praia. Mas entre os barcos alinhados não estava o barco verde, o «Estrela de Alva».
— O mar levou-lhe o barco... — responderam os homens às perguntas da noiva de Pedro.
— E ele, onde está?
— Isso não sabemos...
— Talvez o mar o levasse também... — disse então o Tio Sardinha, que fumava ao sol o seu cachimbo. — Na tarde do temporal vi-o subir para as arribas, aconselhei-lhe cautela... O mar talvez o levasse...
— O mar leva tudo... — disseram os homens.
A noiva de Pedro tornou a subir as arribas e sentou-se nas pedras que tinham segurado as estacas da cabana de Pedro.
«O mar leva tudo...», diziam os homens.
— Mas talvez não o levasse! — disse a noiva de Pedro.
— E não levou! — disse a águia marinha passando a voar sobre as rochas da beira-mar.
— Sabes dele? — gritou a noiva de Pedro.
— Está no meu ninho! — respondeu a águia, e passou para mais longe.
As mãozinhas que passaram dias e dias fazendo dançar os bilros, fiando o linho na roca, têm a pela fina e as unhas delicadas. Os pés que andaram metidos em chinelinhas bordadas, são mimosos e doridos. Os braços que nunca levantaram mais peso do que uma abada de frutos ou de flores, são fracos, cansam-se logo. Mas os corações valentes, quando querem uma coisa, valem por mãos calejadas, valem por pés de andarilho, por braços de lutador...
E a noiva de Pedro chegou ao ninho das águias.
As águias andavam a voar ao sol. Só Pedro dormia deitado na palha.
— Pedro, acorda! Acorda, Pedro!
Pedro abriu os olhos, corou de vergonha.
— Ah! Porque vieste? O mar levou tudo...
— Não te levou a ti, Pedro. Ainda estás vivo...
— Já não tenho nada, já não valho nada...
— Vamo-nos embora, Pedro! Que não és águia marinha para viver nestas alturas...
E a noiva de Pedro fê-lo levantar. Sentados na rocha, à beira do ninho, viam lá em baixo as ondas na praia, e o Sol a afundar-se, vermelho e sem raios, na linha das águas...
— O mar levou tudo. Volta tu sozinha. Hás-de achar um noivo com casa e com barcos, mais rico e melhor... Eu é que não desço!
— Que vergonha, Pedro! Já não és um homem!
— Já não tenho nada! Olha o que me resta. — E Pedro mostrou a trouxa: era o espelho para o quarto, era o relógio de cuco e o lindo xaile de seda.
— O mar levou tudo, o mar levou tudo...
Então a noiva de Pedro pegou no espelho e pô-lo diante dele:
— Olha bem para aí, Pedro, e vê se o mar levou tudo; olha bem para aí e vê que ainda és o mesmo Pedro que comprou o «Estrela de Alva» e construiu a cabana, lá no alto das arribas...
— Sim, fui eu, e ainda aqui estou...
— E havemos de fazer os dois outra cabana, e compramos um barco mais pequeno, e vais ver Pedro, e vais ver... Vamos descer para a vila...
— Qualquer dia começamos... Hoje não, que estou cansado... Deixa passar mais um tempo... Esquecer mais esta desgraça... Esquecer que o mar levou tudo.
— Tudo não, Pedro. Deixou-te isto: olha como o tempo passa. — E a noiva de Pedro mostrou-lhe o relógio de cuco, o tiquetaque apressado, os ponteiros, gira que gira. — Olha cada minuto que passa, olha que já não volta mais. Temos de o aproveitar, mãos à obra! Vamos, Pedro!
Pedro pôs-se de pé e começaram a descer de mão dada. Já caía a tarde e fazia frio.
— Que vergonha a minha! A noiva que eu escolhi no outro ano pelo São Miguel vem-me achar de mãos vazias... O mar levou tudo, o mar levou tudo!
O vento do mar passava.
— Pedro!
— Que é?
— Não vês que eu tenho frio...?
— Põe o teu xaile de seda... Foi para ti que o comprei...
— Vês que o mar não levou tudo? Sempre tinhas que me dar...
E Pedro, todo contente, deitou pelos ombros da noiva o belo xaile de seda.
Assim voltaram à vila.
Hoje Pedro tem uma casa de pedra e cal, tem muitos barcos, que vão e vêm no mar. Mas aos filhos que vão nascendo, Pedro sempre mostra as três coisas que o mar não levou: o espelho do quarto, o relógio de cuco e o xaile de seda. O espelho, que é como a certeza de nós mesmos, e do
que podemos fazer; o relógio, que lembra a obrigação de trabalhar e de encher utilmente o tempo que não pára; o xaile de seda — para que ninguém esqueça que ainda o mais miserável tem sempre um pouco de amor para espalhar pelos outros.
E estas são três coisas que o mar de nenhuma desgraça pode levar.

Esther de Lemos
A borboleta sem asas e outras histórias
Lisboa, Editorial Verbo, 1986
Via Clube dos Contadores de Histórias

terça-feira, janeiro 19, 2010

Haiti, desastres naturais e desastres antinaturais

«(...)
Japón, 2005: un terremoto de la misma magnitud y próximo a una zona densamente poblada causó tan sólo un muerto… a causa de un infarto.
No hablemos, pues, de desastres naturales, sino de catástrofes anunciadas, perfectamente evitables, si dejamos de actuar movidos por intereses a corto plazo y nos tomamos realmente en serio la lucha contra la pobreza extrema, contra la degradación ambiental, contra el cambio climático que está incrementando la frecuencia e intensidad de los fenómenos atmosféricos extremos en Haití y en todo el mundo.
Los terremotos, huracanes, inundaciones, erupciones volcánicas, etc., son fenómenos que aparecen ligados a las "potentes fuerzas de la naturaleza", por lo que son denominados "desastres naturales". Sin embargo, el hecho de que dichos desastres estén experimentando un fuertísimo incremento llevó a Janet Abramovitz y a muchos otros investigadores, a fines del siglo XX, a reconocer el papel de la acción humana en este incremento y a hablar de "desastres antinaturales".
(...)
El drama de Haití ha de potenciar la exigencia ciudadana por el cumplimiento de los Objetivos del Milenio, de los compromisos de ayuda al desarrollo. Y hemos de movilizarnos para exigir el paso de una economía "marrón" a una economía verde, solidaria y sostenible, para lograr que este mismo año se firme en México un acuerdo efectivo, justo y vinculante contra el cambio climático. Sin todo ello, Haití y muchos otros lugares del planeta volverán a ser triste noticia de graves desastres que podemos y debemos evitar.»

Texto completo
aqui.