quarta-feira, setembro 08, 2010
segunda-feira, setembro 06, 2010
TIC... mais TIC... e mais TIC no ensino
Nota prévia
O que se segue é escrito com absoluta isenção, pois fui pioneira, na minha ex-escola, na 'introdução do computador na sala de aula', no tempo em que os alunos não tinham "magalhães" e só tinha uma sala com os primeiros computadores que a escola conseguiu - sala para onde apenas eu levava as minhas turmas, sem problema de não estar vaga.
_____________________
Perdi-me com tantos "reajustamentos" no modelo da ADD, pelo que não sei bem se o uso das TIC ainda conta para a pontuação na avaliação dos professores, mas suponho que ainda conta.
Ora, um método de ensino não vale por si só, vale pelo que o professor fizer com ele. Não há padrões, muito menos um padrão único. O que me parece essencial é que o ensino-aprendizagem assente num método verdadeiramente activo, de modo a conduzir os alunos, sempre que possível, à (re)descoberta, e à construção da sua relação com o(s) saber(es). E seria um erro, a meu ver, que o professor, ao interiorizar isto, se forçasse a pôr em prática modelos/métodos que não sejam já significativos para si. Das teorias e dos artigos fundamentados que não faltam, o professor recolhe novas perspectivas, e o que delas fica nele é o que pessoalmente (re)constrói no alargamento e aprofundamento da sua prática, não na demolição de tudo o que já construiu no seu modo de ensinar.
Isto leva-me à questão da formação (sem dúvida urgente) dos professores no uso das novas tecnologias. É verdade que, actualmente, não estou a par do modo como essa formação decorre e de quem a dá. Mas lembro-me que, quando essa formação começou nos centros de formação, no âmbito da formação contínua obrigatória para obtenção dos créditos então indispensáveis para mudança de escalão, quem escolhia uma acção relacionada com as ditas TIC recebia uma formação meramente técnica, sem ligação à Pedagogia (apesar de o formador ser professor).
Claro que os professores têm que aprender os aspectos técnicos do uso de recursos informáticos - se não os souberem, caso que até já pouco sucederá com as novas gerações de docentes. Mas a formação tem que ser dada por pedagogos, por professores abertos à inovação e conscientes de que o uso de recursos informáticos nas aulas em nada melhora as aprendizagens dos alunos se esses recursos forem usados na manutenção de um ensino tradicional, expositivo, em que os alunos não são chamados a construir, a criar, a serem agentes activos.
E é para isto que o formador tem que estar apto a sensibilizar os formandos e a dar-lhes perspectivas de recursos diversos a fim de que cada um possa sentir apelo e motivação de acordo com a sua apetência, de acordo com o que seja mais significativo para si próprio, de modo a sentir-se atraído pela inovação ou pelo desejo/necessidade de mudança face a eventuais (ainda há muitos - demasiados) métodos retrógados anquilosados.
A finalizar, deixo o pedido a quem eventualmente me leia e esteja informado, de me esclarecer: Estão a ser assim, generalizadamente, as formações dos professores no uso das TIC? (Digo generalizadamente porque não duvido de que há formadores nessa área - e até conheço dois ou três - que é nessa perspectiva de real mudança que se esforçam por sensibilizar os seus formandos).
Pensamento
sábado, setembro 04, 2010
Não há receitas, mas certos ingredientes ajudam...
Não há receitas para socializar e melhorar os comportamentos dos alunos problemáticos, mas há ingredientes importantes a usar.
Foi há uns anos. Algumas turmas preparavam, sob a orientação dos directores de turma ou de outros professores, uma festividade para o último dia do 2º Período Lectivo. Ia haver uma peça de teatro, exposição de trabalhos e outras iniciativas, e a festa ia prolongar-se para a noite pois os pais estavam convidados.
Na aula da Ana um dos alunos mais problemáticos da escola lembrou que era preciso uma boa vigilância para não haver desacatos e tudo correr bem. E a Ana veio logo ter comigo, não só para me contar de quem tinha vindo aquela "preocupação", mas também já com uma ideia na cabeça (éramos almas gémeas nestas coisas). Fomos ao então chamado Conselho Directivo pedir autorização para levarmos à prática a ideia que eu logo tinha perfilhado.
Eram conhecidos os alunos mais "cadastrados" da escola e nós já tivéramos algum contacto com eles, mesmo não sendo nossos alunos. Escolhemos os mais velhos para os convocar para uma pequena reunião connosco e o pretexto/justificação foi o de serem os mais crescidos, portanto os mais aptos para a missão que pretendíamos (nessa altura ainda só tínhamos 2º Ciclo na escola e, por terem todos repetências, tinham já 15-16 anos). Perguntámos se poderíamos contar com eles para colaborar na vigilância e também para estarem atentos e irem em socorro de algum dos pequenotes que tinha tarefa na festa e se visse atrapalhado nessa tarefa. Propusemos que tivessem uma braçadeira a identificar a sua missão.
Disseram que sim e que podíamos ficar descansadas, ao que respondemos que se não confiássemos que podíamos ficar descansadas desde que se comprometiam, não lhes tínhamos pedido essa ajuda.
Estávamos a usar uma táctica, sim, mas isso é irrelevante. O importante é que estávamos a ser sinceras, acreditámos neles (e "eles" sentem isso).
Correu muito bem (para espanto dos adultos). Foram impecáveis na sua responsabilidade e não se "armaram" em mandões.
(Claro que a Ana e eu estávamos, de longe, atentas a eles, mas... foi mais um daqueles casos em que, apesar de sinceras boas expectativas, "eles" as ultrapassam)
ADENDA
No início do ano lectivo seguinte propusemos que fossem escolhidos alunos dos mais velhinhos, incluindo os "problemáticos", para, rotativamente, ajudarem na vigilância e sobretudo no apoio aos pequenotes recém-chegados, mas a nossa proposta apenas foi considerada "gira" pelo Conselho de Directores de Turma, sendo, no entanto, rejeitada por qualquer coisa como complicada ou utópica (já não me lembro bem)
E dispenso-me de comentar esta adenda.
homens artificiais cheirando rosas de plástico
Soneto na morte do homem que inventou as rosas de plástico
O homem que inventou as rosas de plástico morreu.
Reparem na sua importância:
as suas flores imperecíveis e imaculadas nunca murcham
mas resolutamente velam o seu túmulo através da escuridão.
Ele não compreendeu a beleza nem as flores,
que enredam os nossos corações em redes suaves como o céu
e nos prendem com um fio de horas efémeras:
as flores são belas porque morrem.
A beleza sem o seu lado perecível
torna-se seca e estéril, um palco abandonado
com uma floresta de enganos. Mas a realidade
dá razão à invenção deste homem; ele conhecia a sua época:
uma visão do nosso tempo impiedoso revela-nos
homens artificiais cheirando rosas de plástico.
Peter Meinke
(Via Amélia Pais)
O homem que inventou as rosas de plástico morreu.
Reparem na sua importância:
as suas flores imperecíveis e imaculadas nunca murcham
mas resolutamente velam o seu túmulo através da escuridão.
Ele não compreendeu a beleza nem as flores,
que enredam os nossos corações em redes suaves como o céu
e nos prendem com um fio de horas efémeras:
as flores são belas porque morrem.
A beleza sem o seu lado perecível
torna-se seca e estéril, um palco abandonado
com uma floresta de enganos. Mas a realidade
dá razão à invenção deste homem; ele conhecia a sua época:
uma visão do nosso tempo impiedoso revela-nos
homens artificiais cheirando rosas de plástico.
Peter Meinke
(Via Amélia Pais)
sexta-feira, setembro 03, 2010
A preocupação...
Foi há mais de três anos. À mesa de jantar familiar, conversávamos na brincadeira com o meu neto (então no 8º ano) sobre a adolescência. Às tantas, veio a propósito, perguntei-lhe: _Qual é a tua maior preocupação? Resposta quase imediata: _ Não adormecer numa aula.
Risos, ao mesmo tempo perplexos.
_Não estou a brincar, é verdade. Tenho aulas em que faço um esforço tão grande para manter os olhos abertos e, mesmo assim, de vez em quando fecham-se. E se eu adormeço mesmo, com todos a verem?
Por motivo de morada, já fez o 9º ano noutra escola, onde permanece, agora prestes a começar o 12º. Felizmente (ou sorte)... não voltou a ter tal preocupação.
Razão daquela? Ele mesmo explicou: _Nalgumas disciplinas os professores e professoras falam todo o tempo. Eu ainda perguntei: _E não vos fazem participar, não vos vão fazendo perguntas? Resposta: _Só às vezes.
Eu e a mãe preferimos mudar de conversa. Também não a vou continuar aqui, mas os amigos que me lerem podem contar, na sala de professores, esta história da grande preocupação de um adolescente num ano lectivo. Porque a verdade é para dizer: Ainda há quem passe boa parte das aulas a expor para uma turma passiva. Ou talvez não tão passiva assim, pois os alunos em geral não adormecem; resolvem a questão conversando indisciplinadamente uns com os outros. São uns indisciplinados!!!
ADENDA
Antoine de La Garanderie, num livro de que não lembro o nome, punha na boca dos alunos estas palavras: "Professor, não nos diga para estarmos atentos, diga-nos antes como devemos fazer para estarmos atentos". Parafraseando La Garanderie, eu diria: Professor, não nos diga para estarmos atentos, venha antes às nossas mesas guiar as nossas actividades.
(Com muitas saudades)
quinta-feira, setembro 02, 2010
(Re)Acordar o Educador para um ano escolar diferente
Professores, há aos milhares. Mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor.
Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.
De educadores para professores realizamos o salto de pessoa para funções.
Eu me atrevo a dizer que o fantasma que nos assusta e que nos causa pesadelos mesmo antes de adormecer, o fantasma que nos faz contar, apressados, os anos que ainda nos faltam para a aposentadoria, é a absoluta falta de amor e paixão, o absoluto enfado das rotinas da vida do professor.
São causas como esta, a aposentadoria do professor, que nos mobilizam. Não me entendam mal. Não vai aqui uma crítica. Vai apenas uma constatação: como deve ser sem sentido a vida de alguém que, após vinte e cinco anos, se sente exaurido!
Por que nos esquecemos dos nossos sonhos? Que ato de feitiço fez adormecer o educador que vivia em nós? Aqui é fácil encontrar explicações apontando para os donos do poder: foram eles que nos castraram. Tenho, entretanto, a suspeita de que esta não é toda a estória a ser contada. Pergunto-me se nós mesmos não preparamos o caminho. Quando os ferros em brasa nos marcaram, não é verdade que já éramos bois de carro?
A um discurso que não é uma expressão de amor falta o poder mágico de acordar os que dormem, falta o poder mágico para criar.
E eu pensaria que o acordar mágico do educador tem então de passar por um ato de regeneração do nosso discurso, o que sem dúvida exige fé e coragem.
Talvez que um professor seja um funcionário das instituições que gerenciam lagoas e charcos, especialista em reprodução, peça num aparelho ideológico de Estado. Um educador, ao contrário, é um fundador de mundos, mediador de esperanças, pastor de projetos.
Não sei como preparar o educador. Talvez que isto não seja nem necessário, nem possível... É necessário acordá-lo.
E aí aprenderemos que educadores não se extinguiram.
Excertos de texto de Rubem Alves em Conversas com quem gosta de ensinar.
quarta-feira, setembro 01, 2010
Regresso
Início de novo ano escolar... Decidi retomar o meu blogue como (ex)professora/educadora.
É pouco provável que retome memórias, e talvez raramente aborde a política educativa pois é pouco previsível que ela deixe de ser um deserto em cujos "oásis", aqui e ali , só brotam ervas daninhas.
São as salas de aula que me interessam, pois elas têm muito poder (para o bem ou para o mal), e é nos alunos que continuo a pensar - e com muitas saudades.
Os tempos são outros, os alunos são outros, os pais são outros, os professores são outros e também os recursos são outros - estes muitos mais do que no meu tempo de prof. . Mas estou convicta de que as minhas ideias essenciais não se desactualizaram. Outros as expressam melhor do que eu, pelo que prevejo deixar mais mensagens escritas por outrem do que por mim própria. Ideias, mensagens, propostas, alertas... enfim, elementos insistentes de reflexão para quem me visite - raros decerto, mas cada um tenta dar o seu grãozinho de voz e... são precisas tantas vozes! Mesmo que a minha não chegue a alguém, passei a vida profissional sem me calar... agora tenho-me sentido mal a andar tão calada neste cantinho.
É pouco provável que retome memórias, e talvez raramente aborde a política educativa pois é pouco previsível que ela deixe de ser um deserto em cujos "oásis", aqui e ali , só brotam ervas daninhas.
São as salas de aula que me interessam, pois elas têm muito poder (para o bem ou para o mal), e é nos alunos que continuo a pensar - e com muitas saudades.
Os tempos são outros, os alunos são outros, os pais são outros, os professores são outros e também os recursos são outros - estes muitos mais do que no meu tempo de prof. . Mas estou convicta de que as minhas ideias essenciais não se desactualizaram. Outros as expressam melhor do que eu, pelo que prevejo deixar mais mensagens escritas por outrem do que por mim própria. Ideias, mensagens, propostas, alertas... enfim, elementos insistentes de reflexão para quem me visite - raros decerto, mas cada um tenta dar o seu grãozinho de voz e... são precisas tantas vozes! Mesmo que a minha não chegue a alguém, passei a vida profissional sem me calar... agora tenho-me sentido mal a andar tão calada neste cantinho.
segunda-feira, agosto 30, 2010
Convite para um chá
Aqui o meu cantinho vai reabrir a 1 de Setembro, mas faço pré-abertura para agradecer ao Raul Martins o convite caloroso.
Seguindo as regras do jogo:
1. Referir quem ofereceu o selo
2. Qual o teu chá preferido
Chá Preto
3. Quantas colheres de açucar costumas usar?
Ao contrário do café, em que não uso açucar, gosto do chá muito docinho
4. Passar o selo a seis pessoas.
Passo a:
Nota: Não se sintam obrigados a continuar a cadeia.
domingo, julho 25, 2010
Boas Férias!
sexta-feira, julho 23, 2010
Um poema no momento da reunião dos países da CPLP
Com o agradecimento à Amélia Pais.
A vigilia do pescador
Na praia o vulto do pescador
É mais denso que a noite...
E enquanto espera
A sua ânsia solidifica em concha
E sonoriza os ventos livres do mar.
E enquanto espera
A sua ânsia descobre
os passos da maré na praia
e o sono do borco das canoas.
É manhã
e o pescador
ainda espera
e enquanto o mar
Não lhe devolve o seu corpo de sonhos
Num lençol branco de escamas
Um torpor de baixa-mar
Denuncia algas nos seus ombros.
Arnaldo Santos (Poeta angolano)
A vigilia do pescador
Na praia o vulto do pescador
É mais denso que a noite...
E enquanto espera
A sua ânsia solidifica em concha
E sonoriza os ventos livres do mar.
E enquanto espera
A sua ânsia descobre
os passos da maré na praia
e o sono do borco das canoas.
É manhã
e o pescador
ainda espera
e enquanto o mar
Não lhe devolve o seu corpo de sonhos
Num lençol branco de escamas
Um torpor de baixa-mar
Denuncia algas nos seus ombros.
Arnaldo Santos (Poeta angolano)
terça-feira, julho 20, 2010
Já não podemos dizer "venha o diabo escolher"
Acusámos Sócrates, no seu primeiro mandato (eu acusei), de tendências, seguidismos ou sujeições ao neoliberalismo. Com razão, mas hoje (neste preciso dia) isso parece-me tão relegado para plano secundário!
Não sei se posso falar do PSD globalmente, mas pelo menos o seu líder (por esse partido escolhido) hoje revelou-se ideologicamente de forma clara.
Fico-me por estas palavras pois não creio que haja razão para susto dado que não acredito que se permita a destruição da nossa Constituição e a mudança do regime saído do nosso 25 de Abril. Só quis salientar a verdadeira face ideológica do actual líder do PSD.
Um belo poema
De Konstantin Simonove (Rússia, 1915-1979)
Pps recebido da Amélia Pais e convertido em vídeo.
(A canção não ficou bem coordenada com a letra (tradução) em legendas, mas nestas lê-se todo o poema)
Pps recebido da Amélia Pais e convertido em vídeo.
(A canção não ficou bem coordenada com a letra (tradução) em legendas, mas nestas lê-se todo o poema)
segunda-feira, julho 19, 2010
Pour Lionore
Je t'ai enseigné le mot "saudade".
Tu es parti aujourd'hui et tu déjà me manques beaucoup - j'ai déjà beaucoup de "saudades" de toi.
La dernière photo de ces vacances magnifiques...
Tu es parti aujourd'hui et tu déjà me manques beaucoup - j'ai déjà beaucoup de "saudades" de toi.
La dernière photo de ces vacances magnifiques...
domingo, julho 18, 2010
quinta-feira, julho 15, 2010
domingo, julho 11, 2010
Crianças de línguas diferentes recorrem às novas tecnologias :)
Na foto abaixo, Lionore e Inês. Antes, tinham passado uma hora a conversar na casa da Inês. Como??? Ora! Com rapidez, dedos nas teclas, seta para cima, seta para baixo no tradutor do Google. (Pena não ter tirado foto, mas eu estava em casa da minha mãe com o médico, cheguei a ver mas o jantar já ia para a mesa, não me lembrei a tempo. Mas ainda terei várias oportunidades)
sábado, julho 10, 2010
sexta-feira, julho 09, 2010
Je suis en vacances
Desculpem, mas o título saiu-me assim. Pela primeira vez a minha mais mini veio sozinha (entregue à hospedeira, claro) e continua a não querer aprender português. É bilingue, mas em francês e alemão. Mas como a prima Inês não fala francês, estou apostada em não servir só de intérprete, mas sim a falar com ambas sempre nas duas línguas ao mesmo tempo. Dez dias não dá para muito, mas hoje já ficaram cada uma a dizer umas coisinhas na língua da outra. Quando estou só com a Lionore é que não forço o português, pois as avós são para dar miminhos, não para chatear :))
Hoje, dia da chegada
Subscrever:
Mensagens (Atom)












