sábado, outubro 31, 2009
Haikus (ou Haikais)
quinta-feira, outubro 29, 2009
Hoje voltei aos bancos da escola ;)
Pois... Eu gosto muito de estar na situação de aluna. Gostei muito quando, em tempos, fiz um "curso pós-graduação" (entre aspas porque não sei se ainda se chama assim ou até se a modalidade ainda existe), tal como gostei muito quando fiz mestrado, então já avó. (Bem... não era assim tão velha, fui avó pela 1ª vez bastante cedo... lol).quarta-feira, outubro 28, 2009
segunda-feira, outubro 26, 2009
Desejando a todos boa semana...
Dir-se-ia de repente
O horizonte é mais vasto e generoso
O coração repousa
Um pouco
Distende as asas
Mas sem levantar voo
Alberto de Lacerda (1947- 2007)
(Via Amélia Pais)
domingo, outubro 25, 2009
terça-feira, outubro 20, 2009
Momento poético e musical
Vem devagar sobre a corda da minha espera
ninguém saiu à rua mas há rosas
assim a tarde assim a mudança em disfarce
Demora-se a loucura e a camisa
e o teu corpo moreno espalha-se pelas ruas
Vem devagar
o sol teceu a tarde para o nosso encontro
o sol, caindo, insiste para que nos vejamos
Ossanha
Para acompanhar o poema:
Com o agradecimento à Amélia Pais
segunda-feira, outubro 19, 2009
Uma manhã duplamente feliz
Foto "roubada" do Aragem
quarta-feira, outubro 14, 2009
Para reflexão, com Rubem Alves
«O que nós temos nas nossas escolas é que as nossas escolas se parecem mais com linhas de montagem. (...). Quando a criança é aprovada por causa das notas, os burocratas assumem que elas aprenderam. Vocês sabem que elas não aprenderam. E porque é que vocês sabem que elas não aprenderam? Porque vocês mesmos as esqueceram. (...) Se os professores que preparam os alunos para os vestibulares forem fazer o exame, eles serão reprovados, porque cada um só será aprovado na sua própria disciplina. É duvidoso que o professor de Português vá resolver problemas de Física ou de Química. Então façam a seguinte pergunta: Se todos serão reprovados, por que é que os nossos pobres adolescentes têm que saber tantas coisas que serão totalmente esquecidas? Mas os burocratas não percebem isso. Eles pensam que se você passar no exame, você sabe. Não sabe, é mentira.
Um amigo meu (...) me contou que uma vez resolveu fazer uma brincadeira com os alunos. Ele pediu aos alunos que escrevessem numa folha de papel a pergunta que mais provocava a sua curiosidade. As perguntas eram do tipo: por que é que a água fervendo endurece o ovo e amolece a cenoura? (Vocês já pensaram nisso?); por que é que a chuva cai em gotas e não cai toda de uma vez? (Eu sempre tive terror de que a chuva caísse toda de uma vez); o que é que veio primeiro, o ovo ou a galinha? (... Esse é um problema racional muito sério, um problema lógico que estava colocado na pergunta da criança. As crianças são extremamente inteligentes); por que é que as pessoas boas morrem mais cedo?; por que é que há pessoas que não gostam de árvores?.
Rubem Alves termina assim esta conferência (da qual o extracto acima é quase no início):
«Há coisas úteis que precisam de ser ensinadas. Mas todas as coisas úteis só têm um objectivo: tornar possível a beleza, a arte. E quando nós como professores nos descobrimos como aqueles que tornam possível o aparecimento da beleza, então nós nos sentimos bonitos, e então a gente funda a nossa banda de jazz.» (Destaque meu)
terça-feira, outubro 06, 2009
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Marina Colasanti
Com o agradecimento à Amélia Pais
segunda-feira, outubro 05, 2009
No Dia do Professor...
sábado, outubro 03, 2009
Aquisição súbita
E, assim, foi uma decisão súbita, tudo num dia (mas tinha que ser aquele branquinho!). Logo que recebi o email da Teresa com as características todas... zás... fui direitinha à FNAC. E como disse à Teresa que, se me decidisse à aquisição, logo lhe diria demonstrando com uma foto...
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quarta-feira, setembro 30, 2009
Para sonhar com um futuro longínquo
Havia um navio a vapor, em águas inglesas, velho, pesado e aparentemente impróprio para continuar navegando, que toda vez que chegava às docas, de forma desajeitada, derrubava alguma parte do portão de entrada.
Porém, um certo dia, quando se aproximava e todos observavam para ver que tipo de estrago faria, ele passou suavemente, deslizando sobre as águas, sem que nada de anormal fosse visto.
Um dos espectadores gritou: - "O que houve com o velho navio? Alguma coisa aconteceu."
Um dos membros da tripulação, respondeu: "É o mesmo navio velho de sempre, mas temos um novo capitão."
domingo, setembro 27, 2009
Eleições: Pelo menos uma coisa positiva...
sábado, setembro 19, 2009
segunda-feira, setembro 14, 2009
Regresso (mas devagarinho...)
E este meu regresso vai ser ainda muito devagarinho, pois o clima político, mais ainda agora que começaram as campanhas eleitorais, não é propício aos motivos e conteúdos deste meu blogue.
Não é que não me interesse muito por política geral (pelo contrário, acompanho-a atentamente, interessada mesmo que desgostosa), mas simplesmente porque este blogue não foi pensado para isso. Ele foi criado pensando nos alunos, não em ebstracto, mas como seres concretos, cada um único, pensando na Educação e no Ensino lá no terreno, lá mesmo dentro de cada escola, pensando também no seu futuro quer pessoal, quer como cidadãos de cuja qualidade de formação tanto depende o futuro e o progresso do nosso país - o país em que viverão quando adultos e que progredirá ou permanecerá na mediocridade consoante a formação dos actuais jovens. Daí que também a política educativa é decisiva, por isso ela esteve muito presente neste blogue.
Mas, neste momento a política educativa está estagnada, num tempo de espera até ao futuro Governo no seu todo e, em particular, na decisão de quem será o próximo titular da pasta da Educação. Neste âmbto, o tempo até Outubro é um tempo de espera e um tempo parado no que respeita aos conteúdos deste blogue, que incluem a política para a Educação. E eu, como não farei aqui "campanha eleitoral", e nunca votei no PS e muito menos votaria alguma vez em partidos à sua direita (tenho a minha opção desde sempre), estou num momento em que não são oportunos os temas próprios do meu blogue.
Por tudo isto, o meu regresso por enquanto será para postagens e visitas a blogues espaçadas, pondo aqui apenas coisinhas soltas, abstidas da política ( a qual, aliás, mais que nunca me desgosta pois não vejo políticos elegíveis - sabemos com realismo que só há duas alternativas - que estejam à altura das responsabilidades, competência e seriedade de que o país necessita, e que me dêem confiança em que porão a preocupação pelo futuro deste e pelos problemas sociais acima dos seus interesses partidários ou de poder).
A terminar esta minha introdução ao meu (semi)regresso, deixo um trabalho no Scratch com que andei entretida ultimamente - trabalho que não foi nada fácil para mim que ainda pouco mais sou do que iniciante nesse programa.
Clicar na imagem para ver, e pôr o som alto
domingo, agosto 09, 2009
Scratch - uma ferramenta também para o professor
Mas o professor, até para aprender a usar o Scratch a fim de guiar os alunos, também pode construir projectos para uso na aula em qualquer disciplina, ou então recorrer a projectos feitos e publicados por professores no Sapo Scratch ou no MIT (aqui, a maioria são em inglês, mas também existem lá projectos com a opção por uma das duas línguas - português ou inglês).
Os alunos podem ver ou jogar no site, ou instalarem o Scratch nos seus computadores e fazer o rápido download de um projecto, o que tem a vantagem de poderem observar o projecto "por dentro" para verem como foi feito.
Apesar de já não ter oportunidade de uso em aulas (mas usarei para a minha neta Inês), ando com o "vício" do Scratch para aprender, e até já me atrevi a escrever em Inglês (com muito uso do tradutor do Google, embora este não seja muito fiável, e com uma ou outra busca em sites de Matemática em Inglês, dado que a mat é a "minha" disciplina).
No MIT já tenho uma galeria para alunos, ainda só com dois projectos (aqui).
E a minha aventura em duas línguas, acabada ontem, foi esta:
Clicar na imagem para acder
(Lá, clicar na bandeira e depois no idioma)
quinta-feira, julho 30, 2009
Blogue intermitente. Boas férias para todos!
Entretanto, estou com outras ocupações (incluindo projectos no Scratch), e também em tempo de lazer.
Van Gogh (1890). Pause de midi.sábado, julho 25, 2009
D. Florinda

E num dia de cada mês há correspondência na sua caixa de correio.
— Vem na hora certa — diz a D. Florinda, sorrindo para o gato que anda sempre atrás dela.
D. Florinda veste roupa nova, penteia melhor o cabelo ralo, branco e curto. Calça os sapatos de pano e borracha, fecha a porta com muito cuidado, e mete a chave num saco bastante coçado.
Truc, truc, truc... lá vai ela muito direita. Lá vai ela a caminho do banco.
Quando entra, entrega a carta ao empregado, e diz baixinho:
— É a minha reforma!
Recebe o dinheiro e, truc, truc, truc..., lá vai ela muito direita.
Lá vai ela a caminho da livraria do Zé.
Depois de entrar percorre as estantes com o olhar.
Demora-se, indecisa na escolha.
E acaba por descobrir o livro, que paga e manda embrulhar.
Outra vez na rua, truc, truc, truc..., lá vai ela a caminho da casa onde mora o Rodrigo, o seu neto.
Toca à campainha, aparece o Rodrigo, e ela estende o embrulho e diz:
— É para ti, rapaz. Mais um livro para a tua biblioteca!
António Mota
sexta-feira, julho 24, 2009
domingo, julho 05, 2009
Boas férias!
Pode clicar na imagem para ficar "animada"
Na próxima 4ª feira vou fazer 10 dias de praia. Até lá tenho que resolver alguns problemas, nomeadamente o do carrito, que ia ardendo (um susto com a fumarada a sair do motor) e tem que regressar à oficina porque agora ficou quedo de repente, a cheirar a esturro.
terça-feira, junho 30, 2009
TikaTok - mais uma ferramenta
Pode clicar em fullscreen
Mimos

sábado, junho 27, 2009
terça-feira, junho 23, 2009
A prova de Matemática do 9º ano
A minha crítica é um tanto coincidente com a que faz a SPM, mas também um tanto diferente.
Em suma, a meu ver a questão não reside na prova ser demasiado fácil (a bem das estatísticas do insucesso), ou ser "normal", mas sim nos resultados que podem dar falsas expectativas aos alunos que prosseguem para o Secundário, bem como no abaixamento da exigência dos professores para com os alunos em condições de serem melhor preparados e de irem mais longe, o que é desejável e é seu direito.
domingo, junho 21, 2009
sexta-feira, junho 19, 2009
Valores
Recebi este prémio da Isabel do blogue Histórias (con)m Vida. sábado, junho 13, 2009
Só para desejar bom fim de semana (Mais uma vez, o Scratch)
segunda-feira, junho 08, 2009
sábado, junho 06, 2009
Bom fim de semana! ;)
Brinquedos
Nós, que somos espantosamente grandes,
que já não deslizámos pelo gelo desde as duas guerras,
Ou se o fizemos alguma vez, sem querer
Já nos fracturámos um ano,
Um dos nossos importantes e duros anos
De gesso...
Oh, nós, os espantosamente grandes
Sentimos por vezes
Que nos faltam os brinquedos.
Temos tudo o que necessitamos,
Mas faltam-nos os brinquedos.
Temos saudades do optimismo
Do coração de algodão das bonecas
E da nossa nau
Com três fieiras de velas,
Que tanto sulcava as águas
Como a terra firme.
Gostaríamos de montar um cavalo de madeira
E que o cavalo relinchasse ao mesmo tempo que a madeira
E que nós lhe disséssemos: 'Leva-nos a algum sítio
Não importa qual,
Porque em qualquer sítio da vida
Propomo-nos levar a cabo
Formidáveis façanhas'.
Oh, quanta falta, por vezes, nos fazem os brinquedos!
Mas nem sequer podemos estar tristes
Por essa razão,
E chorar com toda a alma,
Agarrando a perna da cadeira
Porque somos tão adultos
Que não há ninguém mais velho que nós
Para nos acariciar.
Marin Sorescu
(Via Amélia Pais)
sexta-feira, junho 05, 2009
quinta-feira, junho 04, 2009
Pequeno intervalo
Pela marca que nos deixa |
terça-feira, junho 02, 2009
segunda-feira, junho 01, 2009
No Dia Mundial da Criança
Deixo este vídeo que também diz respeito às crianças porque os adultos, que já foram crianças, devem pensar nas crianças contribuindo para que cresçam em igualdade de direitos e se tornem adultos livres.
Final do vídeo:
Please, ask your government to put this document, the Universal Declaration of Human Rights, into every passport.
sábado, maio 30, 2009
A manifestação
Tencionava tirar fotos para pôr aqui, mas quando cheguei à manifestação dei conta de que a minha máquina estava sem bateria. Assim, remeto os visitantes para aqui.
sexta-feira, maio 29, 2009
Amanhã lá estarei
Estou aposentada, mas continuo a manifestar-me pelos meios ao meu alcance na defesa de uma Escola Pública de qualidade para todas as crianças e jovens (escola onde, aliás, tenho netos) e por uma Educação Integral, decisiva para o futuro do país, o que exige professores motivados, estimulados e apoiados adequadamente.quinta-feira, maio 28, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Folhas secas (Desencanto)
Dá para uma fogueira —O tanto de folhas secas
Trazidas pelo vento.
Ryôkan
Tão miseráveis,
As glicínias sem folhas
Do velho templo.
Buson
Varrer o chão
E então parar de varrê-lo —
Estas folhas secas.
Taigi
segunda-feira, maio 25, 2009
A minha neta Inês e o Scratch
Clicar na imagem
(Depois, clicar na bandeira e, para que as instruções funcionem, é preciso pôr o rato em cima do projecto)
domingo, maio 24, 2009
Construir no homem
Vois-tu
nous avons d'abord bâti dans du sable,
le vent a emporté le sable.
Puis nous avons bâti dans du roc,
la foudre a brisé le roc.
Il faut qu'on pense sérieusement à batir
dans l'homme.
Ahmed Bouanani
Poeta marroquino
1939, Casablanca
O meu país
Vê bem
Construímos primeiramente na areia
o vento levou a areia
Depois construímos na pedra
o raio quebrou a pedra
Temos de pensar seriamente em construir
no homem
Tradução de Amélia Pais
sexta-feira, maio 22, 2009
Momentos com a música
ODE AN DIE FREUDE, DA SINFONIA No. 9
Não sei se isto é um hino e os anjos
precisam deste instrumento
para ampliar o silêncio. O que sei
é que chega de longe esta surpresa
de poder segmentar em força o coração
que em mim pulsa e eu não sei
de onde vem quando na música
pressinto um tema que só aos anjos pode pertencer
pela pujante candura dos acordes
e a humilde magnificência da alegria.
Tudo quanto ignoro é que está bem.
Amadeu Baptista
(Poema via Amélia Pais)
quinta-feira, maio 21, 2009
Eu e o Scratch
terça-feira, maio 19, 2009
Pelos vistos, já é tempo de não nos queixarmos dos jovens ;)
1ª citação:
"A nossa juventude ama o luxo, é mal educada, zomba da autoridade e não tem nenhuma espécie de respeito pelos velhos. As crianças de hoje são tiranas. Não se levantam quando um velho entra numa sala, respondem a seus pais e são muito simplesmente más"
- Sócrates (430-399 a.C.)
2ª citação:
"Não tenho nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o mando amanhã, porque estes jovens são insuportáveis e não têm moderação. Simplesmente terrível".
- Hesíodo (720 a.C.)
3ª citação:
"O nosso mundo atingiu um estado crítico. Os filhos não escutam os seus pais. O fim do mundo não pode estar longe".
- Inscrição no túmulo dum sacerdote egípcio (2000 a.C.)
4ª citação:
"Esta juventude está podre desde o fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Não serão nunca a juventude de outrora. Os jovens de hoje não serão capazes de manter a nossa cultura".
- Inscrição numa olaria de Babilónia (2500 a.C.)
Fonte: Ronald Gibson, British Medical Journal, cit. por "Revista da Armada", s.d.
domingo, maio 17, 2009
Que não se desista de despertar a beleza adormecida
sábado, maio 16, 2009
sexta-feira, maio 15, 2009
Scratch day
Amanhã vou com a minha neta Inês ao evento, na FPCE, comemorativo do dia do Scratch.Já a iniciei, mas eu também estou ainda na fase de iniciante. Ambas vamos aprender ;)
Uma prenda de aniversário
A Isabel deu ao meu bloguezinho uma prenda de aniversário, que ele e eu muito agradecemos.quinta-feira, maio 14, 2009
No 4º aniversário deste blogue
Mas logo surgiu Maria de Lurdes Rodrigues como ministra da Educação, e a atenção foi desviada para a sua política, para as suas medidas, para os seus efeitos nefastos na Escola Pública e nos professores e para a luta destes. Luta que continuei (e continuo) a sentir como minha também, mesmo depois de me aposentar, pois a Educação, além de ter sido paixão para mim, é essencial para o futuro do meu país, onde, inclusivamente, irão crescer e viver dois dos meus quatro netos (dois, porque tenho duas netas na Suiça, onde nasceram e vivem).
Entretanto, a blogosfera dos professores adquiriu grande visibilidade, sobretudo por blogues que permanentemente informaram em cima da hora sobre a catadupa de decretos, despachos e ofícios do ME, esclareceram, analisaram criticamente, denunciaram e mobilizaram para a luta. Mas, ao fim destes quatro anos, sinto saturação, até porque MLR, ao atolar os professores e as suas reuniões de papelada, retirou espaço e tempo para o tabalho colaborativo nas escolas no âmbito do que é o mais importante: as aulas e os alunos. Trabalho que é indispensável para a discussão e partilha de métodos, estratégias inovadoras e troca de experiências bem sucedidas - enfim, para um trabalho formativo que acabou por estar excluído da própria ADD.
Ora, com a visibilidade e popularidade que ganhou entre os professores, a blogosfera poderia também proporcionar essa partilha e debate de experiências e ter uma componente formativa, até porque muitas aulas continuam com métodos estagnados, rotineiramente iguais às do ano anterior e dos precedentes, onde os alunos sentem tédio, o que contribui para a própria indisciplina. Mas a sala de aula e os alunos estão silenciados na blogosfera dos professores, quer pelos autores de blogues, quer por aqueles que apenas comentam, salvo algumas excepções entre as quais se destacam os blogues da 3za e do JMA.
A minha desmotivação foi sendo crescente, traduzida por intermitências e pausas, muitas vezes intercaladas quase só por coisas ligeiras como um poema, uma canção, uma estória.
Este dia de aniversário seria adequado para encerrar este blogue. Mas, tal como não deitamos para o caixote do lixo os nossos albuns de recordações, também, pelo menos por enquanto, não quero apagar um espacinho onde tenho memórias e recordações.
Assim, mantenho-o ao menos como um cantinho meu onde às vezes me apetece escrever, outras apenas guardar para mim um poema, um quadro, uma canção... coisas assim. Prevejo mais intermitências e pausas, até ao dia da pausa final, pois a tudo chega o momento do fim.
Tal como deixei de gostar de fazer anos porque isso me lembra que estou velha, e só não ignoro o meu aniversário porque a família não deixa, também o meu blogue não quer bolinho com velinhas nem canção de parabéns - "parabéns" já não faz sentido.
Mas termino repetindo que tenho pena que a blogosfera não seja melhor aproveitada também para espaço pedagógico formativo através de troca e debate de ideias, sugestões e experiências inovadoras bem sucedidas (saliento "troca e debate", o que é diferente de mera exposição) no sentido de criar nos alunos o gosto por aprender e de promover o verdadeiro sucesso educativo, sobretudo no ensino básico pois, após ele, corre-se o risco de ser demasiado tarde.
Até logo!
quarta-feira, maio 13, 2009
Ministério da Certificação e das Novas Oportunidades
Artigo de Santana Castilho no Público de hoje. Quem não seja assinante online pode ler aqui.
terça-feira, maio 12, 2009
domingo, maio 10, 2009
Colocar a política no centro das melhorias
«Precisamos muito mais de mudar de políticas educativas do que de ministros da educação! Temos de trazer a educação para a praça pública. O Presidente da República, a Assembleia da República e o Primeiro-Ministro (que tão afastados andam de uma intervenção capaz e concertada no terreno das políticas de educação e formação) têm de se entender sobre algumas prioridades básicas e colocar o pé no acelerador, anos a fio, sem hesitações e tibiezas. Temos de estabelecer compromissos políticos e compromissos sociais concretos (não consensos balofos!), desde o plano nacional ao plano local, valorizando sobretudo uma imensidade de pequenos compromissos (de preferência assinados), que possam fazer da melhoria da educação uma efectiva e concreta grande causa nacional.
O tempo da retórica devia ser encerrado. Não são necessárias mais leis encantadoras, não mais discursos encantatórios, mas sim mais compromissos concretos, mais empenhamento e envolvimento, mais trabalho, muito trabalho e ainda mais trabalho, unidos neste objectivo comum de melhorar a educação das novas gerações e de todos os portugueses, ao longo de toda a vida e com a vida.
Repito: a melhoria da educação escolar não é uma questão técnica é uma questão política. E isto mesmo há muito boa gente que ainda não percebeu. E “ocupa” a 5 de Outubro ocupando o tempo a criar mais uma disciplina, a colocar mais uns computadores, a meter mais TIC nas escolas, a descobrir mais uma circular interpretativa, a desfazer planos de estudos e a criar outros que ninguém sabe de onde brotam, tão caudalosos, a criar “a martelo” agrupamentos verticais e horizontais onde poderiam existir apenas redes de cooperação, a mudar horas lectivas de 45 para 90 minutos, a…inventar soluções técnicas para problemas que não existem e a ignorar soluções políticas que a todo o momento urgem, passando todos os dias atestados de ignorância profissional aos professores e de irresponsabilidade social aos directores das escolas. “Até quando abusarão da nossa paciência?”. Até quando vai persistir toda esta esquizofrenia, sob o encantamento das vozes populistas do “ bando do eduquês”, que dizem que tudo está mal e que o bem só pode ser alcançado com mais uns requintados retoques técnicos, esses sim, os definitivos, sempre “de uma vez para sempre”!
Vivemos num tempo novo. O paradigma da educação de todos ao longo de toda a vida irá iluminar e condicionar o desenvolvimento da educação nas próximas décadas, num contexto de mudança contínua e de incerteza. Temos de esclarecer o novo lugar da educação na “sociedade do conhecimento”, desde a educação escolar à educação social, e discernir o lugar da “nova” escola em cada comunidade: é um enclave, um contentor que ali foi colocado e face ao qual a comunidade local pouco ou nada tem a dizer? Ou é uma instituição social nuclear para pensarmos e construirmos um desenvolvimento social sustentável? Como se articula esta instituição com outras instituições locais, com papéis educativos também relevantes ? Qual deve ser aí o lugar e o papel dos professores, o que espera a sociedade deles e como é que se cruzam os seus horizontes profissionais e a sua acção com a dos pais, das associações e agentes culturais, dos empregadores…? Ficou muito claro, no Debate Nacional sobre a Educação, que muitas escolas continuam dramaticamente isoladas, seja porque se fecham sobre si mesmas seja porque a sociedade desvaloriza a educação escolar e não se compromete (para lá de uma retórica gongórica e enfadonha) na melhoria da educação.
Pergunto: queremos que o sistema de educação seja regulado exclusivamente a partir do centro (dos vários centros, tipo DRE), de um Estado que irresponsabiliza ou um sistema multiregulado, que valoriza também a participação dos docentes e a acção dos pais, das autarquias, dos interesses culturais, socioeconómicos? Até onde estamos dispostos a ir, como sociedade aberta, num novo Modelo de Governação de Educação (MGE) assente na multiregulação, na intervenção renovada, personalista, subsidiária e inteligente do Estado e valorizando a participação sociocomunitária, para atingirmos, com outra serenidade e persistência (sem andarmos aos solavancos, num “stop and go” permanente), uma educação de maior qualidade para todos os portugueses? Sem redefinirmos as prioridades, os níveis de responsabilidade e os responsáveis, continuaremos, por exemplo, como já acontece há vinte anos, a falar e a decretar a autonomia das escolas quando, efectivamente, as escolas não têm autonomia real nenhuma, simplesmente porque nada mudou no modelo de regulação ao dizermos que mudou a autonomia da escolas. Por outras palavras, que lugar é que queremos que tenha a autonomia das escolas neste novo MGE? Que atribuições, competência e responsabilidades devem ficar concentradas nos agrupamentos escolares e escolas? E que lugar é reservado para a comunidade local e para os serviços regionais e centrais? E para os directores das escolas, e para os professores e as equipas interprofissionais, a cooperar em prol da melhoria da educação? E para os pais? E para as autarquias? E para a administração central? E…Não podemos prosseguir a política do simulacro, da retórica balofa, do faz de conta e… do caos subsequente!
No processo de melhoria gradual, contínua e persistente da educação em Portugal, um imperativo social de primeira grandeza, é preciso reconstruir, por um processo de concertação e de acção-reflexão permanentes, o lugar e a função dos professores como profissionais, das equipas de professores dentro das escolas, da cooperação destes com outros profissionais, da articulação com os pais, da ligação a outros actores sociais locais. O que queremos dos professores e das equipas docentes? São correias de transmissão, são funcionários que apenas repetem matérias ou são profissionais autónomos, num novo e clarificado quadro de responsabilidades profissionais e sociais? Há ou não lugar para o desenvolvimento e aprofundamento de uma cultura escolar e para a sua valorização social? Sabemos que só uma pertinente, cuidada e persistente reflexão pedagógica sobre as situações-problema concretas, pode gerar melhorias na educação, turma a turma, escola a escola, em contextos comunitários de incentivo à educação de todos. Que dinâmicas de governação educacional devem exercer as escolas e que controlo social querem o Estado e a sociedade instituir para credibilizar e apoiar as escolas e os professores e os seus projectos de melhoria gradual da educação?
Temos de definir se queremos que o MGE seja centrado no Diário da República, como até aqui, governo após governo, ou em actores sociais e em compromissos sociais concretos em prol de mais e melhor educação, construídos com a activa e responsável participação dos portugueses, desde o nível local ao nacional (como já se teima em querer fazer em tantos locais e com a participação de alguns parceiros sociais)? Que novos compromissos sociais concretos queremos vir a estabelecer? Uma coisa parece certa: só num clima de liberdade e de confiança entre os parceiros e de responsabilização das partes será possível edificar um novo MGE.
Uma educação de qualidade para todos os portugueses, sem excepção, é demasiado importante para o nosso futuro para continuarmos a deixar de lado as questões centrais, persistindo em seguir um MGE que teima em ser centralista, uniforme, burocrático, tecnocrático, desresponsabilizante, quando não desnorteado, em contínuos solavancos, sob o signo do improviso e da inspiração do momento (de cada equipa ministerial, mesmo dentro de um mesmo governo!). Este modelo de governação gera mediocridade e desresponsabilização social. Todos os dias. Há muitos anos que precisamos de mais liberdade e de mais política, não precisamos de mais tralha técnica a cair ciclicamente dentro de um sistema fechado.
Políticas de equidade impostas pelo Diário da República, central e uniformemente, constituem atentados à liberdade e à responsabilidade e só podem gerar mediocridade. Precisamos de plataformas cívicas de participação para a reconstrução do bem público educacional, como ficou tão claro no Debate Nacional. Precisamos de política, não precisaremos tanto de “comissões técnicas de sábios”, que se nomeiam para desatar pequenos nós, quando estes pequenos nós apenas escondem os grandes nós, que, esses sim, continuam atados e bem atados. Somos nós, todos nós, em todo o país, que podemos e temos de desatar estes nós.
Precisamos de um regresso à esperança e estou certo de que nós somos bem capazes de o fazer.
À profecia decretada da incapacidade dos portugueses, temos de opor a profecia da construção social de mais e melhor educação, num renovado quadro de cooperação e de esperança.»
Não, os botões não hão-de ficar amordaçados dentro do peito, eles têm de rebentar, de abrir, de ser gente, de amar e ser amados, de dar e de receber, de construir e ser construídos em sociedade e em comunidade. O professor é o profissional que cuida de cada flor (em cada geração) e esse é um trabalho imenso (regar, adubar, podar,..), que requer toda a atenção, carinho e rigor, que implica um trabalho imenso, muita dedicação e dádiva e a formação de equipas educativas (Boavida, 2002; Formosinho e Machado, 2008). Não perceber isto é não perceber o essencial da educação e também da educação escolar.
Este cuidado requer níveis sofisticados de atenção. Não basta o trabalho individual de cada professor, porque cada jardim conta com dez jardineiros, que têm de fazer equipa (...)
sábado, maio 09, 2009
sexta-feira, maio 08, 2009
O tesouro mais precioso
O homem deslumbrou-se com a visão da pedra e pediu à mulher que lhe desse de presente. Sem hesitar, ela lhe entregou a jóia. O viajante se foi, rejubilando-se por sua sorte. O tesouro poderia garantir-lhe segurança para toda a vida.
Mas, alguns dias depois, ele voltou à procura da mulher. Ao encontrá-la, entregou-lhe a pedra, dizendo: "Pensei muito e sei bem o valor desta pedra, mas venho devolvê-la. O que quero é algo muito mais precioso. Se for possível, me dê o que está dentro de você e que a fez capaz de me entregar um tesouro como esse."
quarta-feira, maio 06, 2009
segunda-feira, maio 04, 2009
Articulação curricular
Não vou teorizar nem dizer generalidades, mas só dar alguns exemplos da minha experiência como prof. de matemática no âmbito do que eu entendo por articulação curricular, e detendo-me nos próprios conteúdos dos programas, embora esse nem seja o principal aspecto na dita articulação.
Termino com três perguntas:
sexta-feira, maio 01, 2009
quarta-feira, abril 29, 2009
Escolaridade obrigatória até aos 18 anos?
Bach to África
Das 14 faixas, deixo três...
Lambarena - Bach to África - faixa 2
Lambarena - Bach to África - faixa 7
domingo, abril 26, 2009
Consertando o mundo
Certo dia, seu filho, de sete anos, invadiu o seu "santuário" decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou fazer com que o filho fosse brincar em outro lugar.
Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objectivo de distrair sua atenção. De repente, deparou-se com o mapa do mundo e alegrou-se, pois era exactamente o que procurava! Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:
- "Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar... Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho, mas não se esqueça: faça tudo sozinho!"
Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Algumas horas depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:
- "Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!"
A princípio, o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz? Perguntou-se o cientista e resolveu averiguar com o filho como ele tinha conseguido tal feito:
- "Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?"
- "Pai , eu não sabia como era o mundo, mas, quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei... mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem, que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo!"
Autor desconhecido. Fonte
sábado, abril 25, 2009
sexta-feira, abril 24, 2009
Tempo de Abril - Nunca deixemos cerrar as portas que Abril abriu!

(...)
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era liberdede.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
(...)
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na mdrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
(...)
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
(...)
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
(...)
Ary dos Santos. Excertos de As portas que Abri abriu.
_____________
Nem toda
a força do pano
todo o ano
Quebra a proa
do mais forte
nem a morte

























