domingo, outubro 25, 2009

Mudou a hora...

Anoitece mais cedo —
As estrelas brilham
Sobre o campo seco.


Buson

  Suzuki Shonen

terça-feira, outubro 20, 2009

Momento poético e musical

Poema:

Vem devagar sobre a corda da minha espera
ninguém saiu à rua mas há rosas
assim a tarde assim a mudança em disfarce

Demora-se a loucura e a camisa
e o teu corpo moreno espalha-se pelas ruas

Vem devagar
o sol teceu a tarde para o nosso encontro
o sol, caindo, insiste para que nos vejamos


Ossanha

Para acompanhar o poema:




Com o agradecimento à Amélia Pais

segunda-feira, outubro 19, 2009

Uma manhã duplamente feliz

Feliz pela Teresa, pela sua dissertação de Mestrado, pelo Excelente bem merecido (nota rara em Mestrado, mas a Teresa também é rara, como a Teia tem mostrado desde que foi criada). Seria também excelente que muitos e muitos professores seguissem a Teia para serem contagiados pela magia da Teresa na arte de ensinar / fazer aprender e no amor pelos alunos.


Foto "roubada" do Terrear


Feliz também por ter finalmente conhecido o José Matias Alves no real (digo no "real", pois, para mim, já há muito era um amigo e eu sentia que o conhecia, apesar de só virtualmente)

Foto "roubada" do Aragem

quarta-feira, outubro 14, 2009

Para reflexão, com Rubem Alves

O texto que se segue é um pequeníssimo extracto de uma conferência(*) de Rubem Alves que reproduzo por escrito ouvindo o DVD(**), pelo que há uns pequenos intervalos.

«O que nós temos nas nossas escolas é que as nossas escolas se parecem mais com linhas de montagem. (...). Quando a criança é aprovada por causa das notas, os burocratas assumem que elas aprenderam. Vocês sabem que elas não aprenderam. E porque é que vocês sabem que elas não aprenderam? Porque vocês mesmos as esqueceram. (...) Se os professores que preparam os alunos para os vestibulares forem fazer o exame, eles serão reprovados, porque cada um só será aprovado na sua própria disciplina. É duvidoso que o professor de Português vá resolver problemas de Física ou de Química. Então façam a seguinte pergunta: Se todos serão reprovados, por que é que os nossos pobres adolescentes têm que saber tantas coisas que serão totalmente esquecidas? Mas os burocratas não percebem isso. Eles pensam que se você passar no exame, você sabe. Não sabe, é mentira.
E pela burocracia o aluno é uma coisa vazia dentro da qual você tem que colocar um saber. Fico pensando na situação de vocês, que são professores de uma única disciplina. Eu sinto que vocês são como aqueles guias turísticos que todos os dias repetem... (...). E o que está acontecendo então é que os pobres professores são colocados num canal de repetições no qual desaparece toda a alegria de aprender as coisas novas. (...)

Um amigo meu (...) me contou que uma vez resolveu fazer uma brincadeira com os alunos. Ele pediu aos alunos que escrevessem numa folha de papel a pergunta que mais provocava a sua curiosidade. As perguntas eram do tipo: por que é que a água fervendo endurece o ovo e amolece a cenoura? (Vocês já pensaram nisso?); por que é que a chuva cai em gotas e não cai toda de uma vez? (Eu sempre tive terror de que a chuva caísse toda de uma vez); o que é que veio primeiro, o ovo ou a galinha? (... Esse é um problema racional muito sério, um problema lógico que estava colocado na pergunta da criança. As crianças são extremamente inteligentes); por que é que as pessoas boas morrem mais cedo?; por que é que há pessoas que não gostam de árvores?.
Perguntas das crianças. Aí ele pensou: se as crianças fazem perguntas tão maravilhosas, os professores, que já se formaram, alguns têm mestrado, eles terão perguntas muito mais maravilhosas do que essas. Então ele sugeriu aos professores que fizessem perguntas, as perguntas que perturbavam os professores. Aí, o professor de Geografia perguntou: onde fica o cabo...? (não consegui perceber o nome); o professor de História perguntou: qual é a data da batalha de Gualdalquivir?; (...) Ou seja, os professores, por causa do seu costume, feito pela burocracia, de andarem sempre nos mesmos caminhos, estavam cegos, eles haviam perdido a capacidade de ver porque eles só viam o programa que a burocracia havia colocado em cima deles. Então não é possível que a gente se sinta feliz. (...)
Queria sugerir a vocês que vocês tratassem de raspar as tintas com que a burocracia pintou vocês, que raspassem as tintas para recuperarem a coisa maravilhosa que é a experiência de ensinar.»

Rubem Alves termina assim esta conferência (da qual o extracto acima é quase no início):

«Há coisas úteis que precisam
de ser ensinadas. Mas todas as coisas úteis só têm um objectivo: tornar possível a beleza, a arte. E quando nós como professores nos descobrimos como aqueles que tornam possível o aparecimento da beleza, então nós nos sentimos bonitos, e então a gente funda a nossa banda de jazz(Destaque meu)
_______
* Conferência promovida pela Asa pela mão do JMA (Maio de 2003).
** DVD que é para mim uma preciosidade que o JMA teve a grande gentileza de me oferecer.

terça-feira, outubro 06, 2009

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti


Com o agradecimento à Amélia Pais

segunda-feira, outubro 05, 2009

No Dia do Professor...

Deixo apenas um pensamento de Rubem Alves, que diz imenso.


O olhar do professor tem o poder de transformar uma criança
em inteligente ou burra.
Rubem Alves (2003)
Em conferência promovida pela Asa pela mão do JMA

sábado, outubro 03, 2009

Aquisição súbita

Hoje estive com a Teresa Marques e outros amigos na FPCE. Ela levava um portátil branquinho e maneirinho (um netbook - acho que é assim que se chama) que me encantou e tentou. Ora eu só tive um portátil há anos, que já foi para a sucata, e não voltei a pensar noutro dado o elevado custo, para mais não tendo especial necessidade. Mas ando desactualizada, pois fiquei surpreendida com o preço daquele portátil tão prático, pelo tamanho, para levar para uma esplanada ou mesa de um parque. Foi pena isto não ter acontecido antes do Verão, pois, "viciada" no Scratch, tenho ficado demasiado tempo em casa quando até tenho a uns passos a agradável Quinta das Conchas e dos Lilases. Mas ainda vamos ter muitos dias agradáveis antes dos invernosos.
E, assim, foi uma decisão súbita, tudo num dia (mas tinha que ser aquele branquinho!). Logo que recebi o email da Teresa com as características todas... zás... fui direitinha à FNAC. E como disse à Teresa que, se me decidisse à aquisição, logo lhe diria demonstrando com uma foto...


quarta-feira, setembro 30, 2009

Para sonhar com um futuro longínquo

O Bom Capitão

Havia um navio a vapor, em águas inglesas, velho, pesado e aparentemente impróprio para continuar navegando, que toda vez que chegava às docas, de forma desajeitada, derrubava alguma parte do portão de entrada.
Porém, um certo dia, quando se aproximava e todos observavam para ver que tipo de estrago faria, ele passou suavemente, deslizando sobre as águas, sem que nada de anormal fosse visto.
Um dos espectadores gritou: - "O que houve com o velho navio? Alguma coisa aconteceu."
Um dos membros da tripulação, respondeu: "É o mesmo navio velho de sempre, mas temos um novo capitão."
Autor desconhecido
Via Clube dos Contadores de Histórias

domingo, setembro 27, 2009

Eleições: Pelo menos uma coisa positiva...

Não houve maioria absoluta (fosse de um lado ou do outro). Apesar dos argumentos contra maiorias relativas por poderem ocasionar instabilidade governativa, para mim têm maior peso os riscos de maiorias absolutas para a democracia. Sobretudo quando um primeiro mimistro é arrogante e prepotente, parecendo não ouvir nada nem ninguém senão ele próprio. E o que tivemos durante toda a legislatura que hoje terminou foi (a meu ver), não digo um país em ditadura, mas foi um país como se tivesse partido único.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Regresso (mas devagarinho...)

Depois das minhas férias na praia, continuei em férias não só do meu blogue, mas de toda a blogosfera que frequento. De tudo precisamos de vez em quando de férias.

E este meu regresso vai ser ainda muito devagarinho, pois o clima político, mais ainda agora que começaram as campanhas eleitorais, não é propício aos motivos e conteúdos deste meu blogue.
Não é que não me interesse muito por política geral (pelo contrário, acompanho-a atentamente, interessada mesmo que desgostosa), mas simplesmente porque este blogue não foi pensado para isso. Ele foi criado pensando nos alunos, não em ebstracto, mas como seres concretos, cada um único, pensando na Educação e no Ensino lá no terreno, lá mesmo dentro de cada escola, pensando também no seu futuro quer pessoal, quer como cidadãos de cuja qualidade de formação tanto depende o futuro e o progresso do nosso país - o país em que viverão quando adultos e que progredirá ou permanecerá na mediocridade consoante a formação dos actuais jovens. Daí que também a política educativa é decisiva, por isso ela esteve muito presente neste blogue.
Mas, neste momento a política educativa está estagnada, num tempo de espera até ao futuro Governo no seu todo e, em particular, na decisão de quem será o próximo titular da pasta da Educação. Neste âmbto, o tempo até Outubro é um tempo de espera e um tempo parado no que respeita aos conteúdos deste blogue, que incluem a política para a Educação. E eu, como não farei aqui "campanha eleitoral", e nunca votei no PS e muito menos votaria alguma vez em partidos à sua direita (tenho a minha opção desde sempre), estou num momento em que não são oportunos os temas próprios do meu blogue.
Por tudo isto, o meu regresso por enquanto será para postagens e visitas a blogues espaçadas, pondo aqui apenas coisinhas soltas, abstidas da política ( a qual, aliás, mais que nunca me desgosta pois não vejo políticos elegíveis - sabemos com realismo que só há duas alternativas - que estejam à altura das responsabilidades, competência e seriedade de que o país necessita, e que me dêem confiança em que porão a preocupação pelo futuro deste e pelos problemas sociais acima dos seus interesses partidários ou de poder).

A terminar esta minha introdução ao meu (semi)regresso, deixo um trabalho no Scratch com que andei entretida ultimamente - trabalho que não foi nada fácil para mim que ainda pouco mais sou do que iniciante nesse programa.

Clicar na imagem para ver, e pôr o som alto

domingo, agosto 09, 2009

Scratch - uma ferramenta também para o professor

Sabemos que o maior interesse do Scratch está na elaboração de projectos pelos próprios alunos, iniciando-os em programação, desenvolvendo o seu raciocínio e a sua criatividade, e também estimulando a persistência em descobrir a solução para problemas que vão tendo para conseguirem o seu objectivo (persistência que se verifica dado o seu entusiasmo por este programa).

Mas o professor, até para aprender a usar o Scratch a fim de guiar os alunos, também pode construir projectos para uso na aula em qualquer disciplina, ou então recorrer a projectos feitos e publicados por professores no Sapo Scratch ou no MIT (aqui, a maioria são em inglês, mas também existem lá projectos com a opção por uma das duas línguas - português ou inglês).
Os alunos podem ver ou jogar no site, ou instalarem o Scratch nos seus computadores e fazer o rápido download de um projecto, o que tem a vantagem de poderem observar o projecto "por dentro" para verem como foi feito.

Apesar de já não ter oportunidade de uso em aulas (mas usarei para a minha neta Inês), ando com o "vício" do Scratch para aprender, e até já me atrevi a escrever em Inglês (com muito uso do tradutor do Google, embora este não seja muito fiável, e com uma ou outra busca em sites de Matemática em Inglês, dado que a mat é
a "minha" disciplina).
No MIT já tenho uma galeria para alunos, ainda só com dois projectos (aqui).

E a minha aventura em duas línguas, acabada ontem, foi esta:


Clicar na imagem para acder
(Lá, clicar na bandeira e depois no idioma)

quinta-feira, julho 30, 2009

Blogue intermitente. Boas férias para todos!

Este blogue não estará propriamente em férias, pois já fiz as minhas férias (dizem que os aposentados estão sempre em férias, mas não é bem assim) e agora fico por aqui. Mas estará muito intermitente, esperando a reabertura do ano escolar e as novidades de Setembro.

Entretanto, estou com outras ocupações (incluindo projectos no Scratch), e também em tempo de lazer.



Van Gogh (1890). Pause de midi.

sábado, julho 25, 2009

D. Florinda


Tem setenta anos a D. Florinda.
E num dia de cada mês há correspondência na sua caixa de correio.
— Vem na hora certa — diz a D. Florinda, sorrindo para o gato que anda sempre atrás dela.
D. Florinda veste roupa nova, penteia melhor o cabelo ralo, branco e curto. Calça os sapatos de pano e borracha, fecha a porta com muito cuidado, e mete a chave num saco bastante coçado.
Truc, truc, truc... lá vai ela muito direita. Lá vai ela a caminho do banco.
Quando entra, entrega a carta ao empregado, e diz baixinho:
— É a minha reforma!
Recebe o dinheiro e, truc, truc, truc..., lá vai ela muito direita.
Lá vai ela a caminho da livraria do Zé.
Depois de entrar percorre as estantes com o olhar.
Demora-se, indecisa na escolha.
E acaba por descobrir o livro, que paga e manda embrulhar.
Outra vez na rua, truc, truc, truc..., lá vai ela a caminho da casa onde mora o Rodrigo, o seu neto.
Toca à campainha, aparece o Rodrigo, e ela estende o embrulho e diz:
— É para ti, rapaz. Mais um livro para a tua biblioteca!

António Mota
Via Clube de contadores de histórias

sexta-feira, julho 24, 2009

domingo, julho 05, 2009

Boas férias!

Pode clicar na imagem para ficar "animada"

Na próxima 4ª feira vou fazer 10 dias de praia. Até lá tenho que resolver alguns problemas, nomeadamente o do carrito, que ia ardendo (um susto com a fumarada a sair do motor) e tem que regressar à oficina porque agora ficou quedo de repente, a cheirar a esturro.

Assim, deixo já os meus votos de boas férias para todos os amigos e colegas.

terça-feira, junho 30, 2009

TikaTok - mais uma ferramenta

Já a tinha visto há um tempo, mas esquecera. Agora caiu-me sob os olhos um livro sobre haikus feito por uma colega com os seus alunos.
Pensei na minha neta Inês, que adora desenhar e pintar (tem sempre 5 em EVT), para a entusiasmar a criar um livro com os seus desenhos para o seu blog (que está parado pois anda com muitos "afazeres", nomeadamente no Scratch). Então, fui ver como funcionava a ferramenta (é muito fácil), mas, feita criança, quis experimentar criar um livro. E como de vez em quando gosto de deixar aqui um quadro, juntei duas coisas: experimentar o TikaTok e pôr aqui no cantinho mais uns quadros.

Pode clicar em fullscreen

Mimos


Não vou cumprir a regra de nomear mais sete blogues para receberem o prémio. Desta vez vai só para um porque é um blogue que merece mais divulgação do que julgo ter. Um blogue dedicado principalmente aos alunos e às actividades com eles e cuja autora revela grande sensibilidade e muita dedicação e amor aos seus alunos:

terça-feira, junho 23, 2009

A prova de Matemática do 9º ano

Breve comentário

A minha crítica é um tanto coincidente com a que faz a SPM, mas também um tanto diferente.
O que critico não é o facto de a prova ter perguntas que só exigem os conhecimentos básicos e cálculos directos, mas sim ser toda assim. Não há ao menos uma pergunta para seleccionar os bons e muito bons alunos. (Até a última pergunta - volume de uma pirâmide - em que muitas vezes se dá a medida da aresta lateral, tendo os alunos que não confundir com a altura e primeiro calcular esta, na prova a altura é igual ao comprimento de uma das arestas, cuja medida é dada, excluindo assim a oportunidade de exigir raciocínio e respectivos cálculos mais elaborados).
Também concordo com a SPM ao criticar que pouco se testa do programa do 9º ano, mas concordo sobretudo porque, com excepção da equação do 2º grau, a prova ignora os conteúdos do 9º ano (e alguns do 8º) que os alunos têm que ter já dominados para enfrentarem o 10º ano, onde são considerados adquiridos (e, portanto, não são ensinados a não ser que o professor gaste parte do 10º ano com matéria do 9º).
Por último, a pergunta escandalosamente fácil (referida tanto pela SPM como pela APM) por ser ao nível de 3º ou 4º ano (tal como aconteceu com uma da prova do ano anterior, que a minha neta, então a terminar o 4º ano, resolveu), ela até é uma questão de proporcionalidade inversa, mas não é precisa essa noção para a resolver, nem sequer foi intenção de quem a fez que fosse usada, pois nos critérios de correcção é apresentada a resolução "à 4ª classe/4º ano".

Em suma, a meu ver a questão não reside na prova ser demasiado fácil (a bem das estatísticas do insucesso), ou ser "normal", mas sim nos resultados que podem dar falsas expectativas aos alunos que prosseguem para o Secundário, bem como no abaixamento da exigência dos professores para com os alunos em condições de serem melhor preparados e de irem mais longe, o que é desejável e é seu direito.