sábado, julho 05, 2008
;o) Avaliações (Opinião controversa, mas eu até concordo)
terça-feira, julho 01, 2008
Recordando uma canção
Gosto muito desta canção. Tinha-a em vinil; depois vieram os cds, procurei-a, mas nunca encontrei nova gravação à venda. Até que, um dia, um amigo ma enviou em mp3 (eu ainda não conhecia o Emule e outros meios de obter músicas na net).
Já a deixei algures neste cantinho, mas agora, com o YouTube, (quase) tudo se encontra em vídeo.
É uma canção datada? Pois é, mas nunca há data para acreditar nas flores.
Vem, vamos embora que esperar não é saber
segunda-feira, junho 30, 2008
Apenas o prazer de ler
A casa só é nossa quando é maior que o mundo.
E há as palavras que (re)inventa e parecem imprescindíveis, insubstituíveis.
E há também, por vezes, como que um brincar com os ditos da nossa língua, fazendo deliciosamente sorrir. Como aqui:
Depois, calou-se pelos cotovelos.
Não é a primeira vez que aqui refiro uma obra de Mia Couto, que, nos últimos anos, se tornou um escritor enorme. Mas trago-o ao meu cantinho não para falar dele - não é preciso -; trago só uma emoção que a sua leitura me causa.
domingo, junho 29, 2008
quinta-feira, junho 26, 2008
Momentos... (E uma pausa)
Balaustrata di brezza
per appogiare stasera
la mia malincolia
Giuseppe Ungaretti (1916)
ESTA NOITE
Balaustrada de brisa
para amparar esta noite
minha melancolia.
Tradução de Henriqueta Lisboa
_____
Agradeço o poema à Amélia Pais
terça-feira, junho 24, 2008
Não resisto a comentar ao menos este item 3
3. Numa sala de cinema, a primeira fila tem 23 cadeiras.
A segunda fila tem menos 3 cadeiras do que a primeira fila.
A terceira fila tem menos 3 cadeiras do que a segunda e assim, sucessivamente, até à última fila, que tem 8 cadeiras.
Quantas filas de cadeiras tem a sala de cinema?
Explica como chegaste à tua resposta.
Mal saiu do exame, o meu neto telefonou-me. Começou por dizer que a prova tinha sido fácil, acrescentando: "Até posso ter respostas erradas, mas não havia perguntas difíceis, eram todas fáceis". A seguir, assim logo mesmo pelo telefone, quis certificar-se sobre esse item 3 acima transcrito. Disse-me o enunciado e contou: "eu fiz vinte e três menos três e fui diminuindo três até chegar a oito e vi que eram seis filas. Pediam que explicasse como cheguei à resposta e então eu escrevi 23-3=20, 20-3 = 17, indiquei essas contas todas até chegar a 8. Pode ser assim? Pode ser só isto?" Um tanto incrédula sobre o enunciado, respondi-lhe que se era tal como tinha dito, estava certo, mas que depois precisava de o ler.
Nota:
segunda-feira, junho 23, 2008
De regresso...

P.S.
sábado, junho 14, 2008
Até logo! (E cuidem dos vossos jardins!)
Não é meu jeito trazer para aqui estas coisas de vida particular, mas em Setembro passado houve amigos que andaram preocupados com o meu desaparecimento da blogosfera e não resposta a emails, pelo que, como desta vez não é coisa imprevista e súbita, acho melhor dizer. Mas é coisa para ficar inteirinha e de boa saúde ;)
Entretanto, já que durante este tempo também criei e cuidei um jardim na minha varanda, deixo algumas das minhas flores a embelezar o cantinho. A jardineira é ainda muito inexperiente e as suas flores são vulgares, pois outras menos comuns esperam por melhor sucesso. Mas... ora! Todas as flores são bonitas!
_ Ó Isabel! Vais deixar aqui esses vasos simplórios?! Depois das flores tão lindas que alguns colegas teus mostram dos seus jardins?!
_ Mas estas são as minhas!!! E só não mostro mais vasos, porque começaste a troçar! Que coisa... era o que faltava uma pessoa não poder ter um jardim lá porque só tem uma varandinha num sétimo andar!!
_______
Adenda
«Menino, os jardins eram o lugar da minha maior felicidade. Dentro de casa os adultos estavam sempre a vigiar: "Não mexa aí, não faça isso, não faça aquilo...". O Paraíso foi perdido quando Adão e Eva começaram a vigiar-se. O inferno começa no olhar do outro que pede que eu preste contas. E como as crianças são seres paradisíacos, eu fugia para o jardim. Lá eu estava longe dos adultos. Eu podia ser eu mesmo. O jardim era o espaço da minha liberdade. (...) No pé de nêspera fiz um balanço. Já disse que balançar é o melhor remédio para a depressão. Quem balança torna-se criança de novo. Razão por que eu acho um crime que, nas praças públicas, só haja balancinhos para crianças pequenas. Há-de haver balanços grandes para os grandes! Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando? Riram? Absurdo? Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. O seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento. Eu já sou avô e me rejuvenesço balançando até tocar a ponta do pé na folha do caquizeiro onde o meu balanço está amarrado!"
Rubem Alves (2004). Gaiolas ou asas. Edições Asa, pp 71-72
Não posso, nem me atreveria a pôr um balouço na minha varanda. Mas RA anima-me a lembrar o que "está enterrado debaixo do cimento" para, quando voltar, ir recuperar um equivalente ao balouço das crianças. ;o)
sexta-feira, junho 13, 2008
Um poema de Eugénio de Andrade...
Onde me levas rio que cantei,
esperança destes olhos que molhei
de pura solidão e desencanto?
Onde me levas?, que me custa tanto.
Não quero que conduzas ao silêncio
duma noite maior e mais completa,
com anjos tristes a medir os gestos
da hora mais contrária e mais secreta.
Deixa-me na terra de sabor amargo
como o coração dos frutos bravos,
pátria minha de fundos desenganos,
mas com sonhos, com prantos e com espasmos.
Canção, vai para além de quanto escrevo
e rasga esta sombra que me cerca.
Há outra face na vida transbordante;
que seja nessa face que me perca.
In Poesia em verso e em prosa, ed. Círculo de Leitores (1980)
Fernando Pessoa - Homenagem muito singela
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fatuo encerra.
Ninguem sabe que coisa quere.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Fernando Pessoa (1928). In Mensagem. Edições Ática. (5ª ed.-1954)
(Respeitando a ortografia adoptada pelo poeta)
segunda-feira, junho 09, 2008
Conversas, livros de registos e coisas importantes
sexta-feira, junho 06, 2008
Que condições, hoje, para trabalho colaborativo entre professores?
Mas não preciso de ir a exemplos de outros países. Encontro nas minhas memórias muitas boas recordações de trabalho colaborativo que eu própria vivenciei. Trabalho colaborativo no meu grupo de disciplina; trabalho colaborativo na concretização de projectos extracurriculares; trabalho colaborativo de apoio a jovens colegas.
Recordo, como mero exemplo, o grupo da A., da C. e da M.J., todas professoras de Matemática de longa experiência e reconhecida competência, que, no entanto, me pediam (porque eu era coordenadora) que convocasse reuniões extraordinárias, embora informalmente, sem marcação de faltas (mas o grupo comparecia todo), para debatermos, trocar ideias, partilhar estratégias e procedimentos didácticos que se revelassem mais bem sucedidos face às dificuldades dos alunos, enfim, para unirmos o nosso empenho e entusiasmo nisto de ensinar.
Mas, nas minhas memórias mais recentes, já encontro recordações diferentes, digamos que recordações não boas. Nas minhas memórias mais recentes, encontro reuniões de departamento sobrecarregadas de informações e de papelada, que terminavam com a pergunta: Quando teremos tempo para falar das aulas?
E, sobre trabalho colaborativo, a minha última recordação é reveladora dos critérios e das prioridades de Maria de Lurdes Rodrigues. Eu conto (foi no meu último ano de actividade docente - ainda a procissão dos decretos e despachos ia no adro):
O exemplo que acabei de dar é hoje insignificante face a tudo o que veio depois atolar os professores em papelada – e, também, gerar climas de competição em vez de colaboração. Muitos professores passaram a ter mais reuniões, mas não para se ocuparem dos alunos ou de algo que acreditem repercutir-se positivamente no trabalho com eles e para eles.
Que condições e estímulos deu Maria de Lurdes Rodrigues?
P.S.
quinta-feira, junho 05, 2008
Dia mundial do ambiente

Como habitualmente, recebi por mail o boletim dos Educadores por la Sostenibilidad, mas, desta vez, com o pedido de divulgação.
Dificilmente poderemos plantar uma árvore, mas muitas coisas podemos fazer pelo ambiente que nos rodeia - o físico, e o humano também.
Vivimos una situación de auténtica emergencia planetaria, marcada por toda una serie de graves problemas estrechamente relacionados: contaminación y degradación de los ecosistemas, agotamiento de recursos, crecimiento incontrolado de la población mundial, desequilibrios insostenibles, conflictos destructivos, pérdida de diversidad biológica y cultural…Es preciso, por ello, asumir un compromiso para que toda la educación, tanto formal como informal, preste sistemáticamente atención a la situación del mundo, con el fin de proporcionar una percepción correcta de los problemas y de fomentar actitudes y comportamientos favorables para el logro de un desarrollo sostenible.
terça-feira, junho 03, 2008
Um NÃO que poderia ter sido dito. Poderá ainda?
PETIÇÃO
segunda-feira, junho 02, 2008
Eduquemos e cultivemos a consciência humana
domingo, junho 01, 2008
E porque hoje é o dia da criança...
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...
(...)
quinta-feira, maio 29, 2008
Os dois remos
Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem de cabelos brancos quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo. Era um barqueiro.
O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho. O viajante olhou detidamente e percebeu o que pareciam ser letras em cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, observou que eram mesmo duas palavras. Num dos remos estava entalhada a palavra acreditar e no outro agir.
Não podendo conter a curiosidade, perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos. O barqueiro pegou o remo, no qual estava escrito acreditar, e remou com toda força. O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o remo em que estava escrito agir e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.
Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, movimentou-os ao mesmo tempo e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago, chegando calmamente à outra margem.
Então o barqueiro disse ao viajante:
- Para que o barco navegue seguro e alcance a meta pretendida, é preciso que utilizemos os dois remos ao mesmo tempo e com a mesma intensidade.
quarta-feira, maio 28, 2008
O ciclo único, a pedagogia única e o poder único
Não me cansarei de chamar a atenção para as consequências do Decreto-lei nº 43/2007, que estabeleceu o novo regime de formação para a docência e que tanto me escandalizou - e escandaliza - quanto à formação de professores para o actual 2º Ciclo do Ensino Básico, seja este assim designado, ou venha a ser integrado num futuramente chamado 1º Ciclo (a questão não está na designação). Assim, deixo um excerto do artigo de Santana Castilho (sem link para o próprio artigo porque só é acessível online a assinantes, mas cuja transcrição pode ser lida na íntegra aqui).
«(...) A verdadeira consequência, a importante, em minha opinião, reside num novo decréscimo do conhecimento que tal sistema originará para as crianças. Um só professor a ensinar Português, Matemática, História, Geografia, Ciências da Natureza e o que mais se verá? O peso da especulação pedagógica em detrimento das tradicionais áreas do conhecimento tem conduzido as crianças portuguesas por tristes veredas de infantilização. O proposto será uma boa achega para a promoção desse pernicioso percurso e para mais uma drástica redução do número de professores em actividade, com a natural e consequente redução significativa dos custos da provisão do ensino básico a que o Estado está obrigado. (...)»
segunda-feira, maio 26, 2008
Um poema...
Obrigada à Ana Paula Pinto por me ter deixado o poema
Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen.
Natália Correia
quinta-feira, maio 22, 2008
As nossas crianças estão a ser usadas
As crianças portuguesas - as nossas crianças - estão a ser usadas.
Usadas para diminuir o deficit;
usadas para as estatísticas que os governantes pretendem apresentar;
usadas em prejuízo de terem bons e cada vez melhores professores porque estes estão a ser transformados em burocratas e educadores generalistas;
usadas para que o país imite modelos educativos de outros, mas como quem imita receitas de cozinha pondo na panela apenas alguns dos ingredientes (e de má qualidade) porque os outros não são baratos;
usadas como cobaias em experiências apressadas e sem qualquer estudo sério que fundamente as mudanças a partir do que se tenha efectivamente comprovado necessitar de mudar;
usadas também ao sabor de cabeças que se consideram iluminadas e só ouvem opiniões que (e quando) lhes convêm, desprezando arrogantemente muitas e muitas outras de reconhecida idoneidade e competência.
Começo a olhar para esta grande causa que também foi minha (e não consigo abandonar) - a Educação - com uma tristeza que significa desesperança, e a desesperança é um sentimento que toda a vida recusei convictamente. Quero continuar a recusá-la e a apelar a outros que também a recusem, no entanto está a ser-me difícil, pois constantemente se avolumam os motivos de preocupação sobre o rumo do sistema educativo no nosso país. Assim, sendo ainda mais impotente do que os que estão no terreno da escola, dado que já lá não estou, não vale a pena tentar analisar situações ou documentos quando estou - como estou agora - a reagir ao actual rumo da Educação com pouca serenidade e cada vez maior incredulidade.
Adenda ao post anterior
Com tantos documentos, alguns a carecerem que os leia com mais atenção, humildemente admito que esteja a ler mal o sentido dos excertos que citei em termos do que me parece uma contradição. Se assim é, agradeço que me corrijam.
terça-feira, maio 20, 2008
Ciclos de ensino... a questão não está no nome ou na duração
segunda-feira, maio 19, 2008
Quase...
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
domingo, maio 18, 2008
;0) Apenas um copo de leite...
sábado, maio 17, 2008
Falando com os meus botões
quinta-feira, maio 15, 2008
Conselho Geral Transitório - uma oportunidade a perder?!
E eu esperava que a ideia estivesse a correr pela blogosfera, para correr, a seguir, pelos meios actualmente habituais - mail e sms -, mas ainda não me apercebi de tal. Esmorecimento da classe docente?! O novo modelo de gestão das escolas é irreversível?! A reivindicação da revisão do modelo saiu do horizonte de luta dos professores?!
P.S.:______
Vi agora que a FENPROF é clara sobre a oportunidade a propósito dos conselhos gerais transitórios. No seu jornal deste mês de Maio lê-se na contracapa: "(...) a FENPROF propõe que seja ponderada a possibilidade de não haver candidaturas de docentes aos Conselhos Gerais Transitórios. Dessa forma, tornariam clara a sua oposição ao modelo imposto pelo ME e a sua recusa em o consolidarem, criando condições para a sua revisão."
quarta-feira, maio 14, 2008
Uma canção - uma memória
P'ra não dizer que não lembrei...
terça-feira, maio 13, 2008
domingo, maio 11, 2008
sábado, maio 10, 2008
Jantar comemorativo - Rever companheiros
sexta-feira, maio 09, 2008
Contemplo o que não vejo
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.
Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.
Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.
Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.
Fernando Pessoa, Cancioneiro
quinta-feira, maio 08, 2008
Também me entristeço ao ler...
quarta-feira, maio 07, 2008
Pequenos poemas que me tocam depois das memórias
sementes de algodão | ||
| Dias que se alongam — Cada vez mais distantes Os tempos de outrora! Buson | ||
|
terça-feira, maio 06, 2008
Memórias de directora de turma - II
Os alunos podiam ser do 5º ano, podiam ter apenas 10 anos, mas, com excepção da primeira assembleia, que eu dirigia, as outras passavam a ficar a cargo deles. A minha orientação consistia em dar uma tarefa para casa: pensarem nos assuntos definidos e, para os alunos que iriam dirigir, prepararem-se especialmente para isso; consistia também em pedir a palavra e intervir com a minha opinião ou sugestão, mas apenas quando necessário.
Por tantas vezes me limitar quase só a assistir (eu disse quase, a minha intervenção era na dose q.b.), olhando com encantamento a turma e aquelas três ou quatro crianças na "mesa" a desempenharem o seu papel (uma fazia a acta), e tendo pena de não ter levado a máquina fotográfica (vídeo iria distraí-los), uma vez ou outra lembrei-me de ir prevenida. Mas quase sempre me esquecia, pelo que tenho raras fotos, aliás já postas algures neste cantinho a propósito da pergunta "infantilizar ou puxar?"
(Todas as fotos são de turmas do 2º Ciclo)
"Mesa" de uma Assembleia de Matemática:
(Clicar para ampliar)
Assembleia dirigida pelos delegados de turma e que incluiu debate em grupos:
(Clicar - Vêem-se os delegados em pé a acompanhar os grupos. Não são uma delícia? Era 6º ano)
Outras sembleias:
Nota:
Não, não se trata de "eduquês", não se trata de coisas tais como não-directividade ou alguma espécie de basismo. Eles não corresponderiam como correspondiam, debatendo disciplinada e responsavelmente e chegando a conclusões, avaliações e propostas pertinentes se não fossem preparados para isso no quotidiano das aulas.
(Perdoe-se-me a nota, mas eu sou alérgica à expressão eduquês)
domingo, maio 04, 2008
Memórias de directora de turma - I
É certo que a acção educativa e de acompanhamento directo dos alunos é a componente primordial da função do director de turma - e tem já implícita uma colaboração com as famílias -, mas não é por essa componente que começo. Porque a colaboração escola-família é decisiva e porque, a meu ver, ao director de turma também cabe envolver (ou tentar envolver) os pais ou encarregados de educação na acção que desenvolve junto dos alunos, bem como ir ao encontro das necessidades de apoio, informação e até formação que aqueles tenham.
Fazem-se diligências (e bem) para conseguir que vão à escola encarregados de educação de alunos de famílias problemáticas, mas há que não esquecer que muitas outras têm baixo nível de instrução e cultura, contudo preocupam-se e gostariam de proporcionar aos seus filhos um melhor acompanhamento, pelo que são muito receptivas a informação, formação e apoio que, nesse sentido, recebam da escola. O problema de pais e mães ausentes ou que se demitem existe, mas seria injusto julgá-lo tão extenso como por vezes parece.
Assim, sempre entendi que a direcção de turma, com as oportunidades de reuniões e entrevistas individuais com os encarregados de educação, também tem uma vertente de acção formativa junto destes sempre que tal se justifica. E creio que a razão de, nas reuniões, ter tido sempre a sala cheia, frequentemente com a presença não apenas do pai ou da mãe, mas de ambos, foi o facto de incluir em todas elas um debate temático.
Uma nota, a terminar: Era também logo na primeira reunião que eu desmontava a ideia de que irem à escola falar individualmente com a directora de turma só se justificaria em situações preocupantes sobre aproveitamento escolar ou comportamento, e especialmente quando convocados. E logo ficava esboçado um calendário, com prioridade aos que tivessem algum problema ou preocupação a transmitir-me urgentemente, mas permitindo que tão breve quanto possível eu pudesse falar com todos, pois uma entrevista permitia um conhecimento mais amplo do aluno, quer a mim, que só o observava na escola, quer também ao encarregado de educação, que, embora conheça bem o(a) filho(a), muitas vezes ignora facetas escolares pouco reveladas em casa.
E, com a desmontagem que fazia daquela ideia que tinham sobre idas à escola, acabava por ganhar a adesão para marcação das entrevistas, nem que estas fossem por telefone quando havia dificuldade em comparecerem. (Telefone, mas para a escola, note-se, pois eu não considerava isso 'trabalho de casa'...) E claro que também tive casos difíceis relativamente a comparência, mas julgo que actualmente isso é mais frequente, tive sorte no meu tempo de dt.
Em suma, tenho muito boa recordação das reuniões com encarregados de educação. Talvez fosse outro tempo... não sei. (Fui dt durante mais de 20 anos consecutivos, mas depois não voltei a ser)
sábado, maio 03, 2008
Novidade esquisita no blogger
Hoje retomo um fio de memórias
quinta-feira, maio 01, 2008
Chega um tempo...
Um poema, enquanto tento parar o tempo. Tempo para reencontrar um fio; tempo para preencher vazios; tempo à deriva; tempo ferido; tempo, só tempo.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade, Os Ombros Suportam o Mundo
segunda-feira, abril 28, 2008
Afinal para que quero um blogue?
Para que quis um blogue quando criei este, até sei; para que o quero agora, isso é que já não sei!
Quando criei este bloguezito, eu queria falar de alunos, de ensino e aprendizagem, de aulas, de métodos e estratégias de ensino, da minha disciplina que é a Matemática e de sucesso e insucesso nela, também de direcção de turma, de educação, de formação de alunos e de formação de professores, enfim, queria falar de escola.
E, quando comecei a conhecer colegas da blogosfera, pensei até que não falaria sozinha disso tudo, pensei que poderia não ser só falar, mas debater também. Troca de experiências, partilha, testemunho, isso era o que me atraía, embora tenha encontrado raríssimos blogues de docentes em que tal acontecesse.
Contudo, de tudo isso me fui desviando, pois quase logo apareceu a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, e eu própria andei centrada nela e na sua política. E, hoje, com esta sensação de que dirigi este meu cantinho sobretudo para essa política, lembrei-me de fazer uma contabilidade, já que tenho os meus posts quase todos etiquetados (de 590, têm marcadores quase 400, e os que não estão marcados são irrelevantes quanto a assunto). E não é que constato que, afinal, apenas 21 são sobre política educativa?! Vá lá, mesmo que estime nuns 30 os que à política educativa se referem, tenho mesmo que concluir que, afinal, não foi (só) a política do Ministério da Educação que me desviou e me desmotivou de escrever sobre o que tencionara inicialmente.
Dos temas que acima mencionei, há um que jamais abordei - e não foi por acaso. Jamais abordei um dos temas que me são mais gratos e de que tenho melhores memórias: a direcção de turma. Porque a burocracia que foi progressivamente assoberbando os directores de turma parecia-me retirar sentido às minhas memórias de mais de 20 anos consecutivos até outras tarefas terem requerido que deixasse esse cargo.
No entanto, tenho consciência de que a falta de condições e os climas de escola perturbados pela política de MLR foram apenas meia razão para abandonar as minhas memórias. Costuma dizer-me um amigo (e ainda hoje mesmo mo disse) que da outra metade do motivo da minha desmotivação nunca falei, que eu só falo da política deste ME porque omito a outra face do sistema educativo, que é a realidade no "terreno". Sei que o meu amigo tem razão, no terreno há muito do bom e até do excelente, mas bastante há também do menos bom, e o indesejável ou pernicioso não é tão insignificante quanto muitas vezes dizemos - dizemos, seja por corporativismo, seja por compreensão tolerante, ou seja por uma espécie de reserva ética.
Afinal, para que mantenho eu um blogue?
Talvez porque ainda vou esperando por condições mais propícias para falar do que é o tema mais importante para mim como professora: alunos - ensino e aprendizagem - educação. Mas pergunto-me: se voltar a falar disso, não será um monólogo? Não porque aquele não seja o tema prioritário no pensamento de muitos colegas, e aqui deixo a minha manifestação de apreço à 3za - uma companheira "bloguista" - por não ter perdido nunca a motivação para falar dos alunos, para partilhar as experiências e vivências com eles, para nos revelar a paixão de ensinar e ajudar a crescer. No entanto, no clima de escola que se tem vivido nos últimos quase três anos, a escrita da 3za e a dos poucos outros que privilegiam esse tema serão muito mais do que monólogos?
Continuando a corrente...
- O que os outros dizem de mim quando estão na "má língua";
- Não ter fortuna para esbanjar;
- Não ser mais velha do que sou (isto quer dizer que a idade me chateia e importa ;) )
- Futebol, quem joga, quem ganha ou perde (desde que não tenha que estar a ouvir relatos na tv)
- Problemas existenciais dos que só pensam em "trepar" na vida, especialmente dos que o fazem pisando outros;
- O que as religiões dizem que é pecado (basta-me a minha moral).
E agora passo a corrente: 3za, Tsiwari Miguel, Tit, (podem responder no Aragem), Marina, Bell
sábado, abril 26, 2008
Caminhante...
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar,
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en el mar.
(*)
Antonio Machado
____
(*) Enviado pela Amélia Pais
Canções para a minha neta Inês
_____________________________________
Adriano Correia de Oliveira - Trova do vento que passa
José Afonso - Canção de embalar
sexta-feira, abril 25, 2008
25 de Abril
Com as mãos das minhas filhas pequeninas nas minhas, imaginei um país novo para elas.Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Foi sonho?
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
Foi esperança!
____
Em itálico: excertos de As portas que Abril abriu, Ary dos Santos.
quinta-feira, abril 24, 2008
Saturação... tédio... vazio...
___
ainda uma leve fumaça
Tronco resistindo
Eunice Arruda
___
Rosto no vidro
uma criança eterna
olha o vazio
Alphonse Piché
Tradução de Carlos Seabra
segunda-feira, abril 21, 2008
...
A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
Fernando Pessoa
domingo, abril 20, 2008
No teu aniversário
Para a minha filha Ana Heloísa
sábado, abril 19, 2008
Momentos... pensamentos
Quando já nada nos resta
Quando já nada nos resta
É que o mudo sol é bom.
O silêncio da floresta
É de muitos sons sem som.
Basta a brisa pra sorriso.
Entardecer é quem esquece.
Dá nas folhas o impreciso,
E mais que o ramo estremece.
Ter tido esperança fala
Como quem conta a cantar.
Quando a floresta se cala
Fica a floresta a falar.
| Talvez que seja a brisa Talvez que seja a brisa Que ronda o fim da estrada, Talvez seja o silêncio, Talvez não seja nada... Que coisa é que na tarde Me entristece sem ser? Sinto como se houvesse Um mal que acontecer. Mas sinto o mal que vem Como se já passasse... Que coisa é que faz isto Sentir-se e recordar-se? Fernando Pessoa, Poesias Inéditas |












