terça-feira, setembro 09, 2008

Mas vou até o fim

(Porque não gosto do cantinho em silêncio mesmo quando não ando com disposição para escrever, e porque há momentos em que também preciso de dizer "mas vou até o fim", e porque gosto muito desses dois e os dois aí juntos estão uma delícia)

sexta-feira, setembro 05, 2008

Momentos... (E uma adenda)

Talvez O Vento Saiba

Talvez o vento saiba dos meus passos,
das sendas que os meus pés já não abordam,
das ondas cujas cristas não transbordam
senão o sal que escorre dos meus braços.

As sereias que ouvi não mais acordam
à cálida pressão dos meus abraços,
e o que a infância teceu entre sargaços
as agulhas do tempo já não bordam.

Só vejo sobre a areia vagos traços
de tudo o que meus olhos mal recordam
e os dentes, por inúteis, não concordam
sequer em mastigar como bagaços.

Talvez se lembre o vento desses laços
que a dura mão de Deus fez em pedaços.
Ivan Junqueira

(Mais um poema que devo à Amélia Pais )


ADENDA
Quando 'só vejo sobre a areia vagos traços', prefiro voltar a pôr o cantinho em pausa até que meus olhos fiquem mais sãos.
Talvez o poema não me tocasse tanto se eu tivesse menos anos, mas talvez também eu não fosse precisando apenas de umas pausas e este cantinho já estivesse demolido se eu não tivesse amigos com bem menos anos do que eu (e a blogosfera é um espaço onde também paira a palavra amigo e nos faz chegar palavras de amigos) que me ajudam a não me enredar e quedar nos sussurros do vento.

Continuando a corrente

A Teresa teve a simpatia de nomear este meu cantinho apesar de, como já lhe deixei dito, ele se ter tornado tão intermitente que merece mais puxões de orelhas do que prendinhas. (Ver a corrente aqui e aqui).

Depreendi que são sete as nomeações a fazer para continuar a corrente. A limitação do número torna isto sempre difícil! Mas também não consigo seguir o critério de não repetir nenhuma das nomeações da Teresa...

Aqui ficam as minhas nomeações (por ordem alfabética):









Ai... já estão oito... Não deve fazer mal, não vi escrito que tinham que ser só sete!
E até acrescento mais uma, fora da ordem alfabética porque nessa sou suspeita...

quinta-feira, setembro 04, 2008

Em jeito de adenda

Mary Cassatt (1905). Looking into the Hand Mirror


O poder do olhar do professor

O olhar do professor tem o poder de transformar uma criança em inteligente ou burra.
Rubem Alves (2003)(*)

Eu poderia testemunhar (não só eu, muitos de nós, provavelmente todos os professores) por vários casos verídicos quanto essas palavras de Rubem Alves são verdadeiras.
Vou escolher só um caso: em que uma aluna foi olhada de modos antagónicos, respectivamente pela directora de turma e pela professora de Matemática. O olhar da dt tinha "peso" junto dos alunos e de outros professores da turma; o da prof de mat (deixem abreviar assim para comodidade de escrita) tinha-o também pela disciplina, pois uma criança "burra" não conseguiria ter sucesso nela. Mas o olhar de um(a) director(a) de turma pode ter uma importância enorme (muitas vezes para sorte, algumas também para azar de quem é olhado)


Saliento como nota prévia: Não faço pessoalizações, o tempo já passado e o resumo por alto tornam o caso anónimo, digamos que é um breve exemplo abstracto de casos ("olhares") que também acontecem aqui e ali, e o bom seria nunca acontecerem.


A Maria (de outro nome, mas prefiro mudá-lo) teve a mesma dt e a mesma prof de mat do 7º ao 9º ano, mas no 9º o restante conselho de turma mudou devido a mudança de escola dos respectivos professores.
No início do 7º ano, a Maria, que transitara com nível negativo a Matemática, mostrava-se, nas aulas desta, distraída, conversadora e desinteressada. Mas não demorou muito o dia em que, em vez de desculpas evasivas, conversou com seriedade e sinceridade com a professora. Disse então que tinha "pouca queda" para os estudos e que na Matemática, "a disciplina mais difícil", nessa é que não conseguiria, que o pai até sabia e já contava com isso, e por isso é que participava tão pouco. E acrescentou, baixando a voz para que só a professora ouvisse: "é que eu sou um bocado burra, setôra".
A última afirmação, convicta, feita como quem faz uma confidência, claro que bateu forte na professora. Era daquelas situações que provocam logo um desafio, uma aposta que se tem a responsabilidade de ganhar, pois não há alunos burros, e a Maria era saudável, não tinha nenhuma deficiência.

Não interessa narrar que estímulos e estratégias a professora usou (todo o professor tem obrigação de os conhecer, ainda que cada um os use ao seu jeito pessoal). Salto já o relato para o 9º ano da Maria. (Antes, esclareço só que o programa de Matemática do 7º ano retomava os conteúdos essencias do 2º Ciclo quase como iniciação, pelo que é o ano mais propício à recuperação de alunos que aí chegam com insucesso nessa disciplina, o que também ajudou a acção da professora) Nesse 9º ano, ela já não preocupava a professora, já não precisava de especial atenção, tornara-se empenhada e trabalhadora e os seus testes já tinham passado a ser sempre positivos e, agora, nunca abaixo dos 60% pelo menos.
Mas, como acima disse, nesse ano o conselho de turma mudara, no início alguns dos novos professores anotaram as informações da dt, a qual, no caso da Maria (aliás, também em mais casos, mas eu optei por contar um só), a caracterizava como "coitadinha, tem muitas dificuldades, não dá, na minha disciplina não tem hipóteses". E não terá adiantado muito que a prof de mat a tenha rebatido, as anotações eram das informações da dt, a esta é que cabe dá-las, para mais uma dt da turma desde o 7º ano e "corre" que é uma dt muito competente... (Já agora, digo que nunca tomei nota dessas informações quando recebia novas turmas, excepto casos de doença ou outros problemas objectivos - nos meus últimos anos de ensino até recebi oitavos anos sem ter começado com eles no sétimo, mas tinha a mesma atitude, que não era por acaso nem por preguiça de tomar 'certas' notas)

Volto a abreviar (não são os intervenientes que quero focar, mas sim o tipo de situação) contando apenas que a Maria, no 3º Período do 9º ano, começou a faltar a certas aulas, até acabar por faltar a todas nas últimas semanas do ano lectivo. Mas apareceu no teste final de Matemática - um teste global -, cujo resultado não deixou de ser afectado pelas faltas, contudo até estudou e até conseguiu os 50% como positiva à justa mas sem favor (e a professora era tida como exigente).
Os pais da Maria eram pessoas pouco instruídas e que não faziam grande questão em que ela terminasse ao menos o 9º ano, pelo que lhe restavam, como incentivos (e desincentivos), "os olhares" dos professores. Entretanto a mãe, a quem a dt escrevera a pedir que enviasse justificações das faltas, acabou por as enviar. No Conselho de Turma para avaliação final a dt informou que as tinha aceite apesar de fora de prazo porque era "chato" reprovar a Maria por faltas, era melhor reprovar por notas.

Duas notas finais:

1 - A prof de mat tentara demover a Maria de desistir. Mas a úitima conversa foi curta, a professora já tinha constatado o efeito da caracterização da Maria que a dt fizera no novo conselho de turma e continuara a repetir, e sabia que, naquela altura, ela estava mesmo reprovada com três negativas, melhor dizendo, com quatro, pois nos conselhos de turma em que aparecem 3 negativas firmes é frequente ficar outro professor hesitante e logo vem a quarta para evitar "aborrecimentos" (tal como sabemos que noutros conselhos de turma tantas vezes alunos acabam por ser aprovados com mais negativas do que a Maria tinha, subidas algumas no último).
E foi nessa última conversa que voltou a ouvir a Maria repetir o que dissera no início do 7º ano, mas agora com um sorriso meio irónico, como quem pisca o olho (embora pouco alegre): "sou burra", ao que apenas respondeu que ela já sabia bem que isso não era verdade - sim, a Maria pelo menos isso já sabia, ao menos isso já não era preciso provar-lhe ;)

2 - Este caso só saiu da cabeça da prof de mat quando encontrou por acaso a Maria e esta lhe disse (contrariamente ao que receara pois ela já tinha 15 anos, já estava fora da escolaridade obrigatória) que voltara a matricular-se e regressara à escola porque afinal queria ir para determinado curso profissional e, portanto, queria terminar o 9º ano. (Afinal a "história" não acabou mal)

Ah! Mais uma nota: não gostei nada de fazer este relato, mesmo abreviado, mas as palavras de Rubem Alves que citei no início exprimem uma verdade que dá grande responsabilidade aos professores e não é coisa abstracta - e os alunos são crianças e adolescentes bem concretos, e estão quase a regressar às aulas...

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(*) Conferência promovida pela ASA (pela mão do JMA)

quarta-feira, setembro 03, 2008

Mas onde anda essa "Esquerda Crítica"? (Pergunto eu)

Eu não digo que não ande por aí, que não fale e não actue, mas aprecebo-me tão pouco dela que me pergunto se é distracção ou cegueira minha. E admito que seja, por isso a minha pergunta não é uma insinuação de que essa Esquerda Crítica mal se vê ou sente, é mesmo uma pergunta para que algum amigo tenha a paciência de me informar e abrir os olhos - eu sei que existe e tem voz, o que não sei bem é porquê se ouve pouco (ou poucos tentam ouvi-la?) e ainda menos age (ou poucos querem agir com ela?).

Passo a esclarecer a que me refiro (a transcrição está linkada para o texto integral, de João Paulo Serralheiro na Página da Educação):

A árvore da esquerda — não só da coisa educativa, mas em geral — mostra-nos ter hoje dois ramos, cada um com os seus galhos (uns vivos, outros secos). Um desses ramos é o da Esquerda Progressista, o outro o da Esquerda Crítica. O ramo progressista aceita o sistema capitalista. Parafraseando Greg Palast, a Esquerda Progressista deseja "a melhor democracia que o dinheiro pode comprar". O reflexo deste posicionamento na educação traduz-se num esforço para procurar políticas que promovam a melhor distribuição social dos benefícios do ensino e da educação, sem tocar na estrutura-base do sistema. Os pedagogos progressistas são os partidários das «coisas giras». Preocupam-se com o carinho a dar aos «meninos» e esgotam o seu esquerdismo em temas como «a igualdade de género», o acompanhamento social e psicológico dos «meninos-problema» e outros temas afins «muito giros». Nada que ponha radicalmente em causa os fundamentos do sistema, a desigualdade e a exploração capitalista. Por seu lado, o ramo crítico toma como sustentação do seu pensamento e acção o fim da exploração capitalista. Como modo de intervenção usa «o poder suave»[2], isto é, a aposta no debate, na cooperação e na renúncia a toda a acção violenta. O pensamento crítico não sendo compaginável com o capitalismo, não pode ser confundido com as «políticas de protesto» — populares num certo sindicalismo —, estas são, quando muito, um seu galho (seco), ainda que eu as veja como um epifenómeno da sociedade capitalista. O pensamento crítico, usando o poder suave, tem em conta o movimento dialéctico da sociedade e as suas rupturas. Reconhece que a maturidade política se revela em cada ser humano quando este assume livremente a sua sorte abandonando as suas pretensões infantis a mandar sozinho no Mundo e a impor-lhe as suas convicções, emoções, crenças, caprichos ou preconceitos. É o reconhecimento dos direitos políticos dos outros que nos permite assumir o nosso poder de facto, como prémio da nossa renúncia em querer para nós o poder e a verdade absoluta. Também em política «quem tudo quer tudo perde». A maioridade política é um processo em que nos inserimos e nos permite ver a democracia como a cidade onde os humanos conversam, se confrontam na Praça da República, argumentam e decidem cooperativamente sobre os caminhos mais aceitáveis. Caminhos de todos, despidos de violência e que nunca são perfeitos, ideais, acabados. São apenas caminhos públicos, aceitáveis, justos, transitórios e com rumo. O pensamento crítico, e o poder suave, trabalham para construir o colectivo (e o individual decorrente deste), numa dada geografia, num dado tempo e num projecto partilhado com os demais sujeitos do processo histórico.
P.S. O título deste post não significa que não tenha gostado do artigo de JPS - se não tivesse gostado, não o destacava.

terça-feira, setembro 02, 2008

A minha neta e o Hot Potatoes

A minha neta Inês vai iniciar o 2º Ciclo e, nos últimos dias, tem-se manifestado preocupada porque (diz ela) precisa de fazer revisões para não chegar às novas aulas com as matérias esquecidas. Eu não acho muito necessário, acho que ela pode gozar os dias de férias que ainda lhe restam sem essas preocupações, mas como foi ela que pediu, ontem retomámos um nosso antigo concurso com exercícios feitos no Hot Potatoes. Ela chama 'concurso' porque entra em competição consigo própria, a querer bater os seus "records" de pontuação, pois os exercícios dão automaticamente a pontuação obtida, o que basta para funcionarem como jogo-desafio.





Comecei por um de palavras cruzadas, achei mais adequado a tempo ainda de férias (constrói-se num instante com essa simpática e simples ferramenta)



Clicar para ampliar

Mas estou a contar isto porque me pus a pensar que o Hot Potatoes já é velhinho e que isso não é razão para o deitar fora (a ele e a alguns outros recursos assim antigos) só porque surgem novos, mais sofisticados ou mais na moda, no entanto talvez mais difíceis de dominar pelos professores que se iniciaram há pouco tempo no uso das "novas tecnologias" - para mais, alguns sob pressão dado que isso conta para a avaliação.
'Conta para a avaliação'... escrever isto até me fez lembrar a pergunta que às vezes alunos me faziam: "isto conta para a avaliação?". Mas o curioso é que eles não perguntavam como quem diz que se não conta, então não vale a pena o esforço - pelo contrário. Por exemplo, eu às vezes arriscava uma tarefa difícil e dizia-lhes que era difícil mas que não se preocupassem, se não conseguissem eu ajudaria e não iria avaliar, e ficavam logo entusiasmados, a quererem conseguir (para mais, trabalhavam em grupo, o que estimulava e ajudava todos). Sim, faça-se esquecer o papão da avaliação e dê-se a uma tarefa o caracter de desafio, e aí vão eles... (Depois crescem... depois crescemos e fica tudo mais complicado...)

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Nota:
O Hot Potatoes foi, em tempos, de download gratuito, mas, para uma versão mais recente, já há cerca de um ano tive dificuldade em o encontrar gratuitamente. Não me lembro onde encontrei, mas, se alguém quiser, comece por experimentar
aqui.

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ADENDA

Já tinha publicado este post quando li o artigo Magalhães: como funciona e para que serve?, de Vieira de Carvalho no Público de hoje. Não se trata propriamente de vir a propósito a não ser por ter a ver com o uso das TIC, inclusivamente no ensino. Gostei do artigo, que começa assim: "A prioridade deve ser dada ao uso crítico da tecnologia." Como julgo que só está acessível online para assinantes, sugiro a quem não tenha lido a sua leitura aqui.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Saber mudar os planos (Parábola)

Auditório Vazio

Um orador entrou num auditório para proferir uma palestra e, com surpresa, deu com o auditório vazio. Só havia um homem sentado na primeira fila.
Desconcertado, o orador perguntou ao homem se devia ou não dar a palestra só para ele. O homem respondeu:
- Sou um homem simples, não entendo dessas coisas. Mas se eu entrasse num galinheiro e encontrasse apenas uma galinha para alimentar, eu alimentaria essa única galinha.
O orador entendeu a mensagem e deu a palestra inteira, conforme havia preparado. Quando terminou, perguntou ao homem:
- Então, gostou da palestra?
O homem respondeu:
- Como eu lhe disse, sou um homem simples, não entendo dessas coisas... Mas se eu entrasse num galinheiro e só tivesse uma única galinha, eu não daria o saco de milho inteiro para ela.

Uma das tarefas mais importantes na nossa vida profissional é saber mudar os planos, quando a situação muda. Todos têm um plano, mas nem todos sabem o que fazer quando ele não dá certo.
www.... (Autor desconhecido)

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Adenda

A propósito de saber mudar os planos, pus-me a pensar que, se estivesse agora prestes a iniciar o novo ano lectivo, estaria decerto a dar voltas à cabeça para conseguir redefenir planos e estratégias - mas não estou a referir-me a aulas e alunos. E acho que o ideal seria não apenas tentar isso individualmente, mas colectivamente a nível de cada escola - e este parece-me um momento oportuno (sempre são duas semanas com os professores nas escolas ainda sem aulas e com as baterias recarregadas pelas férias...)

Acho que o meu blogue voltou de férias





Pelo que aqui vejo, assim parece... (Ele nem sempre me pede autorização! - A minha relação com o meu blogue às vezes é um tanto conflituosa...)




















Mas eu prefiro este Hello a fazer-me lembrar de quando me sentia um tanto extraterrestre (suponho que acontece de vez em quando a muita gente...). E também fui há dias ao cinema ver o Wall-E e uma pessoa está sempre com associações de ideias...



vladstudio.com

quinta-feira, agosto 14, 2008

...







Eu vou estando mais ou menos por aqui, mas Agosto é para deixar rotinas e máquinas (computadores) e procurar a Natureza. "Nossa cultura provocou uma transformação perversa nos seres humanos de forma que eles acreditam que, para estar bem, é preciso estar acoplado a objetos tecnológicos", como diz Rubem Alves; e, sobre a minha cidade, eu sinto como ele: "E assim foi acontecendo: a velha Campinas desaparecendo, as casas velhas sendo demolidas, o teatro municipal foi derrubado, desapareceram os bondes, e os pedestres perderam o direito às ruas, tomadas pelos automóveis... Como as andorinhas, já não encontro os cheiros de antigamente: as jabuticabeiras floridas, atrás dos muros, as murtas, nas praças, os jasmins, nos jardins... ". Os cheiros de antigamente não voltam mais, resta saber procurar recantos com cheiro a férias - férias de tecnologia sofisticada, de shopping, de ruído...

...

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.


Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, agosto 08, 2008

Ao pé de casa

Prometi a quem me lê e a mim mesma que, em Agosto, só haveria aqui ambiente de férias, pois todos precisamos de umas boas férias dos males que andam a acontecer na Educação. Mas já me escapei da cidade em Julho, agora estou por cá, embora só ouça um noticiário por dia e nada de jornais.
Mas até tenho quase ao pé de casa a frescura de árvores e água a lembrar rio ou lago, a apelarem a passear ou a sentar com um livro de leitura leve.
É a Quinta das Conchas, mais a Quinta dos Lilases - contíguas, constituindo um grande parque.
Assim ao pé de casa, sem ter que pegar no carrito... Com um bocadinho de imaginação, dá para respirar férias...
[Bem... o ar de férias é para este cantinho, que nos próximos cinco dias eu não precisarei desse parque e o cantinho ficará abandonado, outros passeios com a neta que ontem trouxe do aeroporto vão dar-me ar de superférias ;) ]


Se não vir as fotos, faça "refresh" na página





quinta-feira, agosto 07, 2008

...

Minhas mesmas emoções
São coisas que me acontecem.


Fernando Pessoa

Bienvenue Soraïa!

Je t'attends! Tu me manques beaucoup, ton séjour sera petit, mais superbe :)
J'ai saudades de tes vacances au Portugal, tu as commencé à venir seule avec l'hôtesse de l'air à l'âge de six ans - tu venais joyeuse et sans peur :)))
Je vais garder cette photo ici, je me souviens souvent de ces jours à Varandinha. Et toi, tu te souviens? Regarde...



À tout à l’heure :)

Ah... On va profiter, tu vas pratiquer un peu le portugais, d'accord? ;)

quinta-feira, julho 31, 2008

Pretextos para pôr o cantinho com ar de férias

Uma vila bonita e um mar bonito à distância máxima (cerca de 200 km) que me disporia a percorrer no meu velho carrito com dona ainda convalescente. E o carrito chegou, estacionou, e só saiu do lugar para o regresso, pois trânsito e preguiça de andar a pé não são coisas para férias.

A minha maior caminhada a pé foi para descobrir esse barco, cuja história não consegui saber - não sei quando naufragou nem como foi parar ali...




Mas a caminhada de ida e volta a pé para a praia mais bonita para onde gostávamos de ir era excessiva cá para mim. Assim, eis a solução ideal: comboio para lá e a pé para cá, ou vice-versa...



Quando iniciei este blogue não acreditaria que viria a ultrapassar memórias de professora pondo nele também fotos mais pessoais. Mas a verdade é que este espaço virtual me foi dando a sensação de cantinho mesmo, assim um cantinho meu onde me viesse sentar e guardar recordações - devia mudar-lhe o visual e pôr lá em cima um recanto com trepadeiras em flor, uma mesinha e um banco em pedra... Enfim, aí me deixo a mim mesma, já vestidinha para o jantar...


E mais umas fotos de férias aproveitando para partilhar esta ferramenta rápida para brincar com slideshow... (Se não virem as fotos, façam refresh)

segunda-feira, julho 21, 2008

Oito dias à beira-mar

Eu até não aprecio nada estar na praia a torrar ao sol. Mas gosto de olhar o mar e gosto da praia à tardinha.

E não vejo praia há um ano, por razões que não interessam para aqui mas que vão tornar os próximos dias num acontecimento especial para mim.

Assim, amanhã lá vou eu...
Depois espera-me o Agosto cá pela capital... ui... hei-de arranjar umas fugidinhas, senão não torro na praia mas torro neste forno por aqui!

Amigos e colegas, boas férias para todos!

quinta-feira, julho 17, 2008

Pensamentos de Verão





Extingue-se o dia
mas não o canto
da cotovia
Matsuo Bashô

Um mar azul
pintou de branco
o voo das gaivotas.

Albano Martins

O dia lega
à noite, em testamento,
a lua.
Albano Martins

terça-feira, julho 15, 2008

Tocando em frente

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz



Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

domingo, julho 13, 2008

Saturação

Estou saturada de política educativa, de decretos e despachos, de reformas avulsas e de discursos inconsistentes; estou saturada de normas e mais normas, por vezes de constitucionalidade ou legalidade duvidosa; estou saturada de verbalizações de intenções sobre uma escola pública de qualidade, a pretenderem esconder o economicismo, a desconfiança nos docentes em geral e as pressas em melhorar estatísticas que tapam realidades; estou saturada de faltas de rigor, de palavras incongruentes que muito poucos desmontam, de precipitações incompetentes e burocracias desastrosas.

Enquanto isto, a criança espera, entregue a experiências perigosas para o seu futuro, ser abstracto para os políticos e ser concreto para o qual os educadores vão tendo cada vez menos tempo.
Enquanto isto, degradam-se os climas de escola e perdem-se os melhores e mais dedicados professores, sem que se acredite que as medidas tomadas venham a melhorar o trabalho dos que precisam de o melhorar.






Estou saturada, estou farta! Preciso de férias de observar esta política que dura há três anos. Vou, pois, dar férias à minha atenção aos assuntos da Educação. Por enquanto continuo por aqui, mas, até Setembro, quando me apetecer vir ao meu cantinho, será só para trazer ambientes de férias.



Aos amigos e colegas: Boas férias, boa recuperação de ânimo, retemperem bem a vontade de lutar por uma escola pública de qualidade para todos os nossos jovens!

quinta-feira, julho 10, 2008

A fraude das provas de Matemática

O Governo e o ME declararam o seu empenho em melhorar o ensino-aprendizagem da Matemática e esse empenho foi bem vindo dada a preocupação, desde há tantos anos, com as elevadas taxas de insucesso nessa disciplina. A implementação do Plano de Acção para a Matemática (PAM), por si só, teria trazido legítimas e correctas expectativas de melhoria das aprendizagens dos alunos em matemática, não fossem as pressas e as pressões para se apresentarem rapidamente estatísticas para inglês ver - melhor dizendo, para UE ver. As várias pressões da parte da Tutela foram criando dúvidas quanto a uma verdadeira melhoria na Educação Matemática das nossas crianças e jovens.

Uma das pressões, através da responsabilização dos professores (e só dos professores) pelos insucessos dos alunos, a ponto de aqueles serem penalizados na sua avaliação, não terá deixado de se reflectir numa inflação de notas por muitos deles.
Mas, a inflação indevida das notas na avaliação interna seria denunciada pelos resultados das provas nacionais, pelo que muitos professores não terão resistido a outra pressão: a de trabalharem com os alunos no treino em perguntas e problemas "do tipo que sai em exames", para o que não terá deixado de contribuir a insistência no banco de uma imensidade de itens do dito tipo, disponibilizado pelo GAVE. Ora, a Educação Matemática que se deseja para os nossos alunos não se faz por treinamento para exames.
Ainda uma terceira pressão se verificou através de uma sugestão da ministra (li-a, na altura, com os meus próprios olhos) de passarem a ser as aulas de Estudo Acompanhado e da Área de Projecto convertidas em aulas de Matemática, pelo que, em muitas escolas, essas áreas foram atribuídas tanto quanto possível a professores de Matemática a fim de passarem a ser mesmo aulas dessa disciplina. Não se tratando de reforços apenas para os alunos que de facto precisam de apoio suplementar (e muitos tiveram também aulas de apoio apesar de apenas precisarem de estar mais atentos e de se esforçarem), mas para a turma inteira, tivemos muitos alunos queixando-se de saturação com tanta matemática, o que tem efeito contrário ao desejável aumento do gosto pela mesma.

Assim, perante, por um lado, expectativas positivas quanto ao PAM, e, por outro, também interrogações sobre aspectos perniciosos, todos tínhamos direito a ter algum elemento de avaliação das medidas tomadas para essa disciplina, o país tinha direito a isso. Mas tal direito foi-nos sonegado pela significativa maior facilidade das provas, desde as de aferição dos 4º e 6º anos, ao exame do 9º. (Deixo de lado a prova do 12º porque, além de não poderem ser atribuídas melhorias nos resultados ao PAM, nunca leccionei nesse nível de ensino, há muito que estou pouco a par dos programas, pelo que só tenho visto por alto essas provas. Mas conheço os programas de Matemática do 2º e 3º ciclos como os dedos da mão e tenho analisado detalhadamente todas as provas do 9º ano desde que começaram a realizar-se, aliás cheguei a ser correctora na 1ª, de 2005)
Por muitas reservas que tenhamos quanto à leitura que se pode fazer dos resultados de uma só prova, para mais em alunos destas idades, um exame feito com critérios credíveis e fiáveis seria o elemento que teríamos para, de algum modo, avaliar efeitos das medidas tomadas quanto à Matemática. E esse elemento foi-nos recusado pela impossibilidade de comparações, pela indiscutível maior facilidade das provas em relação às dos anos anteriores.
Seria um elemento insuficiente, um exame não avalia tudo, um exame pode não avaliar verdadeiramente o essencial do que chamo Educação Matemática, mas seria o elemento possível a curto prazo, e já seria um indicador.

A Educação Matemática é muito mais do que aquisição de conhecimentos e domínio de procedimentos elaborados de que a maioria dos jovens nem irão precisar na vida adulta. Quaisquer que sejam os conteúdos dos programas (o que não quer dizer que estes sejam sempre os adequados), eles proporcionam uma coisa fundamental no ensino básico: oportunidades aos professores de fomentarem e desenvolverem cedo nos alunos gosto e hábitos de raciocinar, de iniciação no pensamento rigoroso (e na auto-exigência deste), de iniciação também na elaboração de conceitos - que se irão construindo melhor pela sua retomada cíclica -, e até de contribuição dessa educação para o próprio domínio da língua, pois rigor de pensamento e precisão de linguagem são capacidades em interacção.

Por tudo isto, são de recear efeitos perniciosos de pressões (directas e indirectas) sobre os professores, inclusive para trabalharem treinando para exames; por tudo isto, ficam receios ou dúvidas sobre a relação entre benefícios e prejuízos decorrentes das medidas e do clima criado; por tudo isto, todos os que se preocupam com educação-ensino tinham direito a começarem a ter indicadores credíveis que permitissem algum balanço. Mas o ME não teve a honestidade de se submeter a esse balanço, usou ou consentiu a facilitação das provas, o que é um insulto à nossa inteligência e lança sérias preocupações sobre o futuro quanto a uma formação de qualidade para os nossos jovens.
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Adenda (após os noticiários das 13h)
Senhora Ministra:
Ouvi-a recusar as acusações de facilidade do exame de Matemática do 9º ano com o argumento (o critério foi seu) de que um exame só seria demasiado fácil se as notas de excelente ultrapassassem os 5%. Perante 8,3% (contra 1,4% no ano passado), a senhora vai agora fazer esquecer essa sua afirmação?
Se a prova tivesse sido equilibrada e credível, ficaria muito bem à senhora e aos seus coadjuvantes vir dizer que os resultados continuam maus, pois é verdade. Mas já não lhes fica bem quando o dizem para salvar a face e iludir os pais e restante população quanto ao que seriam sem o facilitismo.
Prefere não se lembrar dessa afirmação que fez? Nunca pensa que, como Ministra da Educação, deveria dar o exemplo de honestidade intelectual?
Senhora Ministra, vá-se embora!