quinta-feira, maio 08, 2008
Também me entristeço ao ler...
quarta-feira, maio 07, 2008
Pequenos poemas que me tocam depois das memórias
sementes de algodão | ||
| Dias que se alongam — Cada vez mais distantes Os tempos de outrora! Buson | ||
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terça-feira, maio 06, 2008
Memórias de directora de turma - II
Os alunos podiam ser do 5º ano, podiam ter apenas 10 anos, mas, com excepção da primeira assembleia, que eu dirigia, as outras passavam a ficar a cargo deles. A minha orientação consistia em dar uma tarefa para casa: pensarem nos assuntos definidos e, para os alunos que iriam dirigir, prepararem-se especialmente para isso; consistia também em pedir a palavra e intervir com a minha opinião ou sugestão, mas apenas quando necessário.
Por tantas vezes me limitar quase só a assistir (eu disse quase, a minha intervenção era na dose q.b.), olhando com encantamento a turma e aquelas três ou quatro crianças na "mesa" a desempenharem o seu papel (uma fazia a acta), e tendo pena de não ter levado a máquina fotográfica (vídeo iria distraí-los), uma vez ou outra lembrei-me de ir prevenida. Mas quase sempre me esquecia, pelo que tenho raras fotos, aliás já postas algures neste cantinho a propósito da pergunta "infantilizar ou puxar?"
(Todas as fotos são de turmas do 2º Ciclo)
"Mesa" de uma Assembleia de Matemática:
(Clicar para ampliar)
Assembleia dirigida pelos delegados de turma e que incluiu debate em grupos:
(Clicar - Vêem-se os delegados em pé a acompanhar os grupos. Não são uma delícia? Era 6º ano)
Outras sembleias:
Nota:
Não, não se trata de "eduquês", não se trata de coisas tais como não-directividade ou alguma espécie de basismo. Eles não corresponderiam como correspondiam, debatendo disciplinada e responsavelmente e chegando a conclusões, avaliações e propostas pertinentes se não fossem preparados para isso no quotidiano das aulas.
(Perdoe-se-me a nota, mas eu sou alérgica à expressão eduquês)
domingo, maio 04, 2008
Memórias de directora de turma - I
É certo que a acção educativa e de acompanhamento directo dos alunos é a componente primordial da função do director de turma - e tem já implícita uma colaboração com as famílias -, mas não é por essa componente que começo. Porque a colaboração escola-família é decisiva e porque, a meu ver, ao director de turma também cabe envolver (ou tentar envolver) os pais ou encarregados de educação na acção que desenvolve junto dos alunos, bem como ir ao encontro das necessidades de apoio, informação e até formação que aqueles tenham.
Fazem-se diligências (e bem) para conseguir que vão à escola encarregados de educação de alunos de famílias problemáticas, mas há que não esquecer que muitas outras têm baixo nível de instrução e cultura, contudo preocupam-se e gostariam de proporcionar aos seus filhos um melhor acompanhamento, pelo que são muito receptivas a informação, formação e apoio que, nesse sentido, recebam da escola. O problema de pais e mães ausentes ou que se demitem existe, mas seria injusto julgá-lo tão extenso como por vezes parece.
Assim, sempre entendi que a direcção de turma, com as oportunidades de reuniões e entrevistas individuais com os encarregados de educação, também tem uma vertente de acção formativa junto destes sempre que tal se justifica. E creio que a razão de, nas reuniões, ter tido sempre a sala cheia, frequentemente com a presença não apenas do pai ou da mãe, mas de ambos, foi o facto de incluir em todas elas um debate temático.
Uma nota, a terminar: Era também logo na primeira reunião que eu desmontava a ideia de que irem à escola falar individualmente com a directora de turma só se justificaria em situações preocupantes sobre aproveitamento escolar ou comportamento, e especialmente quando convocados. E logo ficava esboçado um calendário, com prioridade aos que tivessem algum problema ou preocupação a transmitir-me urgentemente, mas permitindo que tão breve quanto possível eu pudesse falar com todos, pois uma entrevista permitia um conhecimento mais amplo do aluno, quer a mim, que só o observava na escola, quer também ao encarregado de educação, que, embora conheça bem o(a) filho(a), muitas vezes ignora facetas escolares pouco reveladas em casa.
E, com a desmontagem que fazia daquela ideia que tinham sobre idas à escola, acabava por ganhar a adesão para marcação das entrevistas, nem que estas fossem por telefone quando havia dificuldade em comparecerem. (Telefone, mas para a escola, note-se, pois eu não considerava isso 'trabalho de casa'...) E claro que também tive casos difíceis relativamente a comparência, mas julgo que actualmente isso é mais frequente, tive sorte no meu tempo de dt.
Em suma, tenho muito boa recordação das reuniões com encarregados de educação. Talvez fosse outro tempo... não sei. (Fui dt durante mais de 20 anos consecutivos, mas depois não voltei a ser)
sábado, maio 03, 2008
Novidade esquisita no blogger
Hoje retomo um fio de memórias
quinta-feira, maio 01, 2008
Chega um tempo...
Um poema, enquanto tento parar o tempo. Tempo para reencontrar um fio; tempo para preencher vazios; tempo à deriva; tempo ferido; tempo, só tempo.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade, Os Ombros Suportam o Mundo
segunda-feira, abril 28, 2008
Afinal para que quero um blogue?
Para que quis um blogue quando criei este, até sei; para que o quero agora, isso é que já não sei!
Quando criei este bloguezito, eu queria falar de alunos, de ensino e aprendizagem, de aulas, de métodos e estratégias de ensino, da minha disciplina que é a Matemática e de sucesso e insucesso nela, também de direcção de turma, de educação, de formação de alunos e de formação de professores, enfim, queria falar de escola.
E, quando comecei a conhecer colegas da blogosfera, pensei até que não falaria sozinha disso tudo, pensei que poderia não ser só falar, mas debater também. Troca de experiências, partilha, testemunho, isso era o que me atraía, embora tenha encontrado raríssimos blogues de docentes em que tal acontecesse.
Contudo, de tudo isso me fui desviando, pois quase logo apareceu a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, e eu própria andei centrada nela e na sua política. E, hoje, com esta sensação de que dirigi este meu cantinho sobretudo para essa política, lembrei-me de fazer uma contabilidade, já que tenho os meus posts quase todos etiquetados (de 590, têm marcadores quase 400, e os que não estão marcados são irrelevantes quanto a assunto). E não é que constato que, afinal, apenas 21 são sobre política educativa?! Vá lá, mesmo que estime nuns 30 os que à política educativa se referem, tenho mesmo que concluir que, afinal, não foi (só) a política do Ministério da Educação que me desviou e me desmotivou de escrever sobre o que tencionara inicialmente.
Dos temas que acima mencionei, há um que jamais abordei - e não foi por acaso. Jamais abordei um dos temas que me são mais gratos e de que tenho melhores memórias: a direcção de turma. Porque a burocracia que foi progressivamente assoberbando os directores de turma parecia-me retirar sentido às minhas memórias de mais de 20 anos consecutivos até outras tarefas terem requerido que deixasse esse cargo.
No entanto, tenho consciência de que a falta de condições e os climas de escola perturbados pela política de MLR foram apenas meia razão para abandonar as minhas memórias. Costuma dizer-me um amigo (e ainda hoje mesmo mo disse) que da outra metade do motivo da minha desmotivação nunca falei, que eu só falo da política deste ME porque omito a outra face do sistema educativo, que é a realidade no "terreno". Sei que o meu amigo tem razão, no terreno há muito do bom e até do excelente, mas bastante há também do menos bom, e o indesejável ou pernicioso não é tão insignificante quanto muitas vezes dizemos - dizemos, seja por corporativismo, seja por compreensão tolerante, ou seja por uma espécie de reserva ética.
Afinal, para que mantenho eu um blogue?
Talvez porque ainda vou esperando por condições mais propícias para falar do que é o tema mais importante para mim como professora: alunos - ensino e aprendizagem - educação. Mas pergunto-me: se voltar a falar disso, não será um monólogo? Não porque aquele não seja o tema prioritário no pensamento de muitos colegas, e aqui deixo a minha manifestação de apreço à 3za - uma companheira "bloguista" - por não ter perdido nunca a motivação para falar dos alunos, para partilhar as experiências e vivências com eles, para nos revelar a paixão de ensinar e ajudar a crescer. No entanto, no clima de escola que se tem vivido nos últimos quase três anos, a escrita da 3za e a dos poucos outros que privilegiam esse tema serão muito mais do que monólogos?
Continuando a corrente...
- O que os outros dizem de mim quando estão na "má língua";
- Não ter fortuna para esbanjar;
- Não ser mais velha do que sou (isto quer dizer que a idade me chateia e importa ;) )
- Futebol, quem joga, quem ganha ou perde (desde que não tenha que estar a ouvir relatos na tv)
- Problemas existenciais dos que só pensam em "trepar" na vida, especialmente dos que o fazem pisando outros;
- O que as religiões dizem que é pecado (basta-me a minha moral).
E agora passo a corrente: 3za, Tsiwari Miguel, Tit, (podem responder no Aragem), Marina, Bell
sábado, abril 26, 2008
Caminhante...
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar,
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en el mar.
(*)
Antonio Machado
____
(*) Enviado pela Amélia Pais
Canções para a minha neta Inês
_____________________________________
Adriano Correia de Oliveira - Trova do vento que passa
José Afonso - Canção de embalar
sexta-feira, abril 25, 2008
25 de Abril
Com as mãos das minhas filhas pequeninas nas minhas, imaginei um país novo para elas.Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Foi sonho?
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
Foi esperança!
____
Em itálico: excertos de As portas que Abril abriu, Ary dos Santos.
quinta-feira, abril 24, 2008
Saturação... tédio... vazio...
___
ainda uma leve fumaça
Tronco resistindo
Eunice Arruda
___
Rosto no vidro
uma criança eterna
olha o vazio
Alphonse Piché
Tradução de Carlos Seabra
segunda-feira, abril 21, 2008
...
A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
Fernando Pessoa
domingo, abril 20, 2008
No teu aniversário
Para a minha filha Ana Heloísa
sábado, abril 19, 2008
Momentos... pensamentos
Quando já nada nos resta
Quando já nada nos resta
É que o mudo sol é bom.
O silêncio da floresta
É de muitos sons sem som.
Basta a brisa pra sorriso.
Entardecer é quem esquece.
Dá nas folhas o impreciso,
E mais que o ramo estremece.
Ter tido esperança fala
Como quem conta a cantar.
Quando a floresta se cala
Fica a floresta a falar.
| Talvez que seja a brisa Talvez que seja a brisa Que ronda o fim da estrada, Talvez seja o silêncio, Talvez não seja nada... Que coisa é que na tarde Me entristece sem ser? Sinto como se houvesse Um mal que acontecer. Mas sinto o mal que vem Como se já passasse... Que coisa é que faz isto Sentir-se e recordar-se? Fernando Pessoa, Poesias Inéditas |
sexta-feira, abril 18, 2008
Recordando Bento de Jesus Caraça...
As ilusões nunca são perdidas. Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir, perdidos são aqueles períodos da história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta, sem enxergarem no horizonte nada a que se entreguem, caída uma sombra uniforme sobre o pântano estéril da vida sem formas.
Obras que destaco:
Opiniões diferentes na construção de consensos
«Não estará a ser demasiado dura com quem não partilha a sua convicção de que o acordo ou entendimento foi uma coisa boa ou razoável? Eu conheço várias pessoas que exprimiram o seu descontentamento, a meu ver (mas essa é a minha opinião) e desencanto publicamente. Não terão o direito de o fazer (estamos num país em que, pelo menos, continua a haver liberdade de expressão) sem serem apodados de irresponsáveis, divisionistas ou desejosos de auto-promoção? Afinal não deveria a Plataforma ter ouvido as vozes de quem não pensava exactamente como os sindicatos - os movimentos cívicos - antes de assumir entendimentos? Mas ainda não é tarde: que futuramente uns e outros se entendam. Como a amiga, preocupa-me muito a situação do ensino e dos colegas no activo.»
Autopromoção, irrealismo ou inexperiência?
quinta-feira, abril 17, 2008
Não cresças tão depressa...
Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Seu bicho-papão
Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei
Vinicius de Moraes
_________
Voz: Toquinho
quarta-feira, abril 16, 2008
Chaplin faria anos hoje
Em jeito de adenda...
Ai, o ponteiro da tortura
naquela sala
que a matemática tornava mais escura
em vez de iluminá-la.
Felizmente só o nada-de-mim ficava lá dentro
O resto corria no pátio-em-que-nos-sonhamos,
pássaro a aprender os cálculos do vento
aos saltos do chão para os ramos.
(...)
José Gomes Ferreira
_____________________
Poema completo: aqui
terça-feira, abril 15, 2008
Memórias de alunos problemáticos - III
Foi meu aluno no nono ano. Com 16 anos, perto dos 17, já tinha vivências diferentes dos colegas de turma, tais como sair frequentemente à noite até altas horas.
Falador e contestatário, percebi logo que teria que usar tacto e bastante presença de espírito ao chamar-lhe a atenção ou mesmo repreendê-lo, senão ele facilmente resvalaria para algum incidente disciplinar. Mas não levámos muito tempo a estabelecer uma boa relação, e o curioso deste caso é que foi a matemática - em que ele vinha com fundas lacunas e bastante desistente - que tornou o Vasco um aluno algo original nessa minha disciplina.
O Vasco assumia declaradamente que não estudava nem fazia tpcs, tinha outros interesses a ocupar-lhe o tempo, no entanto tinha uma considerável intuição para a matemática e um excelente cálculo mental, o seu raciocínio acabava por ser notável na turma, no que a idade também ajudava. Negava teimosamente que pudesse recuperar nas lacunas que trazia, era renitente em aceitar os meus apoios, mas resolvia por vezes problemas à sua maneira, fugindo aos procedimentos que não dominava, abstraía-se dos processos que os colegas seguiam e acabava por chegar às soluções correctas. E o meu estímulo quando tinha esses sucessos foi conquistando nele momentos de empenhamento nas aulas cada vez mais frequentes. Os seus testes começaram a ser positivos e nisso já não regrediu nunca, embora mantivessem características muito 'à Vasco', pois ele lia-os e decidia logo quais os itens que nem tentaria e deixaria em branco. Um dos motivos por que eu disse acima que se tornou um aluno original, diferente do comum, era o facto de se ter tornado um bom aluno nalgumas unidades do programa e um desastre em certos conteúdos que punha de parte devido às lacunas de anos anteriores - embora, claro, tivesse colmatado algumas essenciais, sem o que não teria sido possível alcançar nível positivo, por interessantes que fossem as estratégias em que se metia e com as quais conseguia resolver certos problemas. (Não resisto a dizer que o Vasco se integraria bem nessas ideias tontas que alguns atribuem ao "eduquês", segundo as quais o ensino seria centrado nos interesses dos alunos, com o programa a seu gosto. Mas isto foi só uma piadinha minha, entre parêntesis, àcerca de tolices que já vi serem atribuídas ao tal "eduquês", embora eu nunca tenha visto colega algum praticar tal coisa)
Outra coisa incomum que me acontecia com o Vasco era de vez em quando deter-me junto dele a conversar sobre a sua vida, as suas vivências e as suas perspectivas, com a aula a decorrer, enquanto os colegas trabalhavam - coisa incomum, pois normalmente se queremos conversar com um aluno fazêmo-lo após a aula. Mas o Vasco era diferente, era como que um aluno mais velho, ainda que com garotices à mistura, inicialmente tendência mesmo para mau comportamento, por isso o englobei em "alunos problemáticos".
Na aprovação do Vasco no final do ano pesou bastante a Matemática, e eu trouxe esta memória - não antiga, já havia exames no 9º ano, que ele fez sem riscos - porque é uma memória que me faz sorrir até com algum divertimento, pois aquela matemática do Vasco era engraçada, boa numas 'coisas' mas um desastre nalgumas outras.
segunda-feira, abril 14, 2008
...
George Seurat (1883). Le arc-en-ciel.
Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorou.
Helena Kolody
sexta-feira, abril 11, 2008
Memórias de alunos problemáticos - II
Mas quero acrescentar agora uma outra consideração - ou talvez seja uma pergunta...
Há iniciativas que uma pequenina equipa de professores consegue levar a cabo uma ou duas vezes, mas seria irrealista pensar que poderiam os mesmos professores continuarem a repeti-la em muitos mais anos lectivos, a não ser que se alargassem as condições e os recursos humanos. Porque, ao assumir-se a responsabilidade de certo tipo de iniciativas, é necessário dedicar-lhes bastante tempo para além do horário de trabalho e manter grande disponibilidade. No caso dos Engenhocas (nome que os próprios escolheram para o seu grupo), que eram de turmas diferentes e não eram nossos alunos (nossos - equipa de quatro professoras), o tempo semanal e comum de 50 minutos que nos foi concedido era praticamente simbólico, só encontros com eles e outras formas de comunicação requeriam muito, tanto mais que tínhamos como decisivo que se mantivessem sempre com pequenos projectos distribuídos consoante os perfis dos moços - isso era decisivo para o sucesso da iniciativa ao menos em termos de integração na escola e de cessarem os comportamentos problemáticos.
segunda-feira, abril 07, 2008
domingo, abril 06, 2008
Memórias de alunos problemáticos - I
Não alongo este relato, passo já para o dia em que se revelou a causa - ou uma das causas - do comportamento do menino. Aconteceu na minha própria aula que o Agostinho se levantou de repente atirando ao ar o material escolar e começando a fazer o mesmo com o dos colegas de mesa. Ao dirigir-me de imediato a ele, ainda fugiu para o meio da sala, repetindo "setôra, deixe-me, setôra deixe-me" e outras frases de que já não me lembro, em estado de grande agitação. Consegui reconduzi-lo ao lugar com a ajuda de duas ou três crianças a que fizera sinal para ajudarem, não porque houvesse propriamente resistência física da parte do Agostinho (embora fosse alto e parecesse um pouco mais velho do que os seus 11 anos), mais como quem apazigua um estado de espírito fora de si. E o resto da aula decorreu com os colegas de grupo procurando acalmá-lo e integrá-lo no trabalho. Creio que não passou pela cabeça de nenhum dos alunos que eu devesse ter expulsado o colega da aula ou mencionado sequer alguma sanção - o estado perturbado do Agostinho era evidente.
Nota final:
______
Regressando às minhas memórias? (Ponto prévio)
quarta-feira, abril 02, 2008
Testemunhos de estudantes
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quarta-feira, março 19, 2008
E para não deixar uma página em branco...
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade, Mãos dadas.
terça-feira, março 18, 2008
Vaidosa ou envergonhada?
Isto até vem a propósito da velocidade a que evoluem as novas tecnologias, nomeadamente nos instrumentos e técnicas para construção de páginas web. Nessa altura eu ainda usava o velhote FontPage mais umas inclusões à mão de javascripts (digo "ainda" porque há poucos meses pus uma paginazita na net - Lógica para Todos, mas não ponho link porque foi uma experiência mais para tentar manejar o xhtml), essas técnicas estão ultrapassadas, e até designs que são engraçados numa dada altura ficam absolutamente fora de moda ao fim de dois ou três anos.
Mas... pronto, embora dividida entre ficar vaidosa ou ficar envergonhada - e claro que envergonhada não é pela dita página, é porque fico sem jeito com "prémios" -, agradeço o prémio e partilho-o aqui.
______
sábado, março 15, 2008
Pensando em voz alta (nas últimas posições dos sindicatos)
1. A proposta de António Vitorino de haver um período experimental no processo de avaliação de desempenho dos professores foi largamente considerada uma boa proposta (e recorde-se que AV não foi, de modo nenhum, o primeiro a apontar esse caminho). Mas, face a ela, importa que seja bem esclarecido o que significa um período experimental de um decreto.
2. Não compreendo o argumento do ME de não poderem deixar de ser avaliados os professores contratados e os que estão em condições de progressão no presente ano lectivo (estes, aliás, num muito pequeno número, segundo ouvi Jorge Pedreira dizer).
3. Da reunião negocial de ontem entre ME e FENPROF, declarou Mário Nogueira, em nome desta, a não aceitação do que o ME propôs. (Pelo pouco que li, creio que também a FNE tomou posição semelhante). Dispenso-me de resumir as declarações de MG, todos já as conhecemos.
Nota: Relembro que disse estar apenas a pensar em voz alta, até nem é meu costume pronunciar-me antes de ler as propostas e respectivos fundamentos divulgados com precisão nos locais e documentos próprios - locais que não são a comunicação social, mas nesta já ouvi directamente Jorge Pedreira e Mário Nogueira após a reunião. Assim, o que escrevi é o que, para já, me parece, podendo uma informação mais pormenorizada e precisa melhorar os meus raciocínios imediatos ou corrigir algumas questões sobre isto de legalidades, nomeadamente quanto ao significado legalmente correcto seja de período experimental de um decreto, seja de aplicação simplificada ou mínima do mesmo (se é que este segundo caso pode ter qualquer ponta de cabimento legal).
quinta-feira, março 13, 2008
Manifestações que não desejo
terça-feira, março 11, 2008
domingo, março 09, 2008
Sugestão de leitura
sábado, março 08, 2008
8 de Março de 2008
E conheci pessoalmente alguns dos amigos da blogosfera, de diferentes pontos do país - por ordem de encontro, a 3za, a Tit, a Maria Lisboa, o Tsiwari e o Miguel. Conheci-os com emoção. Adorei! :)
[Graças aos telemóveis, mas não foi fácil encontrá-los assim sem ponto de encontro prévio, como se deve imaginar! Bem... a persistência é sempre fundamental ;) ]
sábado, março 01, 2008
No dia 8 participarei porque...
...porque quero uma Escola Pública que proporcione aos meus netos e a todas as crianças e adolescentes - e em igualdade de oportunidades - Ensino e Educação de qualidade. Para isso, quero que as reformas necessárias no Sistema Educativo sejam preparadas e implementadas:- com objectivos transparentes,
- com o respeito pela mais alta prioridade do trabalho dos professores, que é o trabalho para e com os alunos,
- sem medidas precipitadas, cuja pressa origina, para além de atropelos e contradições legais, a desestabilização do funcionamento das escolas pelo lançamento de profundas mudanças com os anos lectivos já a decorrerem.
Quero, sim, uma Escola Pública exigente quanto à formação/competência dos docentes, para o que a avaliação dos mesmos deve concorrer e é necessária, mas uma avaliação de desempenho mediante um processo formativo, estimulante, credível, justo e exequível, e não um processo burocratizado e absorvente do tempo dos docentes e dos orgãos de gestão das escolas, inevitavelmente desviante da mais alta prioridade acima referida.
Quero, sim, o que contribua para o verdadeiro sucesso educativo, sem escamoteamento desse objectivo por urgências em melhorar resultados estatísticos quaisquer que sejam os significados destes e custe o que custar, mesmo que esse custo, na verdade, venha a recair na Educação e no Futuro dos alunos, seja por facilitismo, seja por economicismo e deterioração das condições de trabalho dos professores, nomeadamente condições de tempo e exequibilidade, de colaboração, de estímulo e de respeito, e também de salvaguarda de uma gestão democrática.
domingo, fevereiro 24, 2008
Um esclarecimento que faço questão de prestar
Mas o que quero esclarecer é o seguinte:
Em suma, o que quis esclarecer a quem vai visitando este meu cantinho é que a sua (quase) paragem não significa alheamento dos problemas e da defesa da nossa Escola Pública. E não esclareço isso porque sinta qualquer necessidade de me justificar, mas apenas para manifestar a minha solidariedade, activa no que ainda está ao meu alcance, para todos os que resistem e pugnam autenticamente por uma escola pública que de verdade progrida e melhore no seu serviço pela educação e futuro de todas as crianças e todos os adolescentes, o que, aliás, é também serviço pelo progresso do nosso país.
_______
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Do Professor e do Poeta
Já o recordei neste cantinho, no centenário do seu nascimento e noutros momentos.
Hoje deixo...
Do Professor:
“Ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação.”
Do poeta:
Arma Secreta
Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis da furalina.
Erecta, na torre erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Momentos meus... Deixo só...
| Doente de viagem, meus sonhos vagueiam pelo campo seco. Bashô | ||||
| Eu e meu aquecedor — Lá fora o Senhor do Feudo Passando ensopado. Issa |
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
E é assim que um Primeiro Ministro debate...
Pergunta (de Paulo Portas, como poderia ser de qualquer outra bancada da AR):
sábado, fevereiro 09, 2008
Finalmente algumas boas notícias
- Parecer do Conselho Nacional de Educação sobre o Projecto de Decreto-Lei “Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário” (ou mais directamente aqui, se o link funcionar)
- "Tribunal aceita acção para travar avaliação docente"
___________
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Ei!
(…)Ei você,
Não os ajude a enterrar a luz
Não se entregue sem lutar
(…)
Ei você,
Não me diga que não há nenhuma esperança
Juntos nós resistimos, separados nós caímos
(Sou do tempo dos discos de vinil. Se calhar estou desfasada nisto dos 'tempos' ao deixar essa tradução acima. Mas... pronto, apetece-me deixar a canção.)
In YouTube: "Hey You - Pink Floyd (Vinyl Recorded)"
domingo, fevereiro 03, 2008
Carnaval...
O Sr. Presidente da República, interpelado pelos jornalistas sobre uma determinada notícia e recusando comentá-la, acrescentou que estamos em dias de nos distrairmos, de deixar preocupações para aproveitarmos os dias de Carnaval (não foram exactamente estas as palavras, não as anotei, mas o sentido foi esse).
Fiquei a pensar cá com os meus botões que, então, devemos fazer umas feriazinhas nas preocupações com a Educação. Mas senti-me um tanto perplexa... É que eu julgava que o nosso querido Ministério da Educação tinha instituído o carnaval na Educação para o ano todo!
Bem... devo andar confusa...

M. Cassatt (1873). On the Balcony During Carnival
W. Homer (1877). Dressing for the Carnival
Eu e o meu blogue
Entretanto, o template do blogue ficara uma misturada quando consegui passar para o novo blogguer sem perder o template que tinha e respectiva personalização, pelo que, para aproveitar a novidade bem prática dos marcadores nos posts, tive que introduzir uns códigos (inspirados nuns da 3za), o que deu a caixinha preta que está por aí à direita. Até embirrei que só marcaria posts que tivessem a ver com memórias mesmo do 'terreno' - memórias mesmo dos alunos ou relacionadas com eles - pois fora para os alunos, ou por eles, que sempre trabalhara. No entanto, mais tarde acrescentei ao índice uma 2ª parte com outros posts, mas só escolhi mais uns pouquitos para etiquetar.
Mas, há dois dias, ao querer deixar à 3za o link para uma canção, ainda me vi "às aranhas" para encontrar o post onde a tinha. E então pensei cá para comigo que tenho um cantinho que também é de recordações - recordações para mim mesma -, além dos meus momentos ou estados de espírito que nele ficaram de forma mais ou menos metafórica, com alguns dos "meus" haikus, também com alguns dos "meus" quadros e algumas das "minhas" canções, mas tudo isso quase tão difícil de encontrar, quando me apetecer ou precisar, como encontrar agulha num palheiro, como se costuma dizer. E lá fui percorrer outra vez aquela 'tralha' toda para pôr marcadores em mais umas dezenas de posts, o que, no caso do meu template, implica também ter que nele acrescentar à mão mais umas linhas de código, uma para cada marcador com nova designação.
Isto para comentar que eu misturo novas funcionalidades destas tecnologias com velhas quando me dá para ser um tanto conservadora de umas velhas, e depois continuo teimosa na mistura, mesmo que com mais trabalho como neste caso. Enfim... caturrices ;)
terça-feira, janeiro 29, 2008
Mais uma perda
Ando demasiado triste (e atónita) com o que anda a acontecer à Educação e, por isso - talvez também por estar já fora da escola e, ao olhar para os anos todos em que a minha vida profissional decorreu, me perguntar como foi possível chegar-se ao que anda a acontecer - acabei por ficar sem vontade de escrever, as palavras faltam-me. Assim, digo apenas que andamos a ter muitas perdas, que nos deixam mais pobres. Agora, o fim do Correio da Educação é mais uma. :(
Bem-haja, José Matias Alves, por tudo o que deu nele.
Sei que vai continuar a dar, e bem-haja também por isso.





















