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Adriano Correia de Oliveira - Trova do vento que passa
José Afonso - Canção de embalar
Adriano Correia de Oliveira - Trova do vento que passa
Com as mãos das minhas filhas pequeninas nas minhas, imaginei um país novo para elas.Foi esperança!
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Em itálico: excertos de As portas que Abril abriu, Ary dos Santos.
| Talvez que seja a brisa Talvez que seja a brisa Que ronda o fim da estrada, Talvez seja o silêncio, Talvez não seja nada... Que coisa é que na tarde Me entristece sem ser? Sinto como se houvesse Um mal que acontecer. Mas sinto o mal que vem Como se já passasse... Que coisa é que faz isto Sentir-se e recordar-se? Fernando Pessoa, Poesias Inéditas |
As ilusões nunca são perdidas. Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir, perdidos são aqueles períodos da história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta, sem enxergarem no horizonte nada a que se entreguem, caída uma sombra uniforme sobre o pântano estéril da vida sem formas.
Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Seu bicho-papão
Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei
Vinicius de Moraes
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Voz: Toquinho
Foi meu aluno no nono ano. Com 16 anos, perto dos 17, já tinha vivências diferentes dos colegas de turma, tais como sair frequentemente à noite até altas horas.
Falador e contestatário, percebi logo que teria que usar tacto e bastante presença de espírito ao chamar-lhe a atenção ou mesmo repreendê-lo, senão ele facilmente resvalaria para algum incidente disciplinar. Mas não levámos muito tempo a estabelecer uma boa relação, e o curioso deste caso é que foi a matemática - em que ele vinha com fundas lacunas e bastante desistente - que tornou o Vasco um aluno algo original nessa minha disciplina.
O Vasco assumia declaradamente que não estudava nem fazia tpcs, tinha outros interesses a ocupar-lhe o tempo, no entanto tinha uma considerável intuição para a matemática e um excelente cálculo mental, o seu raciocínio acabava por ser notável na turma, no que a idade também ajudava. Negava teimosamente que pudesse recuperar nas lacunas que trazia, era renitente em aceitar os meus apoios, mas resolvia por vezes problemas à sua maneira, fugindo aos procedimentos que não dominava, abstraía-se dos processos que os colegas seguiam e acabava por chegar às soluções correctas. E o meu estímulo quando tinha esses sucessos foi conquistando nele momentos de empenhamento nas aulas cada vez mais frequentes. Os seus testes começaram a ser positivos e nisso já não regrediu nunca, embora mantivessem características muito 'à Vasco', pois ele lia-os e decidia logo quais os itens que nem tentaria e deixaria em branco. Um dos motivos por que eu disse acima que se tornou um aluno original, diferente do comum, era o facto de se ter tornado um bom aluno nalgumas unidades do programa e um desastre em certos conteúdos que punha de parte devido às lacunas de anos anteriores - embora, claro, tivesse colmatado algumas essenciais, sem o que não teria sido possível alcançar nível positivo, por interessantes que fossem as estratégias em que se metia e com as quais conseguia resolver certos problemas. (Não resisto a dizer que o Vasco se integraria bem nessas ideias tontas que alguns atribuem ao "eduquês", segundo as quais o ensino seria centrado nos interesses dos alunos, com o programa a seu gosto. Mas isto foi só uma piadinha minha, entre parêntesis, àcerca de tolices que já vi serem atribuídas ao tal "eduquês", embora eu nunca tenha visto colega algum praticar tal coisa)
Outra coisa incomum que me acontecia com o Vasco era de vez em quando deter-me junto dele a conversar sobre a sua vida, as suas vivências e as suas perspectivas, com a aula a decorrer, enquanto os colegas trabalhavam - coisa incomum, pois normalmente se queremos conversar com um aluno fazêmo-lo após a aula. Mas o Vasco era diferente, era como que um aluno mais velho, ainda que com garotices à mistura, inicialmente tendência mesmo para mau comportamento, por isso o englobei em "alunos problemáticos".
Na aprovação do Vasco no final do ano pesou bastante a Matemática, e eu trouxe esta memória - não antiga, já havia exames no 9º ano, que ele fez sem riscos - porque é uma memória que me faz sorrir até com algum divertimento, pois aquela matemática do Vasco era engraçada, boa numas 'coisas' mas um desastre nalgumas outras.
George Seurat (1883). Le arc-en-ciel.
Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorou.
Helena Kolody
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E conheci pessoalmente alguns dos amigos da blogosfera, de diferentes pontos do país - por ordem de encontro, a 3za, a Tit, a Maria Lisboa, o Tsiwari e o Miguel. Conheci-os com emoção. Adorei! :)
[Graças aos telemóveis, mas não foi fácil encontrá-los assim sem ponto de encontro prévio, como se deve imaginar! Bem... a persistência é sempre fundamental ;) ]
...porque quero uma Escola Pública que proporcione aos meus netos e a todas as crianças e adolescentes - e em igualdade de oportunidades - Ensino e Educação de qualidade. Para isso, quero que as reformas necessárias no Sistema Educativo sejam preparadas e implementadas:| Doente de viagem, meus sonhos vagueiam pelo campo seco. Bashô | ||||
| Eu e meu aquecedor — Lá fora o Senhor do Feudo Passando ensopado. Issa |
(…)
(Sou do tempo dos discos de vinil. Se calhar estou desfasada nisto dos 'tempos' ao deixar essa tradução acima. Mas... pronto, apetece-me deixar a canção.)
In YouTube: "Hey You - Pink Floyd (Vinyl Recorded)"

W. Homer (1877). Dressing for the Carnival
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W.G.Barry (1864-1941). Time Flies
Inté... Volto no próximo ano... ;)
Van Gogh (1890). Roses et Anémones