quinta-feira, novembro 10, 2005

Aguardemos o uso da lógica

Resumindo - O M.E. :
a) Considera positiva a aplicação da legislação.
b) Reconhece a insatisfação da classe docente.
Aguardemos como as mentes pensantes do M.E. aplicarão a lógica, o raciocínio rigoroso, a reflexão intelectualmente honesta - ou simplesmente, como aplicarão o princípio da não contradição - para uma ligação coerente entre essas duas assunções.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Roots of Empathy

O Miguel Sousa chamou a atenção num seu post para um programa de sucesso no Canadá e pôs o link para o respectivo site informativo. Não resisti a esta foto...

terça-feira, novembro 08, 2005

Que coisa...

...não tapei a boca ao espirrar! Tinha ficado muito melhor assim.

Joan Miró, Silence

...

Joan Miró, Dog bark at moon

(Dizem que o cão ladra por medo e eu digo que o anónimo se esconde por cobardia)


Anonymous said...

Este deve ser o mesmo anónimo que já vi, no mesmo blog, insultar gratuitamente os seus autores. Mas como, nos comentários, estes anónimos passam despercebidos, transcrevo a resposta que agora me foi dada a mim, nesse blog. Não porque mereçam qualquer atenção, mas porque faz parte do conhecimento da realidade conhecer o género de exemplos que também existem na mesma. E, já agora, para dizer que de facto na net não posso fazer o que faria no real, frente a frente (mesmo que se tratasse de algum grandalhão - não sou de grande estatura física, sou mulher e até já bem avó, mas faria) a quem se atrevesse a desrespeitar-me: um bofetão bem chapado na cara.

"(Mas fico por aqui, confesso que não estou habituada a falar com anónimos) -------------------------------Concordo.Diria mesmo que nos tempos que correm é mais seguro. E depois é reconfortante falar sempre com os mesmos sobre o mesmo.Por isso é que se inventou a net.Assim só falamos com gente conhecida.Pobre juventude do meu país que tais mestres tem que aturar.Fique com os seus e não se deixe contagiar, a vidinha não está para grandes aventuras... "
(O destaque é meu)

domingo, novembro 06, 2005

sexta-feira, novembro 04, 2005

...




"Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
"

Oswaldo Montenegro, in Metade


Que sentido isto faz?

Está a fazer meio ano, este blog. Criei-o em Maio, a carreira docente perto do fim (não tão perto assim como projecto e opção, mas agora tornada perto por, de repente, nuns escassos dois ou três meses, ser empurrada para me dizer Estou farta!).
Pensei num espaço onde iria colocando e guardando memórias profissionais. Como professora de Matemática, notas sobre aquilo em que sempre pensei - a disciplina de maior taxa de insucesso, os métodos que a podem minorar, esse ganhar gosto pelas aulas de Matemática quando os putos descobrem que, afinal, são capazes, aquelas aulas em que ao fim de dois meses pequenotes de 10 anos punham os seus grupos a funcionar activamente e pareciam mini-professores esquecidos até de onde andava a professora na sala ocupada com outro grupo qualquer, mais outro pequenote, também "dispensando" a professora para dizer em voz alta "discutam mais baixo, assim não conseguimos concentrar-nos!".
Mas não apenas como professora de Matemática, que antes disso sou professora - educadora simplesmente. Também memórias soltas de coisas maravilhosas que eles e eu descobríamos que eles eram capazes de fazer, por exemplo, mas não só, naquele espaço que dava a direcção de turma - coisas, entre outras, como aqueles convites das turmas aos pais para uma reunião sobre tema que bem queriam discutir com estes, mas a que só se atreviam sob a segurança de uma preparação que eles próprios faziam, mas que faziam com essa segurança de a fazerem com a dt - coisas que sempre me continuavam a maravilhar e que tão encantados deixavam os pais, coisas, enfim, essas e outras, que são o motivo do lema deste blog.

Criei o blog mal conhecendo a blogosfera e desconhecendo completamente aquela a que costumo chamar blogosfera docente. Não me preocupava ter ou não visitas, era um espaço para ir escrevendo quando tivesse tempo, talvez para mais tarde, quando reformada, fazer dos soltos algum todo organizado.
Seriam memórias sobretudo do longo tempo a leccionar 2º Ciclo - que é de pequenos que eles têm que começar, se não começam aí já é difícil o 3º Ciclo ser igual. 2º Ciclo em que permaneci a leccionar a maior parte da vida por força dos estágios não congelados na altura em que principiei, que os outros estavam congelados, e a oportunidade de segurança e estabilidade profissional tinha que se sobrepor ao gosto de passar a vida a trabalhar com adolescentes.

Mas as memórias mudaram. Mudaram um pouco quando a minha escola de há já bastantes anos (e definitiva, que não se deita fora a sorte de chegar a dois passos de casa) passou a escola 2,3, e a profissionalização para o 3º Ciclo (e Secundário, que não existem "professores de 3º Ciclo") me permitiu ter ainda o gosto de trabalhar com adolescentes - mudaram um pouco sobretudo ao deixar quase de leccionar 7º para receber as turmas já no 8º. Não foi, no entanto, essa a razão importante da mudança.
A minha primeira "pré-reforma" foi da direcção de turma, muitos anos já cumprida e em que só aceitava outro cargo sob pedido/condição de ela não me ser tirada. Porque veio a invasão da burocracia, e eu não suporto papeladas/burocracias inúteis, e os tempos em que antes se discutia foram substituídos pelos tempos de escrever papeis a dizer o que se deve (devia) discutir sem sobrar mais tempo senão para arquivar o que ninguém volta a ler a não ser quando há que acrescentar umas frases (leia-se substituir umas palavras por outras mais na moda a quererem dizer o mesmo). Depois vieram outras pequenas "pré-reformas" à medida que fui sentindo quase só gratificante e não deitado para a gaveta o Eu com os meus alunos, a minha sala de aula. (Sempre foi minha opção de vida não persistir em coisas inúteis, excepto nas inutilidades nos meus tempos livres, deixadas de serem inutilidades se me descontraem ou me dão prazer).

Que sentido podem ter memórias dessas coisas a que chamei maravilhosas para quem, no tempo para um cargo pedagógico, é obrigado a passá-lo todo a preencher papeladas e registos, a enviar cartas com aviso de recepção para ficar a prova de que foram convocados os pais que nunca apareceram, etc., etc., etc.?

Que sentido podem ter memórias daquela velha defesa quase militante (muitos já hoje reformados) de diferentes métodos e estratégias para o ensino-aprendizagem da Matemática, para desenvolver nos putos uma relação desafiante e autónoma com essa disciplina, para quem (incluindo-me a mim) se vê não só num sistema degradado por um percurso de disparates e prioridades hipócritas de sucessivos ministérios da educação, não só, para mais, numa sociedade que cada vez menos educa as suas crianças para o hábito de trabalhar, pensar, fazer esforço, mas também se vê por fim responsabilizado por um sistema em que, se algumas responsabilidades tem, é o menos responsável de todos (e até impede esse sistema de ainda mais degradado estar) - em suma, se vê por fim desrespeitado e desprestigiado para que outros se protejam disso?

Que sentido?
______________________________

(...)
Que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio.
(...)
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflicta meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço.
(...)
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também.

Oswaldo Montenegro, Metade

quarta-feira, novembro 02, 2005

Pequenos tijolos que também fazem alicerces

Estou a ler o livro de memórias de infância de Alice Vieira (Bica Escaldada, 2004, Ed. Casa das Letras). Apeteceu-me registar o que, em dois dos contos-memórias (cada um com pouco mais do que uma página), me causou uma associação de ideias... nas diferenças com o Hoje - associações que me acontecem ao ler um conto não lendo nele apenas e à letra o que conta, mas lendo-o como que uma metáfora.

Em O Anjo, a autora conta que a avó Ana, que nunca fora à ecola, um dia, passava ela já dos 70 anos, anunciou, no silêncio de uma refeição: "_ Apareceu-me um anjo esta noite. (...) _ O anjo mandou-me aprender a ler." E prossegue Alice Vieira, um pouco adiante: "Nunca mais voltou a falar do assunto, que as mulheres nunca repetiam uma ordem ou um desejo: o que se dizia uma vez, dito ficava. Ela própria se encarregou de arranjar uma professora. (...) Se o anjo voltou a ter interferência na aprendizagem da avó Ana, não se sabe nem ela o disse. Sabe-se apenas que a avó Ana aprendeu a ler e a escrever no espaço de um mês. _ Foi o anjo - era a sua única explicação" E a autora termina logo a seguir o conto, assim: "Dizem que, desde essa altura, um anjo passou a velar pelos destinos das mulheres da nossa família. Entre a comunidade celestial devemos gozar da fama de sermos exemplarmente obedientes."

Em Cheiros Perdidos, Alice Vieira lembra o tempo "em que as coisas cheiravam àquilo que eram", os cheiros genuínos das maçãs, dos morangos, do pão, dos soalhos das casas... . Refere como as nossas casas hoje cheiram aos ""purificadores do ar"" que prometem vários aromas e "se ficam todos pelo mesmo odor plastificado a coisa nenhuma que, como toda a gente muito bem sabe, é o pior cheiro que existe à face da terra" (Sublinhado meu). E, quase no final do conto: "Acreditem que eu até tenho saudades do terrível sabor do óleo de fígado de bacalhau (antes de ele ter sido adocicado para os paladares das sensíveis crianças dos nossos dias), do azedo genuíno dos primeiros iogurtes (...) e da intragável canja de galimha, à qual, antes de partirmos para a praia, a tia Clara juntava o então indispensável óleo de rícino. Aquilo sim, aquilo eram sabores a sério, puros e duros. Aquilo (...) formava o carácter de uma pessoa."

domingo, outubro 30, 2005

Adenda à adenda

The Mirror

Sergei Samsonov









Ai estes adolescentes...










Giovanni F. Caroto, Youth Holding a Drawing

Adenda...

... Duas histórias.
(Não as vou contar por considerar que sejam significativas no conjunto das provas nacionais, mas porque uma me doeu pela menina de que se trata, e a outra fez-me pensar que teria sido educativo para a aluna que o resultado não se limitasse a ser um 3 em vez do 4 de frequência, mas que fosse uma negativa mesmo. E a 1ª história já a tinha contado ao Rui no (In)Docentes , a propósito de critérios discutíveis de alguns items, só que ainda não tinha analisado o resto da prova).

1ª história
A S. era uma aluna com algumas dificuldades, no 8º ano dei-lhe sempre nível 2. Mas era uma menina com uma baixa auto-imagem quanto às suas capacidades, pelo que dizia que em Matemática nem valia a pena tentar melhorar, que era a disciplina mais difícil. Preocupei-me em tirar-lhe essa ideia, encorajei-a e, depois de ter conseguido resultado positivo no penúltimo teste do 9º ano, foi feliz no teste global (não os dispensei dele, ainda que estivessem dispensados da formal prova global), embora com uma positiva baixinha. Não hesitei em atribuir-lhe nível 3 final, apesar de pensar que não se aguentaria num exame que, previsivelmente (e correctamente) incidiria bastante em competências mais gerais que a S. ainda não tinha. Mas ela até não ia precisar mais de estudar Matemática, o que ia precisar, sim, era de mais autoconfiança.
Ao ver a classificação zero num item em que o critério fora criticado pelos correctores, fiquei triste, porque bastava terem atendido ao que os correctores consideravam para que a S. não se visse na pauta da sua turma com aquele marcante nível 1, ali único, isolado. Certo que não teria nível positivo, mas face aos resultados gerais nacionais, não era isso que faria que voltasse a sentir-se inferiorizada. Mas hoje, ao completar a análise, apeteceu-me ir ver na escola se ainda lá existiria o contacto dela (não o farei, é um assunto complicado). Porque o corrector da sua prova cometeu um erro, desrespeitando claramente os critérios do respectivo item, a que atribuiu zero em vez do sete devido, o que tiraria sobejamente aquele 1 à menina.
(Que esta história não sirva para acusar correctores, um erro acontece e alguns critérios requeriam muita atenção. No meu blog também entram sentimentos e afectos que desabafo, histórias pessoais ou humanas que têm significado para mim (neste caso para uma menina também), mas não têm significado no tema "resultados dos exames, critérios e causas")

2ª história
A C. era uma aluna dotada mas com uma enorme preguiça. Só por esta preguiça é que chegou a oscilar comigo entre o 3 e o 4, mas depois de mais do que uma vez termos conversado, lá se empenhou e fixou-se no 4 (com uns cincos nalgumas disciplinas). Não apareceu nas aulas que mantivemos na escola após o fim oficial do ano lectivo para o 9º ano. Depois do exame, percebi logo que não lhe tinha ligado nadinha. Agora, ao ver a prova dela, verifico que foi um exemplo exagerado relativamente ao menor esforço que muitos alunos fizeram por o resultado "não contar". A C. só teve nível positivo na prova porque respondeu correctamente aos items que apenas requeriam raciocínio, mas não se deu ao trabalho de responder a nenhum dos que requeriam cálculos escritos. Até a inequação deixou em branco (o que suponho que mais nenhum aluno meu fez, e vi provas de alguns que eram alunos daquele 3 não médio e seguro). Em suma, esta história só para imaginar que a mãe e encarregada de educação lhe aplicaria um valente sermão educativo se a soubesse. (Mas não deixo de me lembrar de alunos até bastante necessitados das aulas suplementares que demos, cujos pais não os obrigaram sequer a aproveitá-las - a C. até nem precisava nada dessas aulas). (E não se interprete que acredito que esta atitude tão excessiva da C. tenha sido frequente)

Uff!!

Afinal... já tenho dois dos meus três testes elaborados, as próximas aulas preparadas e o montinho das 10 provas de exame analisado! E, afinal também, nenhum grande drama nestas, que os putos já costumam ser uns distraídos, no exame ainda mais que não valia a pena concentrarem-se muito pois o nível final estava garantido (testemunhos deles). Embora eu até não pense que, mesmo que o próximo exame se mantenha com o peso dos 25%, essa atitude se repita, pois (como um deles mesmo me disse quando o encontrei por acaso), face ao desastre nacional que levou a que também eles fossem comentados, não deixaram de se sentir envergonhados e decerto os próximos vão querer ser mais briosos.
Erro aqui porque não lêem bem qual é a pergunta, penalização forte ali porque até sabem resolver uma inequação e aplicar os princípios de equivalência, mas lá vem o esquecimento de um sinal ou um erro de cálculo com números relativos depois de outros cálculos sem erro, e o resultado fica estragado, conclusão errada e lá se vão os 7 pontos quase todos, mais o zero em vez de 8 na demonstração já por todos reconhecida como excedendo as exigências do programa, mais os pontitos descontados porque não atenderam a recomendações sobre a forma de apresentar a resposta, etc. Descontos justos, que sem dúvida têm que ser educados no alerta para que um dia, na profissão, uma falta de atenção pode ser grave, mas erros não graves, que eles ainda são muito putos.
Atenção: claro que não há só isto. Há outro facto que estamos fartos de constatar, esse sim bem relevante e preocupante, mas cuja causa é complexa. Com excepção dos alunos do nível 5 ou do 4 estável, é geral a dificuldade em interpretar problemas que requerem a mobilização de conhecimentos e a evocação que leve a identificar com qual ou quais se relaciona o problema. É o caso do item da proporcionalidade, em que, com alguma frequência (não me estou a reportar só a estas 10 provas, mas a uma amostra maior, de 3 escolas diferentes, que tive como correctora) aquela palavrinha "proporcionalidade" tão deles conhecida e tão trabalhada não lhes ocorreu. É o caso também do problema que resolveriam facilmente por um sistema de equações se fosse proposto no contexto em que estão a aprender a resolver sistemas e os aplicam em problemas, ou até numa prova global em que a matriz previamente distribuída lhes lembra quais os conteúdos que serão incluídos, mas que é bem difícil de entender porque não se lembraram que equações e sistemas de equações permitem resolver facilmente problemas daqueles (em todas as provas que corrigi, só me lembro de terem usado um sistema de equações as duas alunas que tiveram resultado de nível 5; quatro ou cinco outros seguiram uma estratégia por tentativa e erro e os restantes... item em branco!!!
Mas esta questão é mais séria, fica para depois do relatório em que vamos falar de causas (não vou ficar por só as enumerar, ainda que o mais certo seja que os relatórios não passem das reuniões onde os vamos levar). E quanto às estratégias para as ultrapassar (que desde Setembro reforçámos e redigimos para uso interno), também alguma coisa comentarei sobre o assunto.
__________________________________

A.L., amiga e colega de tantos anos, aqui te deixo o desejo de que esta análise de provas das nossas turmas do 9º que ambas fizemos agora não te tenha reavivado mais ainda a tua memória recente. Sou mãe, é impossível duvidar que não possa haver drama maior que ele estar ali contigo ainda na véspera e deixar de estar de repente... e tão difícil compreender porquê! E àquelas duas turmas de 9º que recebeste sem as conhecer, uma a chegar-te tão perdida em Matemática, estoicamente não as deixaste, deste-lhes aulas suplementares a compensar aquelas a que seria humanamente impossível não teres faltado. Eu sei que adoras estar com os alunos, que eles ainda estão a ser neste momento o teu refúgio, não podia deixar de colocar aqui - mesmo que não dês por isso - a minha homenagem à tua força.
E como, sendo já tão absurda a conclusão que alguns mentecaptos apregoaram publicamente (e continuam a apregoar, só que menos publicamente), por causa de um exame, da incompetência geral dos professores de Matemática, fica isso mais absurdo ainda, não é?

sexta-feira, outubro 28, 2005

Interrupção por uns dias

Carlos Botelho (1935), Lisboa e o Tejo, Domingo

Até costumo ser organizada, mas esta semana não me tem apetecido pegar nas provas de exame, e não me servia de nada aproveitar a dispensa que podemos ter da componente não lectiva na escola, que levar para lá as provas para lhes pegar 45 minutos agora, mais logo outros tantos não me dá jeito, certas tarefas prefiro fazê-las numa ou duas assentadas e no sossego de casa. Mas, às provas (e ao relatório) juntam-se testes para elaborar, conselhos de turma, mais as tarefas habituais, profissionais e não profissionais, incluindo "a" de dormir diariamente.
Por isso, aqui o meu cantinho vai ficar abandonado nos próximos dias. Mas deixo acima uma confissão - o que gostava de ter em frente da janela da minha salinha de trabalho.

quarta-feira, outubro 26, 2005

contrastes...

Calm Sea

Hebry Moret (1896), Calm Sea at L’lle de Groux

Angry Sea

Thomas Moran (1911), The Angry Sea

Infiltrados??

Estava dialogando com um colega, noutro blog, sobre um assunto muito específico de um seu post decorrente da tarefa que ambos temos em mãos, como todos os professores que leccionam Matemática do 3º Ciclo - assunto relativo a critérios de classificação de respostas a alguns dos items da prova do 9º ano, critérios que na altura não só foram criticados pelos correctores, como também mereceram reparos da prestigiada APM. Espero poder continuar o diálogo (interrompido por intruso que não deve ter aprendido em pequenino o significado da palavra respeito) quando, após a análise que estamos a fazer de provas de alunos das nossas próprias escolas, aqui colocar um post relativo a algumas conclusões sobre pelo menos algumas das várias causas que considero concorrentes para certos resultados.
Acentuo aqui para dizer que, não me passando pela cabeça apagar alguma vez qualquer comentário que exprima opiniões opostas às minhas, passar-me-à sim de imediato não só pela cabeça como também pela mão enviar para a lixeira insultos - os quais, como é de esperar, só surgem sob a capa de anonymous. Anónimos que invadem um espaço alheio para comentários em que insistem repetidamente (alardeando até a qualidade de anónimo!), com afirmações injuriosas e gratuitas sobre quem não conhecem e que (no caso), dizendo-se professor, extravasam uma estranha raiva que legitima perguntar se será contra os colegas ou contra si próprio, pois, de facto, não devia ter o nome de professor/educador quem de educação dá o exemplo contrário.

Ganhei o dia

Não quero fazer campanhas neste blog (política... só política educativa - aqui, claro), por isso não ponho o link. Mas acabei de ir parar por acaso a um blog onde li um texto - "Que fizeram dos nossos sonhos, Manuel?" - que contém (também) um momento pouco conhecido da nossa História, década de 60. Emocionou-me... ganhei o dia.

domingo, outubro 23, 2005

domingo com jogos

Até foi uma tarde divertida. Eles brincaram sem pedir para irem para "aquelas" máquinas, também participei pois houve partida de bowling, e na hora do "tenho fome", "eu também", nem insistiram em ir ao McDonald's. Assim, foi só um nadinha pelos jogos e muito mais pelo post aqui, de Suzana Toscano, no blog Quarta República , que me lembrei de um texto que recebi há uns meses no mail (desses que correm de mail em mail, autoria perdida). Transcrevo-o, não tanto pela descrição - impossível de ser hoje real e impossível de não ser hoje insensatamente perigosa -, mas pela sua frase final.

"Será que nasceste nos anos 60 ou 70 ?
Como conseguiste sobreviver?
Os carros não tinham cinto de segurança, nem apoio de cabeça nem seguramente airbags.
No banco de trás era a festa, era divertido e não era perigoso.
As barras das camas e os brinquedos eram multicolores ou pelo menos envernizadas e com tintas contendo chumbo ou outros produtos tóxicos.
Não havia protecção infantil nas tomadas eléctricas, portas das viaturas, medicamentos e outros produtos químicos de limpeza.
Podia-se andar de bicicleta sem capacete.
Bebia-se água da mangueira de rega, num chafariz ou não importa qualquer outro sítio, sem que fosse água mineral saída de uma garrafa estéril.
Fazíamos carros com caixas de sabão e aqueles que tinham a sorte de ter uma rua asfaltada inclinada junto de casa podiam tentar bater records de velocidade e aperceberem-se, tarde demais, que os travões tinham sido esquecidos... Após alguns acidentes, o problema era normalmente resolvido!
Tínhamos o direito a brincar na rua com uma única condição: estar de volta antes de anoitecer. E não havia telemóvel e ninguém sabia onde estávamos nem o que fazíamos... Incrível!
A escola fechava ao meio-dia para almoço, podíamos ir comer a casa.
Arranjávamos feridas, fracturas e às vezes até partíamos os dentes, mas ninguém era levado a tribunal por isso. Mesmo quando havia grande bagunça, ninguém era culpado excepto nós mesmos.
Podíamos engolir toneladas de doces, torradas com toneladas de manteiga e beber bebidas com Açúcar de verdade, mas ninguém tinha excesso de peso, porque nos fartávamos de correr na rua.
Podíamos partilhar uma limonada com a mesma garrafa sem receio de contágio.
Não tínhamos Playstation, Nintendo 64, X-Box, jogos vídeo, 99 programas de TV por cabo ou satélite , nem vídeo, nem Dolby surround , nem GSM , nem computador , nem chat na internet , mas nós tínhamos.... amigos !
Podíamos sair, a pé ou de bicicleta para ir a casa de um colega, mesmo se ele morasse a alguns km , bater à porta ou simplesmente entrar em casa dele e sair para brincarmos juntos. Na rua, sim na rua no mundo cruel! Sem vigilância! Como é que isso era possível?

Jogávamos futebol só com uma baliza e se um de nós não era seleccionado uma vez, não havia traumas psicológicos, nem era o fim do mundo!
Por vezes um aluno talvez um pouco menos bom que os outros tinha que repetir. Ninguém era enviado ao psicólogo ou ao pedopsiquiatra. Ninguém era disléxico, hiperactivo nem tinha " problemas de concentração". O ano era repetido e pronto, cada um tinha as mesmas oportunidades que os outros.

Nós tínhamos liberdades, erros, sucessos, deveres e tarefas ... e aprendíamos a viver e a conviver com tudo isso.
A pergunta é então: mas como conseguimos sobreviver ? Como pudemos desenvolver a nossa personalidade ?
Será que tu também és desta geração?

Se sim, envia esta descrição aos teus contemporâneos, mas também aos teus filhos sobrinhos e sobrinhas, etc. para que eles vejam como era, naquele tempo!

Eles vão achar que a nossa época era aborrecida .... ah, mas como éramos felizes !"


sexta-feira, outubro 21, 2005

"End of the day"

D. W. Tryon (1883), End of the day

Mais um escape

Fim de dia, fim de semana. Não me vai apetecer escrever. Já li a entrevista da Srª Ministra, já vi o último candidato à presidência da República, estou a entrar em fim de semana... não me apetece escrever, nem trabalhar, nem ter na cabeça governos, sistemas educativos, coisas dessas.
Já folheei as provas de exames de alguns dos meus alunos do ano passado e, a seguir, meti provas, grelhas e outra papelada num envelope e guardei-o fora da minha sala de trabalho, para não ter tentações, pois quero fim de semana!!

Para domingo, já o neto me propôs programa, a pretexto de que haverá novidades naquela coisa pouco a meu gosto e da minha bolsa, ali ---->


Mas haverá compensação, que terminamos numa partidinha aqui -->
Há 3 meses que não jogamos, vamos ver se ele já fez progressos e desta vez me ganha ;)