quarta-feira, outubro 19, 2005
Afinal...
terça-feira, outubro 18, 2005
Preparando-me para novidades em Matemática
Estão a decorrer reuniões parcelares, cobrindo os professores de Matemática que leccionam 3º Ciclo. Porque ainda não tenho uma informação completa e precisa, esta fica para amanhã, mas a que me chegou leva-me a preparar-me/prevenir-me para a eventualidade de mais uma medida que forneça o referido estudo de forma cómoda e gratuita para o GAVE (Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação).
segunda-feira, outubro 17, 2005
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No escuro da noite o sol aguarda a sua vez. Mésseder | ![]() William Glen Crooks, As the Sun Rises |
ADENDA
Não imaginava que isto de ter um blog viesse a ser benéfico ao meu estado de espírito. Pensamentos e reacções que saiem de momento vão não só encadeando-se, vão também repensando-se, num pensar escrevinhando. E a verdade é que poetas de poemas que não saberia escrever ou pensar, e mestres da pintura que não saberia pintar, me vão permitindo também uma espécie de fala metafórica apenas de mim para mim, libertadora de estados de espírito menos positivos que inevitavelmente me causam as situações dentro das quais vivo constantemente como profissional, e também como cidadã num país e num mundo. Cada um só tem um momento de vida para viver, por isso é natural que se viva muitas vezes o presente como se fosse tudo - passado, futuro, até História -, e que o que nos afecta tenda a tornar-se o centro, reduzindo-nos a capacidade de reparar nas flores, no olhar das crianças, nas coisas bonitas que serenam, bem como nos processos dialécticos por que passa o evoluir, enfim, nesta coisa toda que é a vida, cada geração com muita gente a ter sonhos mesmo que sejam só para que o mundo pule e avance para os netos e bisnetos.
domingo, outubro 16, 2005
Preparar só para a sociedade/mundo vigente?
(Alguém - já não consigo precisar quem - contava que, pensando em debates com alunos sobre valores, uma aluna dissera que pertencia a uma juventude sem valores. Eu vivi acompanhada por uma geração - ou várias seguidas - norteada por valores; hoje, entre muitos jovens que ainda vemos/ouvimos defendendo valores de sempre, já me aconteceu ouvir directamente a um ou outro (crescido, estudos já cumpridos) respostas que se podem resumir assim: Quais valores? Com os vossos (vossos, leia-se os dos velhotes) não me safo; mas isto tudo já aconteceu numa só vida em que ainda posso esperar ter tempo para observar uma terceira, nova fase).
Era o ano lectivo de 72/73 - o meu 3º ano de ensino no então chamado Ciclo Preparatório - numa escola de Lisboa (Leccionara antes um ano, mas no ensino nocturno, a adultos, numa escola do Barreiro). "Novas correntes pedagógicas" chegavam do exterior - a censura não via motivos para se preocupar com assuntos de mera pedagogia. Eu ainda não tinha ligações políticas, funcionava "inocentemente" de forma natural e intuitiva, apenas, na escola, tinha afinidades "profissionais" com duas colegas que, embora suspeitasse, só de facto soube no 25 de Abril que tinham contactos clandestinos.
Suponho que bastantes professores, com suporte nas (ou a pretexto das) novas correntes pedagógicas, proporcionaram aos seus alunos vivências democráticas na sala de aula, à revelia de uma sociedade interna não democrática. Eu, embora considerando já a metodologia do trabalho em grupo especialmente adequada à aprendizagem da Matemática, também não me limitava ao objectivo dessa aprendizagem. As alunas participavam na análise do funcionamento das aulas, havia assembleias de aula (não me lembro se já lhes chamava assim), e também assembleias de turma no âmbito da direcção de turma. Mas os temas não excediam as questões escolares (só de vez em quando elas abordavam o autoritarismo do ensino noutras aulas), pelo que não chegava a ser uma professora suspeita - soube no 25 de Abril que a directora tinha o cuidado de se certificar disso indo de vez em quando escutar à porta da minha sala de aula, situada no fundo de um corredor.
No entanto, um dia, depois de eu ter promovido, a pedido das alunas da minha direcção de turma, uma reunião com todas as professoras da turma (reunião que estas não tiveram argumentos para recusar mas prepararam de modo a inibir as alunas de colocarem as questões que queriam), a directora quis falar comigo, e a pergunta que me ficou na memória foi: Não acha que não está a preparar as suas alunas para a sociedade em que vivem? Respondi apenas que não, que não achava, e a conversa ficou por aí.
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Nada É Impossível De Mudar
Desconfiai do mais trivial , na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.
Bertold Brecht
sexta-feira, outubro 14, 2005
Aulas
Uma das minhas duas turmas de 9º não tinha sequer que a percorrer - tenho-a desde o 7º, eles estão há que tempos integrados no método de funcionamento da aula. Alguns "trabalhos" que me dão decorrem de que são adolescentes - mas há melhor do que isso, a não ser ser-se criança?
Quanto à minha outra turma de 9º, é aquela que já designei aqui por "a minha turma difícil", dizendo então: "Uma das turmas de 9º que vou ter, e que já tive no 8º, já me anda na cabeça antes de começarmos. A pergunta "como vou fazer?" segue-se à pergunta que me fazia no 3º Período do ano anterior, "posso fazer alguma coisa?". No ano passado, até não chegava a ter 20 alunos, e agora lá teve que recomeçar a etapa devido a um número considerável de novos alunos - etapa de eliminação de hábitos estranhos de comportamento em certas aulas (estranhos dado que já as frequentaram durante vários anos, mas o conceito de permissividade anda muito variado), etapa de "contratos" de não desestabilização, etapa de passagem de um alheamento inicial (de que a Matemática é alvo privilegiado nos alunos repetentes) para uma integração facilitada pela dinâmica de grupo e pelos reajustamentos na composição dos grupos que a turma foi encarregada de propor (ao que os alunos mostram sempre corresponder com sabedoria). Além disto, tenho este ano a "minha turma difícil" também em Estudo Acompanhado, o que me proporciona uma relação professor - alunos mais abrangente e uma acção mais cativante para eles. (Ao menos, que valha para alguma coisa passar a dar esta aula para completar o meu horário lectivo devido à retirada do direito a redução por cargo pedagógico). E, a verdade (que prova que o pessimismo é sempre um erro) é que até vou começar a próxima aula com a afixação no quadro de um A4 com letras gordas intitulado Avaliação, para dizer uma coisa que a turma em geral está a merecer: que está a revelar progressos em relação ao desgraçado ano anterior (sem o "desgraçado", claro).
Finalmente, a minha nova turma, um 8º ano, igualmente com um número considerável de alunos repetentes pouco fáceis, também está com a etapa percorrida no essencial - com essa só hoje consegui que começassem a funcionar em termos propriamente de trabalho em Matemática, por isso é que foi hoje que me saiu o uff!! do início deste post (e o próprio post).
Claro, continuo (e é previsível que continuarei todo o ano) a ter alguns alunos (o alguns "arredondado" por defeito) a que tenho que estar sempre tão atenta como à minha neta quando se aproxima o atravessar de uma rua, senão seria mais que certo que atravessariam aulas em completa distracção, mas isso já faz parte do cuidar de rotina, que sem cuidar destes e daqueles a profissão ficava assim como aquela pessoa que eu seria se não agarrase a mão da minha neta antes de chegarmos à berma do passeio.
Para além (ou aquém) de ideologias
Pior que ideários em que valores de justiça e equidade social não são os mais prioritários, e que finalidades distorcidas, ou objectivos hipócritas, ou estratégias erradas/ineficazes, pior que isso ainda é, para mim, a incompetência técnica, a ignorância e a proa desta - a arbitrariedade -, isto a qualquer nível de governação: do país, de um sector, de uma autarquia, de uma empresa, de uma escola, ou até de um chefe de família. E, quaisquer medidas globais podem ser controversas, mas pior que tudo é se incluem medidas específicas avulsas, completamente desnecessárias no âmbito dos objectivos das medidas globais, inúteis e até prejudiciais, e bloqueadoras de outras possíveis de serem válidas, mesmo que no quadro discutível de uma prioridade economicista.
Acrescento, a propósito, os seguintes extractos:
quarta-feira, outubro 12, 2005
E agora...
Foi há muitos anos, ainda pela década de 70, mas a frase ficou-me gravada na memória.
A História anda a passo de caracol...
(No meu mail tive hoje a informação detalhada de mais uma escandalosa-choruda reforma aos 50 anos, razão porque vim ao meu blog com mais uma irritaçãozinha)
sexta-feira, outubro 07, 2005
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tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade
Reflexos da passagem de uma ministra pelo ME
São estes os receios que deixei dito ao Miguel que expressaria.
Philippe Perrenoud (2002). Aprender a negociar a mudança em educação.
E transcrevo também este extracto do comentário que aqui deixou:
"Na contracapa diz o seguinte: […] uma reforma conduzida sem ou contra os actores não só falha como deixa feridas e contribui para o desenvolver de mecanismos de defesa contra toda a inovação. […]
quinta-feira, outubro 06, 2005
Maquilhagem ou bravata?
E como se vai poder saber (?) se, enquanto o consciente de Sócrates falava, via jornalistas, aos cidadãos eleitores, o seu subsconciente não murmuraria: - Até podia haver mais guerra, para eu mostrar como os abateria a todos com a minha prepot..., perdão, com a minha maioria absoluta! (Intervenção atempada do inconsciente a fazer certa palavra soar como nada democrática).
quarta-feira, outubro 05, 2005
Dia Mundial do Professor
"World Teachers' Day was launched by the Director-General of UNESCO, Federico Mayor, at the International Conference on Education in Geneva in 1993. The date 5 October was chosen because it was that date in 1966 that a special inter-governmental conference, organized jointly by UNESCO and the International Labour Organisation (ILO), adopted the Recommmendation concerning the Status of Teachers,which remains valid today.World Teachers' Day was proclaimed to keep alive the recognition of the contribution of teachers to society. When drawing up their policies, governments all too often neglect teachers. Yet, without their full co-operation, there can be no sustained development, social cohesion or peace."
terça-feira, outubro 04, 2005
A que (des)propósito terei sorrido?
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A Convenção assenta em quatro pilares fundamentais ...
Artigo 1
Nos termos da presente Convenção, criança é todo o ser humano menor de 18 anos, salvo se, nos termos da lei que lhe for aplicável, atingir a maioridade mais cedo.
Artigo 18
1. Os Estados Partes diligenciam de forma a assegurar o reconhecimento do princípio segundo o qual ambos os pais têm uma responsabilidade comum na educação e no desenvolvimento da criança. A responsabilidade de educar a criança e de assegurar o seu desenvolvimento cabe primacialmente aos pais e, sendo caso disso, aos representantes legais. O interesse superior da criança deve constituir a sua preocupação fundamental.
2. Para garantir e promover os direitos enunciados na presente Convenção, os Estados Partes asseguram uma assistência adequada aos pais (...)
Artigo 31
1. Os Estados Partes reconhecem à criança o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e actividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística.
segunda-feira, outubro 03, 2005
O dia de escape
domingo, outubro 02, 2005
Adenda: Mas foi só uma vez
Até porque, além de o assunto andar pouco sintonizado, o exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra (dizia William James).
sábado, outubro 01, 2005
Chegou a minha vez
Chegou a minha vez do "grito", só que não foi esse. Direi qual foi depois de descrever a gota de água que me encheu, e que é o facto de (além das 10 horas marcadas no meu horário como componente não lectiva) estar com um trabalho esgotante, nas aulas de duas das minhas turmas e em casa por causa delas (um 8º novo e um 9º que já fora a minha "dor de cabeça" no ano passado, descrita AQUI), trabalho que poderia ficar atenuado e com maior probabilidade de ter algum sucesso se não estivesse a minha escola subjugada às prioridades da Srª Ministra da Educação.
Mas... fica-se passivo???!!!"
E o meu grito foi o final de um documento que redigi ontem, dirigido ao CP da minha escola, em que descrevo a razão de ficarem inviabilizados dois projectos que tinha sugerido (duas ideias muito bem recebidas pelo CP, para a escola preparar actividades efectivamente de reforço educativo, a que qualquer professor substituto poderia conduzir as turmas). E ficaram inviabilizados devido a que necessitavam de tempo para que equipas de professores interessados (e havia) trabalhassem neles em termos de lhes dar conteúdo, planificar, e definir os materiais a executar - e esse tempo não há. Não há por razão óbvia: com 24 horas já preenchidas nos horários (fora as das reuniões) (a maior parte, da componente não lectiva, nas tais substituições para actividades avulsas com alunos), com as 35 horas ultrapassadas por aqueles que já as totalizavam ou excediam e que são aqueles (bastantes) que costumam mostrar-se mais disponíveis e entusiastas para estas "coisas", não sobra tempo (para montar tais projectos não basta meia dúzia de horas, pois tratava-se de recursos a criarmos na escola para toda a escola), nem alento (nem horas comuns necessárias).
E o tal final do documento (a que acima chamei o meu grito, caso - pouco provável - em que não venha a ser o grito da minha escola) é assim:
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Adenda







