Em Julho, os professores deste país, mas particularmente os de Matemática (pelo menos os do ensino básico, e especialmente - mas não só - os do 3º Ciclo) foram, explícita ou implicitamente, chamados de incompetentes. Depois, a Srª Ministra da Educação veio publicamente atenuar a vaga que percorreu a opinião pública, mas a ideia já estava instalada em boa parte desta. sábado, setembro 24, 2005
Ainda a Matemática - Convite
Em Julho, os professores deste país, mas particularmente os de Matemática (pelo menos os do ensino básico, e especialmente - mas não só - os do 3º Ciclo) foram, explícita ou implicitamente, chamados de incompetentes. Depois, a Srª Ministra da Educação veio publicamente atenuar a vaga que percorreu a opinião pública, mas a ideia já estava instalada em boa parte desta. sexta-feira, setembro 23, 2005
Vestígios
Aonde irei neste sem-fim perdido,
Neste mar oco de certezas mortas? —
Fingidas, afinal, todas as portas
Que no dique julguei ter construído...
Mário de Sá-Carneiro, Ângulo (extracto)
Matemática e métodos de ensino - Adenda
Todos sabemos que um método de ensino não vale por si só, vale pelo que o professor fizer com ele. Não há padrões, muito menos um padrão único. O que me parece essencial é que o ensino-aprendizagem da Matemática, pelo menos para os mais novos, da escolaridade obrigatória, assente num método verdadeiramente activo, de modo a conduzi-los, sempre que possível, à (re)descoberta, e à construção da sua relação com a Matemática. E seria um erro, a meu ver, que o professor, ao interiorizar isto, se forçasse a modos de o pôr em prática mediante modelos que não sejam já significativos para ele. Das teorias e dos artigos fundamentados que não faltam sobre a educação matemática, o professor recolhe novas perpesctivas, e o que delas fica nele é o que pessoalmente (re)constrói no alargamento e aprofundamento da sua prática, não na demolição de tudo o que já construiu no seu modo de ensinar. Defendi a estrutura de aprendizagem cooperativa porque ela foi significativa para mim desde o meu início. Mas dela o professor pode bem retirar pistas para um método efectivamente activo sem se forçar a adoptá-la.
Até acho que nasci a gostar de Matemática, por isso, entre disciplinas a que não estava atenta por fastio ( e até ia chumbando numa no 7º ano por passar as aulas a jogar a batalha naval com a colega da frente), em Matemática estava de facto atenta. Também tive a sorte de qualquer das duas professoras que tive serem boas professoras em termos de exposição organizada e clara, e de não serem tão distantes dos alunos como o era a maioria. No entanto, tenho a certeza de que não teria tido o meu 20 no exame do 5º ano e o meu 19 no do 7º (desculpem a imodéstia, mas é precisa para chegar ao que quero dizer, e também tive notas bastante medianas em várias outras disciplinas), se não acontecesse o seguinte: Era em casa (nessa idade era estudante "aplicadinha" e briosa, mas na Matemática fazia-o por gosto) que, com os apontamentos e problemas resolvidos no caderno, com vários passos que até poderia tentar memorizar, mas que na aula ficaram obscuros dado que a tolerância à colocação de dúvidas era bastante limitada, era em casa, dizia, que eu, com o meu lápis no papel (ando sempre a repetir que a Matemática não entra pelos olhos e ouvidos) reconstruía, às vezes penosamente, o que ouvira e trazia no caderno. Era em casa, em suma, que eu descobria, que a aprendizagem se tornava o que se chama em psicologia uma aprendizagem significativa, que se estabelecia a minha relação com a Matemática. As professoras ensinavam bem, mas há aprendizagens que só acontecem pelo (re)descobrir.
Será que não seriam semelhantes os testemunhos de "bons" alunos em Matemática dessa época de ensino não só tradicional, mas em que o aluno era, em geral, ser totalmente passivo na sala de aula?
Com este simples testemunho, apenas quero dizer que a educação matemática tem que ser para todos (ou tantos quanto possível), pelo que têm que se questionar também os métodos, pois até são poucas as crianças que nascem com o "esquisito" gosto por essa disciplina, e depois, ainda por cima, ouvem falar dela desde pequenos como o papão da sua vida escolar.
terça-feira, setembro 20, 2005
Tempo para pausa
![]() | De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume... Matsuo Bashô |
domingo, setembro 18, 2005
Aparte sem comentários
sábado, setembro 17, 2005
Sugestões de leituras
Artigo de interesse do Inquietações Pedagógicas: Aqui.
II
| Há duas maneiras de governar: pela força ou pela farsa. Glauco Mattoso | Bem... o autor não diz Há só duas maneiras... Mesmo que o pense, eu acredito que haja outra, por isso achei oportuna a citação. |
sexta-feira, setembro 16, 2005
Assim não está a dar!
terça-feira, setembro 13, 2005
Aparte para um aplauso...
segunda-feira, setembro 12, 2005
A minha prioridade
Este post não é nenhum queixume pessoal. É, sim... uma queixa, muito mais em nome dos alunos do que no meu, a quem, das prioridades na educação, fez sempre discursos, e dos desinvestimentos e cortes, fez sempre várias práticas (também na formação de professores). Por falta de verbas, ou por prioridades no seu destino, de que vão vindo a público pequenas amostras (ou ínfimas...)?
Entretanto, aguardemos!
Virar de página...
going to school
No dia 1 iniciou-se o ano escolar. Preparou-se o ano LECTIVO - apesar de a Srª Ministra continuar ocupada a agredir os professores (a "ultima" foi a retirada do direito à assistência na doença a filhos com mais de 10 anos). Mas, a seu tempo serão colhidos os frutos sãos, e os podres cairão. Stop por agora no stress - os meus alunos estão a chegar, vou entrar em novo capítulo. Portanto, regressarão a este blog as memórias soltas de prof - memórias deles, onde a Srª Ministra não tem entrada.
sexta-feira, setembro 09, 2005
Pausa
E enquanto não me posso refugiar na sala de aula, só com os putos, é melhor não me esquecer de ir olhando as estrelas... |
Duas irritações num só dia?! E os motivos, por acaso, nem sequer me tocam: já sei que não me vão calhar substituições porque terei duas tarefas que até fazem muito sentido para mim, e quanto à medida arbitrária sobre as faltas, até é raro precisar de faltar. (Refiro-me aos dois posts anteriores).
O que está errado e injusto não deixará, a seu tempo, de ir para o lixo (a menos que as escolas virem para escolas do conformismo e os sindicatos não se recomponham da bordoada que têm apanhado em quase todo o sítio em que se escreve sobre educação - bordoada justa, meus amigos!).
quinta-feira, setembro 08, 2005
Atenção!
As aulas de substituição previstas no nº 2 do artº 5º do Despacho 17387/2005 de 12/08 são, de acordo com o ECD, trabalho extraordinário. Como tal, se o/a obrigarem a fazer “aulas de substituição” deverá exigir a sua remuneração. (link para o blog Profesores contratados e desempregados)
Do arbitrário ao caricato
Ainda recentemente, no 3º Período do anterior ano lectivo, tive uma impossibilidade de comparecer a horas à 1ª aula, o que, mais ainda do que em outras turmas, era bastante indesejável no caso - 9º ano. Procurei resolver o problema a tempo de ir dar o 2º tempo dos 90 minutos e até telefonei para a escola para que prevenissem os alunos. O telefonema nem era necessário, pois todos estavam informados sobre as regras dos dois tempos de cada bloco: Tal como os alunos (e para estes assim continuará a ser), os professores tinham um tempo de falta por cada um dos dois tempos do bloco de 90 minutos a que faltassem. Agora (arbitrariedede? despotismo? malvadez?) apanham logo com dois tempos de faltas mesmo que só faltem a um.
O caricato: Imagino a mesma situação neste ano. Tenho motivo imperioso a obrigar-me a faltar, mas conseguiria despachar-me a horas de comparecer no 2º tempo. Como já tenho falta ao bloco todo, vou dar uma volta a entreter-me até à aula seguinte e o professor substituto vai entreter os meus alunos mais um tempo além daquele a que precisava mesmo de faltar. Ou, mais caricato ainda, tenho um percalço no caminho que me atrasa, portanto chego à escola já com falta marcada e o professor substituto a entrar na minha aula, vou para a sala de professores aguardar a aula seguinte, e o professor substituto lá estará na minha aula também no 2º tempo do bloco a entreter os alunos, que até têm a sua professora na escola.
Atenção: Uma coisa é chegar atrasada, já ter a falta devida, os alunos por ali perto a perguntarem stora, não dá aula? e eu a dizer claro que dou, desculpem, atrasei-me, até já tenho falta, mas estou aqui. Outra coisa é sobrepor o direito dos alunos às aulas ao meu direito (e dever, no meu entender) a não me submeter, de cabeça rastejante, a penalizações sem critério (continua a estar escrito que "as faltas dadas a tempos registados no horário individual do docente são referenciadas a períodos de quarenta e cinco minutos" (ponto 6) - penalizações, ainda por cima, a quem se preocupava em dar ao menos um tempo na impossibilidade de dar os dois do bloco. Quando isto vem de quem, em primeiro lugar, deveria preocupar-se com os alunos no tempo em que anda a magicar como "carregar" nos professores, fico de facto muito indisposta a que me ponham em dilema.
Para já, deixo para os pais, tão apelativos, à Srª Ministra, por aulas de substituição, que apelem eles agora à mesma Srª Ministra que não exagere a maltratar os professores, não vão os malvados originar ainda mais aulas de substituição.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Incomodidade
O título deste post será percebido por quem tiver andado, nas últimas semanas, pelo Educare, por exemplo. Terá notado que, além de comentários justamente doridos, há outros em que se perde a cabeça em ataques interpessoais, e que, no caso último das colocações e da anunciada medida sobre os futuros concursos, se voltou a entrar num clima de professores contra professores, inclusive QZs contra QEs e viceversa - e professores contra professores é o que, a meu ver, menos precisamos agora, e só à Ministra da Educação será útil.
Referi o Educare porque é público e porque também lá vi (li) bastantes colegas, de cabeça mais esfriada, a chamarem a atenção para isso.
São compreensíveis nervosismos e até crispações, neste momento. A meu ver, há que aguardar mais uns dias para que se estabeleçam condições mínimas de serenidade. E, então, (re)comecemos a pensar a Educação.
A Flower for the Teacher
W. Homer, 1875
terça-feira, setembro 06, 2005
...
Passividade, NÃO!
P.S. O post seguinte explica este.
sábado, setembro 03, 2005
Entremeando
Entretanto, mais (más) notícias na Educação, outras fora dela, nacionais e internacionais, continuam a fazer-me teimar em entremear a visão da realidade do país (e do mundo) que temos com outras visões. Outras esperanças também.
Amanhã vou vencer a preguiça de sair da cidade e vou à praia ver o mar.
Adenda: Eu tenho a sorte (pelos muitos anos de serviço) de já não ser congelável (só quando o congelamento é de salários). Mas que raio de medida é mais esta agora de irem congelar por 3 ou 4 anos a esperança de quem ao menos esperança ia tendo de num próximo ano não ter que se despedir da família ou não fazer tantos quilómetros diários??!!!
Juntos, um homem e a brisa viram uma página Betty Drevniok | ![]() Claude Monet (1873), Sunrise |










