quinta-feira, setembro 08, 2005

Atenção!

Quase ninguém deu por isto, os conselhos executivos recebem ordens que são ilegais e os sindicatos não os apoiam ao menos com informação e com alerta e denúncia públicas... está tudo virado ou tudo pedrado????

As aulas de substituição previstas no nº 2 do artº 5º do Despacho 17387/2005 de 12/08 são, de acordo com o ECD, trabalho extraordinário. Como tal, se o/a obrigarem a fazer “aulas de substituição” deverá exigir a sua remuneração. (link para o blog Profesores contratados e desempregados)

P.S. Falei com um amigo, sindicalista do SPZS, que confirmou - mas também só alertaram agora as suas escolas.

Do arbitrário ao caricato

Só hoje me dei conta do ponto 7 do artigo 2º do Despacho n.º 17387/2005: "A ausência do docente à totalidade ou a parte do tempo útil de uma aula de noventa minutos de duração é, em qualquer dos casos, obrigatoriamente registada como falta a dois tempos lectivos."
Ainda recentemente, no 3º Período do anterior ano lectivo, tive uma impossibilidade de comparecer a horas à 1ª aula, o que, mais ainda do que em outras turmas, era bastante indesejável no caso - 9º ano. Procurei resolver o problema a tempo de ir dar o 2º tempo dos 90 minutos e até telefonei para a escola para que prevenissem os alunos. O telefonema nem era necessário, pois todos estavam informados sobre as regras dos dois tempos de cada bloco: Tal como os alunos (e para estes assim continuará a ser), os professores tinham um tempo de falta por cada um dos dois tempos do bloco de 90 minutos a que faltassem. Agora (arbitrariedede? despotismo? malvadez?) apanham logo com dois tempos de faltas mesmo que só faltem a um.

O caricato: Imagino a mesma situação neste ano. Tenho motivo imperioso a obrigar-me a faltar, mas conseguiria despachar-me a horas de comparecer no 2º tempo. Como já tenho falta ao bloco todo, vou dar uma volta a entreter-me até à aula seguinte e o professor substituto vai entreter os meus alunos mais um tempo além daquele a que precisava mesmo de faltar. Ou, mais caricato ainda, tenho um percalço no caminho que me atrasa, portanto chego à escola já com falta marcada e o professor substituto a entrar na minha aula, vou para a sala de professores aguardar a aula seguinte, e o professor substituto lá estará na minha aula também no 2º tempo do bloco a entreter os alunos, que até têm a sua professora na escola.

Atenção: Uma coisa é chegar atrasada, já ter a falta devida, os alunos por ali perto a perguntarem stora, não dá aula? e eu a dizer claro que dou, desculpem, atrasei-me, até já tenho falta, mas estou aqui. Outra coisa é sobrepor o direito dos alunos às aulas ao meu direito (e dever, no meu entender) a não me submeter, de cabeça rastejante, a penalizações sem critério (continua a estar escrito que "as faltas dadas a tempos registados no horário individual do docente são referenciadas a períodos de quarenta e cinco minutos" (ponto 6) - penalizações, ainda por cima, a quem se preocupava em dar ao menos um tempo na impossibilidade de dar os dois do bloco. Quando isto vem de quem, em primeiro lugar, deveria preocupar-se com os alunos no tempo em que anda a magicar como "carregar" nos professores, fico de facto muito indisposta a que me ponham em dilema.
Para já, deixo para os pais, tão apelativos, à Srª Ministra, por aulas de substituição, que apelem eles agora à mesma Srª Ministra que não exagere a maltratar os professores, não vão os malvados originar ainda mais aulas de substituição
.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Incomodidade

Sabemos todos que muita coisa anda mal, que muita coisa anda injusta. E não sabemos também, nesta era da globalização, que o nosso globo é uma teia de interesses e um escândalo de injustiças? Então, que neste meio minúsculo do nosso país e, particularmente, da nossa profissão, não percamos a cabeça (apesar dos motivos todos). Que abanemos os sindicatos para cumprirem pertinentemente o seu papel, que chamemos em voz bem alta a atenção para o que urge mudar, isso sim. Mas as pessoas, individualmente, são produtos das situações - mudem-se as situações erradas, que as pessoas erradas logo ficarão "acertadas".
O título deste post será percebido por quem tiver andado, nas últimas semanas, pelo Educare, por exemplo. Terá notado que, além de comentários justamente doridos, há outros em que se perde a cabeça em ataques interpessoais, e que, no caso último das colocações e da anunciada medida sobre os futuros concursos, se voltou a entrar num clima de professores contra professores, inclusive QZs contra QEs e viceversa - e professores contra professores é o que, a meu ver, menos precisamos agora, e só à Ministra da Educação será útil.
Referi o Educare porque é público e porque também lá vi (li) bastantes colegas, de cabeça mais esfriada, a chamarem a atenção para isso.
Também dentro das escolas haverá coisas injustas, coisas a mudar ou a eliminar. Mas também aí há que distinguir bem o trigo do joio, sob pena de ao vermos nitidamente algum joio, começarmos a ter tendência para o ampliar ou o vermos, indevidamente, multiplicado.

São compreensíveis nervosismos e até crispações, neste momento. A meu ver, há que aguardar mais uns dias para que se estabeleçam condições mínimas de serenidade. E, então, (re)comecemos a pensar a Educação.
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A Flower for the Teacher

W. Homer, 1875

terça-feira, setembro 06, 2005

...



Em seus caramujos,
os tristes sonham silêncios.
Que ausência os habita?

...

A vida bloqueada
instiga o teimoso viajante
a abrir nova estrada.

In: KOLODY, Helena.(Antologia, 1999)

Paul Cezanne (1902-06), Route tournante en sous-bois

Passividade, NÃO!

Peço desculpa, a quem eventualmente tenha lido o texto que aqui tinha escrito, por o ter substituído. Retirá-lo nada teve a ver com o texto, mas com a oportunidade dele num momento em que ainda não estão criadas as condições para pensar a escola. Estamos ainda em dias de preocupação com as nossas próprias condições de trabalho, nem sequer conhecendo os nossos novos e mais longos horários, e não sabendo se (ou como) vamos poder tornar pedagogicamente úteis aos alunos as novas tarefas, dando a volta às aberrantes preocupações prioritárias com que a Sra. Ministra as impôs precipitadamente: "para que nenhum aluno ande no recreio ou esteja desocupado" (como disse numa das reuniões com presidentes de conselhos executivos), esquecendo que a elevação da qualidade da educação e a dignidade profissional dos que pugnam por ela não admite arremedos de actividades para entreter meninos.
Por isso, por agora, mantenho apenas o título: Passividade, NÃO!

P.S. O post seguinte explica este.

sábado, setembro 03, 2005

Entremeando

Afinal, apresentei-me 5ª feira, mas fiquei com um fim de semana prolongado. Na minha escola as actividades (reuniões) só começam na 3ª porque ainda se está em final de obras. Não que tenha havido alguma verba adicional, claro, mas o nosso Sr. Fernando lá vai atenuando o aspecto dos pavilhões que, desde há uns 20 anos, são provisórios, com alguma pintura aqui, alguns remendos ali, e arranjando mais um espacinho acolá com um tabique a criar dois espaços num que já era reduzido.

Entretanto, mais (más) notícias na Educação, outras fora dela, nacionais e internacionais, continuam a fazer-me teimar em entremear a visão da realidade do país (e do mundo) que temos com outras visões. Outras esperanças também.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.
(Augusto dos Anjos)

Amanhã vou vencer a preguiça de sair da cidade e vou à praia ver o mar.

Henri Moret (1905), Calm Day

Adenda
: Eu tenho a sorte (pelos muitos anos de serviço) de já não ser congelável (só quando o congelamento é de salários). Mas que raio de medida é mais esta agora de irem congelar por 3 ou 4 anos a esperança de quem ao menos esperança ia tendo de num próximo ano não ter que se despedir da família ou não fazer tantos quilómetros diários??!!!
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Juntos,

um homem e a brisa

viram uma página


Betty Drevniok


Claude Monet (1873), Sunrise

quarta-feira, agosto 31, 2005

Fim das férias!

Que ideia essa de pintarem o fim de férias a cor de rosa!!! Ainda mudei para tons de cinza, mas depois lembrei-me das filosofias do pensamento positivo, do não contrariar os sinais que a vida nos dá, etc.... Bem, não foi a vida, foi só o Google que me acenou com o cor de rosa, mas, pelo sim, pelo não, decidi não contrariar...
Pode ser que o J.M. (o meu presidente) amanhã tenha alguma notícia cor de rosa. Além de que... que cor iria eu dar às férias do C.C. e da M.M. (equipa de horários), que se dispuseram a ter férias na 2ª quinzena de Julho para começarem a trabalhar a 1 de Agosto? (A puxarem pelos neurónios para não haver horários zero e para não porem tarefas absurdas nas tais horas...) (Ainda negam que os professores é que vão impedindo que as escolas vão ao fundo?)


Adenda (1 de Setembro) - Bom ano lectivo para todos!_____________________________________________________


Ya se ha abierto
la flor de la aurora.

(¿Recuerdas
el fondo de la tarde?)

El nardo de la luna
derrama su olor frío.

(¿Recuerdas
la mirada de agosto?)

Federico García Lorca

terça-feira, agosto 30, 2005

Hora de intervalo

Tú querías que yo te dijera
el secreto de la primavera.

Y yo soy para el secreto
lo mismo que es el abeto.

Árbol cuyos mil deditos
señalan mil caminitos.

¡Ay! No puedo decirte, aunque quisiera,
el secreto de la primavera.

Federico García Lorca

Afinal, a quem cabe endireitá-la?

Ora respondam, por favor!
Nem que seja para animação...

Deixo hipóteses de respostas
e pontinhos em aberto.
(Preferia que preenchessem
os pontinhos...)

- Ao governo?
- Aos professores?
- Às ciências da educação?
- À sociedade?
- A mim (genérico)?
- A empresários? (credo...)
- Aos alunos? (E se os puséssemos 1 semana a governar a escola?... Quem sabe se não dariam umas ideias...)
- ........................................

segunda-feira, agosto 29, 2005

Recomeçando a reflectir no "déficit" em Matemática

O Miguel Sousa chamou a atenção para um post sobre o pensamento crítico, num blog a seguir referenciado por link. Dele transcrevo o seguinte:
É mesmo: não conhecemos a dimensão do problema nem a sua origem.
Deixo duas breves achegas (mais como interrogações), guardando, para quando conseguir rebuscar, em artigos acumulados aqui por cantos da casa, referências a investigação que as fundamentem (investigação que confesso não saber se também tem sido feita em Portugal).

Primeira: A incapacidade (prefiro dizer dificuldade) referida é conhecida pelos professores de Matemática logo nos 2º e 3º Ciclos desde há tanto tempo quanto me lembro de ensinar. Embora não deixando de me interrogar sobre se, face ao tempo requerido pelos programas para ensinar "a matéria", não teremos nós professores deixado insuficiente espaço para trabalhar mais nessa dificuldade geral dos alunos (geral, com excepções que são as daqueles alunos de nível excelente), não tenho deixado também de me interrogar sobre se essas dificuldades não terâo algo a ver com um estádio de desenvolvimento em que, por exemplo, capacidade de formulação de hipóteses, de relacionação e de raciocínio dedutivo estão ainda incipientes. Até me interroguei, na altura, sobre a adequação, no nosso país, à mudança da idade de ingresso no 1º Ciclo aos 6 anos completados para o ingresso ainda com 5 anos. Tem sido frequente deparar-me com bons alunos, com evidentes boas capacidades, a necessitarem de maior esforço do que outros colegas e a terem dificuldades na resolução de problemas, a quem pergunto, entraste para o 1º Ciclo ainda com 5, ou já com os 6 anos, sendo sempre a resposta a que espero: 5 anos.

Segunda: É largamente conhecido o chamado "problema da transferência" (e foi identificado e estudado há bastante tempo) - os alunos não transferem aprendizagens feitas num contexto, para outro contexto.
Um simples exemplo disso é bem conhecido de professores de Matemática e de Física logo no 8º ano, quando o professor de Matemática tem o cuidado de iniciar e trabalhar equações literais quando vão ser necessárias em Física, incluindo as fórmulas do programa de Física, e o professor desta disciplina tem que, a seguir, repetir o trabalho, com, por um lado, perplexidade de ambos, por outro, já familiaridade com o caso. Quantas vezes tenho perguntado a turmas: Como é que a vossa professora de Física diz que não sabem resolver, não é o mesmo que aprenderam, e sabem fazer, aqui?
Pergunto-me? Isto tem a ver com o tal problema da transferência? Porquê? Tem a ver, nesta idade, com o binómio conhecimento conceptual - conhecimento procedimental, ou com o binómio conhecimento declarativo memorizado, mas não apreendido - conhecimento procedimental?
(Não nego que alguns professores "pequem" por quase reduzirem o ensino da Matemática ao ensino e treino de procedimentos exigidos pelo programa de modo a que os alunos os mecanizem, mas isso não é para aqui chamado pois é uma completa inverdade que tal corresponda ao geral)

P.S. Assumo que escrevo este post sobre o joelho, motivado de imediato pela leitura do texto acima transcrito. Não pretendo reduzir, nem o problema, nem a necessidade urgente de estudo sobre as suas causas latas.

sábado, agosto 27, 2005

Calma

Domingo
Andava também a esquecer que, mesmo quando parece parado, o mundo pula e avança (até porque não se extinguem os homens que sonham) ;)



Imóvel,
o barco.
No entanto, viaja.
Yeda Prates Bernis


Claude Monet (1887), La Barque

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Sábado
Ando a esquecer que "a História nunca parece História quando a estamos a viver".
Vou aproveitar o último fim de semana das férias...

Calm

(Foto de Marc Appezzato)

sexta-feira, agosto 26, 2005

Porquê?

Porque temos sempre a esperança com cerca??
Porquê também a mediocridade consegue ser ditadura?



...Neste país do pouco. Neste país do pouco.
(Manuel Alegre, 1981)

Preparando-me...

Com o regresso à escola a aproximar-se, já recortei dos catálogos de livros as compras mais urgentes.

Este último
(O Feiticeiro de OZ)
não é para mim, é para ofercer à Milu R.

Ah! E também não me posso esquecer de comprar esse recipiente que falta na sala de professsores, que o presidente do C.E. não consegue pensar em tudo, apesar de se desvelar na protecção do ambiente.


P.S. Tudo compras para consumir na primeira quinzena de Setembro, claro. Depois, tenho os alunos, portanto, depois, não me chateie, Senhora Ministra, que só repararei em si se acaso fizer alguma coisa por eles.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Aos que aguardam colocação

Opening to Tomorrow


Karen Vernon

Eu sei que não sabem ainda para onde irão com a casa (leia-se vida) às costas... que nem sabem ainda quando vão saber. E solidariedade é uma palavra inútil perante a indiferença dos que comandam (sem pressa, que a vida dos professores não faz parte das prioridades) estavelmente sentados, e ainda afrontam com escândalos de certos subsídeos de deslocação. Deixo apenas estas flores, pensando no seu título. Porque eu acredito sempre num outro amanhã.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Que silêncio!!


ADENDA
Achei que uma ilustração surrealista era apropriada...

Silêncio com surpresas ou sem surpresas?
Alguém me dá notícias?
A Senhora Ministra está de férias? Nunca mais a vi nem ouvi, não é que tenha saudades, só não sei se deu algum passito atrás. (Não é ingenuidade minha, é só hipótese de lhe terem mostrado o previsível caos do recomeço escolar... nem sei se vou encontrar a escola cheinha de professores o dia todo, mas fechada por falta de funcionários auxiliares).
O Educare parece de férias, a Fenprof ainda mais, nos jornais nunca mais vi a secção Educação.
Serei eu que ando pouco atenta e já está tudo negociado, programado, organizado... escolas renovadas e entusiasmadas e eu aqui a continuar a pensar cobras e lagartos?

sábado, agosto 20, 2005

Ora esta...!




Métodos de ensino... manuais escolares... Onde estava a minha cabeça, para tais assuntos em férias??!!
Xôô... agora vai para fim de semana!

Manuais escolares

Ontem fui a um hipermercado, reparei logo no grande anúncio "Regresso às aulas" apontando a secção de material escolar, o que me trouxe à memória o meu habitual litígio com os manuais escolares - dizendo mais precisamente, com o manual de Matemática, que é com esse que lido. Litígio que, enquanto pessoal, não teria importância, pois só me dá o trabalho de gastar mais um pouco de tempo a seleccionar o que possa aproveitar do manual (que é importante que os alunos o usem, além de que custou caro) ao planificar as minhas aulas. (Minhas, sim, malgrado os autores dos manuais os elaborarem extensamente como se as aulas de cada professor fossem obviamente as que as suas cabeças concebem).
Mas, aparte o meu litígio pessoal não importante, a verdade é que o negócio das editoras com os manuais foi progresivamente tendo consequências negativas de não pouca importância. Seja porque alguns professores se sentem obrigados a tornar o manual no seu guia de aula dado que os alunos o compraram a alto preço, seja porque a concorrência leva os próprios autores a recheá-los tornando-os um aliciante à dispensa da planificação pessoal e autónoma das aulas pelo próprio professor. E, assim, alguns (eu evito sempre dizer muitos porque os casos que observo são de facto poucos) passaram a dar as aulas consoante a gestão ("flexível") do curriculum concebida pelos autores, usando as estratégias que estes entendem ditar (para qualquer turma e quaisquer alunos), propondo os problemas e exercícios profusamente a jeito de não se ter que os criar, mas em que cada vez menos se consegue discernir critérios de escolha, ordenação ou graduação (a não ser, por vezes, o de ser o problema "engraçadinho"). E com essa auto-incumbência de tudo fornecerem ao professor, acrescida do trabalho de procurar bonequinhos acessórios a encarecerem o dito e a infantilizar os alunos, é natural que lhes sobre menos tempo (aos autores que concorrem às editoras, cuja concorrência, por sua vez, impõe assim) para se preocuparem com uma organização simples e uma clareza que torne de facto o manual acessível e, portanto, útil ao aluno - além de que seria menos oneroso se se cingisse ao necessário dado que o manual é (devia ser) o manual do aluno, não é (não devia ser) o manual do professor.
Também o rigor científico nem sempre anda nas preocupações da negociata, e inevitavelmente escapa o errozito científico aqui e ali a quem escolhe a braços com umas duas dezenas de manuais chegados em catadupa e em cima da hora para analisar em 15 dias no meio do intenso trabalho das últimas semanas de aulas.

P.S. Quase no final de escrever este post fiz uma breve pesquisa e encontrei:

sexta-feira, agosto 19, 2005

E quando a primavera...

(Ainda a propósito de autonomia)

E quando a primavera começa a produzir mais conversa e menos trabalho, é frequente eu fazer um grande discurso que pouco efeito tem nos efeitos da primavera. Mas isso é porque também tenho altos e baixos, fadigas e caídas na rotina que me fazem andar um tanto esquecida de que mais eficaz do que meus discursos é "passar a bola" da análise da situação e das decisões responsáveis para a turma. Uma mesa a presidir e a ordenar a discussão, a stora pedindo a palavra o menos possível...
Dizemos muito que eles precisam de ser mais responsáveis pelo seu estudo (e é verdade), subscrevemos também que educar é preparar para a autonomia, mas esquecemos (eu pelo menos às vezes esqueço, apesar de o saber bem) que eles são capazes de ser autónomos e responsáveis quando mostramos que acreditamos nisso e nisso apostamos.

(Que coisa, as poucas fotos que tenho são de quando leccionava o 2º Ciclo, mas serem dessa idade até reforça o que acabei de dizer)

quinta-feira, agosto 18, 2005

Matemática e métodos de ensino

A minha necessidade de aproveitar as férias todas para destressar da actual política educativa (ou pseudopolítica educativa) não se estende às coisas da sala de aula - aí estão só os alunos (e eu).

Encontrei, numa entrevista de conceituado professor universitário ligado às questões do ensino da Matemática e à investigação nesta área, uma citação do grande matemático português do século XX, José Sebastião e Silva: “A modernização do ensino da matemática terá de ser feita não só quanto a programas mas também quanto a métodos de ensino. O professor deve abandonar, tanto quanto possível, o método expositivo tradicional, em que o papel dos alunos é quase cem por cento passivo, e procurar, pelo contrário, seguir o método activo, estabelecendo diálogo com os alunos e estimulando a imaginação destes, de modo a conduzi-los, sempre que possível, à redescoberta”. Lembrei-me então da 2ª questão que deixei agendada para pós-férias no meu post de 25 de Julho, que aí resumi assim: "Da defesa e até luta de bastantes professores de Matemática pela adopção generalizada de novas metodologias especificamente adequadas ao ensino-aprendizagem dessa disciplina nos anos da escolaridade básica (novas na prática, que nada novas nas teorias e investigações na área da educação matemática), até à resistência que não se situa apenas nos próprios - os professores de Matemática -, mas na cultura e/ou clima ainda prevalecente na escola portuguesa."

Creio que a parte da afirmação de Sebastião e Silva relativa a expor mantendo diálogo com os alunos é uma questão ultrapassada na escolaridade básica, pois julgo que nenhum professor conseguiria manter, nessas idades, os alunos mais do que cinco minutos atentos sem uma constante interacção com eles. E, embora a isso se chame método activo, não é isso por si só que, a meu ver, retira o cunho de ensino tradicional ao ensino-aprendizagem da Matemática, podendo esse diálogo não ser mais do que um expediente para a captação da atenção num método que não deixa, por isso, de privilegiar a exposição.
Mas, Sebastião e Silva acrescenta o que é o cerne da questão: a condução dos alunos à descoberta/redescoberta. E aqui lembro um dos meus lemas de sempre: qua a Matemática não entra pelos olhos ou ouvidos, mas pelo lápis no papel.
Não cabendo num post escrito ao correr das teclas enveredar por fundamentações teóricas, lembro apenas que da defesa e luta de bastantes professores nas décadas de 70 e 80 pela assunção de uma estrutura de funcionamento das aulas de Matemática assente no trabalho em grupo e respectiva dinâmica se chegou ao apoio mediante directrizes claras do gabinete de Matemática, a dada altura existente na Direcção Geral do Ensino Básico, no sentido de um método, efectivamente adequado à aprendizagem da Matemática, baseado na referida estrutura de funcionamento. Directrizes que se foram desvanecendo na resistência (talvez por insegurança devida a formação insuficiente para tal) dos professores de Matemática e também à desistência de alguns face à surdez de certas escolas à necessidade de não criarem obstáculos práticos à existência de salas apropriadas à exequibilidade de tal método.
Não me imagino a seguir outro, em toda a minha vida só entendi as aulas de Matemática assim. E os alunos também entendiam (e entendem) a diferença positiva, por isso colaboravam nos mais diversos expedientes no tempo em que o mobiliário de sala de aula (as carteiras, que não sei se ainda existem nalgum museu) de facto os requeriam para poderem trabalhar em grupo.

E aqui, trata-se de outra interacção bem para além da interacção professor aluno: a interacção entre os alunos, nos grupos e entre grupos, enfim, na aula toda.
Poder-se-ia pensar que o trabalho em grupo também não se trata de mais do que um expediente para substituir a real dificuldade de apoio constante a pelo menos 25 alunos pela maior facilidade desse apoio a um máximo de 6 grupos. Mas esquecer-se-ia o que de essencial essa estrutura de funcionamento dá aos alunos, preparando-os para um posterior ciclo, o Secundário, em que factores como a extensão dos programas decerto não a tornam exequível, mas em que também já não é imprescindível.
Dá-lhes uma relação com a Matemática baseada no trabalho de descoberta (também na tentativa e erro e compreensão deste), por si mesma desafiante como o mostram as frases frequentes: stora, não corrija ainda, deixe-nos acabar; stora, não explique ainda, já estamos a ir... . E dá-lhes sobretudo autonomia no trabalho nessa disciplina, pois trabalham uns com os outros, sim, mas boa parte da aula sem professor, cujo papel, além de exposições obviamente também necessárias, é o da explicação e do apoio apenas indispensáveis, que, na dinâmica criada, eles próprios (os putos) fazem questão de querer apenas nos impasses de naturais e inevitáveis dificuldades.
Piaget dizia que a verdadeira finalidade da educação é a preparação para a autonomia. Atrevo-me a parafraseá-lo dizendo que os métodos verdadeiramente adequados ao ensino-aprendizagem da Matemática nos anos do Básico são os que preparam para uma relação autónoma com ela no futuro trabalho pessoal que lhes exigirá.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Caminhar, sonhar e voar




"Os pés ... caminhos para seguir sempre; o professor e os alunos ... o sonhar e voar constante necessário à nova escola."





Mural cerâmico modelado pelos alunos
numa escola modelo no estado de Paraíba, 2002/2003
Centro Estadual de Ensino-Aprendizagem Sesquicentenário