O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó---óóóóóó óóó---óóóóóóó óóóóóóóó
(O vento lá fora).
Jennifer Kirby
Hoje estou a lembrar-me não dos meus alunos, mas dos outros mais velhos que estão no momento decisivo de enfrentarem o numerus clausus.
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(Para tudo, há sempre um gif na Net :))
Nem sempre o desafio é ganho!
Nem sempre, talvez, o peguemos pelos “cornos”.
Pois... nem sempre acontece como no caso Rita e o ódio à Matemática.
A Xana foi um caso com algumas semelhanças com o da Rita. Tinha opiniões firmes e decisões autónomas, e também detestava Matemática – uma disciplina para deixar de lado, podia passar de ano sempre com negativa nela.
Esse desafio perdi. Para o porquê, há vários talvez porque...
... nas turmas há os grupos sempre a solicitarem, mais os casos individuais a requererem particular atenção para as suas dificuldades com a Matemática, mais, também, aqueles que (nem que sejam um só) numa turma mediana têm o direito à disponibilidade mental e à preparação prévia, por parte do professor, de oportunidades para irem tão longe quanto o seu firme nível cinco mostra que podem ir;
... por muito que o queiramos evitar, também na nossa capacidade de investimento se reflectem os sucessivos momentos de vida, ora mais libertos, ora mais carregados de problemas pessoais e familiares comuns a toda a gente;
... acresce que a Xana era uma adolescente em risco (por isso foi acompanhada pela psicóloga escolar), o que torna bem pouco importante uma disciplina curricular - mesmo na sala de aula é a adolescente e não a aluna que mais temos que olhar.
Mas...
Enquanto que há aqueles alunos cuja integração e motivação de facto nos ultrapassa face aos tais factores familiares e sociais demasiado adversos, não era esse o caso da Xana. Por isso, ao chegar ao final do seu 9º ano (em que, sempre com o seu nível dois a Matemática - que o um evitamos nestas idades – ela foi aprovada), eu fiquei a dizer-me: também falhei, a este desafio eu não peguei pelos cornos.
(...)
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
(...)
Pablo Neruda, 1953